Dia seguinte, bora acordar cedo para ir pra casa da vovó. Dia inteiro de espera, os primos ansiosíssimos para abrir os presentes que aumentavam a cada hora do dia, com a chegada de mais um familiar. E resolveram contar, no fim concluíram que tinha mais de 100 presentes embaixo da árvore. Primeiro come, canta parabéns pro Tio Léo que faz aniversário e enfim, vamos ao que interessa. E foi a bagunça de sempre, todo mundo presenteando todo mundo, montinhos de presentes sendo feitos por cada integrante desta grande familia, de membros e herdeiros a agregados, todos sempre sendo muito presenteados. Uma boa oportunidade de renovar o guarda-roupa, a adega, a biblioteca. Minha cunhada disse que inovei este ano, demos batom liquido pras meninas. É que tendo todo ano, é fatal repetir os tipos de presentes. Tudo bem, o que vale é a grande festa que se forma e este é o único dia do ano em que eu realmente me sinto muito feliz e satisfeita de estar no meio desta bagunça, junto de minha sogra, embora longe de minha mãe (na casa dela não tem nada disso, tradição é tradição e lá a coisa é outra). Mas hoje, ao acordar, dei-me conta de uma coisa: não fiquei triste. Não tive vontade de chorar nem senti aquela terrivel dor que se instalou em mim depois que meu pai se foi. Talvez mais um milagre de Natal? Quem sabe...
E o Papai Noel? Ah, desta vez ele veio como se deve, depois que todos foram dormir e, ao acordar na manhã seguinte tinha um lindo e grande e pesado presente ao lado de nossa "cama" para a Luiza, um pula pula. E eu fiquei pensando o quanto meu pai se divertiria em vê-la pular e brincar e gargalhar. Isso o faria muito feliz. Isso o fazia muito feliz. E fiquei me lembrando dos brinquedos que ele fazia pra mim, dos passeios no rio para nadar, da casinha que ele me fez no quintal. Ela ganhou uma destas barracas de personagens, da princesa Mônica, toda rosinha e lilás. Ela chamou de guarda-chuva, mas quem foi presenteada mesmo fui eu, foi uma destas que vi na escola quando tinha 6 anos. Era uma destas que eu queria ter tido e que meu pai, sem entender direito tentou fazer parecido, muito melhor na verdade. De repente fui criança de novo, pena ele não estar aqui para ver.

