domingo, 30 de janeiro de 2011

Os Pombos

Hoje sabemos que eles são como ratos, mas quando era criança eu os tinha como bichos de estimação. E eu tinha vários, cada um mais lindo que o outro, com penas coloridas e brilhantes, postura altiva e aquele piar de pombo "Uuuu Uuuu". Meu pai, pessoa única e maravilhosa, comprava sacos e mais sacos de milho para alimentá-los. Logo cedo ele acordava e jogava um montão no quintal de casa. Eles, os pombos, já ficavam a postos e se você tentasse até conseguiria pegá-los naquela hora, famintos que estavam preferiam arriscar serem pegos a deixar tamanha fartura para os companheiros. Talvez porque soubessem que nenhum de nós ali poderia lhes fazer mal. Alguns pequenos caíam dos ninhos. Outros se perdiam na tentativa de voar. Eu, criança pequena e cheia de graça adorava ficar com eles, adotá-los. Mas teve um especial, o "Tiquinho". Esse cuidei pra valer e mesmo depois de ter aprendido a voar, às vezes ele me deixava pegá-lo. Ele se tornou um belo pássaro de penas vistosas, muito brilhantes, o mais belo de todos que por ali passaram. Eu sempre o via por ali, até que desapareceu. Ou fui eu que cresci, não sei. Quanto tempo vive um pombo? Às vezes jogávamos restos de comida e um dia meu pai descobriu que o tempero os deixava doentes. Aí ele descobriu que pombos poderiam nos deixar doentes e ele, amante dos pássaros que era, travou uma guerra sem fim pelo fim dos pombos no nosso quintal, pelo bem dos seus. E teve fim, eles foram embora atrás de anfitrião mais simpático. Só uma pessoa doce e generosa como meu pai poderia dedicar tanto tempo a cuidar de pombos. Pena nossa convivência ter precisado chegar ao fim.
No caminho para a escola da Luiza sempre os encontramos, como já disse, são como ratos, se espalham por onde tem comida, estão por todo lado. E tem uma certa graça ensinar a Luiza a espantá-los, isso me aproxima do tempos de antes, isso me devolve parte de uma infância feliz e sem malícia ou medos, regada a muito amor de um pai que sabia amar a tudo e a todos.

O tempo vai passando, a saudade... nem sei se sou capaz de guardá-la em meu coração, ela escapa. Em dias de céu limpo ele aparece naquela estrelinha brilhante e fica nos olhando e eu também olho para ele, mas o que me consola e faz aguentar essa ausência é essa risada gostosa, aberta, rica que só a minha fofura tem. Diante dela tudo, tudo fica pequeno, só isso importa.

O que não entendo de forma alguma é que a gente se acostuma. Isso não entra na minha cabeça. Como posso eu, filha apaixonada, acostumar-me à ausência de meu pai? Sei lá. A vida é assim...

... e sigo olhando os pombos, os beija-flores, as flores, as folhas caindo das árvores, a chuva é tudo o que é vivo, e tudo o que é da natureza, e tudo o que é belo porque assim ele me ensinou a viver e eu, espero, consiga ensinar a minha fofura também...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tanta coisa...

Pra começar, desejo um feliz 2011 para todas as queridas que passam por aqui. Que as luzes do Natal brilhem durante o ano todo em suas vidas e todos os seus desejos se realizem!!!!

Não fiz planos para esse ano. Não quis correr o risco de abandoná-los pelo caminho. 'Tou mais numas de deixar como está para ver no que dá, vamos ver então. Aliás, pela primeira vez na vida fiquei muito temerosa com o fim de um ano e o inicio de outro, mal comemorei. Pra ser sincera, cumpri o ritual apenas por cumprir. Não fosse a pizza* ter demorado tanto pra chegar, teria ido dormir, assim sentiria menos que as coisas podem, OU NÃO, mudar, apesar de ter mudado o número.

*Sou a responsável pela comilança da véspera, já que minha familia não tem o hábito de fazer ceia, mas almoço. Mas desta vez dei-me o direito de tirar folga, estava cansada, e quase mato todo mundo de fome, já que não tinha pizzaria aberta na cidade, quase, achamos uma depois de muito garimpar. Ufa!

Terminei o ano de maneira muito gostosa. Viajei antes do previsto, por uma mãozinha do destino, visitei amigos, joguei conversa fora, chorei as pitangas, compartilhei medos e queixas e, claro, fiquei me explicando, não aprendo. Tomei umas e acordei no primeiro dia do ano com uma p. dor de cabeça. Bela forma de acordar no novo ano. Ao saborear o delicioso almoço de Ano Novo feito por minha mãe, adivinha? Quebrei um dente. Ah, não, deve ser pegadinha. A doce surpresa ficou por conta de um grande amigo que apareceu no meio da tarde pra comer bolo de fubá e matar as saudades e "conhecer" minha fofura (ele já conhecia, mas esqueceu, pode?). Sem expectativas, sem frustrações. Foi assim no primeiro dia, será assim o ano todo.

Só uma coisa: choveu muito. E dentro de minhas crendices pessoais, anos que começam com muita chuva são sempre os melhores. Então:

QUE VENHA 2011!!!!!!

Em amarelo, porque preciso de muito dinheiro. Amém!