terça-feira, 29 de setembro de 2009

Primeira febre e recado pra Mamãe Coragem.

Na madrugada da sexta para o sábado Luiza teve sua primeira febre. Enlouqueci. Fiquei me sentindo muito culpada porque agora ela vai pra escola, come papinhas e eu já posso mais protegê-la com meus anticorpos como antes. Mas como disse meu marido, ela tem que crescer. É engraçado como tenho visto todas as minhas teorias caírem por terra desde que Luiza nasceu, na prática a coisa é outra. Deus me deu uma filha perfeita, não teve cólicas, não troca o dia pela noite, mama com vontade, cresce numa proporção fenomenal, tem quase sete meses com tamanho de um ano, quem não quer um bebê assim? Dei-me conta que com todas estas dádivas tenho dificuldade em lidar com o que sai do normal, da rotina. Há alguns dias ela decidiu que não queria dormir, ficava acordando de hora em hora e eu fiquei podre. Li um livro que ensinava a fazer dormir, tinha que deixar o bebê chorar até se acalmar sozinho, percebi que com minha riqueza não funciona, ela fica desesperada e aí que a coisa desanda. Ela voltou a dormir, acordando apenas pra mamar, como sempre fez. Aqui é que eu preciso mudar, ensiná-la que ela não precisa comer de madrugada. Com a febre revivi dois momentos muito difíceis da minha vida: a doença de meu pai e a minha própria doença. Por mais que eu olhasse pra ela e visse uma criança super esperta, não fosse o termômetro nem diria que estava com febre, meu coração estava em pânico, que medo de perdê-la. Nem sabia que estava tão traumatizada. E quando fico apavorada fico também impaciente, o que é muito ruim, quero que as coisas se resolvam assim, num estalar de dedos, e não é assim, . Passou, Luiza já está boa de novo, foi uma bobagem, graças a Deus, e agora faço essa reflexão, tenho muito o que aprender. Às vezes penso que não vou deixar minha riqueza crescer, sair da barra da minha saia, e eu nem uso saia, mas me esforço para não ser tão neurótica, filhos são do mundo.

Mamãe coragem, que segue meu blog disse que prefere babá à creche, sabe que eu começando a achar que eu também? Mas aqui em São Paulo é tudo tão grande, imprevisto, assustador às vezes. Estamos aqui apenas eu e meu marido, não temos família por perto. Fizemos muitos amigos nestes anos aqui, mas quando o bicho pega mesmo somos só eu e ele e por um tempo era apenas eu. Sugeriram-me trazer alguém da minha terra pra cuidar da Luiza, mas eu moro numa caixinha de fósforo, onde iria acomodar alguém? Mesmo com meu coraçaõ partido ainda acho que a escola é a melhor opção. São só 5 crianças pra duas tias, sei que ela é bem cuidada lá, eu é que estou mal cuidada aqui, longe dela.
Mamãe coragem, admiro você e estou rezando pra que sua Duda seja luz na sua vida, assim como a Luiza é na minha.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hora de ir pra escola, a vida tem que continuar...

Ando meio sem inspiração pra escrever, preguiça talvez. Minha riqueza agora vai pra escola e eu estou tentando me acostumar com esta ideia. Não entra na minha cabeça que uma mãe tem que se separar de sua cria tão cedo! Acabou minha pausa para ser mãe. Luiza já tem quase sete meses, foi pra escola com seis meses e meio, já são duas semanas e ainda não me acostumei. Embora isso me dê certa liberdade, o vazio deixado pela ausência dela toma conta da minha indignação e eu fico inconformada. Ela parece adorar, fica lá numa boa, brinca a valer e volta pra casa exausta. Se ela andasse diria que correu o dia todo, mas é quase isso, ela brinca muito, como disse a tia dia desses. E eu fico bicuda, pensando que estou perdendo esta parte.
Meus pais sempre trabalharam, mas em casa. Então sempre os tive ao alcance das mãos, estavam lá quando precisava, quando sentia saudades. Talvez por isso meu coração relute tanto em aceitar o inevitável: Luiza está crescendo! Ela já almoça, janta, faz lanchinhos, interage com o cachorro, com as pessoas e já não precisa tanto de mim. Penso que devo retomar minhas coisas, meu trabalho, me vejo hoje na pele de minhas pacientes e fico me repetindo o que dizia a elas, que mulher dentro de casa não tem valor, que precisa trabalhar, fazer o que gosta, pois filho cresce e um dia vai embora. Só não sabia que isso acontecia tão cedo. Não que Luiza esteja se despedindo de mim, mas já não é mais aquele bebezinho frágil, que depende de mim pra tudo. Mesmo ainda tão pequena ela já tem seus interesses que vão além do peito e do meu aconchego. É maravilhoso vê-la crescer, mas penso que ficaria mais fácil se ela estivesse sempre em casa, com uma babá talvez, ao alcance de minhas mãos.
Você deve estar se perguntando porque não contratei uma ao invés de enviar Luiza pra escola. Minha razão me diz que escolas são mais seguras quando não se pode estar perto, estou ensaiando voltar a trabalhar, e que numa escola ela vai estar com outras crianças, o que é um grande estímulo, esse convívio vai ajudá-la a se desenvolver, a se socializar. Acredito que nunca vou ver Luiza chorar no primeiro dia de aula, com medo, afinal estar com outras pessoas já faz parte da vidinha dela. Minha queixa é que escola tem regras, não posso ir lá matar a saudade quando ela aperta nem posso ficar escondida observando ela brincar com os novos amiguinhos. Minha relação com a escola se resume a deixá-la na porta, pegá-la na porta e pagar. Dentro daquele espaço, depois da primeira semana mães se tornam personas non gratas. Vejo muitas vantagens na escolha que fiz, mas meu coração teima em não ficar tranquilo, muita saudade. Quando a deixo lá e o portão se fecha, parece que o mundo vai acabar. Conto os minutos pra pegá-la de volta. E quando a reencontro, parece que vou explodir de tanta saudade e tanta vontade de apertar, abraçar, beijar... Ai ai, ser mãe é muito difícil! Dói demais, uma dor sem fim. O amor dói. E a vida tem que seguir, não é? Acredito que quando estiver trabalhando esse sentimento se amenize, mas acho que sempre vou achar um absurdo uma mãe que se separa de sua cria tão cedo. Licença maternidade deveria durar uns dois anos, e remunerada, porque ninguém merece ficar sem seus dividendos.