terça-feira, 30 de novembro de 2010

Brincadeira da Tag, ou... Falando de mim



Outra vez a Flavia, do Baú de Tesouros e Conexão Flavia me escolheu para essa brincadeira intitulada “Brincadeira da Tag”. É muito gostoso ser escolhida e esta me lembrou aqueles questionários que a gente fazia e passava pra galera responder, nos tempos da escola. Eis as regras:

1- Você coloca a foto de tagged no post.

2- Falar 10 ou mais coisas sobre você (qualquer coisa), 5 ou mais manias (esquisitices) suas, 5 ou mais coisas que te irritam, 5 ou mais coisas que você adora, 5 hobbies seus; 5 coisas que ninguém sabe sobre você; seu maior sonho; seu maior medo; as coisas mais importantes na vida pra você.

3- Você ‘taggeia’ mais 5 pessoas para participarem da brincadeira!

Bora responder ao desafio

10 coisas sobre mim
1. Sou baixinha;
2. Sou mineira;
3. Amo frequentar uma cozinha e esquentar a barriga no fogão;
4. Adoro ficar sem fazer nada;
5. Sou bagunceira ao extremo, mas com uma porção obssessiva;
6. Sou casada com um principe;
7. Sou mãe de uma linda princesa, claro;
8. Pra mim familia sempre vem antes de tudo;
9. Odeio ser contrariada;
10. Adoro uma cerveja com os amigos nos dias quentes e um vinho nos dias frios.


5 manias minhas/esquisitices
1. Gosto de arrumar tudo por ordem de tamanho para que tudo se encaixe e fique na mais perfeita ordem (paradoxo - aqui mora minha porção obssessiva);
2. Tenho mania de combinar tudo: a blusa com o sapato com a bolsa, com o batom, com a presilha do cabelo, e por aí vai;
3. Apertar cravos e espinhas e cutucar qualquer saliência que meus dedos encontrarem;
4. Ler 399 vezes a mesma coisa, por exemplo, os avisos no elevador;
5. Entrar em loja de quinquilharia para ver se encontro algum "achado", pegar um monte de coisas e na hora de pagar, sair devolvendo tudo que é "demais". Na maioria das vezes acabo não levando nada.


5 coisas que me irritam
1. A surdez (a temporária e a definitiva) do meu marido;
2. Coisas que não funcionam direito;
3. Palpites alheios, todo mundo sempre sabe mais de mim e da solução dos meus problemas do que eu mesma. Como assim?
4. Essa minha mania de ficar explicando tudo pra todo mundo, o que abre espaço para o item acima. Não aprendo.
5. Minha mãe colocando defeito em tudo que eu faço.


5 coisas que eu adoro
1. Dormir;
2. Comer;
3. Ler: leio tudo que cai na minha frente, de livros a avisos, de placas a tratados escritos em portas de banheiro;
4. Escrever;
5. Falar, falar, contar histórias, conversar, jogar papo fora.


5 hobbies
1. Orkut, e-mail, navegar no ciberspace;
2. Cantar;
3. Ouvir rádio enquanto dirijo;
4. Assistir TV - séries, novelas, desenhos, noticiários, qualquer coisa que esteja passando, amo!
5. Deitar no sofá e ficar olhando o teto enquanto penso na vida.

5 coisas que ninguém sabe sobre mim
1. Já tive delírios tomando muito café, mas já devo ter contado isso pra alguem.
2. Adoro cenas "calientes" de novelas e filmes.
3. Tenho fascínio pelo tema "morte".
4. Já fiz amor no sofá da minha s... ups, contei.
5. Fico horas olhando as capas de revistas nas bancas só para saber o que vai acontecer nas novelas e o que andam fazendo os artistas.
6. Ah, essa nunca contei pra ninguém: já quis ser atriz de novelas. E paquita da Xuxa, apesar de nunca ter sido sua "baixinha".


Meu maior sonho
Hoje: colocar ordem na bagunça da minha casa e na bagunça do meu coração;

Meu maior medo
Não ver minha filha crescer. Nada me apavora mais do que isso.

As coisas mais importantes pra mim
Minha filhinha.
Meu marido, mãe, irmãos e sobrinhos. A memória do meu pai.
Minha casa, minhas fotos e minhas histórias.

Agora eu deveria indicar cinco blogueiras para "taggear" também. Mas farei assim: as que me seguem ou visitam meu espaço e quiserem brincar, deixe um comentário e eu terei o maior prazer em indicar.

Valeu Flávia, ando me divertindo com estes desafios.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

São Paulo.

Viver em São Paulo às vezes é como entrar num filme, numa novela. Aquele barulho de carros passando, sirenes, muito barulho, "balalhão", como fala minha pequena. Ontem vi uma cena curiosa, ao menos para mim. Saía do metrô de volta pra casa quando primeiro ouvi o som de um helicóptero e depois vi pessoas torcendo o pescoço para olhar para cima e ver aquela "maquina" enquanto pousava em cima de um prédio. Cresci numa cidade muito pequena no interior de Minas. Nem tão pequena, nem tão interior, mas nem de longe se parece com isso aqui, nem de muito longe. Lá, quando passava pelo céu um helicóptero ou avião era evento importante, todo mundo parava onde estava, o que estava fazendo para olhar para o céu. As pessoas saíam de dentro dos comércios, iam para as janelas das casas, mas ninguém podia perder. E ai de quem estivesse no banheiro no momento. É que estas "super máquinas" passam muito rápido por uma cidade pequena desaparecendo logo no horizonte. Quem não viu, perdeu. Mas aqui? Confesso, foi quase um dèjá vu àquela cena. E de repente meus neurônios se ligaram num momento tão comum hoje na minha vida e pude ouvir o barulho dos carros, dos ônibus, misturado com a conversa das pessoas e mais uma tanto de sons diferentes e misturados, me senti no cinema, mas desta vez estava dentro da tela. Vim morar ao lado da sede de um grande banco e bem próximo ao Aeroporto de Congonhas e todos esses sons fantásticos e cinematográficos passaram a fazer parte do meu dia a dia, quase como o barulho do isqueiro acendendo o fogo e a água caindo da torneira na caneca de alumínio, que depois era colocado sobre o fogo para se tornar um delicioso cheiro de café feito por meu pai, vindo da cozinha direto para meu quarto e para integrar meus sonhos. Huuuuummmmm, se fechar os olhos posso de novo sentir àquele cheiro de coisa boa, de infância, de amor. E claro, o som dos passos firmes do 752. Hoje, às 5 da manhã, mesma hora do café de outrora, não sinto cheiro algum, mas ouço os primeiros ônibus que começam a circular pela avenida e lá pelas 6 passa por minha cabeça o primeiro avião. Os helicópteros, tem dias que são muitos o dia todo, num ir e vir ritmado, posso vê-los de minha janela, penso que deva estar acontecendo algum evento com gente importante demais para enfrentar o tráfego rodoviário. Às vezes ainda abro a cortina da sala para observá-los. Mas tudo isso foi aos poucos se tornando a minha rotina. Lembro-me da minha primeira vez na Avenida Paulista e a a sensação de ser "uma caipira na cidade grande", que dor no pescoço, os altos prédios são muito mais altos ao vivo. Ainda criança construíram o primeiro prédio na minha cidade, tinha 7 andares e eu acho que nunca tinha visto um tão de perto em minha vida. Certa vez, andando com minha mãe e minha irmã na rua, enquanto minha pequena mãe se contorcia para olhar no mais alto ponto daquele prédio recém construído, vi que ela se chocaria com o poste à sua frente. Ah, eu era criança, não me contive e antes mesmo dela trombar com o mal educado poste que não lhe deu passagem,eu já me acabava de tanto rir. E ri por anos a fio contando esse fato, até que perdeu a graça. Pois é, acabo de rir de novo.
Ontem, por uns poucos segundos, voltei a sentir o encantamento de chegar aqui, de ver e ouvir o gigante de pedra e asfalto. Desembarquei em São Paulo, terra onde ousei levar meus sonhos ainda criança e que, com persistência e fantasia, tratei de conquistar. Estou onde sempre quis estar e, apesar do que dizem por aí, eu amo e sou muito feliz aqui, entre carros, helicópteros, aviões e sonhos. E muito torcicolo para admirar toda esta beleza.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Será que Papai Noel virá este ano?

Nunca acreditei em Papai Noel. Porque estas lendas são contadas aos filhos pelos pais e os meus, tão simples. E coelhinho da Páscoa e fada do dente e outros e outros, nem sei. Fui criada por alguém que foi tão privada de tudo, desde o mais essencial, quem dirá o fantástico. Minha mãe perdeu a sua mãe aos 2 anos de idade. Foi criada um pouco na mão de madrasta, um pouco na mão de e de tia, um pouco na mão de ninguém. Desde muito pequena aprendeu a não desejar sequer um colo quentinho e acolhedor pras noites de medo, o que mais ela poderia ensinar? E foi assim comigo, minha infância foi um eterno "não pode ter". Nem sei se as coisas eram tão caras assim, mas o fato é que nem ousava pedir, então era melhor mesmo que Papai Noel fosse coisa de televisão. Mas não faltava nada de essencial em casa. Ninguém passou fome ou frio e para mim tinha presente de Natal, de aniversário às vezes, e ovo de Páscoa. Mas era assim: quando muito pequena minha mãe escolhia o que eu ia ganhar. Teve até um Natal que eu ganhei panelinhas. Eram grandes e serviam para guardar o que sobrava do almoço, tinha dupla utilidade. Quando penso que minha mãe escolheu o presente de acordo com sua própria conveniência acho meio cruel. Não eram as panelas que tinha imaginado, mas eram lindas, amarelinhas. Enfim, ao menos tinha presente e eu, criança doce e obediente, treinada para não desejar o que jamais poderia ter, ficava feliz de qualquer jeito. Meus Natais foram ficando tristes à medida que crescia, ficava moça, quando criança não. Achava natural minha vizinha ganhar boneca a pilha, o pai dela tinha mais dinheiro. Ou o pai dela achava isso importante e o meu não, e nem era maldade dele, coitado. Nunca tive um brinquedo a pilha e hoje até aqueles brinquedinhos muito vagabundos que a gente compra em camelô tem pilha, mundo moderno. E eu fui crescendo sempre acreditando que qualquer coisa era melhor que coisa alguma, ainda que só uma bobagem, ao menos eu não era esquecida como foi a minha mãe. E minha vida sempre foi uma realidade muito real. Sem lendas, sem crendices, apenas as de que o Papai do Céu está vendo, então melhor andar na linha. E aquelas besteiras de que não se pode comer manga e tomar leite. Mas não sem sonhos, eu acreditava em princesas e em contos de fadas. E no príncipe salvador que vinha no seu maravilhoso cavalo branco e me livrava da maldição da bruxa malvada (uma vida cheira de privações) e me levava para viver no seu castelo (uma vida mais fácil, mais confortável), junto com toda a minha família, mas não sem antes receber a bênção de Deus. Acho que já nasci com alma rebelde, por que tinha que conformar de que seria sempre assim? E de fato não foi. Fui além, muito além. Graças aos meus irmãos que me "batizaram" com a promessa de que minha vida seria diferente. Graças a meus amigos e amigas de infância,que tinham exemplos diferentes em suas vidas que me influenciaram também, graças a meus pais, que mesmo com tanta falta e mesmo sem entender que caminho era esse que resolvi trilhar, me me apoiaram, e graças a Deus, que permitiu que fosse assim. Certa vez fui fazer as unhas em Bauru, onde estudava, e conversa vai, conversa vem, a manicure me disse que um dia ela iria estudar Psicologia também. Um dia. Claro que esse "um dia" nunca seria o dia, a oportunidade e folgo em saber que não me conformei e meu dia chegou. Busquei com ansiedade e vigor e persistência, e o encontrei.

Mas e agora? Papai Noel virá visitar nossa casa neste Natal? Não sei. Pode parecer um dilema bobo, contar ou não uma lenda. Não sei se quero que minha filhinha cresça enxergando um mundo tão nu quanto o meu, não sei o que fazer. Isso na verdade já estava decidido, Papai Noel não existe e pronto. Na casa do meu marido tinha o Papai Léo (seu pai se chama Leonardo) então concordamos. Mas ano passado, na casa da minha sogra, onde passo o Natal, o Papai Noel veio fazer uma visita e trouxe um milhão de presentes e foi lindo ver nossos sobrinhos, Angelo de 5 anos, e Vicente de 3 anos, encantados com aquele milagre de Natal. Aqueles olhinhos brilhando, meu Deus, eu não sabia que isso existia, que podia ser tão belo e mágico, tão lindo! E foi um quiprocó danado, nem todos os presentes eram deles e ficou difícil controlar a ansiedade de abrir todos os presentes ao mesmo tempo, quase atrapalhando a tradicional troca de presentes que acontece por lá todo ano. Acho que pra esse ano a coisa precisa ser melhor combinada, Papai Noel precisa ser mais claro nas suas regras.

É difícil porque eu não tenho histórias assim pra contar e qualquer coisa que eu conte não virá recheado de encantamento e amor, mas da falta disso.

Vivemos a era do politicamente correto, mas o lobo mal comia a vovózinha na minha época e era sim pra atirar i pau no gato e nem por isso eu e meus amigos nos tornamos bandidos. Problemas de auto-estima? Quem não tem? E o Papai Noel, o que eu faço com ele?

Quem sabe se eu escrever uma cartinha com aqueles desejos secretos escondidos no meu coração desta vez ele não me atende?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Histórias de Natal - de onde vêm?

Meu pai não era de festas, não era de Natais nem de presentes. Minha mãe até contava que antes ele até que curtia tomar uns garrafões de vinho e comer macarronada com bastante molho vermelho, mas o pai que eu conheci dizia que era tudo superfluo ou fazia mal. Criticava as comilanças de fim de ano, dizia que era bobagem. Mas mesmo assim ele comprava o pernil e dexava que minha mãe fizesse a maionese para acompanhar e o almoço de Natal sempre foi um senhor almoço, com doce de figo de sobremesa. Acredito que, à maneira dele e apesar do falatório, ele também gostava de celebrar. Eu sempre ficava chateada, queria que na minha casa também tivesse ceia e troca de presentes, meus Natais eram sempre tristes por isso. Só no ultimo dia dos pais que passei com o meu pude compreender de onde vinha tudo isso. Ele não aprendeu a vivenciar estas datas como todo mundo por aí e eu só enxerguei isso diante do seu encantamento ao abrir o aviãozinho (miniatura) que lhe dei no seu ultimo dia dos pais: ele não disse, mas pude ver que aquele era o primeiro brinquedo que ganhara na vida. E o bolo dos seus 75 anos também foi o primeiro bolo. Bom, seu ultimo Natal foi no hospital, levamos presentes, mas ele não quis celebrar, sabemos bem o por quê. Como ele era durao e só sabia ver defeitos nas coisas, ninguém se animava a afrontá-lo e mostrar que a percepção podia ser outra. Apenas quando foi chegando perto de sua partida é que ousei realizar as coisas que eu tinha vontade. Que bom, ele também ficou muito feliz.

Mais um Natal está aí, dando as caras e já estou ansiosa. É porque agora tenho minha menininha e a importante tarefa de contar a história do Natal e ajudar a constuir dentro dela um sentimento bom. Eu ainda fico triste. Meus Natais se transformaram depois que me casei, mas certas coisas ficam muito enraizadas. Como será este? Como serão os próximos Natais da minha vida?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Histórias de Natal.

Tenho várias, mas quem não tem. Esta noite, quando fui me deitar e o sono demorou um pouco a vir descobri enfim o que me causou essa crise toda de idade. Alguns sonhos e desejos de criança e adolescente já não são possíveis mais, já passou. E quem me disser que não liga de ver o tempo passar, sinto muito, mas para mim está mentindo. Talvez eu ainda consiga dançar ballet ou andar de patins, mas daqui pra frente será a "coroa" ou "idosa" que se superou, sem contar na dificuldade. Minhas costas doem de segurar minha filha e semana passada sucumbi, tive de ir ao médico. E não vai adiantar tomar o remédio porque a dor vai passar e vai voltar, preciso mudar de postura, de vida, de rotina, como se fosse coisa fácil. Prometo nunca permitir que a Luiza abandone a prática da atividade física, assim nunca passará por isso.

Estivemos em Águas de São Pedro no fim de semana com a galera, nossa galera, sim, ainda a temos apesar do tempo. E a mesma galera ficou impressionada com as aberturas de pernas da Luiza, já nasceu bailarina. Será que um dia fui assim? Tenho minha dúvidas. E ela corria, corria, pulava, brincava, dançava, uma delicia de ver e eu exausta e com dor. Agora é assim. Sempre tive dificuldade de passar pra próxima fase, tenho mania de elaborar o luto, preciso disso pra continuar. É uma necessidade infinita de não deixar nada para trás, nada por fazer, nada de arrependimentos. De viver intensamente cada momento, cada fase de vida, mas confesso: estou confusa. Quando criança, a gente quer ser grande. Aí crescemos e queremos ter 18. Aí fazemos 18 e queremos morar sozinhos. E estudar, formar, casar, ter sucesso profissional, ter filhos. E depois de tudo isso, o que a gente deve querer? Ver os filhos criados e felizes? Ah, mas isso é a realização do outro, claro que um outro demasiado importante capaz de nos fazer abdicar de nós mesmos, mas, temos que abdicar de tudo?
Uma velhice tranquila? Ah, me poupe, apesar de em crise e entrevada, isso ainda está longe de acontecer, já tenho 34, mas só tenho 34. Se vou viver até os 70, ainda tenho metade mais um ano. E aí?

Bom, tenho alguns planos: estou ensaiando voltar a trabalhar de verdade, ter um emprego mesmo, quem sabe. E ter outro filho depois do emprego (conquistado e estabilizado). Uma casa maior. Talvez conhecer alguns lugares. Tá, tudo bem, mas e aquele fervor de ser criança, ser adolescente, aquela comichão que a gente sente desejando que logo o aniversário chegue porque num passe de mágica seremos donos do nosso nariz? Não consigo me lembrar onde foi que isso se perdeu. Quando fiz 30 anos comemorei horrores e escrevi um e-mail pros amigos contando do quanto me sentia realizada e este clima de felicidade perdura até hoje, por isso minha indignação de repente sentir meus pés cravados no chão desta maneira. Eu precisava mesmo passar por isso? Não podia continuar iludida acreditando que logo conseguiria me equilibrar nos patins roller que ganhei há alguns Natais atrás, ainda que sem nunca tentar?

Mas o titulo diz: Historias de Natal. Como já disse, tenho várias, mas quero contar só uma: a do único Natal que teve árvore cheia de presentes embaixo, fizemos amigo secreto e eu ganhei a minha sonhada boneca Suzi (uma similar da Barbie). Tinha papais noéis de chocolate pendurados na árvore e todo dia eu ia lá roubar um. Como toda criança eu ficava ávida pela chegada deste dia apesar do Papai Noel só existir na casa das outras pessoas. Mas minha mãe dava um jeitinho, sempre tinha um presente, ainda que baratinho. Mas esse Natal minha irmã mais velha que sonhava com um Natal diferente, igual ao das outras famílias, preparou a árvore, inventou o amigo secreto, ajeitou os presentes debaixo dela. Não me lembro quantos anos eu tinha nem como foi a troca dos presentes, mas esta foi a primeira vez que meus olhos brilharam diante das luzinhas de Natal. E que chegue logo o próximo. Amém.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Vovô Izio"

Ontem a Luiza me viu no computador e ficou pedindo para ver o "neném" (os vídeos que fazemos dela e que ela adora ficar assistindo). Para variar um pouco, coloquei a retrospectiva que apresentamos no seu primeiro aniversário. Enquanto assistíamos, sei lá, pela terceira vez, quando apareceu a foto que está no perfil do blog, eu e meu pai prestes a entrar na igreja no dia do meu casamento, ela falou: "Mamãe Vovô Izio". O Adriano perguntou quem era para confirmar e ela repetiu: "Mamãe Vovô Izio". Dá pra imaginar o tamanho da emoção que senti? Semana passada eu peguei o álbum do casamento e fiquei mostrando a ela as fotos e ensinando o nome das pessoas. Já tinha tentado isso há alguns meses atrás, mas sem sucesso. E ela foi aprendendo quem era cada pessoa daquele álbum. E acabou, não mostrei mais. Mas ela não esqueceu, já conhece a imagem e sabe o nome do Vovô que só existe na foto. Acho que ela já está começando a conhecê-lo e, quem sabe, a amá-lo. Fico curiosa para saber o que está no pensamento dela, o que passa por sua cabecinha quando olha uma foto de alguém que ela nunca viu. Espero que em breve ela me conte.
Acho que estou conseguindo. Ele também já começa existir na memória dela. Que bom.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

752

A inspiração às vezes vem de coisas improváveis. Hoje acordei cedo, vamos receber visitas e a casa precisa estar em ordem. Enquanto fazia café ouvi barulho de sapatos/passos. Pensei que minha vizinha de frente usa sapatos barulhentos, mas não deveria ser ela, talvez o vizinho de cima. Logo me lembrei, meu pai usava sapatos 752 da Vulcabrás, tinha até o comercial na TV. Ele dizia que aquilo sim é que era sapato e costumava ter dois pares, um mais velho pra trabalhar, e outro mais em ordem para ir à missa. E para acompanhar usava chapéu Panamá. Elegante não? Trabalhava assim o dia todo e depois saía para passear. Detalhe: meu pai era mecânico de carros, vivia sujo de graxa. Era uma marca o chapéu, ele era careca e o usava para se proteger do sol, mas vinha dos sapatos o som cadenciado dos seus passos, tão característico, peculiar e único que a quilômetros de distância quem o conhecia já sabia: lá vem o Anizio, como ele era conhecido. Cada pessoa tem uma maneira de ser, de se portar, algumas são mais expressivas, outras mais apagadas, mas cada pessoa guarda características que o definem e pelas quais você a reconhece. E ele era dono de um jeito muito marcante. Eu gostava de ouvir seus passos quando criança e ele me levava no colo. Ele andava devagar, mas com passos largos e firmes, o que tornava quase impossível acompanhá-lo. Minha mãe, com seu 1,43 de altura e pernas muito curtas logo desistiu. Depois de um tempo era coisa rara vê-los juntos na rua. Iam para a mesma missa, mas cada um no seu tempo e com os seus passos. Não, meu pai não era alto, deveria medir 1,66/67, não mais que isso. Era o mais baixinho dos seus irmãos e parentes e acredito que por isso mesmo tinha verdadeira fascinação por gente alta e até se achava alto e ao lado de minha mãe era mesmo muito alto, mas alta mesmo era a sua alma. E grande. E grandiosa. Dono de uma autenticidade rara, não se intimidava com nada e falava o que lhe vinha à mente sem se preocupar se quem ouvia iria gostar ou não. Ele era destas pessoas sem "papas" na língua e chegava mesmo a ser inconveniente em determinados momentos, o que poderia ter lhe rendido alguns inimigos, mas não. Era também dono de uma ingenuidade e suas palavras eram dotadas de tanta verdade que o que ele arrebatava era respeito. Todos o respeitavam. E o amavam. Ele era uma pessoa apaixonante mesmo. De olhar sincero e apaixonado, expressões fortes e contador de histórias emocionado, quem o odiou é porque não sente amor nem dor, é porque não sente. Ele era puro sentimento e isso ficava marcado em cada um dos seus gestos, era exalado pela sua pele e podia ser percebido na cadência dos seus passos calçados de sapato 752. Com o tempo o sapato foi substituído por botas feita sob medida e por sapatões, desses de trabalhar em roça, e o chapéu por boné. Eram outros tempos e o boné lhe concedia um ar mais jovial, como já disse, meu pai tinha medo de morrer e esforçava-se por manter-se muito jovem. Mas seus passos fortes e confiantes mantinham-se os mesmos, até o barulho dos sapatos, não sei como. Acho que o som gostoso dos passos dados no seu 752 passaram a fazer parte dos seus pés e não mais dos sapatos. Apenas no fim de sua vida seus passos fortes tornaram-se inseguros causando-me espanto e dor. Ele já se despedia da vida mesmo sem saber e o esforço para lutar pela vida roubaram-lhe parte da vivacidade, seus passos também se ressentiram. Oscilavam entre forte e fraco, refletindo sua condição interna conflituosa dividida entre lutar e se deixar ir. Não sei, são minhas estas impressões, talvez tenha sido mesmo assim, eu acho. E ele,que não era de se abater por pouco nem era de desistir fácil das coisas (era teimoso que ele só), fez um acordo com Deus por intermédio do Frei Galvão (já contei isso aqui). E por quatro meses e meio ele recuperou a força dos seus passos e passeou por aí como se nada nunca tivesse mudado. Mas o acordo chegou ao fim e enfim chegou o dia e ele deixou-se partir para sempre, magoando meu coração e me deixando desesperada de saudades. Sua herança? Fecho os olhos e ouço seus passos aproximando-se e me flagrando na esquina, sou flagrada sempre pela minha lembrança. Meu amor não me deixa nunca esquecer.

Domingo estivemos na casa do meu pai, da minha mãe. No fim do dia, quando me preparava para vir embora, num impulso virei-me na direção de um dos quartos para me despedir dele. Um segundo de ilusão. Talvez ele estivesse por lá.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Fui Desafiada

Recebi este desafio da Flavia, do blog Baú de Tesouros e Conexão Flávia e depois tenho que desafiar outras blogueiras e foi uma deliciosa surpresa. Eu nem sabia que era possível conhecer pessoas e tê-las em alta conta, assim, virtualmente. Estou gostando. Obrigada Flávia, adorei ter sido uma de suas escolhidas, também estou me sentindo VIP.

1 - O que te levou a criar um blog?

Perdi meu pai quando estava grávida de 8 semanas. Era muito confuso conviver com a vida e a morte tão de perto e precisava elaborar o meu luto para que conseguisse estar pronta para receber em meus braços a riqueza que Deus me deu, minha bonequinha sapeca. No inicio eu queria conversar com meu bebê, mas só conseguia falar com ele. Consolava-me ele ter sabido que teria um neto antes de partir, parece que ele estava só esperando a noticia, mas me doía e ainda dói saber que ele nunca será o vovô querido dela. E foi assim que nasceu o Histórias de vovô para Luiza. Minha grande e querida amiga Lu me sugeriu e eu embarquei como forma de conseguir lidar com tudo isso e também para construir um vovô que pudesse ser amado pela minha filhinha, a memória do pai por quem sempre fui doida e que sempre foi doido por mim.

2 - O que tira você do sério?
Falsidade. Sou ingênua, semrpe confio nas pessoas e me decepciono e sofro quando percebo que nem sempre são verdadeiras.

3 - Você tem alguma mania ou vício?
Combinar o laço com o sapato, com a calça, com a roupa. E outras coisinhas chatinhas por aí.

4 - Qual a sua melhor lembrança?
Um "Baú" de lembranças. Destaco algumas: ver meu pai chorar de saudade quando fui pra faculdade e vê-lo chorar na formatura. Entrar na Igreja pra me casar e a mais facinante de todas, única: ouvir o choro da Luiza no seu nascimento (pela primeira vez na vida percebi que o mundo pode parar).

5 - Qual o seu maior sonho?
Já os realizei: ser mãe, casar e ser Psicóloga. Daqui pra frente é ser feliz, só isso.

6 - Se fosse um dinossauro, como sechamaria?
Que pergunta é essa? Se é para ser velha, preferia ser anciã e de preferência não ser extinta rsrsrsrsrsrs.

7 - Qual personagem da sua infância gostaria de ser?

Cinderela. (Nem me lembrava mais do fascínio que essa estória exercia em mim)

8 - Cite uma peça que não pode faltar no seu guarda-roupas e outra que jamais usaria?
O bom e velho jeans, sempre. Não usaria aquelas calças que tem o cavalo muito baixo, que parece que você está de fralda vencida, acho feio.

9 - Um lugar que ama!
A casa da minha mãe, onde eu cresci. A mesa da sua cozinha, acompanhada de bolo de fubá e pão de queijo e uma garrafa de café fresquinho, cercada de gente boa e boa conversa. Tem lugar melhor? E claro, a minha mesa, que não fica na cozinha, mas que também é muito boa de papo e garfo.

10 - Que filme você amou e recomenda?

O Pássaro Azul (velho, muito velho). Recomendo por que ensina o que é felicidade. História de Nós Dois. Minha amiga Lu me deu de presente de casamento e sempre que as coisas não vão bem me lembro da cena em que percebem que o que incomoda hoje foi o que apaixonou lá no inicio. Acho que este ensina sobre a tolerância. Ah, tem o Dança Comigo, que fala de sentido de vida, lindo esse filme, sem contar que dá vontade de sair dançando com o delicioso Richard Gere (não leia isso marido rsrsrs)

11 - Qual ultimo livro que você leu?
Segredos de uma Encantadora de bebês(Tracy Hogg e Melinda Blau). Interessante, mas li meio tarde. Comer, Rezar, Amar (Elizabeth Gilbert), estou doida para ver o filme. A Garota das Laranjas (Jostein Gaarder), com certeza o livro mais lindo que já li, também fala de sentido de vida. E o melhor de todos, Os 10 Pecados de Paulo Coelho, do Eloésio Paulo, meu amigo e professor, divertido, interessante e uma boa forma de se conhecer a obra do referido autor.

12 - Qual palavra te define?
Intensidade.


Agora o desafio vai para:

Lu, do blog da Luciana Arruda e do site www.abailarina.com.
Kecia, do blog Mamãe Motherna -Uma viagem à Motherland.
Dani, do blog Mamãe Coragem e Seu Trio.
Ariela, do Blog PS-Baby.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nos tempos da escola.

Confesso: não ando me dando bem com a passagem do tempo. Não consigo superar essa crise, meus 34 anos andam pesando demais sobre meus ombros e minhas costas andam gritando com esse peso. Não sei o que fazer. Nunca liguei muito pra esse lance de idade. Quando tinha 12 anos me davam 15, 16. O máximo não? E quando tinha 15 me lembrava das coisas que fazia e falava aos 12 e passava mal. Pensava: como eu era criança. E foi sendo assim até ontem. Não consigo entender o que foi que mudou. Sempre tive alma anciã. Colecionava coisas e registrava histórias em minha memória pensando que um dia estaria sentada em minha cadeira de balanço dividindo toda uma vida com meus netos, mostrando cartas, fotos, quinquilharias, todos guardados com muito amor apenas aguardando para servir a um único propósito: mostrar o quanto vivi intensamente e fui feliz. A coisa ficou meio complicada quando fui obrigada a aprender a usar o computador, me encantei com a agilidade da rede e parei de escrever cartas, acho que minha "herança" ficou comprometida depois disso. Siiiiimmm, herança. No primeiro ano de faculdade tive uma disciplina de nome 'Psicologia da Morte'. O objetivo era estudar as várias teorias sobre o luto, a morte e o morrer, mas para mim foi muito mais que isso. Nunca tinha pensado nela, dado espaço para entender o que era isso e minhas únicas experiências com a "dita cuja" haviam sido o velório do pai de uma vizinha, cujo choro e discurso emocionado soaram muito confusos para mim (eu era bem pequena e acompanhava minha mãe), e a morte de um tio, a primeira vez que vi meu pai chorar. No fim do ano a professora nos pediu como trabalho pra nota que fizéssemos uma caixinha de vida. Uma caixa com o que quiséssemos dentro que pudesse simbolizar tudo que estudamos durante as aulas. Nossa, me realizei. Coloquei lá tudo que havia colecionado até então, cadernos de poemas, aqueles cadernos de recordação que a gente dava pros amigos escreverem, terços, relíquias, fotos, tudo o que tinha importância na minha vida. A professora interrompeu minha apresentação no meio porque estava longa demais e eu não era a única a apresentar. Fiquei mortificada, mas tive de aceitar, era o ultimo dia de aula. Eu estava tão envolvida e apaixonada pela minha caixa de vida... Horas mais tarde, no churrasco de fim de ano da turma ela veio e se desculpar por me interromper e me disse que de todas as caixas apresentadas naquela noite a minha era a que tinha mais vida. Dez para mim! De lá pra cá passei a dialogar diariamente com ela, a morte, e fui tratando de viver bem e bem viver todos os dias de minha vida. E passei a ter pavor da não despedida. Pelo sim pelo não, passei a me despedir das pessoas que amo como se nunca mais fosse vê-las e tratei de não ter mais arrependimentos, não, eles não fazem parte dos meus sentimentos. Mas tudo mudou quando me tornei mãe. Tive que conviver com a emoção de ter uma nova vida crescendo em meu ventre enquanto digeria aquele triste fato de que a morte não é só uma amiga conselheira que andava me ensinando a viver intensamente cada momento. Ela é a dona do destino que até pode ser generosa e enviar avisos de que anda rondando como forma de nos dar uma última chance de fazer as coisas direito, como devem ser feitas, mas sua missão é uma só: nos levar daqui. E ela levou meu pai. A gente tenta racionalizar, ele estava doente, mas não, não abranda a intensidade da dor de não mais poder tocar quem se ama. Acho que neste momento me rebelei. Posso abraçar meu marido todas as manhãs como se fosse a ultima vez, mas não posso me despedir dessa maneira da minha filhinha quando a deixo na escola. Não posso entregá-la à dona do destino, nem posso permitir que ela me leve causando tamanha dor a pessoinha que mais amo nessa vida, que saiu de dentro de mim, não, não! Aí eu cansei de brincar de viver intensamente, não quero mais um dia de cada vez, quero todos os dias, quero ser jovem de novo, quero ter vinte anos no máximo. Abandonei o adeus. Agora é até breve.

Talvez seja isso. Como fui velha até hoje, agora que o tempo do declínio anda chegando, desejo minha juventude de volta. De repente olho em volta e vejo uma mocinha linda, simpática, fofa, fazendo gracinhas e me chamando de mamãe e tenho que coçar o olho para ver que é sim verdade, ela existe e é minha. Ah, eu quero uma vida inteira de novo, quero que seja verdade, que estou tendo uma segunda chance, por que o espelho teima em me contrariar?

E assim vou seguindo, pensando nos tempos da escola, tentando rememorar cada detalhe de uma vida enquanto me divirto sendo de novo criança. Novamente um paradoxo. Preciso dele para viver. E nada da minha memória me dar uma colher de chá e sempre sendo atropelada pelo tempo. Quando criança o Natal demora pra chegar. Mas já é quase Natal de novo? Nem vi o ano passar. Isso me dá mais medo do que a própria morte.