quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O melhor de todos.

Quebrou-se o ciclo de tragédias, esse aniversário foi maravilhoso! E como já passou, ufa! Deu certo.

Começou com uma festa surpresa, mas surpresa mesmo foi o marido não achar o caminho da festa. Foi hilário e quebrou o pavor que eu estava sentindo. Bolo, brigadeiro (amo), amigos queridos e até quem eu nem imaginava me esperado para cantar bem alto: Parabéns pra você! E abraços, e presentes, fiquei tão nervosa que não parava de tremer. E tudo dois dias antes, apaguei a vela meio contra a vontade, para que antecipar o inevitável? Foi gostoso.

E o dia? Ah, delicia! Folga negociada no trabalho, só em casa encontrando lugar para os presentes, arrumando a casa nova com coisas novas, coisas minhas. E mensagens e mais mensagens, pela net, pelo celular. De repente toca o interfone e o porteiro anuncia a chegada de uma encomenda: e minha querida Lu vêm me abraçar através de flores e bombons, palavras doces e imagens que dispensam explicação, a doce surpresa do dia! Tem jeito melhor de dizer que se ama? E claro, nos falamos ao telefone e eu acabei concluindo que estou ajudando a criar sua filhinha Salomé (risos). Nunca senti tão perto de mim alguém que fisicamente está tão longe! E ela sente assim também, que eu sei. Até fiz um texto pro blog de outra amiga, aqui o link, vale a pena ler. E ela agradeceu aqui.

Dia seguindo, mais mensagens, saidinha com o marido e com Luiza, brinde com chopp num fim de tarde quente, alguns petiscos, huuummm. Chegando em casa, mais flores, de uma amiga, ex-vizinha, respeitando a bagunça da mudança, mas ocupada em dizer que não esqueceu. Telefonemas e telefonemas, mais mensagens, responde as mensagens, come as trufas deliciosas enviadas pela Lu, acabou o dia... nããããããoooo. O melhor ficou pro final. Já de pijama, deitada, pronta pra dormir, outra surpresa: meu lindo marido me aparece com uma caixinha preta linda, com um laço. O que tinha dentro? Um cordão com pingente e brincos. O que aconteceu depois?

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Ah, fazer 35 anos foi tudo de bom!!!!! O melhor de todos os aniversários.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

35

Ando arrepiada de pensar que vou fazer 35. Só de olhar o número me dá um arrepio na espinha e uma pontada no estômago. Passo mal.
Fiquei meses planejando meu aniversário, não comemoro há 4 anos e em cada ano por uma razão mais apavorante que a outra: meu pai no hospital "raspando" um câncer (no dia do meu aniversário). Meu pai recém-falecido. Luiza pequenininha - risco de gripe suína, "fiquem em casa, evitem aglomerações (o que é uma festa?). Ano passado já tinha combinado: bolo no dia, almoço com os amigos no sábado, minha sogra enfartou 3 dias antes. E assim foi e eu fui fazendo só anos, nada de aniversário. Quem me conhece sabe o quanto pra mim faz diferença ter festa, mas estou angustiada. Todo mundo fica falando que é exagero, mas já fez um ano que estou em crise de idade. Sim, isso existe, ando me sentindo velha, feia, ando em conflito com a imagem no espelho, não me entendo com ela.
Encontrei uma velha conhecida na rua dia desses e ela me falou que estou diferente, perguntou onde estava o cabelão. Era essa a minha identidade, mas já faz tempo que o cabelão me transformou numa madalena fora de época, ficou pesado demais carregá-lo, então cortei, mas não me entendi com o resultado. Aí alisei, ficou demais no começo, mas já não faz a minha cabeça. O fato é que não sou mais a mesma, por isso o cabelo não combina de jeito algum. Ninguém me contou, não li em lugar algum como se faz para adaptar a imagem do espelho ao que se viveu, ao que se viu e ao que se sentiu. Sim, às vésperas do meu aniversário estou me sentindo muito velha. Apavorada com o número. E não é o medo da morte, mas um não me reconhecer mais como antes. Emagreci (um pouco), mudei o visual, mas ainda assim me sinto desconfortável com o que vejo. Minha vida está legal, nossas conquistas são cada vez maiores, ver nossa filha crescer é a melhor coisa do mundo, estou trabalhando, estava com saudades disso. Tenho meu dinheiro, não é muito, mas me devolveu o controle da minha vida. Estou cansada, mas é do corre-corre que sempre me empurrou para frente, que sempre me fez sentir viva. Não entendo que dor é essa, que luto é esse por uma juventude que ainda mora em mim, mas que fugiu daquilo que vejo refletido no espelho. Ando com saudades de dançar, de jogar conversa fora, talvez da leveza de não ter tantos compromissos e coisas por fazer. Será isso? Será disso o meu pavor? Falta pouco para o fim, em poucos dias o número chegará até mim. Hoje na aula de inglês fiz questão de escrever minha idade correta: 34. E pensei: "deve ser pela última vez". Mas fazer 34 também não foi fácil. Pior, deu tudo errado e de novo só fiz ano, fiquei magoada com a vida, achando que nunca mais conseguiria comemorar um aniversário de novo e agora, tudo que tenho vontade é de enfiar minha cabeça debaixo das cobertas e esperar passar o dia (acoradar em setembro, como escreveu uma amiga no facebook). Estou sem vontade de comemorar. E quando meu marido e amigas souberem do que está escrito aqui ficarão desesperados para me animar, mas eu não sei se é isso que quero. A festa já está marcada, será feita, talvez até a hora da apagar a vela esse sentimento já tenha ido embora. Talvez no final deste texto ele já tenha ido embora, não sei.

Eu fiquei muito tempo pensando na lembrancinha que gostaria de entregar a meus convidados. Eu desejei na verdade uma festa enorme, vamos todos à pizzaria, não era bem isso que eu tinha pensado, mas o que importa é comemorar, não é? Não sei. Acho que passei tempo demais enfrentando tragédias na época do meu aniversário. Devo estar com medo que a bigorna dos desenhos animados caia na minha cabeça no final. Será?

Ganhei o sorteio do blog de uma amiga. Ganhei ingressos para a peça Peixonauta, nunca tinha ganhado nada assim antes na vida. Compramos um mega apartamento, não tenho motivos para me queixar da vida. É o número. Fazendo um balanço, nunca havia antes sonhado em fazer 35 anos. Sonhava com as conquistas e logo me via velha, avó mesmo, contando minhas aventuras para meus netos. Entre ter um bebê nos braços e acolher uma adolescente chorova, sofrendo por amor e sentar em circulo com meus netos e contar da vez que o técnico da Telefônica foi na república e se derreteu quando me viu (assim contou minha amiga Dri, eu mesma não percebi, mas o fato é que ele fez o que dizia não ser sua obrigação, segundo ela foi porque gostou de mim), dos suspiros e fiu fius que ganhava quando andava na rua, nos meus sonhos tinha um hiato. Nunca me vi nessa idade, nunca me imaginei como me vejo agora. Acho que nunca me vi ficando velha e tenho certa dificuldade em lidar com o que não imaginei antes. Deve ser isso. Embora ser experiente me fascine, acho que só olhei pelo aspecto filosófico da coisa. Tornar-me sábia. Apenas isso. Tornar-me velha? E não venha falar em plásticas, não me entendo com a coisa de não aceitar que o tempo passa para todos, pra mim também. É isso. Sei que o tempo passou, eu vi e vivi, mas minha imagem no espelho não condiz com o que vai no meu coração. Ainda sinto ter uma vida inteira pela frente, meu coração, hoje mais sábio, anda ainda mais vivaz e ansioso por viver mais e mais, agora sim é que a vida começa, com muito menos medo de arriscar, com muito mais confiança, pois como me escreveu um amigo hoje, agora eu sei das coisas, o que me faltava há 7 anos atrás. Mas o que eu faço com o meu cabelo? Perdi minha identidade visual quando cortei meu cabelão. Por aceitar que o tempo passou cortei meu cabelo. Fiquei parecida demais com minhas irmãs, mas eu sou eu e só. Eu gostava de ser somente eu e mais ninguém, ando vendo gente demais em mim e não gosto nada disso. Não não.

E agora vem esse número me assombrar. De novo o arrepio e a pontada. Acho que eu queria riscar o ano do meu registro de nascimento e parar de contar. Será que resolve? Será por este sentimento que tanta gente mente a idade? Posso até mentir, omitir, mas eu sempre saberei quanto é, então, de que adianta?