domingo, 30 de agosto de 2009

Papai está de volta!

Depois de um ano, oito meses e vinte e cinco dias (foi ele quem contou), nosso homem da casa está de volta ao nosso convívio. Marido e papai agora vai trabalhar perto de casa e virá jantar todos os dias, a partir de amanhã. Hoje é o nosso primeiro domingo sem aquele "vudum", aquela sensação de que o dia está passando e acabando e logo ele vai ter que ir embora de novo. Foram momentos de muita saudade. Aconteceu tanta coisa...
Na tentativa de sentir-se mais realizado no âmbito profissional, meu marido, meu alicerce, foi trabalhar no Rio de Janeiro. Era só por 11 meses, enquanto durava um tal curso. Nesse tempo meu pai, que já estava doente, fez cirurgia, curou-se e faleceu. Aí os 11 meses viraram um ano e depois viraram pra sempre. Nesse tempo fiquei grávida, minha riqueza nasceu e meu marido, papai da Luiza, no auge de sua teimosia, decidiu que voltaria pra casa de qualquer maneira. Passamos por momentos de muita angústia por conta desta teimosia, mas Deus deve er se enchido de nós e resolveu nos atender, acabou nosso martírio, estamos juntos de novo. Perdi a conta de quantas vezes pedi isso a Ele, nem me importava de me mudar de São Paulo, tudo bem, desde que estivéssemos juntos. Mas cá estamos, eu, papai e Luiza, na nossa casa, como sempre sonhamos. Agora só falta buscar o Manchinha de volta pra família estar completa.
Neste exato momento olho para baixo e vejo o Paraíso: Luiza brincando. Papai foi à padaria. Existe felicidade maior do que café da manhã quase na hora do almoço num domingo de sol, junto das pessoas que amamos?

sábado, 22 de agosto de 2009

Enfim a idade de Cristo

Aqui perto de casa mora um sabiá. Nunca o vi, mas ele canta todos os dias anunciando a chegada de um novo dia. É por volta das cinco da manhã que a cantoria começa e toda vez que estou acordada amamentando minha riqueza e o ouço, lembro de outro sabiá, na verdade uma sabiá, que anos atrás morava lá mangueira de casa. Essa sim me acordava todos os dias em que eu estava lá e eu tinha vontade de jogar meu sapato nela pra ela parar de cantar. E cinco horas da manhã é hora de acordar! Uma vez a sabiá botou dois ovinhos que nasceram dois sabiazinhos, um mimo. Aí os bichinhos estavam tentando voar, mas caíram do ninho e não conseguiram mais voltar, a mangueira era muito alta. O gato da vizinha comeu um deles e o outro meu irmão defendeu (quase que) com sua própria vida, como se fosse sua cria, mas num piscar de olhos , o gato nhoc, comeu também. Ele ficou tão fulo da vida que decidiu matar o gato, mas meu pai falou: na natureza é assim. E ele recuperou o juízo e o gato continuou vivo.
No ultimo domingo, dia 16, foi meu aniversário. Fiquei triste porque pelo terceiro ano seguido não ia poder fazer festa. O primeiro meu pai fez sua primeira cirurgia e eu fiquei o dia todo no hospital. Cada vez que alguém me ligava eu tinha vontade de dizer: parabéns por que? Não era meu aniversário, eu não sentia assim. Lá pelas dez e tanto da noite é que eu me senti aniversariando, mas aí já estava acabando. Meu presente é que a cirurgia foi super bem e meu paizinho estava ótimo. No segundo meu pai havia falecido a menos de um mês, não tinha clima. Fomos ao piano bar do Terraço Itália, o que fez minha dor ser ainda maior, meu pai teria amado aquela vista, mas não tive tempo de levá-lo lá. Meu presente foi saber que o bebê que eu esperava tinha 80% de chance de ser uma menina, minha bonequinha, uma festa! E esse ano não teve festa por causa da gripe suína, a situação não está para aglomerações, estou defendendo minha riqueza. Meu dia começou triste, eu com aquele bico. Acho que por ser domingo muita, mas muita gente mesmo me ligou. Brincamos no chão, passeamos na praça, minha amiga Emilene veio nos visitar, nos divertimos a beça e meu presente foi uma família linda, reunida num domingo de sol lindo e com o sorriso de um bebezinho a iluminar tudo, a encantar meu coração. No fim do dia, quando faltava somente alguns minutos pro meu aniversário acabar fiz um balanço, enquanto minha riqueza mamava: foi o melhor aniversário da minha vida! Sem dúvida alguma. Posso nunca mais fazer uma festa, quem me conhece sabe o quanto eu adoro comemorar meu aniversário e a importância disso pra mim, mas... posso nunca mais fazer uma festa, se minha riqueza e seu papai estiverem comigo, minha vida é a festa e aquele sorriso lindo preenche o lugar de todos os convidados, de todos os presentes, do bolo, da vela, de tudo. Sinto que com a Luiza a festa sempre vai ser garantida. Acho que enfim descobri o que é ser feliz de verdade!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Dia dos pais

Hoje de manhã uma amiga nos telefonou convidando para almoçar com sua família no domingo, almoço de dia dos pais. Disse que o pai do meu marido está no interior e o meu já não está aqui, por isso deveríamos ir compartilhar este momento com sua família. Achei gentil, mas confesso que até àquele momento não tinha me dado conta de que o dia dos pais está chegando, mesmo me dedicando a escolher com cuidado o presente do pai da minha filha. Acho que é porque meu pai de fato não está aqui.Já é o segundo ano. Ano passado ele tinha acabado de partir. Comprei um presente pro meu marido, já estava grávida, então ele já era pai, mas passei o dia todo sem sequer lembrar que dia era. Minha mãe, irmã e sobrinhos estavam aqui, o dia passou que nem vi, e nem teria sentido a falta não fosse o e-mail da minha querida amiga Lu, que se lembrou por mim. Li já era tarde, aí me doeu muito, meu pai já não está aqui. Ela me consolou com sua lembrança. Nosso ultimo dia dos pais juntos, em 2007, fui almoçar com ele por temer ser o ultimo, mal sabia eu que era mesmo, ainda bem que fui. Passei anos da minha vida longe neste dia. Nos anos de faculdade era muito perto da férias, não dava pra ficar viajando tanto assim. Depois fiz uma pós de 2 anos de duração que era sempre no segundo fim de semana de cada mês. Nem lembro direito dos dias dos pais que passei com ele na minha vida. Meu pai era um chato, dizia que era tudo comercio, e é mesmo, aí ficava meio sem graça comemorar. Mas no fim da vida ele amoleceu, talvez pela proximidade da morte, e no nosso ultimo dia dos pais juntos nos abraçamos da maneira mais gostosa que existe, como jamais nos havíamos abraçado antes. Saudade, muita saudade.

Já faz um ano e alguns dias e sinto como se o tempo tivesse voltado. Começo a reviver tudo o que aconteceu um ano atrás e me lembro que lhe neguei seu ultimo pedido, como me arrependo. Quando cheguei no hospital e encontrei minha família que acabara de chegar de Minas ele me pediu que o trouxesse até minha casa pra ele dormir um pouco, pois estava morto de sono. Por um momento pensei em atendê-lo, mas tive medo, medo de trazê-lo e ele começar a passar mal, afinal ele já estava no hospital esperando ser atendido. Falei pra ele que era melhor ficar, que logo ele seria atendido e eu o levaria embora de vez, sem precisar voltar. Por que eu não ouvi meu coração. Algum tempo depois, uma hora, uma hora e meia depois a dor forte voltou e eu disse a ele: tá vendo pai, se a gente fosse embora teria sido pior, agora o senhor está com dor de novo. Ele concordou. Acho que nunca vou me perdoar por não ter atendido seu ultimo pedido, por ter sido covarde. Acho que ele não dormiu mais, o sono dos vivos, este que a gente dorme todas as noites. Foi sua ultima noite, de dor, sofrimento, a dor da morte. Acredito que no sofrimento a gente se purifica e penso que seu sofrimento na hora de sua morte foi o fogo necessário para que sua alma fosse purificada e para que sua vontade aceitasse que sua hora havia chegado. Mas dói uma dor sem fim lembrar do seu sofrimento, parece que está acontecendo agora. Meu desejo é apagar todas as lembranças tristes e deixar apenas as boas, dos tempos bons que não voltam mais. Alguém sabe uma receita?