Marcou a data, o dia chega. Confesso que isso me apavora um pouco, porque sou daquele tipo de pessoa que quer viver tudo o mais intensamente possível, sem perder nada, nadinha! Nem o antes, nem o durante. E o depois? Bem, sou também uma eterna enlutada! Porque, se eu pudesse, prolongava mais e mais cada prazer, cada momento, cada fase!
E quando ela surgiu, isso se multiplicou por um milhão. Se pudesse, ficaria grávida por uns dois anos. E transformaria os dias em semanas, as semanas em meses, os meses em anos, só pra ficar muito, muito, mas muito tempo mesmo, vendo ela crescer beeemm lentamente.
No dia em que fiz o teste de farmácia, diante das duas linhas azuis indicando o positivo, meu coração pulava gritando para que eu parasse tudo o que eu estava fazendo, ela estava chegando e ele desejava que eu apenas existisse para recebê-la a partir daquele momento. Se pudesse, teria parado mesmo, tudo! E lá se vão quase sete anos...
Então ontem ela se formou! E eu nem consigo dizer o que estou sentindo...
Foram seis longos anos, seis apresentações sonhando com este dia, planejando, imaginando como seria seu vestido, como estaria seu cabelo, com quem ela dançaria a tradicional valsa!
Para quem não sabe, o Colégio da Luiza realiza todo ano uma formatura para o primeiro ano, nosso antigo pré, junto com a programação de final de ano da educação infantil. Luiza subiu ao palco pela primeira vez aos 9 meses, vestida de dálmata. Foi desses momentos que os pais fazem coisas fofas para babar ainda mais nos filhos. Na primeira música ela chorou e eu quase invado o palco pra acolher o meu bebê, mas a tia foi mais rápida e segurou ela no colo. Mas na segunda música ela curtiu, dançou, brincou, sorriu! E neste momento ela traçou o próprio destino! Foram inúmeras apresentações, de final de ano, no dia dos pais, das mães, dia da família e por aí vai. Neste final de semana ela também estreou seu primeiro espetáculo de ballet, fora da escola. Talvez o primeiro passo para as novas aventuras que virão daqui pra frente.
Mas pro meu coração de mãe passou tudo rápido demais, que loucura tudo isso!!! Venho aprendendo com ela a ser a sua mãe, um dia por vez, com erros e acertos e agora terei de aprender a ser mãe de menina grande, quase do meu tamanho, daqui há nada de tempo, maior do que eu. Que coisa doida isso, meu Deus! A gente não imagina onde aquelas duas listrinhas azuis vão nos levar!
E traz alegria, dá muito orgulho, transborda amor, afoga em baba e em lágrimas. Acho que ainda vou levar muitos dias processando aqui dentro a emoção deste momento.
Parabéns minha bonequinha sapeca! Do meu desejo você ainda estaria dormindo no meu peito. Agora você já sabe boa parte do que precisa saber pra se arriscar em novas aventuras. E eu estarei sempre ao seu lado, nós estaremos sempre junto de você. Papai e eu seremos sempre seu porto seguro. Desejo que você vá em frente e que nunca um obstáculo seja grande o suficiente para te impedir de chegar aonde você desejar ir. Se precisar, segure a minha mão e eu ajudo você!
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Um dia de catarse ao melhor estilo de Divertida Mente
Estamos numa fase muito louca, já em fase de resolução. Tem uma frase que circula por aqui e que cabe direitinho para resumir o meu momento:
"Quando a gente acha que encontrou todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas".
Digo meu momento porque, depois de muito andar em círculos, encontrei a saída do labirinto que leva para o lugar da paz. E estava tudo certinho. Mudamos de apartamento atrás de uma área de lazer que fosse mais interessante pra Luiza. Enfim o Papai do Céu nos deu de presente o irmãozinho que Luiza tanto pediu. O Adriano está ganhando melhor, o que me possibilitou abandonar uma busca desleal e exaustiva e enfim me dedicar a buscar coisas que se parecem mais com meus valores. E eu encontrei! Ou seja, tudo redondinho!
Bem, não por muito tempo. Primeiro o apartamento (o nosso), não foi alugado no tempo previsto. Aí apareceu uma obra no meio do caminho, soltou o piso da cozinha e precisou trocar. Aí o mercado ficou desaquecido e o Adriano começou a entrar em desespero de pagar todas as contas e começamos a cogitar mudar de novo. E ficamos nessas por um tempo, até que decidimos pela volta, depois de muitas tentativas de resolver de outra forma.
Nos mudamos amanhã. O Guilherme já está quase nascendo e, mesmo com a mudança, ainda vai ficar coisa da reforma pra terminar depois.
Neste processo todo, eu estive muito frustrada com esta volta. E acho que o Adriano também. Mas a Luiza... bem, ela ficou falando que aqui é ruim e a nossa casa era melhor. Andou extremamente agressiva comigo e eu sem muita paciência com ela. Na sexta passada, no meio de uma briga, tive um momento de iluminação e consegui colocar minha irritação de lado e dizer a ela que se tinha algo incomodando, que ela podia falar, mas que não estava certo ela ficar brigando comigo toda hora. Aí ela falou da decepção dela com os monitores deste prédio. Ela já tinha falado a respeito com o Adriano dias antes. Eu vinha sentindo o seu conflito interno, mas o meu cansaço e frustração andaram maiores que a minha empatia.
Aí, no domingo, do mais absoluto nada, ela começou a chorar. E falou da tristeza de abandonar a piscina aquecida daqui. Que a piscina de lá é ruim e gelada e não dá pra usar. e toda a sua dor pela mudança que nenhum de nós planejou, veio à tona. e pudemos acolhê-la neste momento. Eu chorei junto, porque a dor dela é minha também.
E eu percebi que, mesmo sem querer, às vezes a gente faz muito mal aos filhos. Porque a fala de que lá é ruim e aqui é melhor é nossa, não dela. Ela sempre curtiu aquela piscina gelada mesmo. Nós é que sempre nos queixamos.
Bem, esta é a nossa última noite aqui, Voltamos pra um apartamento totalmente repaginado, quase uma casa nova. Sim, isso ainda é um conflito pra mim, mas acho que minha menininha está lidando melhor com tudo isso agora. Melhor do que eu. Está mais feliz, preferiu ir pra escola esta semana e seguimos assim. Creio que logo tudo isso estará esquecido, temos muito o que organizar antes desse bebê nascer e isso em poucos dias. Uma nova fase se inicia.
Se a vida mudou as perguntas, trataremos de entender quais são as melhores respostas! Com fé e confiança, porque Deus sempre saber o que faz!
"Quando a gente acha que encontrou todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas".
Digo meu momento porque, depois de muito andar em círculos, encontrei a saída do labirinto que leva para o lugar da paz. E estava tudo certinho. Mudamos de apartamento atrás de uma área de lazer que fosse mais interessante pra Luiza. Enfim o Papai do Céu nos deu de presente o irmãozinho que Luiza tanto pediu. O Adriano está ganhando melhor, o que me possibilitou abandonar uma busca desleal e exaustiva e enfim me dedicar a buscar coisas que se parecem mais com meus valores. E eu encontrei! Ou seja, tudo redondinho!
Bem, não por muito tempo. Primeiro o apartamento (o nosso), não foi alugado no tempo previsto. Aí apareceu uma obra no meio do caminho, soltou o piso da cozinha e precisou trocar. Aí o mercado ficou desaquecido e o Adriano começou a entrar em desespero de pagar todas as contas e começamos a cogitar mudar de novo. E ficamos nessas por um tempo, até que decidimos pela volta, depois de muitas tentativas de resolver de outra forma.
Nos mudamos amanhã. O Guilherme já está quase nascendo e, mesmo com a mudança, ainda vai ficar coisa da reforma pra terminar depois.
Neste processo todo, eu estive muito frustrada com esta volta. E acho que o Adriano também. Mas a Luiza... bem, ela ficou falando que aqui é ruim e a nossa casa era melhor. Andou extremamente agressiva comigo e eu sem muita paciência com ela. Na sexta passada, no meio de uma briga, tive um momento de iluminação e consegui colocar minha irritação de lado e dizer a ela que se tinha algo incomodando, que ela podia falar, mas que não estava certo ela ficar brigando comigo toda hora. Aí ela falou da decepção dela com os monitores deste prédio. Ela já tinha falado a respeito com o Adriano dias antes. Eu vinha sentindo o seu conflito interno, mas o meu cansaço e frustração andaram maiores que a minha empatia.
Aí, no domingo, do mais absoluto nada, ela começou a chorar. E falou da tristeza de abandonar a piscina aquecida daqui. Que a piscina de lá é ruim e gelada e não dá pra usar. e toda a sua dor pela mudança que nenhum de nós planejou, veio à tona. e pudemos acolhê-la neste momento. Eu chorei junto, porque a dor dela é minha também.
E eu percebi que, mesmo sem querer, às vezes a gente faz muito mal aos filhos. Porque a fala de que lá é ruim e aqui é melhor é nossa, não dela. Ela sempre curtiu aquela piscina gelada mesmo. Nós é que sempre nos queixamos.
Bem, esta é a nossa última noite aqui, Voltamos pra um apartamento totalmente repaginado, quase uma casa nova. Sim, isso ainda é um conflito pra mim, mas acho que minha menininha está lidando melhor com tudo isso agora. Melhor do que eu. Está mais feliz, preferiu ir pra escola esta semana e seguimos assim. Creio que logo tudo isso estará esquecido, temos muito o que organizar antes desse bebê nascer e isso em poucos dias. Uma nova fase se inicia.
Se a vida mudou as perguntas, trataremos de entender quais são as melhores respostas! Com fé e confiança, porque Deus sempre saber o que faz!
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Toda menina um dia desabrocha
Este texto em a pretensão de contar duas historinhas: a da menina que desabrochou e a da mãe que se reinventou. Na verdade, são dois pontos da mesma história e de como acontece essa relação mãe e filha.
Vou começar com a segunda. Nasci filha da melhor costureira da cidade e minha irmã mais velha é uma artesã exímia. E eu, bem, meus talentos sempre se resumiram ao banco da escola e minha criatividade podia ser vista, apenas, nas redações que iam morar no quadro da sala. Mas tentei costurar, bordar, crochetar, tricotar, enrolar brigadeiros. Desisti. Não levava jeito pra nada que se use o talento das mãos. Até que veio Luiza e, junto com ela, as fitas, os laços e os tecidos.
Luiza completou seis anos no início desta semana. E como todo ano, teve festa. Diferente dos anos anteriores, desta vez ela pediu que os amigos da escola viessem em casa. E negociou do tema ao salgadinho que foi servido. Queria uma festa do seu jeito.
O tema escolhido foi Rainbow Rocks, inspirada na pré-estréia que eu e ela fomos assistir, em nome do "Mãe Com Filhos". E aqui começam os desafios da mãe que se reinventou, porque não é tema que se aluga a mesa, ao menos eu não encontrei. Mas, tudo bem, eu faço, eu aprendi a fazer decoração de festa (é, não é bem assim). Mas esta mãe aqui está grávida e passou muito mal até completar 17 semanas de gestação (agora estou com 18). E sem ânimo algum, ficou tudo pra última hora, última mesmo, fora as compras e os convites que foram enviados com 15 dias de antecedência, tudo foi feito de quarta à sábado, para a festa acontecer no domingo. E isso envolveu uma tarde tomando chuva na 25 de março porque a mãe atrapalhada contou errado o número de crianças e precisou voltar (ainda bem). E a chuva, acreditem, também ajudou. Graças a ela, entrei numa galeria e tive uma ideia incrível. Eis o resultado (sim, eu estou me achando a criativa e estou apaixonada pelo resultado):
Mas, e a menina que desabrochou? Aqui mora a melhor parte da história. Esta mãe aqui vive se equilibrando entre ser super protetora e deixar crescer (já falei sobre isso aqui). E devo confessar, não é nada fácil esta tarefa.
Tudo começou com o pedido para que a festa fosse diferente, aí essa mãe, ou esses pais, se vêem no dilema de ter que abrir mão de convidar seus amigos sempre presentes nessas ocasiões, e entender que a menininha cresceu e tem sua própria vida e seu circulo de amizades. Que assim seja!
Depois foi a troca do tema do momento, Frozen, pelo definitivo e toda a correria para pensar e montar uma decoração, porque né, aniversário sem tema e sem decoração não tem graça (assim pensa a menina da história, e eu que não me atrevo a dizer o contrário).
E tem o lance da fantasia. Se o tema já era dificil, imaginem encontrar uma roupa. Mas "mamãe, eu quero ser a laranja"! "A laranja, filha? Mas ela é a malvada do filme!" "Mas eu quero ser ela e quero entrar assim". "Cuma". E eu me senti a fada madrinha, melhor, o gênio da lâmpada, só que sem os poderes mágicos.
Abro um parênteses pra explicar que essa escolha nos deixou boquiabertos e ao mesmo tempo orgulhosos, porque ela não quis ser a Twlight Sparkle, a princesa do Reino de Equestria, nem a Pink Pie, que é a poney rosa, nem a Sunset Shimmer, que é a heroína do filme. Ela escolheu ser Adaggio Dazzle, a vilã. O motivo: interpreto esta escolha como a expressão de "pensar fora da caixa", como dizem por aí. E Adagio é forte, independente, inteligente, toma iniciativas e exerce liderança. Que mãe não se orgulharia ao perceber que a filha busca ser assim?
O problema da fantasia foi resolvido com uma costureira. Festa começa e a mocinha, bela e soberana, com seu laço de fita laranja e amarelo, para fazer as vezes do cabelo da personagem, assume o comando e dá o tom de tudo o que vai acontecer neste dia. Corre, pula, brinca, escorrega, circula livremente que a gente nem vê. Troca de roupa porque está muito calor. Troca de roupa de novo porque esfriou. Troca de roupa de novo porque é a hora do parabéns.
Aí ela mostra que realmente desabrochou! Primeiro se tranca no banheiro com duas amiguinhas para aguardar o momento triunfante de sua entrada no salão. O pai coloca a música e, nem eu, nem ele, sabíamos muito bem o que aconteceria. E ela entra, seguida pelas duas amigas, como a cena do filme. E começa a dançar, faz uma performance que só ela sabia, mas as amigas a acompanham com tranquilidade (criança sabe tudo né). E o queixo desta mãe vai parar no chão várias vezes. E eu só ouço algumas pessoas comentando baixinho "isso porque ela é timída".
"Mas toda menina, um dia, desabrocha". A frase foi dita pela Adriana, mãe da Duda, uma das amiguinhas que dançou junto. E como resumiu bem este momento!
Canta parabéns, corta o bolo e ela oferece os dois primeiros pedaços para as amigas que dançaram com ela, como forma de agradecimento. Depois ela me contou que fez uma pesquisa para saber que amiga dançaria com ela e foram essas que toparam ser vilãs também. Pode parecer exagero de mãe, mas vejo o princípio de uma liderança baseada em respeito e gratidão aqui. E vejo superação, força, criatividade, e uma centena de possibilidades de crescer e ser livre, ser dona do próprio nariz. E eu? Bem, estou aqui, agora (ainda), com essa cara de boba, babando de orgulho!
Seguimos assim, nessa relação de mãe e filha, vou me construindo como uma #mãequefaz (assim me escreveu minha amiga Emilene, uma mãe que também faz). me superando naquilo que não sei, e aprendendo o melhor jeito de ser #mãequedeixafazer, enquanto ela cresce e vai me mostrando o caminho.
Aproveito o post para agradecer algumas pessoas que contribuiram de alguma maneira para tudo isso aqui. Primeiro a Sam, que compartilhou o convite pra pré estreia e me abriu as portas do blog, sem esses gestos nada disso teria acontecido desta forma, tenho certeza.
Também agradeço minhas amigas Patrícia Medeiros e Kécia Katzer, ambas Psicólogas e artesãs "mãos de fada". A Patrícia me contou que o grande lance do artesanato é que não existem dois laços iguais, essa é a graça, e isso me fez crer que eu conseguiria sim, confeccionar algumas lembrancinhas sem sofrimento. E a Kécia me incentivou a aprender a fazer o bolo de tecido, num momento em que produzir uma festa foi extremamente terapêutico pra mim (outro dia conto essa história).
Assim como numa colcha de retalhos, cada detalhe desta festa foi confeccionada de pedacinhos, pequenas lições que a vida ensina e que nos transforma, às vezes mais, às vezes menos. E o meu papel nela foi o de permitir e criar as condições necessárias para os próximos passos.
Texto escrito inicialmente para o Mãe com Filhos em 16/04/15
domingo, 9 de novembro de 2014
Sou grata!
Achei que nunca me tornaria adulta de verdade. Que nunca eu perderia a urgência de ser criança, de brincar e ser amada. A urgência do colo. Achei que nunca deixaria de ser carente, de sentir falta de sei lá mais o quê.
Achei que desejaria para sempre aquela boneca que nunca tive. E que carregaria, para sempre, a dor daquelas noites em que senti medo e fiquei sozinha.
Fui uma criança no meio de adolescentes e adultos. Eu era uma adultinha muito cedo. Não sabia rir, gargalhar, não sabia brincar.
Carreguei as fantasias por muito tempo. Antes de dormir, eu ficava imaginando outras vidas e, às vezes, passava o dia compondo as falas de meus personagens, imaginado as situações que aconteciam, os conflitos e as soluções. Eu era sempre a protagonista das minhas histórias e, às vezes, ficava falando sozinha.
Passou!
Não sei dizer em que momento da minha vida isso passou. Aos poucos a vida foi me promovendo encontros importantes. Pessoas de todos os tipos que, cada uma com seu jeito, foi me ensinando a ser diferente, e melhor. Então eu aprendia brincar. Aprendi a gargalhar. Aprendi a falar palavrão (ainda lembro do horror que provoquei na minha turma ao soltar o meu primeiro "vai tomar no..." rsrs).
E nesses encontros, também fui trombando em muros, 'apanhando' na rua. Encontrei pessoas boas e ruins. Levei rasteiras, fui julgada e condenada. E, a cada estorvo, a cada obstáculo, fui me tornando melhor e mais forte. Até que, um dia, não muito distante, eu descobri o equilíbrio. E a paz que é viver um dia de cada vez. Não foi nada fácil chegar até aqui. Sinto cansaço e às vezes tenho vontade de dormir três dias seguidos. Também sinto falta da energia jovem de conseguir correr, correr, correr e me recuperar em dez minutos de parada para descanso. Ah, sim, o tempo passou e os anos também. Meu corpo se recente e começo a perceber que, ainda que dentro de mim tenha muita lenha pra queimar, não tenho mais 15, 20 anos (mesmo não tendo 60 ainda rsrs). Um dia por vez, com o peso que o dia carrega, nada mais.
Luiza já está com 5 anos e 8 meses. É uma moça linda e está, neste momento, brincando de bonecas, minha brincadeira favorita.
De todos os encontros que Deus me permitiu, o encontro com Luiza, creio, foi o responsável por eu reviver toda a minha infância e resgatar a criança carente que ainda vivia em mim. Eu renasci. Tive a chance de ter todos os brinquedos que jamais imaginei e a chance de ser acolhida nos meus maiores medos. Eu ganhei colo nas noites de pesadelo, carinho nos momentos de conquista, compreensão nos momentos em que eu não podia estar inteira.
E hoje, vendo Luiza brincar, tenho mais e mais certeza, de que tenho tudo. TUDO. Tudo o que nunca tive. Então não me falta mais nada!
Realizei todos os meus sonhos e preenchi todos os buracos da minha existência. Ganhei a leveza de ser feliz todos os dias e por nada, só por estar viva e aqui, vivendo o que a vida me reserva todos os dias. O que Deus me reserva todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Sou grata! Só isso!
Achei que desejaria para sempre aquela boneca que nunca tive. E que carregaria, para sempre, a dor daquelas noites em que senti medo e fiquei sozinha.
Fui uma criança no meio de adolescentes e adultos. Eu era uma adultinha muito cedo. Não sabia rir, gargalhar, não sabia brincar.
Carreguei as fantasias por muito tempo. Antes de dormir, eu ficava imaginando outras vidas e, às vezes, passava o dia compondo as falas de meus personagens, imaginado as situações que aconteciam, os conflitos e as soluções. Eu era sempre a protagonista das minhas histórias e, às vezes, ficava falando sozinha.
Passou!
Não sei dizer em que momento da minha vida isso passou. Aos poucos a vida foi me promovendo encontros importantes. Pessoas de todos os tipos que, cada uma com seu jeito, foi me ensinando a ser diferente, e melhor. Então eu aprendia brincar. Aprendi a gargalhar. Aprendi a falar palavrão (ainda lembro do horror que provoquei na minha turma ao soltar o meu primeiro "vai tomar no..." rsrs).
E nesses encontros, também fui trombando em muros, 'apanhando' na rua. Encontrei pessoas boas e ruins. Levei rasteiras, fui julgada e condenada. E, a cada estorvo, a cada obstáculo, fui me tornando melhor e mais forte. Até que, um dia, não muito distante, eu descobri o equilíbrio. E a paz que é viver um dia de cada vez. Não foi nada fácil chegar até aqui. Sinto cansaço e às vezes tenho vontade de dormir três dias seguidos. Também sinto falta da energia jovem de conseguir correr, correr, correr e me recuperar em dez minutos de parada para descanso. Ah, sim, o tempo passou e os anos também. Meu corpo se recente e começo a perceber que, ainda que dentro de mim tenha muita lenha pra queimar, não tenho mais 15, 20 anos (mesmo não tendo 60 ainda rsrs). Um dia por vez, com o peso que o dia carrega, nada mais.
Luiza já está com 5 anos e 8 meses. É uma moça linda e está, neste momento, brincando de bonecas, minha brincadeira favorita.
De todos os encontros que Deus me permitiu, o encontro com Luiza, creio, foi o responsável por eu reviver toda a minha infância e resgatar a criança carente que ainda vivia em mim. Eu renasci. Tive a chance de ter todos os brinquedos que jamais imaginei e a chance de ser acolhida nos meus maiores medos. Eu ganhei colo nas noites de pesadelo, carinho nos momentos de conquista, compreensão nos momentos em que eu não podia estar inteira.
E hoje, vendo Luiza brincar, tenho mais e mais certeza, de que tenho tudo. TUDO. Tudo o que nunca tive. Então não me falta mais nada!
Realizei todos os meus sonhos e preenchi todos os buracos da minha existência. Ganhei a leveza de ser feliz todos os dias e por nada, só por estar viva e aqui, vivendo o que a vida me reserva todos os dias. O que Deus me reserva todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Sou grata! Só isso!
sábado, 4 de maio de 2013
Pinhões
Hoje comi pinhões. Fazia algum tempo que não comia, foi presente de uma amiga. Passei minha infância comendo pinhões. Meu pai pegava uma marreta, levava os pinhões já cozidos pro quintal e ficava marretando os coitados afim de lhes tirar a semente macia. Ele e minha mãe. Delícia! Ainda adoro pinhões. Com o tempo os instrumentos de tortura foram sendo modernizados, martelo de carne, espremedor de limão, de alho. O princípio é o mesmo, quebrar a parte dura para abrir a casca e soltar a semente. E comer. Existem muitas receitas que levam pinhão, mas eu gosto mesmo do jeito que sai da casca. E dá saudades do meu pai. Saudades de um tempo em que eu era amada e mimada por este ser único que habitou este mundo. Ser capaz de amar sem ver defeitos. Capaz de achar tudo lindo e especial. Capaz de dar amor sem limites e sem trocas. Existe no mundo lugar para a espontaneidade, para ser você mesmo?
Aconteceu muita coisa desde que vim aqui pela ultima vez. fazendo um resuminho, primeiro fiz uma linda festa pra Luiza, virei artesã. Fiz flores de tecido, bolo cenográfico, enrolei doces, cozinhei, foi uma bela festa. E no final de tudo, consegui enfim o meu tão sonhado emprego. É o emprego dos sonhos mesmo, ao menos por hora, mas claro que junto com a parte boa vem os desafios, porque viver é receber pacotes completos.
Por hora estou impedida de falar, então resolvi escrever. Mas acho que estou sem pique pra escrever também. Estou muito cansada. Exausta mesmo. Depois eu volto para contar detalhes, essas novidades rendem um livro.
Estou tão cansada que queria o colo dele de novo. Deve ser por isso que resolvi vir aqui hoje, pra ficar mais perto dele. Amém.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Te amo para sempre!!!
Hoje é 12 de fevereiro. Se estivesse vivo meu pai faria hoje 80 anos.
Fico mesmo imaginando sua carinha de alegria ao dizer, de peito cheio: "80 anos!". Estou emocionada há alguns dias. Quando adoeceu, ele falava constantemente que depois da cirurgia e da cura, o controle seria feito de 6 em 6 meses, depois de ano em ano, 5 em 5 anos, 10 em 10... Fala se isso não é esperança de dar inveja! Não durou nem um ano. Tenho visto todos os dias sua carinha alegre, seu sorriso. Seus olhos marejados, emocionado. Seus olhos arregalados, olha fixo, no último olhar que me lançou antes de morrer. Tenho ouvido sua voz. Tenho desejado que estivesse aqui hoje e que fosse hoje seu ultimo aniversário, que fosse. Eu teria tido mais cinco anos de pai. Eu teria tido um avô pra minha linda e talvez não tivesse escrito essa história linda de amor de um pai e uma filha, mas o teria aqui ainda. Saudade...
É engraçado como às vezes a gente fica repassando os fatos na nossa cabeça, revendo, revivendo. Cada palavra, cada gesto, cada minuto. Saudade...
Aconteceu um lance engraçado esses últimos dias. Dos irmãos todos do meu pai, sobraram vivos apenas três. Bom, vamos ver se me lembro de todos.
- Tia Anesia, Tia Iracema, Tio Joaquim, Tia Dita, Tia Flor. Filhos do meu avô e sua primeira esposa.
-Meu pai, Tio Olívio, Tia Nadir. Filhos do meu avô, no seu segundo casamento, e minha avó.
- Tio Zezinho e Tio Geraldo. Filhos da minha avó e seu segundo marido.
Muita gente né. Dos mais velhos, o único vivo é o Tio Olívio. Ele nunca foi muito de aparecer, mora em outra cidade a vida toda e costumava nos visitar numa frequência bem pequena. E tem os caçulas, que também moram numa terceira cidade. E que também não são de muitas visitas. Claro que quando eram todos jovens a coisa funcionava diferente, enfim. Meu pai tinha adoração pelos irmãos. E eu respeito isso. Mas como esses em especial, os vivos, sempre foram muito distantes, não consegui ter tanto afeto por eles. Na verdade mal os conheço, sei mais das historias que meu pai contava.
Bom pra resumir a história, desde que meu pai adoeceu esses irmãos resolveram aparecer mais (ainda bem). E no dia do seu velório tive a preocupação de marcar o enterro de um jeito que desse tempo de todos chegarem para se despedir dele. Embora eu ache que se meu pai pudesse, ele mesmo, decidir isso, diria que era bobagem, mas eu sei que no fundo ele ficaria orgulhoso do meu empenho em reuní-los uma ultima vez.
E o Tio Olívio sumiu. Da ultima vez que havia falado com ele, mencionara qualquer coisa na próstata. Aí o Tio Geraldo e o Tio Zezinho resolveram dar sinal de vida e se preocuparam. O Tio Geraldo tentou contato e nada. E me pediu pra passar na casa dele para ver o que estava acontecendo e pegar seu telefone. Bem, foi tenso. Primeiro a rua não existia no mapa. Depois soube que existia sim, alguém me ensinou a chegar lá e eu fui. Apertei a campainha nervosa, tremia feito "vara verde", como se diz lá em Minas. Tive medo de não encontrá-lo Tive medo de ser a pessoa que busca a má noticia. Foi engraçado também, passou tanta coisa na cabeça. E o Tio atendeu a porta, esta vivo, está bem de saúde, obrigada, e é tão parecido com meu pai! Parece que perto do Tio recupero um pouco dele, sei lá. Fiquei com vontade de visitá-lo mais vezes.
Enquanto procurava a rua, passou pela minha cabeça perguntar a meu pai se ele já tinha ido lá. Risos. Como seria isso, não é?
E lembranças vem e vão, fico imaginando meu pai falando todo orgulhoso da minha filha linda. O Tio e a Tia falando que eu era o xodó dele. E eu pensando que minha boneca ocuparia o lugar que outrora foi meu. Aí o Tio falou que minha sobrinha era o xodó dele também e eu fiquei enciumada, aff, é porque ele não conheceu minha Luiza. Mais risos... Elas dividiriam o posto, mas eu sei que ele ficaria se gabando da menina forte que é Luiza. E como é doce, boazinha, inteligente e educada. E ela é tudo isso mesmo.
"Êh seu Anizio, que falta o senhor faz!!!!! Queria que hoje o dia fosse de muita festa!!!!! Porque há 80 anos atrás o mundo ficou mais belo e doce porque o senhor nasceu! Te amo pai, sempre!!!!"
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Momento nostalgia.
Fiquei um tempão sem escrever. Andei sem tempo, andei sem inspiração, enfim. Andei tendo ideias diversas, andei pensando numa forma de resolver minha vida, mudar a direção dela. Andei refletindo e entendendo sobre o que me fez chegar neste lugar em que me encontro agora e do qual não consigo sair. Andei demais, foi isso.
Desde agosto do ano passado estou sem ajudante em casa, isso também faz a caminhada ficar mais árdua. E voltei a estudar, que era coisa que não fazia há tempos.
Mas voltei a escrever enfim, assim parece. Hoje, depois de um tanto de coisas, resolvi sair para comprar umas coisas. Andava feliz pela rua, começou a chover. Então voltei. Cansada, pernas doendo sei lá por que, deitei e resolvi olhar o blog, postagens antigas, comentários antigos. E comecei a encontrar raridades, nem me lembrava mais. Primeiro o arrepio de ver que estou num lugar muito parecido de 2 anos atrás, mesma busca, mesma angústia. Algumas frases pareciam ter sido escritas semana passada.
Depois a delícia de ler uma história linda, vivida e contada por mim. Por que fiquei tanto sem escrever? Delícia ler e reviver alguns momentos, estou escrevendo o livro da minha vida. Coisas engraçadas, felizes e tristes, momentos de angustia, momentos de muito amor, lembranças boas de criança, o que acontece na minha vida de agora, de antes. Tudo para ler na vida de depois, por mim, pela minha Luiza e por quem mais passeia por aqui.
Meus dias tem sido intensos. Aguardava a resposta de um emprego desde novembro, fiquei ansiosa e angustiada quando o ano começou. Não fui contratada. Com a desculpa de economizar, estou preparando o quarto aniversário da Luiza. Desde a metade do ano passado, quando quis bordar o vestido de caipira da Luiza, tenho descoberto um encantamento com tecidos e agulhas. E uma coisa na outra, mil ideias e um projeto lindo se encontra em plena construção. Hoje fui ao salão de festas do prédio fazer uns testes para ver se a mesa vai ficar bonita como na minha imaginação. Mãos à obra! Estou sentindo uma confiança enorme.
Ainda não sei o que será de mim em termos profissionais, amo o que faço e desejo muito voltar a ter uma carreira de sucesso, mas não sei para onde ir, o que fazer. Minhas tentativas tem dado em nada. O arrepio lá de cima é porque há dois anos era isso que eu buscava e me assusta ver que fiz milhares de coisas, mas andei em círculos. Então não sei.
Mas ando me lembrando de antigos sonhos e estou descobrindo novos talentos. Uma coisa mais a outra, estou ocupada demais, motivada demais, inspirada demais para sofrer.
Tem a casa, o grande obstáculo de todo dia, mas aprendi na semana passada uma lição nova: colocar amor em tudo! Então estou amando mais, meu obstáculo continua ali, me rouba grande parte do dia e da disposição de todo dia, mas já não parece tão intransponível assim.
Não sei se vou cumprir isso, mas tentarei não me afastar mais daqui.
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