segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Marcou a data, o dia chega. Confesso que isso me apavora um pouco, porque sou daquele tipo de pessoa que quer viver tudo o mais intensamente possível, sem perder nada, nadinha! Nem o antes, nem o durante. E o depois? Bem, sou também uma eterna enlutada! Porque, se eu pudesse, prolongava mais e mais cada prazer, cada momento, cada fase!

E quando ela surgiu, isso se multiplicou por um milhão. Se pudesse, ficaria grávida por uns dois anos. E transformaria os dias em semanas, as semanas em meses, os meses em anos, só pra ficar muito, muito, mas muito tempo mesmo, vendo ela crescer beeemm lentamente.

No dia em que fiz o teste de farmácia, diante das duas linhas azuis indicando o positivo, meu coração pulava gritando para que eu parasse tudo o que eu estava fazendo, ela estava chegando e ele desejava que eu apenas existisse para recebê-la a partir daquele momento. Se pudesse, teria parado mesmo, tudo! E lá se vão quase sete anos...

Então ontem ela se formou! E eu nem consigo dizer o que estou sentindo...

Foram seis longos anos, seis apresentações sonhando com este dia, planejando, imaginando como seria seu vestido, como estaria seu cabelo, com quem ela dançaria a tradicional valsa!

Para quem não sabe, o Colégio da Luiza realiza todo ano uma formatura para o primeiro ano, nosso antigo pré, junto com a programação de final de ano da educação infantil. Luiza subiu ao palco pela primeira vez aos 9 meses, vestida de dálmata. Foi desses momentos que os pais fazem coisas fofas para babar ainda mais nos filhos. Na primeira música ela chorou e eu quase invado o palco pra acolher o meu bebê, mas a tia foi mais rápida e segurou ela no colo. Mas na segunda música ela curtiu, dançou, brincou, sorriu! E neste momento ela traçou o próprio destino! Foram inúmeras apresentações, de final de ano, no dia dos pais, das mães, dia da família e por aí vai. Neste final de semana ela também estreou seu primeiro espetáculo de ballet, fora da escola. Talvez o primeiro passo para as novas aventuras que virão daqui pra frente.

Mas pro meu coração de mãe passou tudo rápido demais, que loucura tudo isso!!! Venho aprendendo com ela a ser a sua mãe, um dia por vez, com erros e acertos e agora terei de aprender a ser mãe de menina grande, quase do meu tamanho, daqui há nada de tempo, maior do que eu. Que coisa doida isso, meu Deus! A gente não imagina onde aquelas duas listrinhas azuis vão nos levar!

E traz alegria, dá muito orgulho, transborda amor, afoga em baba e em lágrimas. Acho que ainda vou levar muitos dias processando aqui dentro a emoção deste momento.

Parabéns minha bonequinha sapeca! Do meu desejo você ainda estaria dormindo no meu peito. Agora você já sabe boa parte do que precisa saber pra se arriscar em novas aventuras. E eu estarei sempre ao seu lado, nós estaremos sempre junto de você. Papai e eu seremos sempre seu porto seguro. Desejo que você vá em frente e que nunca um obstáculo seja grande o suficiente para te impedir de chegar aonde você desejar ir. Se precisar, segure a minha mão e eu ajudo você!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um dia de catarse ao melhor estilo de Divertida Mente

Estamos numa fase muito louca, já em fase de resolução. Tem uma frase que circula por aqui e que cabe direitinho para resumir o meu momento:

"Quando a gente acha que encontrou todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas".

Digo meu momento porque, depois de muito andar em círculos, encontrei a saída do labirinto que leva para o lugar da paz. E estava tudo certinho. Mudamos de apartamento atrás de uma área de lazer que fosse mais interessante pra Luiza. Enfim o Papai do Céu nos deu de presente o irmãozinho que Luiza tanto pediu. O Adriano está ganhando melhor, o que me possibilitou abandonar uma busca desleal e exaustiva e enfim me dedicar a buscar coisas que se parecem mais com meus valores. E eu encontrei! Ou seja, tudo redondinho!

Bem, não por muito tempo. Primeiro o apartamento (o nosso), não foi alugado no tempo previsto. Aí apareceu uma obra no meio do caminho, soltou o piso da cozinha e precisou trocar. Aí o mercado ficou desaquecido e o Adriano começou a entrar em desespero de pagar todas as contas e começamos a cogitar mudar de novo. E ficamos nessas por um tempo, até que decidimos pela volta, depois de muitas tentativas de resolver de outra forma.

Nos mudamos amanhã. O Guilherme já está quase nascendo e, mesmo com a mudança, ainda vai ficar coisa da reforma pra terminar depois.

Neste processo todo, eu estive muito frustrada com esta volta. E acho que o Adriano também. Mas a Luiza... bem, ela ficou falando que aqui é ruim e a nossa casa era melhor. Andou extremamente agressiva comigo e eu sem muita paciência com ela. Na sexta passada, no meio de uma briga, tive um momento de iluminação e consegui colocar minha irritação de lado e dizer a ela que se tinha algo incomodando, que ela podia falar, mas que não estava certo ela ficar brigando comigo toda hora. Aí ela falou da decepção dela com os monitores deste prédio. Ela já tinha falado a respeito com o Adriano dias antes. Eu vinha sentindo o seu conflito interno, mas o meu cansaço e frustração andaram maiores que a minha empatia.

Aí, no domingo, do mais absoluto nada, ela começou a chorar. E falou da tristeza de abandonar a piscina aquecida daqui. Que a piscina de lá é ruim e gelada e não dá pra usar. e toda a sua dor pela mudança que nenhum de nós planejou, veio à tona. e pudemos acolhê-la neste momento. Eu chorei junto, porque a dor dela é minha também.

E eu percebi que, mesmo sem querer, às vezes a gente faz muito mal aos filhos. Porque a fala de que lá é ruim e aqui é melhor é nossa, não dela. Ela sempre curtiu aquela piscina gelada mesmo. Nós é que sempre nos queixamos.

Bem, esta é a nossa última noite aqui, Voltamos pra um apartamento totalmente repaginado, quase uma casa nova. Sim, isso ainda é um conflito pra mim, mas acho que minha menininha está lidando melhor com tudo isso agora. Melhor do que eu. Está mais feliz, preferiu ir pra escola esta semana e seguimos assim. Creio que logo tudo isso estará esquecido, temos muito o que organizar antes desse bebê nascer e isso em poucos dias. Uma nova fase se inicia.

Se a vida mudou as perguntas, trataremos de entender quais são as melhores respostas! Com fé e confiança, porque Deus sempre saber o que faz!

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Toda menina um dia desabrocha

Este texto em a pretensão de contar duas historinhas: a da menina que desabrochou e a da mãe que se reinventou. Na verdade, são dois pontos da mesma história e de como acontece essa relação mãe e filha.

Vou começar com a segunda. Nasci filha da melhor costureira da cidade e minha irmã mais velha é uma artesã exímia. E eu, bem, meus talentos sempre se resumiram ao banco da escola e minha criatividade podia ser vista, apenas, nas redações que iam morar no quadro da sala. Mas tentei costurar, bordar, crochetar, tricotar, enrolar brigadeiros. Desisti. Não levava jeito pra nada que se use o talento das mãos. Até que veio Luiza e, junto com ela, as fitas, os laços e os tecidos.

Luiza completou seis anos no início desta semana. E como todo ano, teve festa. Diferente dos anos anteriores, desta vez ela pediu que os amigos da escola viessem em casa. E negociou do tema ao salgadinho que foi servido. Queria uma festa do seu jeito.

O tema escolhido foi Rainbow Rocks, inspirada na pré-estréia que eu e ela fomos assistir, em nome do "Mãe Com Filhos". E aqui começam os desafios da mãe que se reinventou, porque não é tema que se aluga a mesa, ao menos eu não encontrei. Mas, tudo bem, eu faço, eu aprendi a fazer decoração de festa (é, não é bem assim). Mas esta mãe aqui está grávida e passou muito mal até completar 17 semanas de gestação (agora estou com 18). E sem ânimo algum, ficou tudo pra última hora, última mesmo, fora as compras e os convites que foram enviados com 15 dias de antecedência, tudo foi feito de quarta à sábado, para a festa acontecer no domingo. E isso envolveu uma tarde tomando chuva na 25 de março porque a mãe atrapalhada contou errado o número de crianças e precisou voltar (ainda bem). E a chuva, acreditem, também ajudou. Graças a ela, entrei numa galeria e tive uma ideia incrível. Eis o resultado (sim, eu estou me achando a criativa e estou apaixonada pelo resultado):

Mas, e a menina que desabrochou? Aqui mora a melhor parte da história. Esta mãe aqui vive se equilibrando entre ser super protetora e deixar crescer (já falei sobre isso aqui). E devo confessar, não é nada fácil esta tarefa.

Tudo começou com o pedido para que a festa fosse diferente, aí essa mãe, ou esses pais, se vêem no dilema de ter que abrir mão de convidar seus amigos sempre presentes nessas ocasiões, e entender que a menininha cresceu e tem sua própria vida e seu circulo de amizades. Que assim seja!

Depois foi a troca do tema do momento, Frozen, pelo definitivo e toda a correria para pensar e montar uma decoração, porque né, aniversário sem tema e sem decoração não tem graça (assim pensa a menina da história, e eu que não me atrevo a dizer o contrário).

E tem o lance da fantasia. Se o tema já era dificil, imaginem encontrar uma roupa. Mas "mamãe, eu quero ser a laranja"! "A laranja, filha? Mas ela é a malvada do filme!" "Mas eu quero ser ela e quero entrar assim". "Cuma". E eu me senti a fada madrinha, melhor, o gênio da lâmpada, só que sem os poderes mágicos.

Abro um parênteses pra explicar que essa escolha nos deixou boquiabertos e ao mesmo tempo orgulhosos, porque ela não quis ser a Twlight Sparkle, a princesa do Reino de Equestria, nem a Pink Pie, que é a poney rosa, nem a Sunset Shimmer, que é a  heroína do filme. Ela escolheu ser Adaggio Dazzle, a vilã. O motivo: interpreto esta escolha como a expressão de "pensar fora da caixa", como dizem por aí. E Adagio é forte, independente, inteligente, toma iniciativas e exerce liderança. Que mãe não se orgulharia ao perceber que a filha busca ser assim?

O problema da fantasia foi resolvido com uma costureira. Festa começa e a mocinha, bela e soberana, com seu laço de fita laranja e amarelo, para fazer as vezes do cabelo da personagem, assume o comando e dá o tom de tudo o que vai acontecer neste dia. Corre, pula, brinca, escorrega, circula livremente que a gente nem vê. Troca de roupa porque está muito calor. Troca de roupa de novo porque esfriou. Troca de roupa de novo porque é a hora do parabéns.

Aí ela mostra que realmente desabrochou! Primeiro se tranca no banheiro com duas amiguinhas para aguardar o momento triunfante de sua entrada no salão. O pai coloca a música e, nem eu, nem ele, sabíamos muito bem o que aconteceria. E ela entra, seguida pelas duas amigas, como a cena do filme. E começa a dançar, faz uma performance que só ela sabia, mas as amigas a acompanham com tranquilidade (criança sabe tudo né). E o queixo desta mãe vai parar no chão várias vezes. E eu só ouço algumas pessoas comentando baixinho "isso porque ela é timída".

"Mas toda menina, um dia, desabrocha". A frase foi dita pela Adriana, mãe da Duda, uma das amiguinhas que dançou junto. E como resumiu bem este momento!

Canta parabéns, corta o bolo e ela oferece os dois primeiros pedaços para as amigas que dançaram com ela, como forma de agradecimento. Depois ela me contou que fez uma pesquisa para saber que amiga dançaria com ela e foram essas que toparam ser vilãs também. Pode parecer exagero de mãe, mas vejo o princípio de uma liderança baseada em respeito e gratidão aqui. E vejo superação, força, criatividade, e uma centena de possibilidades de crescer e ser livre, ser dona do próprio nariz. E eu? Bem, estou aqui, agora (ainda), com essa cara de boba, babando de orgulho!

Seguimos assim, nessa relação de mãe e filha, vou me construindo como uma #mãequefaz (assim me escreveu minha amiga Emilene, uma mãe que também faz). me superando naquilo que não sei, e aprendendo o melhor jeito de ser #mãequedeixafazer, enquanto ela cresce e vai me mostrando o caminho.

Aproveito o post para agradecer algumas pessoas que contribuiram de alguma maneira para tudo isso aqui. Primeiro a Sam, que compartilhou o convite pra pré estreia e me abriu as portas do blog, sem esses gestos nada disso teria acontecido desta forma, tenho certeza.

Também agradeço minhas amigas Patrícia Medeiros e Kécia Katzer, ambas Psicólogas e artesãs "mãos de fada". A Patrícia me contou que o grande lance do artesanato é que não existem dois laços iguais, essa é a graça, e isso me fez crer que eu conseguiria sim, confeccionar algumas lembrancinhas sem sofrimento. E a Kécia me incentivou a aprender a fazer o bolo de tecido, num momento em que produzir uma festa foi extremamente terapêutico pra mim (outro dia conto essa história).

Assim como numa colcha de retalhos, cada detalhe desta festa foi confeccionada de pedacinhos, pequenas lições que a vida ensina e que nos transforma, às vezes mais, às vezes menos. E o meu papel nela foi o de permitir e criar as condições necessárias para os próximos passos.

Texto escrito inicialmente para o Mãe com Filhos em 16/04/15