segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Neste fim de semana fomos visitar meus sogros, avós da Luiza. Minha cunhada me levou para ver as flores da botânica da UFSCAR, para que eu mostrasse toda àquela beleza pro meu bebê e pudesse meditar. Não sou muito dada à meditação, gosto de contemplar a natureza e nenhum pássaro me passa desapercebido. Cresci num lugar em que estar próxima à natureza é algo comum e os anos longe de lá não estragaram com este hábito, embora tal contato tem sido cada vez mais raro. Foi interessante, mas acabei me dando conta de que, ao invés de conversar com a Luiza, tenho conversado muito mais com meu pai. Toda vez que vejo alguma coisa legal que penso em mostrar a ela quando nascer, logo me vem a lembrança dele, a vontade de compartilhar com ele e a tristeza de saber que isso já não é possível mais. Algumas pessoas acreditam que os mortos vão para um plano onde podem nos olhar e nos ouvir, outros acreditam que eles um dia vão voltar e outros que um dia todos vamos nos encontrar. Eu acredito que os mortos estão dormindo, aguardando a volta de Cristo para nos levar à vida eterna. Posso acreditar na coisa errada, mas o fato é que penso que meu paizinho não está mesmo por aqui. Ainda assim eu converso com ele. Não com o espírito que me olha, ou que vai voltar, ou ainda aquele que vou encontrar um dia, mas o meu paizinho amado que mora dentro de mim, que está bem vivo e saudável aqui dentro e que através dos meus olhos continua olhando as flores e os pássaros, admirando a modernidade e a tecnologia, conhecendo as chaminés da Refinaria de Paulínia, toda essa beleza que ele amava tanto e que me ensinou a amar também e que eu espero conseguir ensinar para a Luiza.
Fico pensando, quanta expectativa minha pequena já carrega consigo sem sequer ter nascido. Tentei deixa-la longe disso, tentei dar a ela apenas a alegria de sua chegada, tentei não associar sua vinda com a partida de meu outro amor, mas tudo isso mudou quando tive medo de perdê-la. Só aí consegui perceber o quanto estas duas coisas estão entrelaçadas e o quanto preciso me permitir conviver com estes dois momentos que, embora opostos, são as duas faces da mesma moeda (meio senso comum isso, mas é pura expressão de vida e morte). O lado bom de tudo isso é que com minha capacidade de sentir coisas tão opostas ao mesmo tempo, consigo manter vivo dentro de mim o meu pai que morreu enquanto minha filha cresce. Consigo ser triste e alegre sem entrar em conflito. Estou certa de que Luiza já ama a imagem deste vovô que ela não vai conhecer, mas que sorriu para ela assim que soube de sua vinda. Parece que ele a estava esperando vir para que ele pudesse partir em paz. E eu, bom, eu sou apenas o instrumento que permitiu essa magia, esse milagre. Um instrumento de Deus na renovação da vida, no milagre que é a vida... talvez um dia eu volte a ver e a abraçar meu paizinho lindo, por enquanto fico ansiosa esperando o abraço da minha bonequinha sapeca, abraço que vai ter um pouco dele também, já que ela veio para que ele pudesse enfim cumprir sua missão e partir...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bem vinda!

Hoje é o meu primeiro dia neste novo universo. Sempre pensei em escrever um livro de historias, as que vivi, as que ouvi, mas realmente não me acho competente para isso. Ao menos hoje, amanhã quem sabe.
O fato é que escrever é algo que alimenta minha alma, embora eu o faça hoje muito pouco. Minha alma está faminta! Li tanta filosofia e texto científico na faculdade e escrevi tanta dissertação que fiquei meio enjoada das letras, me afastei daquilo que sempre amei fazer. Acho que em parte tambem isso aconteceu porque aprendi a ser ser feliz, aprendi a ser alegre e os momentos em que mais sinto vontade de escrever é quando estou triste.
Pois bem, estou triste, embora feliz e alegre. É confuso eu sei, mas é como me sinto. Ontem fez dois meses que enterrei meu pai, meu amor mais puro e sincero e ontem vi meu bebê pulando dentro de mim através de um ultrassom, a minha Luiza, a minha sapequinha.
Decidi escrever porque esta é a forma que encontrei de atravessar este momento e de lidar com estes dois sentimentos: a dor da partida e a alegria da chegada.
Dedico este espaço ao meu pai, amor da minha vida, e à minha filhinha, minha vida, meu encanto. Para ele minha homenagem ao grande homem e grande pai que ele foi em vida e é em minhas lembranças. Para ela a herança da importância deste momento em nossas vidas.
"Pai, às vezes penso que o perdi, mas não é verdade, apenas não o vejo mais de olhos abertos. Te amo muito!"
"Luiza, você veio quando o vovô partiu para contar a mim, sua mãe, que a vida segue e se renova e o quanto isto é magico. Seja bem vinda minha pequena, que Deus a abençõe. Essa mãezinha aqui já te ama muito, muito e te espera ansiosa e cheia de historias pra contar."

Com amor,
Nivia.