terça-feira, 28 de abril de 2009

Coisas da Vida.

Peço licença ao meu adorado pai e à minha amada filha para falar de um drama da vida: exame de fezes. Existe coisa mais desagradável na vida que fazer exame de fezes? Pois bem, depois de ter passado por poucas e boas com minha saúde, se a médica me mandar plantar banananeira como forma de diagnóstico, eu planto, no sentido real e no figurado também. Hoje de manhã lá vou eu pro laboratório colher mais um de infinitos hemogramas e... logo a pergunta: trouxe a amostra? Bom, a ultima vez em que eu me submeti ao tal exame, algumas décadas atrás, o tal amostra precisava ser colhida em tres etapas e em dias alternados, sendo acondicionada em um frasquinho com uma tal substancia conservadora. Não, eu não levei a amostra. Colhido o sangue, pega o frasquinho que não tem conservante algum. Ora, seu eu soubesse disso teria ido à farmácia e providenciado o dito cujo que atende pelo nome de coletor universal, ou seja, serve para exames de qualquer natureza.
Horas mais tarde, volto ao laboratório já de posse da bendita (a amostra). Entro, falo com o atendente que me dá um protocolo de entrega de resultados e me envia pro balcão de entrega (de amostras). Antes que eu pudesse pensar um cidadão robusto me chama pelo nome e me pede que o acompanhe. Quase chego a pensar que ele vai me dar outro frasquinho e me mandar fazer a coleta ali mesmo, naquela hora. Ufa, ele só queria pegar o que eu fui levar. Pega o protocolo, confere, pega o frasquinho e pergunta: foi colhido quando? Vejam só que invasão de privacidade! Para que ele precisa saber, do meu exame sei eu, e da hora em que o colhi, tenha dó. E eu tive que responder: hoje. Sem mais detalhes, graças à tecnologia não precisarei voltar lá para pegar o resultado, chega de drama, porque é sim um drama da vida. E volta pra casa.
No caminho de volta, existe sensação maior do que saber dirigir? Pra quem nasceu dirigindo pode não fazer sentido, mas para mim que passei quase 30 anos de minha vida pedindo por favor aos motoristas da família, ah, que emoção. Como é bom gozar desta liberdade, este sim é o verdadeiro direito de ir e vir, compensa qualquer constrangimento causado pelas análises clínicas. Pronto, já me recuperei, já posso retomar meu tema.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

...

A morte é uma coisa engraçada, a pessoa não volta mesmo. Luiza fez sua primeira viagem, para a casa do vovô. Já na estrada a presença forte. Quando estou em casa, na casa onde cresci, parece que ele está ali. Se estamos na cozinha, parece que ele está na sala descansando, como sempre fazia. São tantas lembranças...
A bicicleta, os pinduricalhos na oficina, a oficina, o espelhinho com o barbeador, tudo como ele deixou. Ainda que nada mais houvesse, que tudo já tivesse sido tirado, eliminado de nossas vistas, ainda assim sua presença seria forte. Ele está em todos os cantos, as paredes respiram sua presença e não há como não ficar procurando por sua presença, não como não ouvir seus passos entrando em casa.E quando você vai olhar, não está. A morte é engraçada, leva embora mesmo, sem direito a dar mais uma olhadinha, mais um abraço apenas.
Já estamos aqui há 12 dias. Ontem fui à padaria e na volta reparei na ponte que caiu ano passado e foi reconstruída. Como ficou linda a rua, tão larga, que pena ele não ter vivido para ver aquela beleza, consigo imaginar ele falando: "que beleza de rua larga, agora sim, desse jeito que tem que ser". Meu pai adorava obras de engenharia, quanto maior, mais bonito. Adorava tecnologia e modernidade, adorava tudo o que é novo e lindo. Que saudade... Que dor viver tanta coisa boa e gostosa com a Luiza não poder dividir com ele. Logo ele, que tinha o dom de tornar especial as coisas mais insignificantes. Acho que nunca mais vou ter um fã tão dedicado. Lembro-me que cada coisinha nova que eu aprendia ele babava. Era isso que ele era, um pai babão.
Hoje na hora do almoço o Johnny, o nosso cachorro, subiu na mesa e comeu a carne do almoço da minha irmã. Foi muito engraçado e me fez lembrar do dia que ele pegou o bife do prato do meu pai. Ri muito e chorei de saudade. Minha irmã entrou no quarto e me perguntou se eu estava chorando. Fiquei com vergonha de dizer que estava triste, falei que estava chorando de rir. Ela também lembrou do bife. Agora ela vai ler aqui e vai ficar brava comigo. Ô família de mulher de gênio ruim, coitado do meu pai que conviveu com quatro, como ele deu conta? Meu marido convive comigo, uma só, espero, tomara que Luiza herde ao menos em parte o sossego do vovô, com certeza ela será mais feliz assim.

Escrevo para alimentar minha alma, mas faço também como herança do vovô pra Luiza. claro que seria melhor que ela tivesse as próprias historias com ele pra contar, mas eu as dou para minha riqueza. Tomara que ela possa se emocionar e se divertir com a memória do vovô, assim ela pode sentir que tem sim um avô, embora não o possa ver.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Minha Luiza é meu sol, ilumina a minha vida...

Hoje fomos às compras com vovó. Lá pelas tantas, enquanto vovó experimentava roupas, começou a tocar a música Girassol, do IRA. Eu estava sentada olhando minha riqueza sorrir pra mim. Como eu sou um girassol, você é o meu sol... Como essa frase me caiu bem, Luiza é minha riqueza, meu sol.

Acho que minha depressão está começando a passar. Minha amiga Lu veio me visitar no domingo e me disse que no inicio, quando seu bebê nasceu, sentia-se ate´meio culpada por chorar tanto, que só depois de um tempo é que foi curtir ser mãe. Respondi a ela que culpa não senti não, porque já esperava por isso, visto que existe um fator que é hormonal para tanta tristeza, mas fiquei aliviada em saber que passa. Espero em breve poder escrever que fiquei apenas com parte maníaca do bipolar de humor. Vai passar. Já está passando.

Ontem saí sozinha com Luiza, sozinha sem o Dri. Fiquei bem cansada, mas dei conta. É que com tudo o que passei, fiquei tempo demais resguardada, e ficaria mais, meu corte ainda dói um bocado, mas precisei levar minha pequena ao pediatra. O Dri já voltou a trabalhar, agora é a hora de assumir mesmo a maternidade de maneira integral. Minha mãe ficou com dó de mim, nesta cidade imensa, dirigindo com o bebê no carro. E com dó da Luiza, quem vai olha-lá no banco de trás quando ela for embora. Vamos nos acostumar, afinal essa é a nossa vida, não é? E olha o lado bom, eu poderia ter que pegar um ônibus ou o metrô, mas não, vou de carro. Sempre pode ser pior. Fiquei bem cansada, mas dei conta, é o que importa. E também o que prova que já estou bem melhor.

Luiza hoje faz um mês, como o tempo passou rápido. Ela está tão linda! Meu amor aumenta a cada dia... Cresce junto com ela, que delicia. Esse primeiro mês foi difícil, alem da adaptação normal teve também a parte do imprevisto, do não-desejável, mas posso agora dizer que o pior já passou, estamos super bem, eu e ela, apesar dos tropeços. Já posso dizer que em breve estarei tirando de letra também ser mãe da Luiza, fora todo o resto. A vida segue. Foi difícil, mas faria tudo de novo, mesmo que um anjo me desse o poder de saber antes e escolher passar ou não por isso tudo. Faria a cesariana, ficaria doente, bipolar de humor, tudo de novo, só pra ganhar esse sorriso todos os dias.

Um mês da maior intensidade que jamais vivi antes... já sinto saudades...