quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E eu sou fraca?

Tudo depende de como decidimos olhar pras coisas. Segunda fui levar a Luiza pra escola e não me deixaram entrar, tive que deixá-la na porta. Saí de lá chorando, morrendo de raiva e de saudade. Parecia o primeiro dia. Ontem também fiquei meio assim, mas hoje a coisa mudou. Desde o inicio tenho tentado aprender a usar este tempo que a Luiza fica na escola a meu favor, mas nesses quase quatro meses mais tenho cuidado da casa do que de mim. Já passei por diversas fases, do amor à dor, meu cansaço às vezes é tanto que não tenho muita vontade de nada. No entanto quando me sobra um tempinho fico perdida, procurando uma roupa pra lavar, um canto pra arrumar, mas meio sem coragem de mexer no que está quieto. É, porque se você quizer mesmo, o que não falta é canto pra arrumar numa casa. Já fiquei meio deprimida, oprimida, com vontade de me entregar mesmo, assim teria uma boa desculpa para não buscar soluções pras questões que reverberam em minha mente, mas... e eu sou mulher de me entregar? E eu sou fraca? (adoro esse bordão). Não sou. Não entrei no clima de fim de ano, dentro de mim uma parte ficou parada lá atrás, antes da Luiza nascer e como não consegui retomar minha vida profissional do ponto em que parou, deu um nó. Só consegui desejar noites inteiras de sono para este ano que começou. Mas a mágica sempre acontece, quer a gente queira, quer não. De repente fui tomada pela energia do inicio, do re-inicio, aquela que nos envolve todo janeiro. Passei a sentir de novo a vontade ser util para o mundo também, não só para mim e minha familia, e hoje estou contente porque desde ontem consegui enfim dedicar um tempo para outra coisa que não só minhas tarefas domesticas, acho que estou retomando minha carreira. Aos poucos, confesso, sem saber ainda direito para onde ir, mas já dei o primeiro passo.
Nesta noite, depois de colocar a Luiza na cama quatro vezes, já exausta por meu bebê não estar dormindo direito (está nascendo um dentinho, aff), pensei: acho que nunca mais vou conseguir trabalhar fora. Que vida vazia, hoje minha pequena preenche todo o meu tempo e consome toda a minha energia, mas daqui há pouco tudo o que ela vai querer é ficar distante de mim, e eu nessa historia, como fico? Ainda não sei, só sei que não vou ficar assim. Com tempo, com paciência, sem desespero, a porta que se fechou logo se abrirá numa janela, ainda não a vejo, mas que ela vai abrir, ah, isso vai. E vou seguindo, minha caminhada ainda não terminou, talvez eu pegue um atalho, talvez não, sei lá, só sei que vou seguindo...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Saudade é aquilo que fica de alguém que não pode mais ficar...

E o mato está crescendo lá no quintal, que falta ele faz... e tem cocô de cachorro vencido, coitada da minha mãe, não dá conta de tudo. Você anda pela casa e vai notando em cada canto sua ausência. Na cesta de frutas, no mato que cresce, o quintal sujo, a calçada com folhas... se ele não fazia, chamava uma outra pessoa pra fazer. E se faltava alguma coisa, imediatamente era providenciada, com uma rapidez que delivery nenhum é capaz de ter. Senti muito a falta do meu pai neste final de ano. Há muito tempo é assim lá em casa: Natal com a sogra, Ano Novo lá, com todo mundo reunido e quem mais quiser aparecer. A primeira vez foi quando eu tinha 14 anos. Meu irmão tinha montado um bar que deu errado, faliu e foi fechado uns 15 dias antes do Natal, mas ainda estava lá montado. Natal na minha casa sempre foi assim meio triste, é que papai noel nunca apareceu por lá, meus presentes era a minha mãe mesmo que comprava às custas de muitas noites de poucas horas de sono para terminar as costuras das clientes exigentes, ávidas por se apresentarem lindas diante de todos os seus nestas datas especiais. Não tinha ceia, até porque minha mãe, coitada, costurava até tarde. Meu pai ficava dias sem trabalhar, é que nesta época concertar o carro fica em segundo plano. Até pra quem viaja às vezes a revisão é deixada de lado. Assim, sempre no feriado, na noite de Natal mesmo muitas vezes, aparecia um carro quebrado de um dono descuidado que viajou sem se precaver, bom pra nós, garantia nosso almoço especial de Natal e de Ano Novo. Sempre tinha porquinho, leitoa, pernil, e é assim até hoje, porque mineiro que é mineiro come porco pra comemorar. Peru é coisa de televisão.
Um dia apareceu lá em casa uma galera, amigos do meu irmão, para fazer churrasco e foi assim dia 30, 31 e 01. O ano era 1990/91. E veio o Ivan, um cara tudo de bom que Deus mandou pra minha casa pra nos mostrar o quanto é bom festejar. Acho que até aquela data nós não sabíamos. E foi aquela festa apesar do momento critico que vivíamos, credores batendo na porta tentando receber o que estava perdido, afinal falência vem junto com moratória, não tem jeito. E foi uma festança e ficou instituído que seria assim todos os anos e tem sido. Ao contrário das outras casas, minha família se reúne no Ano Novo, renovando o amor, a esperança, apertando mais os laços que nos unem, às vezes pondo em ordem algumas diferenças também, mas assim, todos juntos, sempre.
E ele já não está lá e sua ausência, às vezes penso, é até maior que sua presença. Porque enquanto ele limpava o mato, nem notávamos que ele crescia. E nem parecia que tinha cachorro, salvo pelo fato dele ser um cãozinho carente e esfomeado. E as frutas, sempre frescas, maduras e doces, huuuummmm. E os doces, de abóbora, de figo... esse ano minha mãe não fez doce de figo não sei porque. E as coisas de milho, pamonha, bolo, cural. Ele nunca deixou que faltasse nada, afinal, estaríamos todos lá. E hoje quem falta é ele. Trocaria tudo por sua presença mais uma vez, mais um final de ano, mais um inicio de ano, por uns momentos apenas, só mais um abraço e um último adeus.

Mensagem de Natal

Mensagem de Natal... já passou?Nem vi direito. Então... mensagem de ano novo. Já começou? Nossa, mas eu ainda nem cheguei na metade do ano que passou...
Loucuras de uma mãe fresquinha, ainda confusa com tantas novidades e dividida entre ser mãe, ser esposa e cair no mercado de trabalho pra valer. Ando assim, muito confusa. E cansada. Ai, ai, ai, como cansa essa vida nova que estou levando, mas... sem saudades dos tempos de total falta de compromisso com estas coisinhas corriqueiras que nos tomam tanto tempo, como lavar, passar, cozinhar, limpar e etc. etc. etc. Só tenho uma conclusão: dona de casa deveria ter carteira assinada, fundo de garantia, 13º e 14º salários, plano de saúde, férias remuneradas, férias de verdade, abono, reajuste, aumento, plano de carreira e por aí vai.
2010 começou e eu aqui, com vontade de fazer diferente, mas sem saber direito o quê.
Sabe o que foi muito bom? Ver minha fofura se divertindo muito com os brinquedos que ganhou.
Sabe o que não foi tão bom assim? Imaginar a festa que o vovô faria se estivesse aqui e constatar que ele partiu mesmo.

Feliz Ano Novo para todos, que 2010 seja um ano muito rico e que Deus abençõe a todos nós!!!!!