domingo, 11 de dezembro de 2011

A Bicicleta

Primeiro as boas notícias: meu irmão foi operado na quarta-feira e já se recupera em casa. Retirou um tumor de 15cm e um rim. O futuro? Vamos ver o que nos espera, apegados à esperança de que estamos prontos para vencer qualquer obstáculo.

Luiza vai ganhar uma bicicleta do papai noel, é, porque ele, o noel, já virou freguês aqui de casa. Voltando pra casa hoje de manhã, enquanto dirigia sozinha pela Radial Leste me lembrei do dia em que o Jonas, meu sobrinho mais velho que hoje já tem 18 anos, ganhou sua primeira bicicleta. Ele deveria ter uns 2 aninhos, não lembro ao certo, mas sei que ele era menor do que a Luiza. Minha irmã, madrinha dele, comprou o brinquedo e embrulhou, fez um pacote enorme e no dia do Natal, logo cedo, ele chegou em casa e meu pai, o Vovô Anizio, foi correndo dar o presente só pra ver a alegria do menino. Minha irmã ficou doida, chorou, brigou, afinal o presente era dela, e ele achou graça na braveza dela. Coisas de Anizio. Está certo, ele não agiu direito, foi atropelar logo a mais invocada das suas três filhas. Hoje penso que se perguntarmos pra ela sobre esse dia ela vai ficar brava ainda, mas com certeza adoraria que isso se repetisse muitas vezes. Saudades...

Estou doida, surtada mesmo. Ando revoltada com o mundo, comigo mesma. Ando intolerante com todo tipo de reclamação seja sobre mim, sobre o tempo, sobre a situação do mundo. qualquer queixa anda me tirando do sério. E ando cansada de quem não valoriza a vida e cansada de quem não sabe o que é amizade, de quem se acha melhor do que os outros. Estou farta e muito a fim de fazer uma faxina na minha vida, e quero eliminar principalmente histórias que não me pertencem e pessoas que não me respeitam. Ando muito afim de dizer um FODA-SE bem grande pra um tanto de gente por aí. Vivi uma situação há alguns meses e quase me vi forçada a tomar certa atitude, mas também não estou afim de contrariar meu coração, não mais. E se alguém não concorda com quem eu sou e com meu jeito de ser e ver a vida, que se afaste. Por mim estou buscando crescer e ser uma pessoa melhor, só por mim e pela mãe e esposa e pelo ser humano que desejo ser. O resto do mundo F....

A cada dia mais me convenço de que tem está longe faz questão de estar perto e quem está perto não nos enxerga. E se enxerga é para criticar, é só para criticar. Esse tipo de atitude já me fez muitas vezes perder a fé em mim e hoje mais do que nunca sinto que preciso me guardar, me proteger. Sou destas pessoas que AMA a casa cheia, a vida repleta de amigos e pessoas queridas, mas até entre essas estou passando a peneira, e separando aquelas que quero bem perto de mim e aquelas que só vou visitar no "Natal".

Meu pai era um grande cara. Só enxergava o lado bom das pessoas e acreditava sempre nelas. Eu sou parecida, mas de vez em quando enxergo a sordidez humana. E já que é assim, ando mesmo afim de perder a ingenuidade, não sei se consigo, mas não quero mais me dedicar a quem não merece meu amor e minha amizade. Não quero mais perto de mim quem faz um mal uso do que tenho pra oferecer. Tenho muitas amigas queridas, muitos amigos queridos que sei que gostam de mim de verdade, não preciso do resto.

Será que de tanto falar e escrever agora vou conseguir virar a página? Cansada de me decepcionar com coisas e com pessoas.

sábado, 22 de outubro de 2011

Os acordos com Deus.

Quando escrevi meu penúltimo post eu não imaginava o que estava para acontecer. Quando recebi a noticia meu coração estremeceu: "será meu Deus, que minha filha vai conhecer essa dor assim tão cedo?" Meu irmão descobriu um tumor no rim direito. Depois esse pensamento me pareceu egoísta, afinal tem tantas outras coisas na vida dele, enfim.
Meu irmão é meu outro pai. Dez anos mais velho que eu, ele sempre foi aquele misto de irmão mais velho e amigo, aquele pai mais próximo, mais parecido comigo, capaz de gostar e compartilhar coisas como meu pai mesmo nunca foi capaz apenas porque entre nós dois havia um muro de 43 anos de diferença, meu pai era velho. Meu irmão era o pai jovem. Aquele que me enchia de orgulho exibir por aí. Ele me levava de moto pra escola e eu me 'achava' com isso. Ele andava de mãos dadas comigo pelas ruas e eu fingia que ele era o meu namorado mais velho. Ele apontava o relógio pra mim no clube como quem diz "hora de ir pra casa" às 19hs e eu respondia meio que por mímica que não, era cedo ainda, mas achava graça, adorava, me sentia protegida, cuidada. Protegida e cuidada como nunca senti dos meus pais, nem pai, nem mãe. Porque pro meu pai eu era a filha-neta, e pra minha mãe, sei lá, parece que ela nunca teve muito tempo pra mim. Teve até um tempo que eu desejava que ele entrasse comigo na igreja no dia do meu casamento, mas isso faz tempo, eu era muito jovem e deveria estar naquela fase em que a gente se envergonha dos pais. Meu irmão era diferente, ele conversava comigo de igual pra igual e ao mesmo tempo se preocupava como um pai se preocupa com um filho, como no dia em que nós caímos da moto e ele ficou desesperado, e isso me dava confiança de seguir com a vida. Eu até o ajudei a conquistar sua esposa bem lá atrás, faz tanto tempo. E a gente sempre teve uma sintonia incrível. E a gente gostava das mesmas coisas.
E o tempo passou e ele se casou. Aí eu fui obrigada a deixar que a outra moça da vida dele fizesse as batatas fritas e o macarrão com mussarela gratinada. E tanta coisa aconteceu. Aí eu voltei a trabalhar lá, onde ele mora, e de novo ele voltou a cuidar de mim. E mais, ele cuida da minha Luiza também. Eu vou trabalhar tranquila porque eu sei que ele vai estar sempre por perto, zelando por ela, como sempre zelou por mim. E ela se apaixonou por ele como eu sempre fui apaixonada e isso fez com que eu me apaixonasse mais ainda por ele e pensasse: "mesmo casado, com filha, ele nunca desampara ninguém". Então pra mim foi um choque, eu não esperava, fui pega de surpresa, todos fomos. E para nós, a família toda, outro diagnóstico desses vem com um temor gigante de estar vivendo novamente o pesadelo. São muitas as diferenças de um caso pra outro, mas eu desabei. Eu fico tentando colocar todo mundo pra cima, mas só agora estou conseguindo digerir a noticia, compreender e aceitar. Fico indignada matutando como foi que isso aconteceu e me causa um sofrimento terrível não saber usar toda a minha psicologia para ajudar quem eu mais amo. Desta vez não me desesperei, não pedi oração pra todo mundo. Fiquei um tempo sem querer entender, depois um tempo tentando entender e hoje tudo ficou mais claro, acho que estou voltando a ficar forte de novo pra ajudar.
Nossos pais não nos ensinaram a conversar, logo não sabemos fazer isso, mas tem horas que eu tenho tanta coisa pra dizer. Lembro que no meu trote do vestibular me deram um porre e no auge do mesmo eu disse pra ele que o amo, mas acho que foi a única vez. Embora eu saiba que ele sabe disso, mas é tão difícil falar. E eu também queria pedir a ele que lute, que não desista, que não perca a fé de que logo a gente acorda e o pesadelo passou, mas a gente sente medo de falar na dita cuja, a doença, parece bicho papão que vai nos pegar. Talvez eu escreva uma carta pra ele, talvez eu envie este texto, mas o fato é que hoje, agora há pouco quando cheguei em casa me veio a seguinte situação: meu pai quando estava internado rezava e pedia a Deus três meses pra ficar em casa e descansar. Fomos ver a oficina deles que está ficando pronta e meu irmão me mostrou o lugar onde pretende colocar uma foto do nosso pai e disse que depois pode ser pendurada uma dele também, daqui há vinte anos, ele disse. Ao me lembrar disso me veio um alivio tão grande! Fiquei aliviada por compreender que nos seus acordos com Deus ele pretende viver mais vinte anos, então significa que ele pretende lutar por eles ainda que dê trabalho e isso me confortou, embora eu deseje que ele viva muito mais. Mas, se pensarmos nas devidas proporções, nosso pai pediu três meses e viveu quatro meses e meio. Se ele pede vinte, acho que posso acreditar que Deus o presenteie com trinta anos? Para Deus nada é impossível não é?!

Pro caso de você meu irmão, ler este texto, saiba que aqui neste espaço moram os meus sentimentos que traduzo em palavras escritas para que eu mesma possa compreendê-las. Foi a forma que encontrei de lidar com a partida do nosso pai e é por isso que pareço tão forte e tão prática. E de fato sou assim, porque não é qualquer doencinha besta que me derruba não. Eu confio em Deus e acredito que tudo dá certo no final. Só precisamos observar que lição a vida quer nos ensinar e tratar de aprender logo, pro sufoco ir logo embora. Eu te amo. Você sempre foi meu irmão preferido e se você não foi meu padrinho de casamento nem é padrinho da minha filha, é porque você nunca foi bom nisso e eu te respeito e te amo do jeito que você é, com todos os seus encantadores defeitos (risos). E porque nós não precisamos desta formalidades para que o amor que temos um pelo outro seja evidente, isso é coisa pros outros falarem e eu sei que você também pensa isso. E que no dia do meu casamento você desejou que eu fosse muito feliz nem que pra isso você precisasse dar umas porradas no meu marido (risos). E que você cuida e ama minha filha como se ela fosse sua. Sua netinha ela deve ser mesmo, . Quero que você saiba que no dia do seu casamento meu coração se encheu de alegria por saber que você naquele momento também estava começando uma família, embora eu confesso, senti um pouco de ciúmes, afinal você não seria mais só meu, mas eu não era mais só sua também, tive que aceitar. E que entendi sua atitude de só se casar depois de mim, porque, sendo meu pai também, você precisava garantir que eu estivesse segura antes de seguir com a sua vida e essa foi a maior prova de amor que você me deu. E preciso te pedir perdão por ter te dado de presente de casamento a noite no hotel, eu quis agradar, mas agradei só sua jovem esposa porque você não gosta do que não foi planejado, eu já deveria saber porque eu também não gosto, perdoe-me, quando me lembro ainda me sinto mal por isso e sei que você vai dizer assim: "mas cê ainda tá nessa?". É, meu irmão, eu tenho boa memória. E no dia que sua filha nasceu sofri de não estar lá com você, a vida seguiu em frente e eu tinha que me preparar pra cuidar do Anizio. E isso me chateou porque eu só queria ficar babando na sua fofura, linda, sua cara, meu gênio ruim (risos), mas tinha que ficar frequentando hospital, sendo boa filha. Sendo assim, não fui boa tia. Mas eu a amo como amo a minha fofura e é delicioso ver o amor que uma tem pela outra, a Luiza reza todos os dias pro Papai do Céu abençoar a Maria Clara Prima, e agora reza pro 'Tio Nelso' também. E isso é a melhor coisa de todos os meus dias.
Eu estou aqui, sempre, seja pra comprar peças na Ladi peças, seja pra acudir você neste momento. Se tem alguém neste mundo que você pode pedir tudo sou eu, mesmo que seja coisa impossível, você sabe que comigo não existe "não posso", mas sim "eu vou dar um jeito".

E estou muito orgulhosa de você, do império que você construiu e da sua vontade de viver. E como você é mais velho, eu só posso me espelhar pra ser como você. Então viva muito! Não importa quanto leões você ainda tenha que matar para vencer, você não está sozinho nessa!!! Te amo. Muito!!!!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Razões para a razão - parte II

Semana seguinte (ultimo domingo), lá vamos nós de novo pro mesmo percurso. E de novo a estrelinha. E eu de novo (para não mudar a história): "olha Luiza, a estrelinha do Vovô Anizio". E ela: "mamãe, o Vovô Anizio é seu amigo?" " Ele é o meu pai". "Mas ele é seu amigo? Porque o meu papai é meu amigo". Que mais eu poderia dizer?

Essa é a parte boa de todas as horas e assim vamos seguindo e minha filha sempre me surpreendendo com idéias interessantes e histórias que jamais seriam imaginadas por mim. E vai dando leveza e graça pra vida às vezes dura e triste.

sábado, 24 de setembro de 2011

Razões para a razão.

No domingo eu e Luiza chegamos em Cambuí já tarde da noite. Enquanto caminhávamos sozinhas pela noite escura e de ar fresco, cantávamos e olhávamos as inúmeras estrelas, num caminhar sereno cheio de desejos. De repente notei no céu a estrela mais brilhante, creio ser um planeta, talvez Júpiter (não entendo de astronomia). No meu desejo profundo de apresentar à minha princesa histórias sobre o meu pai, me abaixei na sua altura, abracei-a e apontei àquela estrela: "olha Luiza, tá vendo aquela estrelinha bem brilhante? É o vovô Anízio". Ela respondeu: "é o vovô Anizio só de brincadeirinha." E eu pensei: "você é muito mais esperta que eu".
Complicado explicar a uma criança tão pequena que uma pessoa que ela nunca viu existiu de verdade. Penso que ela só vai entender isso se ela perder alguém, se sentir a dor e a saudade de nunca mais ver alguém que amou e, pensando nisso, desejei que ela nunca entenda então, que eu nunca consiga ensinar a ela a importância desse avô que ela nunca vai conhecer. Ela está crescendo linda e graciosa e cada dia é um presente na minha vida. Já vivo diariamente o luto de não ter mais um bebê em casa, penso que em breve ela terá 15 anos, em breve sairá de casa para estudar, casar, viver, então não quero perder um único minuto do tempo que me pertence. A cada dia uma aventura e de repente posso ser tudo de novo que já fui um dia nos meus sonhos de criança e muito mais. Quando em minha vida eu poderia imaginar fazer festa de aniversário para a Cinderela e a Branca de Neve? E que o mundo dos contos de fadas habitaria minha casa e a transformaria num eterno baile, com sapatinhos de cristal e beijos apaixonados de príncipes encantados, num acordar de um sono profundo para um mundo repleto de finais felizes? Com perseguições de bruxas e lobos terminando num abraço gostoso e um pedido especial: "mamãe, me cuida"? E que seria eu um dia a professora e no minuto seguinte aluna fazendo atividades. E ora bruxa, ora lobo, ora curupira, ora princesa e príncipe, e que seria capaz de mandar o frio embora como se este também fosse personagem de contos de fadas? E pensando em tudo isso experimento um sentimento que não é só meu. Ando na rua com minha princesa vestida de roupa de flor para o desfile de primavera e todos os que encontramos, sem excessão, param, comentam sem parar, olham e sorriem para ela, admirando sua graça e beleza e me pego orgulhosa do mesmo jeito que ele, meu pai, ficava quando saía comigo. Sinto-me inflada de tanto amor e orgulho, fico grande, enorme como ele era enorme e hoje me dou conta que parte de sua grandeza vinha de nos olhar (eu e meus irmãos) e ver a riqueza que cada um trazia consigo, cada um com suas qualidades. Mas eu era a menina dos seus olhos, o "xodó", a pequena que ficou mais tempo no colo e pensando nisso entendo todo o amor que carrego dentro de mim e volto a sentir todo o amor que me envolveu durante toda a sua vida a meu lado. É complicado pensar e lembrar que a foto nunca mais será completa. Não sinto falta de nada, tenho de tudo mesmo não tendo tudo, até sua presença sou capaz de sentir no momentos mais inusitados. Meu pai era do sol, mas amava as estrelas como eu aprendi a amar.
O Otorrino receitou Cerumim para a Luiza. Meu pai usava Cerumim e ontem, sem querer, notei o frasco em cima do criado mudo e de repente voltei no tempo, me transportei para outro lugar, mesma cena, e quase o vi entrar pelo quarto. Saudade... Não fui mais ao cemitério, não vejo mais validade nisso, não, ele não está lá, embora isso me dê a concretude de sua partida. Já não converso com ele como no inicio,não creio que ele possa me ouvir, talvez isso deixe a saudade ainda maior, mas ando encontrando-o em todos os lugares que se parecem com ele, os lugares por onde ele passou, nas coisas que ele gostava, nas suas manias insuportáveis de velho. Quando estou na sua casa durmo na cama que foi sua e que está quebrada, quase posso ouvir sua voz reclamando destes "móveis porcaria de hoje", só não tenho sua habilidade para consertar, certamente ele já teria dado jeito naquela cama.
Sim ele está em todos os lugares porque eu o levo sempre comigo, mas ainda não achei um jeito de fazê-lo encontrar-se com ela. Como seria se isso fosse possível?
Minha mãe vive hoje um caso de amor com a Luiza, elas se entendem muito bem. Ele certamente estaria enamorado dela também, lhe compraria maçãs e doces. E uvas que ela adora. E mandaria minha mãe fazer bolos para ela. E faria sucos, muitos sucos, e acho até que coaria e deixaria docinho,e a levaria para a oficina e explicaria que teve um tempo em que os motores funcionavam com carburadores, mas que ela já nasceu no tempo da tecnologia e os carros são com injecção eletrônica, embora o princípio continue sendo o mesmo e com o tempo ela entenderia e se apaixonaria por carros como eu me apaixonei. Não, meu pai não era apaixonado por carros, ele consertava carros, mas penso que ver seu poder diante daquela lata velha que ninguém mais dava jeito (ele sempre conseguia) me inspirou a também dominar essa máquina, embora de outra forma. Aprendi a amar o que ele amava e sempre me empenhei em não decepcioná-lo, ainda que fosse dizendo que o doce de laranja estava maravilhoso quando na verdade eu nunca gostei muito, mas ele fazia pra mim. Ele gostava e fazia pra mim, existe no mundo amor maior?
Hoje fiz bolinho de chuva e Luiza pedia com ar sorridente: "quelo bolinho de chuva". Será sempre assim, ele me ensinou a ser assim, me ensinou a agradar com comida, a compartilhar o que é bom para mim, porque do que gosto coloco também o meu amor. Mas fui além, porque ando sendo capaz de fazer o que não gosto também com ainda mais amor porque é bom para ela. Acho que isso foi ele também que me ensinou, lembrei-me dele me enviando dinheiro todo mês por seis anos seguidos sem nunca compreender que faculdade era aquela que eu fazia, apenas para "fazer o gosto", ele foi além (antes de morrer ele reconheceu o quanto minha petulância em estudar foi de grande valor, em tempo).

...

Meu coração se cala na saudade. Será que um dia minha Luiza vai sentir ao menos um pouquinho desse amor que eu tenho por ele no seu coraçãozinho? Será isso possível?

sábado, 17 de setembro de 2011

Meia Noite

Meia noite, passou da hora de dormir. Ganhei/comprei um brinquedo novo: um netbook. Confesso, a tempos não tinha um computador só meu. Para ser sincera, tive um só meu por muito pouco tempo e este aqui também não será só meu, mas estava doida para "estreá-lo". Quando pensei em comprar um netbook, pensei que seria esta a hora de me dedicar a perseguir antigo sonho: escrever. Quem sabe dia desses eu consiga enfim escrever um livro. Não sei. Meu amigo Sean escreveu um que eu li e amei, agora tenta publicar. Perguntei a ele como é que se faz e ele me disse que o livro vai surgindo e de repente começo a compreender o que isso significa. Talvez agora me arrisque, porque eu não escrevo os textos, eles surgem na minha cabeça, são como as pipocas do Rubem Alves. Só que até que eu consiga chegar à maquina para transcrevê-lo dos meus pensamentos para um documento de word, ou para um post do blog, às vezes o texto escapa. Então penso que tendo a máquina à mão, talvez isso aconteça menos, quem sabe. Bom mesmo era ter um computador conectado diretamente com meus pensamentos. Doce sonho.

Não sei o que será do futuro, talvez o sonho antigo vire de fato projeto, talvez ele se concretize, talvez alguem queira ler o que escrevo, não sei. Quem sabe... E por aí vai. Agora vou dormir que o dia foi longo, mas termino esta com o compromisso: essa historia não acaba aqui!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Para quem gosta de Setembro...


Para todos os lados vejo as pessoas celebrando a chegada de Setembro. Sim, é um mês bem bonito e até desejava me casar nele, mas o meu mês sempre foi Agosto, eu nasci em Agosto, não tinha como ser diferente. E esse Agosto em especial foi muito, como dizer, "especial". Meu coração ainda celebra.
Pensando na chegada da Primavera, na estação das flores, lembrei-me dos ipês. Flores lindas, sempre me causaram admiração, pelo colorido e pela resistência, os ipês florescem em pleno inverno. E antes disso acontecer, perdem todas as folhas para economizar energia para a florada. Quer simbologia mais interessante que essa? Fazendo um paralelo com a minha vida nos últimos cinco anos senti-me um ipê. Longo inverno, parecia nunca chegar ao fim. Mas de tão seco, mais belas foram as flores que surgiram. E agora que entrou Setembro elas começam a cumprir o seu ciclo e cair, para dar lugar à primavera. Então penso que esse Agosto de lindos ipês anunciou o fim do longo inverno. E que venha a primavera da vida porque fiquei cansada do frio, e porque a vida vale a pena, somos livres para admirar a beleza de todas as estações.

Foto tirada de: http://www.panoramio.com/photo/36764692

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O melhor de todos.

Quebrou-se o ciclo de tragédias, esse aniversário foi maravilhoso! E como já passou, ufa! Deu certo.

Começou com uma festa surpresa, mas surpresa mesmo foi o marido não achar o caminho da festa. Foi hilário e quebrou o pavor que eu estava sentindo. Bolo, brigadeiro (amo), amigos queridos e até quem eu nem imaginava me esperado para cantar bem alto: Parabéns pra você! E abraços, e presentes, fiquei tão nervosa que não parava de tremer. E tudo dois dias antes, apaguei a vela meio contra a vontade, para que antecipar o inevitável? Foi gostoso.

E o dia? Ah, delicia! Folga negociada no trabalho, só em casa encontrando lugar para os presentes, arrumando a casa nova com coisas novas, coisas minhas. E mensagens e mais mensagens, pela net, pelo celular. De repente toca o interfone e o porteiro anuncia a chegada de uma encomenda: e minha querida Lu vêm me abraçar através de flores e bombons, palavras doces e imagens que dispensam explicação, a doce surpresa do dia! Tem jeito melhor de dizer que se ama? E claro, nos falamos ao telefone e eu acabei concluindo que estou ajudando a criar sua filhinha Salomé (risos). Nunca senti tão perto de mim alguém que fisicamente está tão longe! E ela sente assim também, que eu sei. Até fiz um texto pro blog de outra amiga, aqui o link, vale a pena ler. E ela agradeceu aqui.

Dia seguindo, mais mensagens, saidinha com o marido e com Luiza, brinde com chopp num fim de tarde quente, alguns petiscos, huuummm. Chegando em casa, mais flores, de uma amiga, ex-vizinha, respeitando a bagunça da mudança, mas ocupada em dizer que não esqueceu. Telefonemas e telefonemas, mais mensagens, responde as mensagens, come as trufas deliciosas enviadas pela Lu, acabou o dia... nããããããoooo. O melhor ficou pro final. Já de pijama, deitada, pronta pra dormir, outra surpresa: meu lindo marido me aparece com uma caixinha preta linda, com um laço. O que tinha dentro? Um cordão com pingente e brincos. O que aconteceu depois?

...

Ah, fazer 35 anos foi tudo de bom!!!!! O melhor de todos os aniversários.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

35

Ando arrepiada de pensar que vou fazer 35. Só de olhar o número me dá um arrepio na espinha e uma pontada no estômago. Passo mal.
Fiquei meses planejando meu aniversário, não comemoro há 4 anos e em cada ano por uma razão mais apavorante que a outra: meu pai no hospital "raspando" um câncer (no dia do meu aniversário). Meu pai recém-falecido. Luiza pequenininha - risco de gripe suína, "fiquem em casa, evitem aglomerações (o que é uma festa?). Ano passado já tinha combinado: bolo no dia, almoço com os amigos no sábado, minha sogra enfartou 3 dias antes. E assim foi e eu fui fazendo só anos, nada de aniversário. Quem me conhece sabe o quanto pra mim faz diferença ter festa, mas estou angustiada. Todo mundo fica falando que é exagero, mas já fez um ano que estou em crise de idade. Sim, isso existe, ando me sentindo velha, feia, ando em conflito com a imagem no espelho, não me entendo com ela.
Encontrei uma velha conhecida na rua dia desses e ela me falou que estou diferente, perguntou onde estava o cabelão. Era essa a minha identidade, mas já faz tempo que o cabelão me transformou numa madalena fora de época, ficou pesado demais carregá-lo, então cortei, mas não me entendi com o resultado. Aí alisei, ficou demais no começo, mas já não faz a minha cabeça. O fato é que não sou mais a mesma, por isso o cabelo não combina de jeito algum. Ninguém me contou, não li em lugar algum como se faz para adaptar a imagem do espelho ao que se viveu, ao que se viu e ao que se sentiu. Sim, às vésperas do meu aniversário estou me sentindo muito velha. Apavorada com o número. E não é o medo da morte, mas um não me reconhecer mais como antes. Emagreci (um pouco), mudei o visual, mas ainda assim me sinto desconfortável com o que vejo. Minha vida está legal, nossas conquistas são cada vez maiores, ver nossa filha crescer é a melhor coisa do mundo, estou trabalhando, estava com saudades disso. Tenho meu dinheiro, não é muito, mas me devolveu o controle da minha vida. Estou cansada, mas é do corre-corre que sempre me empurrou para frente, que sempre me fez sentir viva. Não entendo que dor é essa, que luto é esse por uma juventude que ainda mora em mim, mas que fugiu daquilo que vejo refletido no espelho. Ando com saudades de dançar, de jogar conversa fora, talvez da leveza de não ter tantos compromissos e coisas por fazer. Será isso? Será disso o meu pavor? Falta pouco para o fim, em poucos dias o número chegará até mim. Hoje na aula de inglês fiz questão de escrever minha idade correta: 34. E pensei: "deve ser pela última vez". Mas fazer 34 também não foi fácil. Pior, deu tudo errado e de novo só fiz ano, fiquei magoada com a vida, achando que nunca mais conseguiria comemorar um aniversário de novo e agora, tudo que tenho vontade é de enfiar minha cabeça debaixo das cobertas e esperar passar o dia (acoradar em setembro, como escreveu uma amiga no facebook). Estou sem vontade de comemorar. E quando meu marido e amigas souberem do que está escrito aqui ficarão desesperados para me animar, mas eu não sei se é isso que quero. A festa já está marcada, será feita, talvez até a hora da apagar a vela esse sentimento já tenha ido embora. Talvez no final deste texto ele já tenha ido embora, não sei.

Eu fiquei muito tempo pensando na lembrancinha que gostaria de entregar a meus convidados. Eu desejei na verdade uma festa enorme, vamos todos à pizzaria, não era bem isso que eu tinha pensado, mas o que importa é comemorar, não é? Não sei. Acho que passei tempo demais enfrentando tragédias na época do meu aniversário. Devo estar com medo que a bigorna dos desenhos animados caia na minha cabeça no final. Será?

Ganhei o sorteio do blog de uma amiga. Ganhei ingressos para a peça Peixonauta, nunca tinha ganhado nada assim antes na vida. Compramos um mega apartamento, não tenho motivos para me queixar da vida. É o número. Fazendo um balanço, nunca havia antes sonhado em fazer 35 anos. Sonhava com as conquistas e logo me via velha, avó mesmo, contando minhas aventuras para meus netos. Entre ter um bebê nos braços e acolher uma adolescente chorova, sofrendo por amor e sentar em circulo com meus netos e contar da vez que o técnico da Telefônica foi na república e se derreteu quando me viu (assim contou minha amiga Dri, eu mesma não percebi, mas o fato é que ele fez o que dizia não ser sua obrigação, segundo ela foi porque gostou de mim), dos suspiros e fiu fius que ganhava quando andava na rua, nos meus sonhos tinha um hiato. Nunca me vi nessa idade, nunca me imaginei como me vejo agora. Acho que nunca me vi ficando velha e tenho certa dificuldade em lidar com o que não imaginei antes. Deve ser isso. Embora ser experiente me fascine, acho que só olhei pelo aspecto filosófico da coisa. Tornar-me sábia. Apenas isso. Tornar-me velha? E não venha falar em plásticas, não me entendo com a coisa de não aceitar que o tempo passa para todos, pra mim também. É isso. Sei que o tempo passou, eu vi e vivi, mas minha imagem no espelho não condiz com o que vai no meu coração. Ainda sinto ter uma vida inteira pela frente, meu coração, hoje mais sábio, anda ainda mais vivaz e ansioso por viver mais e mais, agora sim é que a vida começa, com muito menos medo de arriscar, com muito mais confiança, pois como me escreveu um amigo hoje, agora eu sei das coisas, o que me faltava há 7 anos atrás. Mas o que eu faço com o meu cabelo? Perdi minha identidade visual quando cortei meu cabelão. Por aceitar que o tempo passou cortei meu cabelo. Fiquei parecida demais com minhas irmãs, mas eu sou eu e só. Eu gostava de ser somente eu e mais ninguém, ando vendo gente demais em mim e não gosto nada disso. Não não.

E agora vem esse número me assombrar. De novo o arrepio e a pontada. Acho que eu queria riscar o ano do meu registro de nascimento e parar de contar. Será que resolve? Será por este sentimento que tanta gente mente a idade? Posso até mentir, omitir, mas eu sempre saberei quanto é, então, de que adianta?

domingo, 10 de julho de 2011

O pote de moedas.

Certa vez assistindo a um desses programas de TV de entrevistas que passam durante o dia, vi a entrevista de escritor sobre seu livro recém lancado, no qual ele dava dicas sobre como "enriquecer", como guardar dinheiro e conseguir tudo o que deseja. Entre muitas, ele deu a seguinte dica: se você não tem como guardar dinheiro, comece fazendo um cofrinho. Pegue um vidro de maionese transparente, passe uma fita adesiva em volta da tampa para não cair na tentação de pegar as moedas lá dentro, faça um rasgo na tampa e comece a guardar moedas. Mas o vidro tem que ser transparente para que vc veja o dinheiro crescer, pois é daí que vem a motivação para continuar guardando, assim disse o escritor. Na impossibilidade de abrir uma poupança no banco, segui a dica: peguei um vidro vazio de tomates secos e comecei a juntar moedas, eu queria comprar um apartamento! Meu marido achou graça, mas topou a brincadeira. Algum tempo depois surgiu a oportunidade de comprar um imóvel que ainda seria construído, hora de abrir o cofre. Claro que as moedas sozinhas não pagariam o montante de uma casa, mas esse foi o inicio, o primeiro passo em busca de um sonho, um desejo, um projeto de vida.

Estamos de mudança. Não, não é pra nossa primeira casa, nesta já estamos há 4 anos e um pouco. Agora vamos pra nossa "mansão". Não que seja assim tão grande, mas é muito mais do que jamais imaginos conseguir neste estágio de nossas vidas, por isso temos muito a agradecer a Deus, que nos indicou o caminho e colocou fé nos nossos corações de que conseguiríamos sim dar este passo.

Então começo a me despedir do meu lar doce lar que será de outros, de parte da minha história que se fez aqui neste lugar, de onde escrevo, porque a vida segue sempre em frente, é assim que deve ser, e o nosso em frente tem muito espaço pras crianças correrem. Tá, tudo bem, já descobri que tem lugares ainda maiores, mas para nós é o céu, o paraíso, a imensidão e lá vamos nós.

Sim, tem um ladinho meu que está meio triste, eu crio raízes e amo o lugar que abrigou meus sonhos e minhas dificuldades. Aqui semeei meus sonhos e as sementes germinaram, cresceram, floriram, e agora estamos colhendo os frutos. Aqui me tornei forte, meu chão se tornou firme, aqui superei os obstáculos, chorei e sorri, boa parte do meu coração está grudado nesse chão, nestas paredes, em cada detalhe. Conforta-me saber que quem vem depois de mim encantou-se por aquela que foi a minha idéia de uma casa bonita, "de novela". Já consigo ver minhas coisas fazendo outras pessoas felizes, recebendo elogios de quem eu nem sei, nem conheço, sim, isso me faz feliz. Porque ninguém quer ver seus sonhos jogados ao vento. Porque ainda que este lugar não seja mais meu e nem abrigue mais os meus, sim, fui eu quem o construiu e aqui coloquei todo o meu amor. E quem comprou minha casa não comprou somente um imóvel, mas um lar. Vou me despedindo até a hora de partir, até lá meu coração já se entendeu com o que foi para receber o que está por vir.

E é isso, de um pote de moedas para um "quatro dormitórios". Ando sentindo muito orgulho de mim, de nós, ando ansiosa para explorar nossa nova conquista e torná-la de novo nosso lar doce lar. Meu coração já está com quase todas as malas prontas, passado e futuro se confundem no sentimento presente, logo lembranças serão lembranças e o futuro será presente, assim assim.

E o vovô da Luiza? Ficaria boquiaberto ao saber dos detalhes da negociação. E orgulhoso, claro, como sempre, de todos os passos bem dados e de todas as conquistas nossas.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lar doce lar - preparando a despedida.

Lar, doce lar. Lar, doce bagunça. Aqui depositei meus sonhos. Aqui encontrei o chão firme que tanto buscava, aqui fui feliz. Aqui fui triste, tive amor. Aqui senti raiva, senti dor, aqui vivi intensamente. Aqui me encantei com tapetes e vasos, aqui desejei quadros na parede, pedaços de vida em porta-retratos, aqui me apaixonei pelo chão, pelas paredes, pela pedra da pia da cozinha. Aqui fiz bolos e lasanhas, muito mais bolos, confesso. Aqui senti o amor de ser mãe de quem foi meu pai. Aqui vivi a dor de me tornar órfã. Aqui chorei, sorri, gritei, me desesperei, pulei de alegria. Aqui recebi o positivo. Aqui fiz o enxoval e decorei o quarto. Aqui me tornei mãe de fato. Para cá trouxe a personificação de todos os meus sonhos. Aqui tudo deu certo! Agora me vejo cansada, doente, brigando com o relógio para tornar o aqui mais limpinho e num sopro, num piscar de olhos vejo tudo o que vivi aqui entrar pela porta, pelas janelas, pelas frestas, de todos os lados, e se colocar na minha frente. Aqui semeei meus sonhos e agora me preparo para me despedir. Que virá depois de mim? Não sei o que será do meu aqui, mas sei que em cada centimetro coloquei meu coração e, embora feliz, sentirei saudades do meu Aqui, do meu cantinho, meu primeiro cantinho, tão lindo e aconchegante, tão cheio de amor. A vida segue, mas aqui será sempre o meu primeiro aqui, o meu primeiro meu, o tão sonhado lar doce lar. Aqui.(13/04/11 - 14:42)

De repente sou invadida por uma ansiedade paralizante, fico sem ar. Os dias passam como relâmpago e a hora da despedida está cada vez mais próxima. Um pedaço de mim não vê a hora. Um pedaço de mim perdeu o sono ao imaginar a casa vazia. Vazia de móveis e bagunça espalhada, mas não vazia de sentimentos. Como será enfim a despedida deste que foi a personificação de todos os meus sonhos? Meu lar, minha casa, minha. Nossa. Canto tranquilo repleto de sol. Meu porto seguro, tudo aqui tem um dedo meu, tudo aqui tem um anseio,uma dúvida, um desejo. Tudo aqui tem gosto de conquista. Tem sabor de realização e sucesso, tudo aqui tem meu coração. Sou dessas pessoas que criam raízes aonde vai e a partida é sempre um evento doloroso, sentimentos misturados, o desejo de seguir adiante, a saudade do que se viveu. Sou dessas pessoas que precisa de rituais, de despedidas longas, de elaborar o luto. O futuro? Será lindo, estou certa. Enquanto isso vou me preparando para alcançá-lo, vou me despedindo das paredes, do chão, do armários, desejosa de novamente me lançar numa nova aventura e construir outro lar, ainda melhor e mais bonito, que novamente minhas mãos sejam munidas do poder de tornar amor tudo o que eu tocar nesse nosso novo lar!

sábado, 25 de junho de 2011

Ser diferente, ser igual. Importa para o amor?

Sou muito diferente do meu pai. Ele dormia cedo e acordava cedo, eu sempre gostei de dormir tarde e acordar tarde. Ele adorava bananas, eu também, mas ele gostava delas bem maduras e docinhas, eu já gosto um estágio antes, mais firmes, quando muito molinhas já não consigo comer mais, só pra doces e bolos. Ele me ensinou a observar e amar a natureza, ele observava o movimento do sol, eu olhava a lua e as estrelas. Se é verdade que os opostos se atraem, esse é um bom exemplo. Com o tempo fui aprendendo a respeitar essa diferença, a não entrar em conflito só porque fui ganhando convicções diferentes das dele, já conheci um pai velho, bem pouco disposto a conhecer certas novidades, então concordava com ele que as melhores bananas eram aquelas mesmo, embora evitasse comê-las. Mas cometi muito erros tentando agradá-lo, minha ansiedade em ver meu pai feliz como ele sempre se esforçava para me ver feliz fazia com que eu cometesse alguns excessos, como no dia em que o levamos no zoológico e passou muito da hora do almoço. Já velho, a hora do almoço era sagrada e ele não aproveitou mais o passeio até enfim comer o maior prato que eu já vi na vida.
Ele sempre acordou antes de todo mundo e o cheirinho de café com pão quente de padaria que acabou de abrir era obra dele, eu só saio da cama no ultimo segundo se realmente tiver que levantar. Mas ele cuidava de tudo que era da gente, que era meu e eu tento fazer igual, tento, mas acho que até nisso somos diferentes. Ele cuidou do passarinho do Nelson (meu irmão), das minhas galinhas, do Johnny, que acabou por ser o seu companheiro dos últimos dias. Ah, o Johnny é um cachorro. E ele tentou cuidar do Manchinha, nosso cãozinho, mas aí é outra historia. Preciso fazer um parênteses aqui: "Papai da Luiza, seu pai cuida dos seus bichinhos de estimação até hoje, você pode fazer o mesmo com doação. É só o começo..."
Retomando: esta noite sonhei com um pai ao meu lado numa fuga alucinante. Não, não era o meu pai, embora no sonho fosse. Era uma figura forte, desses pais heróis de filme. Hoje quando me lembrei do sonho me veio a imagem do pai enorme e forte que eu via no inicio de minha vida e essa imagem contrastou drasticamente com a figura frágil do fim da vida dele. Ando sentindo muita melancolia quando penso no meu pai e hoje em especial pensei que pais deveriam sempre ser heróis e, mesmo que nós filhos fôssemos enganados a vida toda, penso que essa inversão de papéis não deveria ocorrer. Porque para a minha filha quero ser sempre o porto seguro, a figura forte, a casa de pedra para onde ela sempre poderá voltar para se sentir protegida e recarregar sua energias antes continuar seguindo a sua vida. Não lido bem com o fato de que isso pode mudar um dia, embora meu coração se alegre ao pensar que pude dar ao meu pai dias mais tranquilos nos momentos mais dificeis de sua vida, os dias em que teve que pensar em se despedir da vida que tanto amava. Folgo em saber que me tornei esta mulher forte capaz de ser mãe, antes fui mãe do meu pai, sua heroína talvez, a pessoa que teve "peitos" para buscar o que havia de melhor no momento pior. É um paradoxo. A vida é um grande paradoxo. Mais um mês e serão três anos completos sem ele aqui. Sua imagem anda ficando borrada na minha memória, embaçada, a imagem de quem e o que a gente não vê faz tempo, a imagem que vai sumindo. Tenho pensado nele muito mais nestes dias do que de costume. Talvez ainda tenha faltado ficha pra cair e isto parece acontecer agora. Não sei.
Minha princesa está crescendo, sua compreensão das coisas agora é muito maior e talvez seja a hora de apresentar a ela com mais propriedade o vovô Anizio. Todo dia ela reza e pede ao Papai do Céu que abençõe as vovós e o vovô Leo. Todo dia sinto meu coração doer porque não se reza para quem já morreu. Estou vendo minha fofura crescer envolta por muito amor e irradiando amor, só ele não está aqui, só dele ela não pode sentir saudades, sentir vontade de ver e brincar, quem é esse avô que ela não conheceu nem nunca saberá ao certo quem foi. Que avô ele seria para ela, já velho, já doente, frágil. Penso que ele seria para ela como foi para mim. Será? Sei que as coisas são como têm que ser ainda que eu nunca me conforme com isso. Talvez ele tenha partido porque, sendo eu mãe dela não conseguiria ser tão eficiente como mãe dele. Talvez ele tenha sentido isso quando ouviu a noticia da chegada dela. De que era a hora de eu seguir adiante com a minha vida e construir a minha familia. Minha mãe contou que uns meses antes de morrer ele disse a ela que estava tudo bem, que ela tinha uma casa, meu irmão e irmã mais velhos estavam levantando uma bela construção e minha irmã do meio e eu já tínhamos nossas familias e nossas casas. Cada um dos seus já tinha tomado o rumo certo do seu destino, era hora dele seguir adiante também. É, essa ultima parte ficou subentendido, ele não disse, ele não falava sobre ela, a morte, não eram muito amigos. Nisso também somos diferentes.
Mas herdei um sentimento que é idêntico ao dele: o amor à vida, o viver intensamente! Acho sim que foi com ele que aprendi desde muito cedo que só se vive uma vida (é o que sabemos concretamente), melhor não deixar escapar nenhuma emoção. Não, ele nunca disse isso. Ele viveu isso todos os dias de sua vida. E eu também!
Os dias continuam nascendo, o tempo anda voando, me apavora. Porque eu queria uma vida interia pela frente, mas já náo a tenho mais desta forma. Podíamos ter o direito de ensaiar antes de entrar no palco, quem sabe assim estaríamos juntos de novo...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ser mãe, ser filha.

Ando sentindo muito orgulho de mim como mãe. Minha riqueza está crescendo e aprendendo milhares de coisas todos os dias. Come bem (coisa que mãe adora), faz um charminho, nada demais. É educada, cumprimenta as pessoas, fica tímida quando não conhece, que bom, é, isso também vai protegê-la no futuro de chegar "chegando" onde não deve. Fala muito e muito bem, já consegue levar uma conversa adiante, se entrega à fantasia, come balas imaginárias, cria histórias, cuida dos nenéns e por vezes até de mim, vira minha mamãe. A ultima novidade é que aprendeu a usar o banheiro, deixou as fraldas. Não, não é mais bebê, virou de fato uma mocinha, linda, fofa, charmosa, engraçada, tudo de melhor nessa vida. E eu ainda estou embasbacada com a facilidade que foi para ela aprender a usar o banheiro. No primeiro dia quase voltei atrás, um frio e ela só fazendo xixi na roupa. Tive dúvidas se era o momento certo, mas já tinha começado, não podia recuar. No segundo dia... eu achei que a coisa fosse levar uns três meses. Que nada, no segundo dia ela já estava fazendo xixi e cocô no vaso, assim, num estalar de dedos, adeus fraldas! Curti cada conquista da minha fofura, mas nada me deu mais orgulho do que isso. Pense bem: num dia você (ela) pode fazer tudo a qualquer hora, onde estiver, tudo bem à vontade. No dia seguinte você tem que sentir seu corpo, perceber o que ocorre com ele e esperar a hora certa de liberar a coisa, ou não. Dificil né. Tente o contrário, fazer xixi na calça já sabendo usar o banheiro, no meu caso, há uns 33 anos mais ou menos. Quando fiz cirurgia de varizes, não podia levantar da cama e precisei usar uma "comadre", quase morri, foi uma das sensações mais incômodas da minha vida. Fiquei muito orgulhosa da sua capacidade em aprender isso tão rápido e de maneira tão eficiente, fico encantada quando ela pede para ir ao banheiro. E fiquei orgulhosa de mim por entender que esse era o momento certo, apesar das críticas e dos protestos (esfriou muito por aqui). Ela enviou sinais de que estava pronta e eu entendi e respeitei. Considero ser esse o jeito certo de ser mãe. Não importa o que penso, desejo, mas como estou sentindo o que vem dela, da minha filhinha. Li um livro anos atrás que dizia que são os filhos que educam os pais, eles é que dizem como devemos proceder e que quando negligenciamos isso vêm os problemas. Acho que peguei o espírito da coisa. Não que eu não venha a enfrentar problemas, mas de muitos deles ando conseguindo me safar apenas por tentar compreender como a Luiza está me educando, e tem dado muito certo. Então dedico esse post às minhas amigas gravidinhas, Lú, mamãe da Salomé que já está batendo na porta, e Eli, que acabou de saber que será mamãe. E para a Maira que está com a Sofia nos braços há três meses: deixem que suas fofuras as eduquem e serão boas mães. Esse é o meu conselho de "veterana" para vocês.

Desde muito cedo aprendemos que se está bom demais algo ruim vai acontecer. Eu como boa mineira que sou, custava a acreditar que as coisas dariam certo, muito sofri com medo de ser plenamente feliz, acreditando que isso não era possivel, apesar da minha boa fé e pesistêncai em tudo o que ja fiz. Não sei dizer onde foi que isso acabou, mas a vida deu conta de me fazer enxergar que, assim como existem momentos de crises e provações, também existem momentos de realizações. E hoje, se há algo que pode fazer com que a felicidade não seja completa, acredito que fique por conta do fato de minha familia andar desfalcada. Tantas coisas boas acontecendo e o serviço de informações continua dizendo que não consta na lista o novo telefone do Seu Anizio. Assim ficamos sem poder compartilhar com ele. Gostaria de acreditar que de lá ele nos olha pela janela e anda vibrando com tudo o que estamos vivendo e conquistando aqui, quem sabe. Se bem que um lado meu prefere não achar isso não, de jeito nenhum, porque se ele pode nos ver, pode também ver coisas que jamais faria na frente do meu pai. Tudo bem, continuo conversando com ele que mora dentro do meu coração. E vou sendo feliz, muito feliz. Na sexta-feira vi um avião decolar de dentro do carro e uma centena de lembranças vieram a tona. Minha saudade se tranformou em sorriso e meu coração se encheu de alegria. Saudade boa essa...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Magia dos Beija-flores.


Beija-flores são criaturas sagradas que Deus envia para nos contar seus planos de amor, para nos trazer boas noticias, para nos tranquilizar de que tudo vai dar certo. Sim, porque não é tão fácil ver um beija-flor, não somos nós que os vemos, são eles que se mostram, eles que se deixam ver por nós. E sim, eles aparecem quando menos esperamos, nos momentos de dúvida, de angústia, de repente, no mais inusitado momento, nos locais menos prováveis, um beija-flor. Sou apaixonada por eles e sou capaz de parar qualquer coisa para admirar sua beleza, seu vôo rápido e preciso, sua magia. Quando criança às vezes acontecia desse serzinho encantado entrar dentro de casa e, não lembro ao certo, mas minha mãe dizia que era sinal de coisa boa, ou algo assim. Anos mais tarde, depois de uma longa busca por um lugar pra morar, já cansados e ainda buscando, da janela do carro em meio ao trânsito caótico de São Paulo, eis que avisto um beija-flor lá no alto de um prédio, beijando uma única florzinha, de um único vaso de um apartamento, mais improvável impossível. E tive certeza: nossa busca chegaria ao fim naquela tarde. E foi assim. E desde então soube que sempre que ele se mostra a mim é porque algo muito bom está para acontecer. E tem sido assim, nos momentos dificeis ele me dá esperança, nos momentos de dúvida, ele traz a resposta e na angústia da espera ele anuncia a boa nova. Às vezes quero vê-los, fico procurando, mas não, não funciona assim.
De uns dias pra cá eles andam me visitando, se mostrando a mim sempre que alguma coisa começa a martelar na minha cabeça, estou certa de que tudo dará certo, graças à dança dos beija-flores que a mim se mostram. Logo teremos novidades, um dia de cada vez, sempre em frente. Novos ventos andam soprando e eu já "sinto o cheiro da nova estação".

domingo, 1 de maio de 2011

Só mais um café...

Manhã de domingo, cheiro de café no ar, não passou ainda? Será vindo de um vizinho? Ou a minha memória; ou o meu desejo... corro a atender a urgência do meu coração antes que, como todo dia, ele seja atropelado. Por quem? Pela vida, oras. Preciso passar roupa, meus ombros estão cansados, minhas costas dóem, cansa muito correr, correr, correr, chegar, onde mesmo? Pausa pra um café gostoooso, huuummm. Ando cansada de ser esmagada todo dia por este "rolo compressor" que é a rotina da vida. Por vezes fico esmagada, ai, isso dói. Por vezes sou arrastada, ora rolo, ora tsunami. Ainda nem havia me reorganizado com a nova rotina de trabalho, outra mudança, boba, mas deveras impactante no dia a dia. Escrever? Ah, isso deve ser para quem não tem o que fazer, e eu tenho muito o que fazer, meu coração que espere, ainda que este muito seja coisa alguma segundos depois e não me leve há lugar algum. Não entendo como as coisinhas pequenas da vida podem pesar tanto.

Quando comecei a trabalhar, logo que me formei, eu fazia o exercicio ao dormir de lembrar de cada paciente que atenderia no dia seguinte, de suas historias e assim me preparava para elas, para, ao acordar, estar pronta. Alguem disse que isso era errado, que atrapalharia meu sono, eu acreditei. E mais uma centena de coisas e eu fiquei sem ritmo, sem rumo, e ainda que todos os caminhos levem à Leonando da Vinci, certos atalhos, certos obstáculos, sei não. Pela primeira vez na minha vida estou realmente a fim de me olhar, de exergar meus passos e meus erros, não quero passar o resto da vida no mesmo compasso, mas não sei muito bem como fazer isso sozinha.

Ando sobrecarregada, não estou conseguindo dar conta de tudo e o trator com o rolo insiste em vir atrás de mim. Ou a onda gigante e meus esforços sempre inúteis. Sempre vou cair no final. Será que dá para ser diferente? Estou cansada de sempre dar de cara com a sensação de que ando vivendo a vida errada. Ando cansada de sentir que estou no lugar errado. De repente começo a entender que, de tanto me ocupar com o lugar de outrem, tenho deixado o meu vazio, "minha ilha", meu refúgio fica desprotegido e à mercê de toda sorte de ataques externos. Corro, tento defendê-lo já tarde demais, certos ataques causam estragos terríveis, feridas e cicatrizes passam a compor as paredes desse refúgio, não anda nada bonito. Mas, e a beleza da pintura original? Preciso dos serviços de um restaurador. Sei que lá no fundo tem uma bela pintura de cores fortes e vibrantes, mas também de uma suavidade incrível, delicia de olhar. Como fazer para recuperar tudo isso sem esquecer todo o resto? Como buscar a harmonia do que sou e o que vivi, sem meter sempre os pés pelas mãos? Sim, chegarei ao meu destino, mesmo que nada faça para isso, assim é a vida, a Leonardo continua cortando o bairro. Mas, será que é assim que quero e preciso continuar?

Só me resta tomar mais um café. O "rolo" já bateu na minha porta e se eu demorar a abrir, vai derrubá-la.

quinta-feira, 17 de março de 2011

E foi assim... Novidade. Pequenos grandes momentos.

E foi assim...

A festa foi linda! Ando com o coração cheio de alegria, orgulho, satisfação. Fui abençoada com um anjo em minha vida, uma anjinha linda, simpática e educada, que mais posso querer desta vida?

Chegamos no buffet e ela ficou assim, meio arredia, como de costume, com medo de brincar. A festa começou e logo ela desapareceu da minha vista. Sempre que me preocupava, olhava e ela estava lá se divertindo. Cuidei dos convidados, chequei se todos estavam bem, o tempo voou. Voltamos pra casa carregados de presentes e muito eufóricos com tudo. Uma soneca, abre um tanto de pacotes, uma birrinha básica pra dormir, afinal, com tantos novos brinquedos nem eu queria dormir. Acorda depois de uma horinha, dorme de novo e me vem a angústia: eu perdi a festa! Estava tão ocupada garantindo que tudo saísse bem, que brinquei só um pouquinho com minha anjinha! Ai que dor que me deu! Tudo bem que o ponto alto da festa foi quando me joguei na piscina de bolinhas e brincamos muito, mas na maior parte do tempo a Luiza estava lá e eu para lá e para cá, não parei. No dia seguinte, ainda triste, liguei para minha mãe e perguntei se ela havia visto a Luiza brincar. Ela me respondeu assim: ela é simpática , deu atenção para todo mundo! E se divertiu a beça, estou certa disso. Já passou quase uma semana e ela continua eufórica e feliz. Sim, sem sombra de dúvida esse foi o melhor aniversário da minha vida! Que venham os próximos!
Minha angústia passou, acho que meu papel de mãe é esse mesmo, garantir que tudo seja perfeito para que ela seja feliz, não é?

Novidade.

Volto a trabalhar na segunda feira. Para o antigo emprego, na Prefeitura da minha cidade, de onde estou afastada há 4 anos. Venceu minha licença e, não podendo mais prorrogá-la, resolvi me arriscar. O lado ruim fica por conta das viagens, toda semana, para o interior de Minas (2 a 3 horas de viagem). O lado bom: ah, tem uma lista. Luiza vai comigo e minha mãe cuida dela enquanto trabalho. Se vai dar certo? Não sei. Mas penso que este é um bom recomeço, sem pressão, sem uma busca angustiante, sem nãos. Uma forma de dar o primeiro passo de volta pra rua, pro mercado de trabalho. Penso que não será para sempre, mas pode ser a ponte para o futuro. O lado muito bom: segunda-feira quando saí com a Luiza para viajar fechei a porta, a bagunça toda do lado de dentro e eu do lado fora. No caminho até Cambuí desisti dessa loucura várias vezes, não foi fácil, mas voltava atrás toda vez que me lembrava dela me esperando aqui, então me enchia de força e seguia adiante. Quarta é dia da diarista, então quando voltei estava tudo cheiroso e arrumado, meu fardo ficou imensamente leve. Não sei se é o certo, não por mim, mas por Luiza, ela estranhou e sofreu um pouquinho com a mudança, mas fiz e estou fazendo isso por mim. Depois de 2 anos comecei a ficar neurótica demais dentro de casa, precisava sair. Ainda que ela sofra um pouco, acredito, será melhor para ela também ter uma mãe menos "louca". E estou animada em voltar a ter meu dinheiro, só meu, isso sim é que é coisa boa. Com relação ao trabalho, estou insegura, dei-me conta de que não atendo um paciente como aqueles desde que me afastei, estou enferrujada, mas deve ser como andar de bicicleta, assim espero.

Pequenos grandes momentos.

Não conheço alegria maior do que ver minha fofura crescer. Sou coruja sim, babo mesmo, ela é linda, especial e é minha, minha riqueza. Hoje a levei para fazer seu RG. Ela adorou, comportou-se feito mocinha, cumprimentou as pessoas, adorou sujar os dedinhos para as impressões digitais, sorriu, agradeceu, deu tchau. Por onde passava arrancava olhares e sorrisos de todos os lados e eu, mãe boba, ria, sorria, ria. Depois a levei na Praça da Sé, só uma passadinha porque tive medo de estar só com ela e algo nos acontecer, mas deu para ver o espelho d'água, a fonte , a catedral. E ela? Ah, como é especial minha filhinha. As mínimas coisas tomam ares de grande evento na forma em que ela vivencia cada uma delas. E como é espirituosa. Assim, minha vida se tornou uma grande festa, recheada de surpresas, de alegria, de coisas fofinhas. Na volta ela estava toda feliz e saltitante isso porque ela nem sabe ainda o que significa ter RG. Isso é que é mágico, não importa o que, tudo é único e especial na vidinha dela e na minha. Só posso ser muito feliz. E tenho dito.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Tudo me lembra você...

Fomos ao mercado na terça-feira no fim da tarde, eu já cheia de fome. Depois de abastecer a casa e evitar certos corredores, topei com uma goiabada. Huuummm, isso a Luiza pode comer (porque não leva leite na receita). Meu pai fazia goiabada, tinha me esquecido. Senhor entendedor do tempo e amigo da natureza, ele sempre sabia em que época colher o quê e onde achar as mais deliciosas frutas, perdidas por aí, disponível a quem quisesse levar sem roubar dos passarinhos e dos outros animaizinhos que delas dependiam para viver. Frutas com fartura, "perdendo no pé", como se diz por lá. E ele as colhia e trazia para casa. Aliás, se alguém me ensinou a generosidade nesta vida foi ele com suas atitudes nobres e admiráveis. E ele colhia goiabas e fazia o doce. Quando deixava no ponto de comer de colher, ai que delícia. Mas quando inventava de dar o ponto de corte, ai ai, na hora ficava bom, mas depois ficava meio duro, meio grudento (goiabada é assim mesmo), ficava difícil comer depois de um tempo. Ainda me lembro bem daquela forma de bolo com goiabada meio pela metade já por dias a fio na geladeira. Depois de um tempo só ele comia. Meu pai tinha desses exageros, fazia muito e a gente enjoava, aí ele ficava um tanto de tempo mandando a gente comer porque era gostoso. Doce lembrança...

E tem sido assim, tudo me lembra ele, tudo me lembra você...

Os dias vão passando e quem já viveu vira uma sombra, a gente se habitua e a presença vai ficando embaçada, a imagem. Eu todos os dias conto coisas a ele, quero contar coisas a ele, histórias de Luiza para o vovô. Ai como dói não poder fazer isso pessoalmente. É que as sombras, as imagens embaçadas não são boas ouvintes nem interagem muito. Que fazer?...

domingo, 6 de março de 2011

Mãe de uma mocinha? Ai, ai...

Luiza fez 2 anos na quarta-feira, dia 2. Nossa, quanta loucura, o tempo voa... eu diria que esses 2 devem equivaler há uns 20 pensando em seu desenvolvimento, em suas conquistas, já é uma mocinha. Resquícios do bebê? Sim, ainda há alguns, em especial o colo, ai que delícia, ela ainda é o meu bebê. E teve festa, duas, para ser mais especifica. E posso afirmar sem sombra de exageros: este foi o melhor aniversário da minha vida. É, porque aniversário de filho é como se fosse da gente. Já dizia um ditado por aí: quem agrada meu filho, adoça a minha boca. É isso mesmo. Como já era de se esperar, muitos dias antes já estava ansiosíssima, como se fosse o dia do meu casamento. É que teve festa na escola, apenas ela e os amiguinhos. Não fui para não atrapalhar, porque mãe às vezes atrapalha e eu, que por muito tempo sentia que a escola me excluía, me roubava parte da vida dela, compreendi que sendo ela um indivíduo separado de mim também precisa ter parte de sua vida preservada. Então fiz o que toda mãe apaixonada faz: preparei tudo com muito, muito carinho. Encomendei os comes com a tia da escola que sempre faz os aniversários, comprei coisinhas para incrementar a festa, preparei as sacolinhas de surpresa, escolhi o vestido para que ela estivesse linda na hora da festa e deixei tudo lá na porta, inclusive a máquina para filmar e fotografar. Na hora da festa meu coração de mãe se preocupou porque fez um frio danado, fui correndo lá levar uma blusa, mas entreguei e saí correndo para que meu coração egoísta não me traísse e pedisse para dar uma "espiadinha" e assim pôr tudo a perder. E tratei de me ocupar, mas meu coração ficou o dia todo aos pulos, não via a hora de buscá-la e olhar pra carinha dela e ver como foi tudo. E foi lindo! E foi maravilhoso! E ela veio em nosso encontro "dançandinho", linda, alegre e carregada de presentes, a festa foi um sucesso. (ainda bem que a gente viu depois e foi muito gostoso ver como tudo aconteceu , o quanto ela estava à vontade e se apropriou da festa, daquele espaço, foi muito bom dar uma "espiada" nesse cantinho de sua vida preservada). E ela permaneceu extasiada o tempo todo, jantou um guarda-chuva de chocolate e dois dadinhos, ambos artigos da sacolinha surpresa que ela também ganhou, claro. E montei a segunda mesa do dia, chegaram as amiguinhas do prédio para o parabéns, mais presente, apaga a vela umas 10 vezes, e pula e brinca toda hora sem fim, o dia custou a terminar. Eu diria que ainda não acabou, já que a festa oficial será só no sábado que vem.

E eu me pergunto: será que quando ela estiver fazendo 30 anos eu ainda vou me sentir assim? Nunca nada do que eu tenha feito na vida fez com que me sentisse tão realizada, satisfeita e completa. Ainda estou tentando entender o mistério deste amor. Enquanto não consigo vou vivendo essa euforia, celebrando e vibrando a cada palavra, frase, pensamento. A cada conquista, cada presente, e claro, a cada sorriso que faz sim sorrir o meu coração.

Parabéns meu anjo lindo, minha riqueza, muitos, mas muitos mesmo anos de vida para você e para mim, porque da sua vida é feito o meu amor.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eu vou!

Eu vou, vou mesmo, fechar a porta na cara da bagunça, logo, logo, vocês que me visitam vão saber.

Lu, minha querida amiga, eu te amo. O que me aflige é exatamente a bagunça não ter "perninhas", eu a ignoro, mas ela fica me esperando pacientemente, aff!!!

Comecei os preparativos pro aniversário de dois aninhos da Luiza. Desta vez serão duas festas. Três na verdade: uma na escola, a festa oficial em buffet e um bolinho aqui em casa no dia. Quem me conhece sabe que para mim aniversário sem festa é como ano que não foi vivido e a vida é para ser celebrada, comemorada, aplaudida, viva!, sempre! E eu gosto assim, muitas festas todo ano. E já decidi: este ano comemoro o meu também, mesmo que a onda de doenças e velórios teime em continuar, afinal novos ventos andam soprando sim, eu sinto, embora ainda não tenha conseguido ver de onde vêem.

Claro que andei carregando uma nuvenzinha preta em cima de mim por uns tempos, mas ela ja se dissipou. A coisa maravilhosa é que nuvem alguma foi ou será capaz de ofuscar o brilho da presença da Luiza em minha vida. Celebrar todos os dias sua chegada, sentir o encanto a toda hora de vê-la crescer, minha vida se encheu de luz quando soube de sua chegada, quando soube que a princesa que com quem sempre sonhei estava a caminho. E eu não me enganei, ela é de fato uma princesa linda, perfeita!

E agora a minha amiga Lu está grávida. Com toda essa loucura de vida que ando vivendo ainda não havia tido tempo de vir aqui contar a emoção que senti ao saber de sua gravidez. É que ela é uma amiga de longa data, ao lado de quem estive nos meus momentos de maior conflito e crescimento, uma companheirona e tanto, minha irmã de alma e coração. Então vou ser TIA!!! E vou ser tia da Salomé, uma menina, linda, única, especial como a mãe. Ah, minha amiga está perdida, porque Salomé já vai nascer predestinada ao sucesso e coração de mãe é coração de mãe e pronto. Querida, como eu ando querendo te abraçar, como você mora longe!!!!
E longe, longe, grávida e ocupada ela sempre encontra tempo para me dizer a coisa certa, minha grande incentivadora. Aliás, este blog foi ideia dela. E eu que ando sendo uma tia tão relapsa, tão ocupada com minha bagunça aqui.

Lu, estou muito feliz por vocês, cê nem sabe o quanto!

Ah, mas eu garanto a mim mesma e a quem de alguma forma ainda acredita em mim, isso vai ter fim!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ponto de brigadeiro.

Hoje fiz bolo de cenoura com cobertura de chocolate, huuummmm. Mas existem vários tipos de coberturas e hoje enfim, depois de muito tempo, fiz a minha tradicional, cremosa feito brigadeiro mole, mas sem leite condensado, só com leite. Coloquei pouco açucar e chocolate em pó no lugar de achocolatado. Tudo de bom! Enquanto mexia a cobertura no fogo nos momentos finais, até dar o ponto, nossa, quantas lembranças...

Nunca vou me esquecer do dia em que a Ligia e a Vânia, duas colegas da pensão em que vivi no inicio da faculdade, resolveram fazer brigadeiro para levar a uma festa. Elas desligaram o fogo tão logo deu aquela primeira engrossada, mas ainda bem longe do ponto de brigadeiro. E ficavam repetindo que ao esfriar enrolaria. Ledo engano. Eu, com essa minha mania de meter o bedelho onde não fui chamada quando o assunto é ajudar, fui lá, primeiro convencê-las de que daquele jeito só pra cobertura e depois, vai eu mexer o dito cujo até dar enfim o "ponto". Pensa que comi o brigadeiro? Nem unzinho. Às vezes ainda me espanto com o ser humano, seu egoísmo, sua sordidez. Estou já quase na metade da minha vida e ainda preciso aprender a viver. Acredito, confio, me entrego e me dou mal, simples assim. Não que eu deseje ser assim também, mas um pouco de reserva não faz mal a ninguém, não é? Chego lá, quem sabe...

Estamos nos recuperando de uma cirurgia, digo nós, mas foi o Adriano que se submeteu a uma cirurgia para tratar uma sinusite crônica. Ô coisa chatinha, estou morrendo de dó dele, não é nada assim tão cruel, mas o pós operatório é um incômodo só, ainda bem que os dias andam voando, ao menos para mim.
Depois que passei pelo estágio de psiconcologia na faculdade lidar com questões de saúde para mim perdeu o mistério, do medo de sangue me sobrou a valentia, mas desta vez, sei lá. Acho que depois que vi meu pai morrer e principalmente depois que achei que eu iria morrer fiquei patife. Ainda no telefone ouvindo o médico me dizer o que havia sido feito já me embrulhou o estômago. Depois que o marido voltou pro quarto senti minhas pernas amolecerem várias vezes e meu esforço foi grande para dar conta daquele momento, eu costumava tirar de letra. Cheguei a desistir de ter outro filho só para não ter que entrar em um hospital de novo. Ainda bem que o amor é maior e tudo vence. E Deus, que está no controle de tudo. Com tudo isso estou muito cansada, sem tempo, um pouco enlouquecida também, a bagunça me tragou, me engoliu e eu teimo em não sucumbir, continuo lutando bravamente embora muitas vezes inutilmente. Sabe no que ando pensando? Dia desses vou passar por aquela porta, vou fechá-la, trancar mesmo a bagunça do lado de dentro, enquanto me aventuro lá fora. Acho que ando passando tempo demais aqui dentro. Talvez meu brigadeiro já tenha passado, e muito, do ponto.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cenouras, maçãs e bolacha maisena.

Ontem fiz a mamadeira da Luiza e ficou um pouco quente. Fui esfriá-la embaixo da torneira aberta. Meu pai esfriava as coisas assim. Acho que todo mundo faz isso, mas ontem quando era eu nesta cena a imagem dele na mesma cena me veio muito forte. E tem sido assim esses dias. Na segunda enquanto descascava cenouras, ele adorava cenouras e dizia ser bom pra pele e pros olhos. Na semana passada quando comprei maçãs apenas porque senti seu cheiro doce, ele também adorava maçãs. E o que dizer das bolachas maisena? Era o café da manhã dele, sei lá porque razão ele não comia pão, não gostava. Manias do Seu Anizio. Também as comprei para a Luiza, criança gosta de bolacha e acho esta uma opção não tão ruim, melhor que as recheadas, enfim. Você pensa que o tempo vai abrandar sua saudade e não, não abranda. Ao contrário. Aos poucos sua lembrança vai aparecendo em cada coisa que se faz, ou se vê. Nos objetos, nas expressões dos seus, nas histórias que se conta e se ouve. Do mais absoluto nada ele aparece, a saudade aparece e a lembrança forte de algo já visto ou vivido volta como se tivesse acabado de acontecer. Acho que sentir saudades de quem já partiu é assim.

Amanhã será seu aniversário de nascimento: 78 anos. Ele diria: olha que beleza, 78 anos! Assim, assim.

Acabo de falar ao telefone com minha amiga que também perdeu seu pai e ela me contou que sua mãe vai vender a casa. Senti uma tristeza por esta noticia... é que a gente cresceu por lá e quando o pai dela partiu era como se eu novamente estivesse me despedindo do meu. Aí ela me disse assim: precisa começar um ciclo novo. É, eu tenho mesmo muita dificuldade de me despedir das coisas, preciso do meu tempo de luto e ele não é pequeno. Queria ligar pra mãe dela e dizer a ela que, como assim ela vai vender nossa casa sem nos consultar? E toda nossa história como fica? E onde a molecada vai se hospedar no carnaval? É, porque o pai desta amiga sempre cuidou para que sua casa fosse nossa também e sempre abrigasse qualquer um que precisasse de um lugar pra se esticar depois de uma balada e foi por isso que eu passei boa parte da minha adolescência dormindo lá nos fins de semana. Meu pai e minha mãe se alegravam em saber que estaria em segurança e que não voltaria sozinha pra casa, assim me deixavam sair. Claro que na nossa época éramos eu e ela e talvez mais uma menina. Mas quando chegou a vez de seus irmãos mais novos, aaaahhhh, casa mãe joana é pouco pra descrever. Ainda bem que nessa época eu já tinha autoridade para voltar pra minha mesmo, senão... era muita gente, muitos churrascos, muita bagunça, que delicia!

O pai dela faz aniversário no domingo. Faziam aniversário quase no mesmo dia, morreram da mesma doença, minha amiga sempre foi minha irmã, mas o meu pai, embora sentisse muita alegria em receber os amigos em casa, talvez por ser mais velho, não sabia fazer as mesmas coisas. Aliás, penso eu que me permitir dormir na minha amiga era uma forma dele ser avestruz, melhor não saber a que horas sua menininha volta pra casa. Era um pai avô, velho demais pra participar de certas coisas. Eu o perdôo por isso, ele foi perfeito em quase tudo e naquilo que era demais para sua compreensão ele apenas me deixava seguir, às vezes muito contrariado, e ainda assim pude fazer o que eu quis.

Poxa, o pai da minha amiga já nos fez o favor de cobrir a piscina sem nos consultar e agora a mãe dela vai vender a casa? Eu entendo. A vida segue mesmo quando a gente não quer e certos rituais são necessários para que a gente consiga seguir também.

Sabe o lado muito bom de tudo isso? Temos tantas e tão engraçadas histórias pra contar, fomos felizes.

E ela me contou também das outras coisas boas que andam acontecendo, Deus é bom, nos conforta, nos ajuda a seguir sempre em frente e vamos levando, lembrando do momentos importantes, celebrando as datas importantes, reparando e percebendo quantas heranças ficaram daquele que tanto nos amou.

Tem uma coisa que gosto sempre de lembrar: foi meu pai que me ensinou a ter amigos assim, ele tinha amigos assim. E acho que nisso também meu pai e o pai de minha amiga se parecem. Então o que posso dizer aos nossos pais neste momento? Se estivessem aqui desejaria a eles um ótimo aniversário, muita, muita saúde e muitos anos de vida. Que pena...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mulheres de 30.

Quando nasce um filho você não o imagina fazendo 30 anos, uma filha então... Quando criança mulheres de 30 já eram "coroas", termo usado para se dizer "passada da idade". Logo finda minha primeira metade de 30, farei 35 este ano, e sempre me pego tentando adivinhar a idade das moças por aí, penso que são mais velhas que eu e logo me assusto quando penso que elas podem ter por volta de 35 e constato ser esta a minha idade. Que fazer? Fico me olhando no espelho à procura destes anos, ainda enxergo uma pessoa com uma "cara" mais jovem, ao menos mais jovem do que aquele lugar comum das coroas dos meus tempos de criança. Será? Agora à pouco mesmo, no almoço, o casal da mesa ao lado abordou-me perguntando se o nhoque estava bom. Depois uma ou duas frases me peguei tentando adivinhar a idade daquela mulher. Sei lá, ela me pareceu mais velha do que eu, mas talvez tenha a mesma idade. Coisa estranha...

Meu pai tinha um jeito bonitinho de lembrar dos aniversários, ele dizia há 30 e tantos anos, e contava a história do nascimento. Que diria ele ao ver sua caçula fazer 35 anos? Já? É, talvez ser mãe de uma menininha pequena me faça mais jovem. A mulher do restaurante também é mãe de uma menininha, mas alguns anos mais velha que a minha. Ponto para os costumes surgidos nos tempos de hoje que nos obriga a sermos uma centena de coisas antes de nos tornarmos mães. Isso é ruim? Penso eu que não. Ser mãe depois dos 30 me possibilitou bem viver todos os anos que antecederam este fato único de minha vida, nos quais tratei de correr atrás de meus sonhos e de ser feliz. Deu certo! Acho que posso dizer sem sombra de arrependimentos que eu cheguei lá! Mesmo com todas as crises, mas quem não as tem?

Hoje logo cedo colocamos o CD do Balão Mágico pra Luiza ouvir e na música Se Enamora me lembrei que sofri por amor pela primeira vez aos 8 anos de idade. Um pouco cedo, não? Talvez eu de fato tenha nascido com uma alma velha. Meu primeiro amor se chamava Laurence e era amiguinho da escola. Nas férias eu senti uma saudade sem fim do meu primeiro amor platônico. Nós crescemos e ele virou motorista de ônibus. Algumas vezes cheguei a viajar com ele conduzindo meu ônibus e depois destes anos todos ele não tem mais nada daquele garoto de 8 anos que me encantou. A infância tem isso de fantástico, não há diferenças. Sempre olho na rua as pessoas daquela época e me assusto às vezes com que vejo, com o rumo que muitas vidas tomam e como muitas delas nada tem a ver com a minha. Fico feliz por ter tomado rumo diferente e me entristeço por saber que nem todo mundo teve o mesmo destino.

Ah, a música do meu primeiro amor era "Doces Beijos", do Menudo, embora nunca tenha havido beijo de fato, só nos sonhos de uma criança apaixonada. Não me lembro como eram esses sonhos e sofri um pouco pra lembrar da música, mas me lembro do dia que ele foi lá em casa com a mãe dele encomendar uma roupa pra minha mãe (que era costureira), e eu fiquei me fazendo de difícil no quarto. Só o vi de longe. Deste amor isso foi tudo o que restou.

E vieram outros amores, reais, imaginários, tocáveis, intocáveis. Tenho cá pra mim que apaixonar-se e sofrer por amor é que dá a verdadeira graça pra vida. Ainda que isso seja só por um tempo da vida, já todos nós busca por estabilidade, por uma chão firme pra pisar, segurança pra comprar uma casa, construir uma família. Depois de "certa idade" viver o fervor de uma paixão é por demasiado arriscado. Sei lá. Jogar-se numa paixão e trancar-se no quarto enquanto morre de chorar porque não deu certo é pra quem não tem conta pra pagar nem tem ninguém que dependa de si. Às vezes sinto uma saudadezinha pequenininha de me jogar na cama e ficar lá enquanto as horas passam. Não consigo mais.

Foram bem vividos e já são quase 35. E que venham os próximos, quanto mais melhor, porque a cada ano uma montanha de histórias vão sendo construídas para depois virar, quem sabe, um livro, um blog, uma herança. Só uma coisa realmente me assusta: com os anos fico cada vez mais parecida com minhas irmãs, com minha mãe. Às vezes penso que estou perdendo minha identidade...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Estou me reconectando ao mundo!

Deus fala com a gente de formas inusitadas, nas horas em estamos distraídos e despretensiosamente pegamos aquele livro, ou entramos na net, ou ligamos a TV, ou saímos à rua, enfim. E Ele sempre manda a mensagem certa, a carga de energia certa para nos religar a Ele e nos indicar o caminho. Ele falou comigo e depois de um longo tempo senti que de fato não estou só, e seja qual for o caminho para o qual Ele está me enviando, chegarei lá.

Hoje fui trabalhar e pela primeira vez em dois anos inteiros senti que de fato estou pronta para voltar. E a consciência tranquila e o coração mais forte do que nunca. Ainda não sei ao certo para onde vou nem o que vou fazer, mas sei que dará certo.

E eu sempre soube que seria assim, que meu coração saberia a hora certa de mudar o rumo, sem pressões, sem pressa. Como eu sempre soube que realizaria meus sonhos, que faria minha faculdade, compraria minha casa, teria meus filhos e que tudo aconteceria da melhor forma, eu sempre soube. Assim como eu sei hoje que logo iremos pra uma casa maior e nossa seguirá adiante. Como eu sei? Apenas sinto. E esse sentimento vem Dele, mesmo sendo eu filha desobediente e desgarrada, Ele nunca me abandona.

Novos ventos estão soprando, posso sentir o cheiro de coisa nova. Ou sou eu que estou me tornando uma nova pessoa? Começo a planejar a outra metade de minha vida. Não com coisas concretas, viagens, aquisições, mas com legado de amor que pretendo deixar quando desta me despedir. Se vou envelhecer, quero que seja da maneira mais interessante possível. Já comecei a me maquiar, voltei a ler, quero me vestir bem, porque minha alma há pouco atormentada por uma angústia sem fim, nesta noite se redescobriu bela, e forte, e foi assim que me senti hoje ao abrir os olhos embalada pelo doce som da voz de minha riqueza me chamando: mamãe, mamãe. Estou viva. Estou pronta!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Divulgando Sorteio do Conexão Flávia.

2010 que foi um ano bem penoso reservou-me algumas surpresas, coisinhas especiais que Deus coloca na vida da gente para nos mostrar outros lados da vida que não só àquele escuro que teimamos ficar contemplando. E uma destas surpresas foi fazer Amigas Virtuais (eu é que não sabia que isso era possível).

Então fiz algumas bem especiais e uma delas é a Flávia, do Conexão Flávia e Baú de Tesouros, que se tornou uma amiga querida, sempre me escolhe para desafios fofinhos embora nem sempre eu corresponda (não por mal, tá, Flavia, às vezes o tempo me engole) e que sempre comenta meus textos com palavras de atenção e carinho, palavras hoje muito esperadas por mim.

E dentro deste mundo virtual, qual não é minha surpresa em saber que se pode ganhar presentes lindos, ah, eu ainda vivo no tempo da máquina de escrever (rsrsrsrs), nem tanto, mas tudo isso é muito novo para mim.

Então, se você que passa por aqui, ler este post, sugiro que vá lá conferir o super sorteio que a Flávia está promovendo, de um super kit de verão, lindo, eu quero, até fiquei na dúvida se deveria divulgar, afinal aumenta a concorrência rsrsrs, mas sorte é sorte . O link é esse aqui e tem todas as instruções. E aproveite para passear pelos textos também que são uma delícia de ler. Boa sorte!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Os Pombos

Hoje sabemos que eles são como ratos, mas quando era criança eu os tinha como bichos de estimação. E eu tinha vários, cada um mais lindo que o outro, com penas coloridas e brilhantes, postura altiva e aquele piar de pombo "Uuuu Uuuu". Meu pai, pessoa única e maravilhosa, comprava sacos e mais sacos de milho para alimentá-los. Logo cedo ele acordava e jogava um montão no quintal de casa. Eles, os pombos, já ficavam a postos e se você tentasse até conseguiria pegá-los naquela hora, famintos que estavam preferiam arriscar serem pegos a deixar tamanha fartura para os companheiros. Talvez porque soubessem que nenhum de nós ali poderia lhes fazer mal. Alguns pequenos caíam dos ninhos. Outros se perdiam na tentativa de voar. Eu, criança pequena e cheia de graça adorava ficar com eles, adotá-los. Mas teve um especial, o "Tiquinho". Esse cuidei pra valer e mesmo depois de ter aprendido a voar, às vezes ele me deixava pegá-lo. Ele se tornou um belo pássaro de penas vistosas, muito brilhantes, o mais belo de todos que por ali passaram. Eu sempre o via por ali, até que desapareceu. Ou fui eu que cresci, não sei. Quanto tempo vive um pombo? Às vezes jogávamos restos de comida e um dia meu pai descobriu que o tempero os deixava doentes. Aí ele descobriu que pombos poderiam nos deixar doentes e ele, amante dos pássaros que era, travou uma guerra sem fim pelo fim dos pombos no nosso quintal, pelo bem dos seus. E teve fim, eles foram embora atrás de anfitrião mais simpático. Só uma pessoa doce e generosa como meu pai poderia dedicar tanto tempo a cuidar de pombos. Pena nossa convivência ter precisado chegar ao fim.
No caminho para a escola da Luiza sempre os encontramos, como já disse, são como ratos, se espalham por onde tem comida, estão por todo lado. E tem uma certa graça ensinar a Luiza a espantá-los, isso me aproxima do tempos de antes, isso me devolve parte de uma infância feliz e sem malícia ou medos, regada a muito amor de um pai que sabia amar a tudo e a todos.

O tempo vai passando, a saudade... nem sei se sou capaz de guardá-la em meu coração, ela escapa. Em dias de céu limpo ele aparece naquela estrelinha brilhante e fica nos olhando e eu também olho para ele, mas o que me consola e faz aguentar essa ausência é essa risada gostosa, aberta, rica que só a minha fofura tem. Diante dela tudo, tudo fica pequeno, só isso importa.

O que não entendo de forma alguma é que a gente se acostuma. Isso não entra na minha cabeça. Como posso eu, filha apaixonada, acostumar-me à ausência de meu pai? Sei lá. A vida é assim...

... e sigo olhando os pombos, os beija-flores, as flores, as folhas caindo das árvores, a chuva é tudo o que é vivo, e tudo o que é da natureza, e tudo o que é belo porque assim ele me ensinou a viver e eu, espero, consiga ensinar a minha fofura também...