sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Meu dia especial.


Ontem foi meu aniversário de 36 anos. Confesso, me apavora pensar no número, porque não me vejo com essa idade, não me sinto com essa idade, mas já vivi tudo isso. Enfim, tanto faz.

Foi um dia especial. Tenho sentido falta de celebrar, comemorar. Comecei a me sentir em paz depois de muito tempo triste, chateada, ansiosa, sem esperanças. E boas novas tem surgido, ainda que de maneira tímida, mas é sinal de bons ventos sim.

Fui passar meu dia numa feira de gestão de pessoas. Na volta fiquei pensando que não tem como dar errado essa fórmula. Mesmo que demore um pouco, não tem como não dar certo. Comecei uma pós-graduação, esse foi o presente que me dei de aniversário. Se vou conseguir concluir é outra história, mas estou feliz de ter vencido o desafio de sair de casa depois de tanto tempo reclusa nos moldes passados. Claro que ainda tenho alguns muitos questionamentos, mas nada parece mais abalar a serenidade que estou sentindo.

E meu dia foi assim: marido madrugou e preparou uma linda mesa de café da manhã, com flores e delícias! Mas a surpresa mesmo foi a imagem acima: minha pequena assinou seu primeiro cartão pra mim. Quanto orgulho!!!!!!! E meus olhos marejaram e eu só pude pensar: "como eu posso reclamar da vida!" Minha fofa só tem 3 anos e já escreve seu nome. E claro, eu me lembrei dele, meu pai. Seu jeito peculiar de lembrar dos aniversários, e o orgulho que sentiria da neta pequenina que já escreve o nome. E me lembrei de mim mesma, pequena, escrevendo meu nome! Foi como se um filminho passasse na minha frente, eu pequena, minhas irmãs me ensinando a escrever minhas primeiras letras. Claro, eu já era mais velha, uns 5 anos talvez.  E eu treinando, escrevendo incansavelmente meu nome e mostrando: "olha pai, eu já sei escrever meu nome". E ele elogiando, achando lindo! E quando os mais velhos me ensinaram a contar até 10 em inglês e ele ficava pedindo pra eu contar para todos os clientes e amigos que apareciam na oficina dele, ai ai, não ouve no mundo pai mais orgulhoso do que ele! E Luiza, menor que eu, já sabe estas coisas. E também me lembrei de pouco tempo atrás, ter achado uns cadernos antigos com a minha letrinha, meu nome, uns nomes escritos certos, a maioria errado, NVA, NIA, NIVIA. E me lembrei do dia em que pedi dinheiro pra comprar livros, com 7 para 8 anos, tão logo aprendi a ler. Lembrei de seus olhos brilhando muito, sempre, olhos orgulhosos e apaixonados, me olhando e admirando tudo o que eu fazia e dizia, em qualquer tempo, a qualquer hora. Acho que quando a Luiza diz que sou sua princesa e diz que me ama, seus olhinhos inocentes   também carregam amor parecido com o dele, mas ainda assim estou certa de que ninguém nesse mundo me olhou como ele me olhava, me amou como ele me amava! Ele sabia amar sem nada pedir em troca. Toda vez que um de nós, ou eu ou meus irmãos, reclamávamos de qualquer coisa, ele só falava: "mas eu não mandei fazer isso!" Ele nos deixava livres, mas mantinha seus braços abertos para nos receber de volta! Que amor especial ele era capaz de sentir... claro, ele não era perfeito, tinha suas críticas para nós também, mas estava lá, nos amando, nos colocando no pedestal especial dos filhos. E quantas coisas importantes ele ensinou com seus exemplos e seus conselhos. Hoje, com 36 anos, seus ensinamentos estão mais claros que nunca! 

Tenho pensado nele todos os dias, o dia todo. Tenho sentido uma falta imensa! Eu já tinha me habituado à sua ausência, mas, sei lá, de repente a coisa andou pra trás, e eu voltei a sofrer de saudade. Sua imagem anda ficando distante, minha saudade começou a berrar! Talvez a tentativa de manter mais forte essa imagem. Saudade, saudade, saudade...

E a vida segue! Minha crise me ensinou várias coisas sobre mim. Ainda não enxergo a próxima estação, mas já embarquei no trem. Não consigo crer que meu pai morto possa me ver, pra mim essa ideia é um tanto absurda, porque nem tudo que faço, faria na frente dele. Mas se pudesse acreditar em algo do tipo, então pediria que seu amor me acolha e me guarde como quando ele estava aqui, para que minha viagem nessa nova fase de vida seja tranquila e que o destino seja de fato o sucesso. E que ele possa sentir orgulho de mim. Ou que eu possa sentir orgulho de mim junto com o pai que ainda está vivo e mora em mim! E que assim seja!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Saudade é algo que fica...

Estou especialmente com saudades do meu pai. Dei-me conta de que nosso último dia dos pais juntos foi há cinco anos e, coincidentemente, foi no dia 12 de agosto, como neste ano. E tenho pensado nele todos os dias, todas as horas. Que seria dele se estivesse vivo? O que pensaria, como estaria? Será que estaria bem, lúcido. Será que teria energia pra curtir as netas lindas e arteiras? De uma coisa eu não tenho dúvida: Luiza seria seu xodó, porque filha de xodó, xodó é. 

E por isso a saudade fica... fica... fica...

E foi final de Olimpíadas no domingo. E assistir final de Olimpíada era bem coisa dele. Nós assistimos! E pude imaginar ele falando bem das coisas de Londres e mal das coisas do Brasil (risos), ah, meu pai era cheio de manias! Mas gostava de Olimpíadas e falava bem das atletas russas, romenas e por aí vai. Tanta saudade...

Amanhã é meu aniversário. então serão cinco anos também da primeira cirurgia dele. E cinco anos do dia em que senti que sua morte podia chegar de verdade. Então tenho que agradecer a Deus, porque ele se foi sim, mas não neste dia, e por algum tempo pude curtir e me despedir. Pude cuidar. Meu coração está cheio de doces lembranças e as mais doces deste momento são: o abraço mais carinhoso que recebi dele em toda a minha vida, na nossa despedida, no dia dos pais. E ele contando pra todo mundo no hospital que há 31 anos eu havia nascido naquele mesmo hospital, cheio de orgulho da filha que o acompanhava. E ele saiu vivo e forte, cheio de esperanças, do centro cirúrgico. E eu pude compreender uma centena de coisas naquele dia. Queria hoje, que ele estivesse aqui...

Estou um pouco triste hoje porque amanhã é meu aniversário. Mais um! Em um ano pouca coisa mudou e posso dizer que não foi pra melhor não. Ainda que novos ventos estejam soprando, ainda está tudo igual e nem sei quanto tempo ficará assim. EU queria fazer uma festa, mas não vai dar. E fico pensando que será sempre assim agora, sem festa! E vou traindo minha essência festeira. E de novo só farei anos, 36, e não aniversário.

A boa notícia é que hoje começam as aulas da pós. Estou ansiosa e com medo. Vamos ver como vai ser, um dia de cada vez. 

Fico sonhando, sonhando. O que será amanhã?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

E Luiza gosta de maçãs

Não tem prazer maior para uma mãe do que ver seu filho, ou filha, comer! É, creio que para as mães mais encanadas com o corpo e gordurinhas a mais, talvez isso possa tornar-se um conflito, mas quem já viveu a dor de ouvir do pediatra que seu bebê ganhou pouco peso sabe do que eu estou falando. E determinada a fazer minha fofura comer e com prazer, passei seus dois primeiros anos insistindo em apresentar tudo quanto fosse possível em termos de alimentos saudáveis. E deu certo! Mas aqui não é espaço para discussões nutricionais, não. Aqui é pra falar de saudade, de amor, de momentos de conflito (por que não?), e de coincidências: a Luiza gosta de maçãs. Meu pai adorava maçãs. Esses detalhes pequenos fazem com que minha riqueza se aproxime dele, o vovô Anizio. E eu sinto meu coração se aquecer cada vez que isso acontece.

Ser mãe é tarefa um tanto complicada. Mas eu tirei de letra! Orgulho-me da mãe que me tornei e meu termômetro é a alegria e tranquilidade da minha filha, meu pai se orgulharia. 

Dificil mesmo é ser multitarefa! Agosto começou e eu ainda estou entendendo como se dá essa passagem de tempo. 

Ontem li uma coisa que fez tudo ficar claro pra mim de todo o meu processo de crise e cura: "e a receita é uma só: fazer as pazes com você mesmo, diminuir a expectativa e entender que felicidade não é ter. É ser." (Fernanda Melo). Fazer as pazes comigo! Foi isso que ficou diferente! De repente parei de me culpar pelos males da minha vida e pelos meu insucessos, parei de me culpar por não ser o que esperam de mim, as pessoas esperam demais, e passei a acreditar que ninguém é mesmo 100%, então por que eu tenho que ser? E isso me deu espaço para pensar em mudanças e projetos. 

Mas hoje fiquei muito frustrada: meu dia tem muito poucas horas para tantas tarefas as quais quero e preciso dar conta. Estou tentando me organizar e sei que não é de um minuto para o outro que toda a atitude de uma vida inteira vai virar outra coisa. Estou tentando!  Embora tenha me sentido frustrada hoje, amanhã é outro dia. Não sei o que vou fazer, como vou fazer, nem onde vou chegar, mas já saí do lugar e é isto que importa. 

Conheço duas formas de lidar com minhas angústias e frustrações: falar e escrever! Tentei falar, mas meu ouvinte não conseguiu ser sensível ao que eu dizia e nesse momento preciso de incentivos e não de críticas. Aí uma imagem me fez morrer de rir e o dia voltou a ficar leve. Então vou encerrar meu dia, vou acabar as tarefas que me propus fazer todos os dias para que a vida fique mais organizada, e vou dormir. O futuro está só começando e preciso estar descansada pra quando ele chegar de fato.