quinta-feira, 26 de julho de 2012

Pedrinhas na água

Fiquei pensando na minha última postagem e tentando  como achar uma forma de começar mesmo a contar as histórias minhas com meu pai para a Luiza. Como essas histórias poderiam virar parte de nossa interação de todo dia e me veio a idéia de levá-la para fazer coisas que eu fazia com meu pai quando era criança, como foi na festa de Nossa Senhora do Carmo. E me lembrei que ele me levava para jogar pedrinhas no rio. Morávamos ao lado de um rio, minha mãe ainda mora lá. E ele me levava, e depois levou meus sobrinhos. Lembro-me que adorava ouvir o barulhinho do tchibum das pedrinhas caindo na água. E pensei: já fizemos isso com a Luiza, mas preciso levá-la agora, e dizer que eu também fazia isso quando pequena, agora que ela compreende e guarda na memória. Acho que será assim que meu pai enfim se tornará seu avô. Hoje é dia do avós. Não me lembo de saber desse dia existir. Nem tive avós para comemorar com eles, talvez por isso minha dor maior pelo time dos avós da minha filha já começar desfalcado. Mas acho que encontrei uma forma de resolver isso. Vamos ver.

Estou melhor, bem melhor. Eu sou assim, preciso sofrer até a última gota pra conseguir ir adiante. tenho a impressão de que se não for assim, não vou conseguir continuar, algo vai ficar me travando, me segurando, enfim. Mas confesso que desta vez achei não ia sair do poço em que me meti. Mas passou. Não que esteja tudo resolvido, aliás, não tem nada resolvido, mas eu estou quase 100% resolvida. Não sei o que será amanhã, mas já estou pronta para chegar lá enfrentar o que vier. Claro que estou com medo, até porque enxerguei a luz, mas ainda não consigo ver o que tem nela, mas recuperei minhas forças para abraçar oque vier. Então venha!

Já tracei planos e já comecei a colocá-los em prática. E o maior e mais dificil deles foi me livrar do que me incomoda e principalmente de quem me incomoda. e daqui pra frente será assim, nada nem ninguém vai mais conseguir me puxar pro buraco de novo. Decidi não ocupar mais o lugar da pessoa ruim, da "bruxa má". Ninguém é 100%, eu também não sou e se eu posso conviver e perdoar quem está à minha volta, que aprendam a me perdoar também, do contrário, saberei que tal pessoa não vale mais a pena. Percebei que a opinião de 2 ou 3 vinha me destruindo, mas tem mais uns 20 ou 30 que não pensam assim. E vi que boba era eu por sofrer por isso. Conseguir enxergar e decidir tudo isso me fez ressuscitar. Então, que venha a vida nova! Já me sinto outra.

No mais, vou jogar pedrinhas e me deliciar ao som que vem desse movimento. Estou certa de que a vida daqui pra frente será leve como uma criança!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Quatro anos...

Ontem a Luiza perguntou assim: "porque a vovó Silvia mora com o vovô Leo e a vovó Tetê mora sozinha?".  Eu ri e respondi: "porque a vovó Tetê morava com vovô Anizio e ele morreu, foi morar lá com o papai do céu." Aí ela concluiu: "Aí ela ficou sozinha. E o vovô Anizio é o marido da vovô Tetê.".

O que eu mais temia quando ele morreu era que aquele neném que eu carregava em meu ventre e que eu nem sabia ainda se seria menina ou menino, nunca conhecesse meu pai, de forma alguma. Que aquele que foi o meu maior incentivador e fã, que aquele que era dono do meu amor mais puro e sincero, sem diferenças, caísse no esquecimento. E me apavorava, como eu viveria sem ele? E já são quatro anos. De lá pra cá a vida ficou confusa, eu ainda estou tentando achar o caminho de volta depois do atalho que peguei para ser uma filha mais leal e cuidadosa com meu querido e amado e adorado pai. Hoje o sentimento ficou brando. Já não me desespero pela sua partida e já acredito nela, não tenho mais aqueles rompantes de "será que foi sonho?", não, já sei que não foi. Depois de sua partida tudo ficou diferente e para meu espanto a vida continuou. Mesmo que às vezes a compreensão disso me escape. O presente maior disso tudo é enxergar a obra de Deus em minha vida, que me tirou meu pai, mas trouxe no lugar a minha filha. E todo dia me sinto honrada, presenteada, agraciada, privilegiada e nem sei mais quantos elogios posso ter para a alegria que é ver a Luiza crescer. O presente que é acordar todos os dias e ouvir uma vozinha doce me chamando: "mamãe, aqui". É tanta ternura, tanta doçura, tanta delicadeza... Meus dias são recheados de tanto amor e alegria que mesmo nos momentos mais difíceis e tristes eu sou feliz. Sou feliz para sempre. Claro que eu posso colocar um tanto de 'e se...', 'porém...', 'mas como...'. Hoje, apesar da saudade que sinto, meu coração está tranquilo. Claro que a foto nunca mais estará completa, mas o meu presente tem dado conta de preencher todo o vazio e nos momentos em que ela pensa nele, fala dele, tenta compreender sua existência, meu coração sorri: meu pai está vivo!!! Então não posso me queixar. A vida que ele me ensinou continua, continua, continua... Deus seja louvado pela vida e pela nossa vida também! Amém!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

E a Luiza quis uma noivinha.

Fomos para Cambuí neste final de semana. Eu estava ansiosíssima pra que chegasse logo o dia, era a festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade. Por vários dias voltei a sentir uma ansiedade antiga, dos tempos de criança, e só conseguia pensar no sabor do pastel, da canjiquinha, dos doces da festa, da alegria das barracas. Sabores da infância. E era uma empolgação muito minha, quase egoísta. Não queria ir pra levar a Luiza, mas para me levar. e por uns dias meu coração foi criança de novo!
E chegou o dia. Um frio, quase que desisto. A casa da minha mãe, do meu pai, a casa da minha infância é tão gelada. E eu, velha que estou rsrsrs, ando invocada com o frio. Bem, meu desejo era maior que o frio. E já no caminho certas coisas foram voltando. Hoje temos um carro que marca a temperatura externa, chegou a marcar 6° graus no caminho e fiquei imaginando meu pai perguntando: "Adriano, quantos graus marcou em tal lugar?" Seria divertido. Ele, que se interessava por tudo, ficaria maravilhado com essa novidade. Bem capaz dele querer sair de carro só pra ficar olhando o termômetro. Essa viagem foi mais do que o desejo de sentir sabores da infância, foi um encontro com ele. Um encontro com tudo o que ele foi, com tudo o que vivemos juntos.
Daqui há uma semana serão 4 anos sem ele. No inicio eu ficava me perguntando como seria, não podia imaginar minha vida sem ele. E estou aqui, ainda, e me habituei à sua ausência. Como foi que isso aconteceu? Como pude me acostumar? Isso é assim, de fato?
Bem, tem coisa que é assim. 

Mas a aventura não para por aqui. Planejei um monte de coisas, pretendia visitar todo mundo, estava feliz como há muito não me sentia. Mas para falar bem a verdade, só queria festar!!! E lá fomos nós. De cara comi pastel. O sábado estava lindo, um sol maravilhoso como nos anos de minha infância. Aliás, o dia estava tão lindo e o sol tão gostoso que fomos acordar a Luiza de sua soneca da tarde para não perder aquela luz. E fomos andar nas barracas. Para quem possa ler isso, vou explicar: imagine uma rua cheia de camelôs vendendo toda sorte de quinquilharias, ou bugigangas, e no meio disso umas barracas de comida - sanduíches de pernil, maçãs do amor, doces vendidos a quilo. E pipoqueiros, vendedores de balões de gás. E a quermesse: uma grande barraca atrás da Igreja onde se vende pastel, canjica, chocolate quente, cartuchos de doces e mais um tanto de coisas.
Luiza ficou baratinada com tanta coisa pra ver e desejar. Ela se interessava por tudo e pedia tudo, ai que delícia! Por uns instantes era como se eu fosse criança de novo! Além de conhecer a festa, estávamos atrás de um 'rapaz', um boneco tipo Ken (o namorado da Barbie), mas genérico, baratinho, para casar com as bonecas da Luiza, um lance de dias antes. E nas barraquinhas da festa de Nossa Senhora do Carmo é o lugar perfeito para encontrar esse tipo de artigo. Fomos andando e Luiza enxergou de longe o objeto de seu desejo: o noivo e... a noiva!!!!! Eu também quis uma noivinha quando criança! Meu coração se emocionou! E se emocionou também quando ela pediu um tal balão de Branca de Neve e dissemos não e ela devolveu sem reclamar, tão educada e compreensiva! Mas o delicioso mesmo foi quando ela viu o balão de gás hélio da Dora Aventureira e pediu e, como ela abriu mão do outro, esse ela podia ganhar, e ela ficou feliz e saltitante com aquele balão que voava e brincava com o vento. Ela sorria para o vento!!!! E eu me vi no rosto alegre da minha filha. Vi nela uma alegria que já foi minha, uma felicidade extrema da criança mais feliz do mundo, doce e inocente, sorrindo porque ganhou o tão sonhado brinquedo. Existe no mundo coisa mais linda? E eu fui feliz assim, de novo, do mesmo jeito de antes. Foi um reencontro. Comigo mesma, com a tradição criada por meu pai, um reencontro com ele, com nós dois dos tempos de antes. Fazia tempo que não me sentia tão feliz!!!!!! 

E voltamos pra casa trazendo maçã do amor e doces, como antigamente. E passado e presente se fundiram num tempo só. E voltei pra casa querendo mais. E já começo a contar o tempo para que a próxima festa chegue e tudo isso se repita, como quando eu era criança e meu pai passava o ano todo dizendo: "dia 16, o dia da Festa, duas horas da tarde, nós vamos nas barracas comer doces!" Pode esperar pai, ano que vem estarei lá, nós dois juntos, você no meu coração, mais a Luiza, mais o Adriano, como sempre...