quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lar doce lar - preparando a despedida.

Lar, doce lar. Lar, doce bagunça. Aqui depositei meus sonhos. Aqui encontrei o chão firme que tanto buscava, aqui fui feliz. Aqui fui triste, tive amor. Aqui senti raiva, senti dor, aqui vivi intensamente. Aqui me encantei com tapetes e vasos, aqui desejei quadros na parede, pedaços de vida em porta-retratos, aqui me apaixonei pelo chão, pelas paredes, pela pedra da pia da cozinha. Aqui fiz bolos e lasanhas, muito mais bolos, confesso. Aqui senti o amor de ser mãe de quem foi meu pai. Aqui vivi a dor de me tornar órfã. Aqui chorei, sorri, gritei, me desesperei, pulei de alegria. Aqui recebi o positivo. Aqui fiz o enxoval e decorei o quarto. Aqui me tornei mãe de fato. Para cá trouxe a personificação de todos os meus sonhos. Aqui tudo deu certo! Agora me vejo cansada, doente, brigando com o relógio para tornar o aqui mais limpinho e num sopro, num piscar de olhos vejo tudo o que vivi aqui entrar pela porta, pelas janelas, pelas frestas, de todos os lados, e se colocar na minha frente. Aqui semeei meus sonhos e agora me preparo para me despedir. Que virá depois de mim? Não sei o que será do meu aqui, mas sei que em cada centimetro coloquei meu coração e, embora feliz, sentirei saudades do meu Aqui, do meu cantinho, meu primeiro cantinho, tão lindo e aconchegante, tão cheio de amor. A vida segue, mas aqui será sempre o meu primeiro aqui, o meu primeiro meu, o tão sonhado lar doce lar. Aqui.(13/04/11 - 14:42)

De repente sou invadida por uma ansiedade paralizante, fico sem ar. Os dias passam como relâmpago e a hora da despedida está cada vez mais próxima. Um pedaço de mim não vê a hora. Um pedaço de mim perdeu o sono ao imaginar a casa vazia. Vazia de móveis e bagunça espalhada, mas não vazia de sentimentos. Como será enfim a despedida deste que foi a personificação de todos os meus sonhos? Meu lar, minha casa, minha. Nossa. Canto tranquilo repleto de sol. Meu porto seguro, tudo aqui tem um dedo meu, tudo aqui tem um anseio,uma dúvida, um desejo. Tudo aqui tem gosto de conquista. Tem sabor de realização e sucesso, tudo aqui tem meu coração. Sou dessas pessoas que criam raízes aonde vai e a partida é sempre um evento doloroso, sentimentos misturados, o desejo de seguir adiante, a saudade do que se viveu. Sou dessas pessoas que precisa de rituais, de despedidas longas, de elaborar o luto. O futuro? Será lindo, estou certa. Enquanto isso vou me preparando para alcançá-lo, vou me despedindo das paredes, do chão, do armários, desejosa de novamente me lançar numa nova aventura e construir outro lar, ainda melhor e mais bonito, que novamente minhas mãos sejam munidas do poder de tornar amor tudo o que eu tocar nesse nosso novo lar!

sábado, 25 de junho de 2011

Ser diferente, ser igual. Importa para o amor?

Sou muito diferente do meu pai. Ele dormia cedo e acordava cedo, eu sempre gostei de dormir tarde e acordar tarde. Ele adorava bananas, eu também, mas ele gostava delas bem maduras e docinhas, eu já gosto um estágio antes, mais firmes, quando muito molinhas já não consigo comer mais, só pra doces e bolos. Ele me ensinou a observar e amar a natureza, ele observava o movimento do sol, eu olhava a lua e as estrelas. Se é verdade que os opostos se atraem, esse é um bom exemplo. Com o tempo fui aprendendo a respeitar essa diferença, a não entrar em conflito só porque fui ganhando convicções diferentes das dele, já conheci um pai velho, bem pouco disposto a conhecer certas novidades, então concordava com ele que as melhores bananas eram aquelas mesmo, embora evitasse comê-las. Mas cometi muito erros tentando agradá-lo, minha ansiedade em ver meu pai feliz como ele sempre se esforçava para me ver feliz fazia com que eu cometesse alguns excessos, como no dia em que o levamos no zoológico e passou muito da hora do almoço. Já velho, a hora do almoço era sagrada e ele não aproveitou mais o passeio até enfim comer o maior prato que eu já vi na vida.
Ele sempre acordou antes de todo mundo e o cheirinho de café com pão quente de padaria que acabou de abrir era obra dele, eu só saio da cama no ultimo segundo se realmente tiver que levantar. Mas ele cuidava de tudo que era da gente, que era meu e eu tento fazer igual, tento, mas acho que até nisso somos diferentes. Ele cuidou do passarinho do Nelson (meu irmão), das minhas galinhas, do Johnny, que acabou por ser o seu companheiro dos últimos dias. Ah, o Johnny é um cachorro. E ele tentou cuidar do Manchinha, nosso cãozinho, mas aí é outra historia. Preciso fazer um parênteses aqui: "Papai da Luiza, seu pai cuida dos seus bichinhos de estimação até hoje, você pode fazer o mesmo com doação. É só o começo..."
Retomando: esta noite sonhei com um pai ao meu lado numa fuga alucinante. Não, não era o meu pai, embora no sonho fosse. Era uma figura forte, desses pais heróis de filme. Hoje quando me lembrei do sonho me veio a imagem do pai enorme e forte que eu via no inicio de minha vida e essa imagem contrastou drasticamente com a figura frágil do fim da vida dele. Ando sentindo muita melancolia quando penso no meu pai e hoje em especial pensei que pais deveriam sempre ser heróis e, mesmo que nós filhos fôssemos enganados a vida toda, penso que essa inversão de papéis não deveria ocorrer. Porque para a minha filha quero ser sempre o porto seguro, a figura forte, a casa de pedra para onde ela sempre poderá voltar para se sentir protegida e recarregar sua energias antes continuar seguindo a sua vida. Não lido bem com o fato de que isso pode mudar um dia, embora meu coração se alegre ao pensar que pude dar ao meu pai dias mais tranquilos nos momentos mais dificeis de sua vida, os dias em que teve que pensar em se despedir da vida que tanto amava. Folgo em saber que me tornei esta mulher forte capaz de ser mãe, antes fui mãe do meu pai, sua heroína talvez, a pessoa que teve "peitos" para buscar o que havia de melhor no momento pior. É um paradoxo. A vida é um grande paradoxo. Mais um mês e serão três anos completos sem ele aqui. Sua imagem anda ficando borrada na minha memória, embaçada, a imagem de quem e o que a gente não vê faz tempo, a imagem que vai sumindo. Tenho pensado nele muito mais nestes dias do que de costume. Talvez ainda tenha faltado ficha pra cair e isto parece acontecer agora. Não sei.
Minha princesa está crescendo, sua compreensão das coisas agora é muito maior e talvez seja a hora de apresentar a ela com mais propriedade o vovô Anizio. Todo dia ela reza e pede ao Papai do Céu que abençõe as vovós e o vovô Leo. Todo dia sinto meu coração doer porque não se reza para quem já morreu. Estou vendo minha fofura crescer envolta por muito amor e irradiando amor, só ele não está aqui, só dele ela não pode sentir saudades, sentir vontade de ver e brincar, quem é esse avô que ela não conheceu nem nunca saberá ao certo quem foi. Que avô ele seria para ela, já velho, já doente, frágil. Penso que ele seria para ela como foi para mim. Será? Sei que as coisas são como têm que ser ainda que eu nunca me conforme com isso. Talvez ele tenha partido porque, sendo eu mãe dela não conseguiria ser tão eficiente como mãe dele. Talvez ele tenha sentido isso quando ouviu a noticia da chegada dela. De que era a hora de eu seguir adiante com a minha vida e construir a minha familia. Minha mãe contou que uns meses antes de morrer ele disse a ela que estava tudo bem, que ela tinha uma casa, meu irmão e irmã mais velhos estavam levantando uma bela construção e minha irmã do meio e eu já tínhamos nossas familias e nossas casas. Cada um dos seus já tinha tomado o rumo certo do seu destino, era hora dele seguir adiante também. É, essa ultima parte ficou subentendido, ele não disse, ele não falava sobre ela, a morte, não eram muito amigos. Nisso também somos diferentes.
Mas herdei um sentimento que é idêntico ao dele: o amor à vida, o viver intensamente! Acho sim que foi com ele que aprendi desde muito cedo que só se vive uma vida (é o que sabemos concretamente), melhor não deixar escapar nenhuma emoção. Não, ele nunca disse isso. Ele viveu isso todos os dias de sua vida. E eu também!
Os dias continuam nascendo, o tempo anda voando, me apavora. Porque eu queria uma vida interia pela frente, mas já náo a tenho mais desta forma. Podíamos ter o direito de ensaiar antes de entrar no palco, quem sabe assim estaríamos juntos de novo...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ser mãe, ser filha.

Ando sentindo muito orgulho de mim como mãe. Minha riqueza está crescendo e aprendendo milhares de coisas todos os dias. Come bem (coisa que mãe adora), faz um charminho, nada demais. É educada, cumprimenta as pessoas, fica tímida quando não conhece, que bom, é, isso também vai protegê-la no futuro de chegar "chegando" onde não deve. Fala muito e muito bem, já consegue levar uma conversa adiante, se entrega à fantasia, come balas imaginárias, cria histórias, cuida dos nenéns e por vezes até de mim, vira minha mamãe. A ultima novidade é que aprendeu a usar o banheiro, deixou as fraldas. Não, não é mais bebê, virou de fato uma mocinha, linda, fofa, charmosa, engraçada, tudo de melhor nessa vida. E eu ainda estou embasbacada com a facilidade que foi para ela aprender a usar o banheiro. No primeiro dia quase voltei atrás, um frio e ela só fazendo xixi na roupa. Tive dúvidas se era o momento certo, mas já tinha começado, não podia recuar. No segundo dia... eu achei que a coisa fosse levar uns três meses. Que nada, no segundo dia ela já estava fazendo xixi e cocô no vaso, assim, num estalar de dedos, adeus fraldas! Curti cada conquista da minha fofura, mas nada me deu mais orgulho do que isso. Pense bem: num dia você (ela) pode fazer tudo a qualquer hora, onde estiver, tudo bem à vontade. No dia seguinte você tem que sentir seu corpo, perceber o que ocorre com ele e esperar a hora certa de liberar a coisa, ou não. Dificil né. Tente o contrário, fazer xixi na calça já sabendo usar o banheiro, no meu caso, há uns 33 anos mais ou menos. Quando fiz cirurgia de varizes, não podia levantar da cama e precisei usar uma "comadre", quase morri, foi uma das sensações mais incômodas da minha vida. Fiquei muito orgulhosa da sua capacidade em aprender isso tão rápido e de maneira tão eficiente, fico encantada quando ela pede para ir ao banheiro. E fiquei orgulhosa de mim por entender que esse era o momento certo, apesar das críticas e dos protestos (esfriou muito por aqui). Ela enviou sinais de que estava pronta e eu entendi e respeitei. Considero ser esse o jeito certo de ser mãe. Não importa o que penso, desejo, mas como estou sentindo o que vem dela, da minha filhinha. Li um livro anos atrás que dizia que são os filhos que educam os pais, eles é que dizem como devemos proceder e que quando negligenciamos isso vêm os problemas. Acho que peguei o espírito da coisa. Não que eu não venha a enfrentar problemas, mas de muitos deles ando conseguindo me safar apenas por tentar compreender como a Luiza está me educando, e tem dado muito certo. Então dedico esse post às minhas amigas gravidinhas, Lú, mamãe da Salomé que já está batendo na porta, e Eli, que acabou de saber que será mamãe. E para a Maira que está com a Sofia nos braços há três meses: deixem que suas fofuras as eduquem e serão boas mães. Esse é o meu conselho de "veterana" para vocês.

Desde muito cedo aprendemos que se está bom demais algo ruim vai acontecer. Eu como boa mineira que sou, custava a acreditar que as coisas dariam certo, muito sofri com medo de ser plenamente feliz, acreditando que isso não era possivel, apesar da minha boa fé e pesistêncai em tudo o que ja fiz. Não sei dizer onde foi que isso acabou, mas a vida deu conta de me fazer enxergar que, assim como existem momentos de crises e provações, também existem momentos de realizações. E hoje, se há algo que pode fazer com que a felicidade não seja completa, acredito que fique por conta do fato de minha familia andar desfalcada. Tantas coisas boas acontecendo e o serviço de informações continua dizendo que não consta na lista o novo telefone do Seu Anizio. Assim ficamos sem poder compartilhar com ele. Gostaria de acreditar que de lá ele nos olha pela janela e anda vibrando com tudo o que estamos vivendo e conquistando aqui, quem sabe. Se bem que um lado meu prefere não achar isso não, de jeito nenhum, porque se ele pode nos ver, pode também ver coisas que jamais faria na frente do meu pai. Tudo bem, continuo conversando com ele que mora dentro do meu coração. E vou sendo feliz, muito feliz. Na sexta-feira vi um avião decolar de dentro do carro e uma centena de lembranças vieram a tona. Minha saudade se tranformou em sorriso e meu coração se encheu de alegria. Saudade boa essa...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Magia dos Beija-flores.


Beija-flores são criaturas sagradas que Deus envia para nos contar seus planos de amor, para nos trazer boas noticias, para nos tranquilizar de que tudo vai dar certo. Sim, porque não é tão fácil ver um beija-flor, não somos nós que os vemos, são eles que se mostram, eles que se deixam ver por nós. E sim, eles aparecem quando menos esperamos, nos momentos de dúvida, de angústia, de repente, no mais inusitado momento, nos locais menos prováveis, um beija-flor. Sou apaixonada por eles e sou capaz de parar qualquer coisa para admirar sua beleza, seu vôo rápido e preciso, sua magia. Quando criança às vezes acontecia desse serzinho encantado entrar dentro de casa e, não lembro ao certo, mas minha mãe dizia que era sinal de coisa boa, ou algo assim. Anos mais tarde, depois de uma longa busca por um lugar pra morar, já cansados e ainda buscando, da janela do carro em meio ao trânsito caótico de São Paulo, eis que avisto um beija-flor lá no alto de um prédio, beijando uma única florzinha, de um único vaso de um apartamento, mais improvável impossível. E tive certeza: nossa busca chegaria ao fim naquela tarde. E foi assim. E desde então soube que sempre que ele se mostra a mim é porque algo muito bom está para acontecer. E tem sido assim, nos momentos dificeis ele me dá esperança, nos momentos de dúvida, ele traz a resposta e na angústia da espera ele anuncia a boa nova. Às vezes quero vê-los, fico procurando, mas não, não funciona assim.
De uns dias pra cá eles andam me visitando, se mostrando a mim sempre que alguma coisa começa a martelar na minha cabeça, estou certa de que tudo dará certo, graças à dança dos beija-flores que a mim se mostram. Logo teremos novidades, um dia de cada vez, sempre em frente. Novos ventos andam soprando e eu já "sinto o cheiro da nova estação".