sábado, 4 de maio de 2013

Pinhões

Hoje comi pinhões. Fazia algum tempo que não comia, foi presente de uma amiga. Passei minha infância comendo pinhões. Meu pai pegava uma marreta, levava os pinhões já cozidos pro quintal e ficava marretando os coitados afim de lhes tirar a semente macia. Ele e minha mãe. Delícia! Ainda adoro pinhões. Com o tempo os instrumentos de tortura foram sendo modernizados, martelo de carne, espremedor de limão, de alho. O princípio é o mesmo, quebrar a parte dura para abrir a casca e soltar a semente. E comer. Existem muitas receitas que levam pinhão, mas eu gosto mesmo do jeito que sai da casca. E dá saudades do meu pai. Saudades de um tempo em que eu era amada e mimada por este ser único que habitou este mundo. Ser capaz de amar sem ver defeitos. Capaz de achar tudo lindo e especial. Capaz de dar amor sem limites e sem trocas. Existe no mundo lugar para a espontaneidade, para ser você mesmo?

Aconteceu muita coisa desde que vim aqui pela ultima vez. fazendo um resuminho, primeiro fiz uma linda festa pra Luiza, virei artesã. Fiz flores de tecido, bolo cenográfico, enrolei doces, cozinhei, foi uma bela festa. E no final de tudo, consegui enfim o meu tão sonhado emprego. É o emprego dos sonhos mesmo, ao menos por hora, mas claro que junto com a parte boa vem os desafios, porque viver é receber pacotes completos. 

Por hora estou impedida de falar, então resolvi escrever. Mas acho que estou sem pique pra escrever também. Estou muito cansada. Exausta mesmo. Depois eu volto para contar detalhes, essas novidades rendem um livro.

Estou tão cansada que queria o colo dele de novo. Deve ser por isso que resolvi vir aqui hoje, pra ficar mais perto dele. Amém.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Te amo para sempre!!!

Hoje é 12 de fevereiro. Se estivesse vivo meu pai faria hoje 80 anos. 

Fico mesmo imaginando sua carinha de alegria ao dizer, de peito cheio: "80 anos!". Estou emocionada há alguns dias. Quando adoeceu, ele falava constantemente que depois da cirurgia e da cura, o controle seria feito de 6 em 6 meses, depois de ano em ano, 5 em 5 anos, 10 em 10... Fala se isso não é esperança de dar inveja! Não durou nem um ano. Tenho visto todos os dias sua carinha alegre, seu sorriso. Seus olhos marejados, emocionado. Seus olhos arregalados, olha fixo, no último olhar que me lançou antes de morrer. Tenho ouvido sua voz. Tenho desejado que estivesse aqui hoje e que fosse hoje seu ultimo aniversário, que fosse. Eu teria tido mais cinco anos de pai. Eu teria tido um avô pra minha linda e talvez não tivesse escrito essa história linda de amor de um pai e uma filha, mas o teria aqui ainda. Saudade...
É engraçado como às vezes a gente fica repassando os fatos na nossa cabeça, revendo, revivendo. Cada palavra, cada gesto, cada minuto. Saudade...

Aconteceu um lance engraçado esses últimos dias. Dos irmãos todos do meu pai, sobraram vivos apenas três. Bom, vamos ver se me lembro de todos.

- Tia Anesia, Tia Iracema, Tio Joaquim, Tia Dita, Tia Flor. Filhos do meu avô e sua primeira esposa.
-Meu pai, Tio Olívio, Tia Nadir. Filhos do meu avô, no seu segundo casamento, e minha avó.
- Tio Zezinho e Tio Geraldo. Filhos da minha avó e seu segundo marido.

Muita gente né. Dos mais velhos, o único vivo é o Tio Olívio. Ele nunca foi muito de aparecer, mora em outra cidade a vida toda e costumava nos visitar numa frequência bem pequena. E tem os caçulas, que também moram numa terceira cidade. E que também não são de muitas visitas. Claro que quando eram todos jovens a coisa funcionava diferente, enfim. Meu pai tinha adoração pelos irmãos. E eu respeito isso. Mas como esses em especial, os vivos, sempre foram muito distantes, não consegui ter tanto afeto por eles. Na verdade mal os conheço, sei mais das historias que meu pai contava.

Bom pra resumir a história, desde que meu pai adoeceu esses irmãos resolveram aparecer mais (ainda bem). E no dia do seu velório tive a preocupação de marcar o enterro de um jeito que desse tempo de todos chegarem para se despedir dele. Embora eu ache que se meu pai pudesse, ele mesmo, decidir isso, diria que era bobagem, mas eu sei que no fundo ele ficaria orgulhoso do meu empenho em reuní-los uma ultima vez. 

E o Tio Olívio sumiu. Da ultima vez que havia falado com ele, mencionara qualquer coisa na próstata. Aí o Tio Geraldo e o Tio Zezinho resolveram dar sinal de vida e se preocuparam. O Tio Geraldo tentou contato e nada. E me pediu pra passar na casa dele para ver o que estava acontecendo e pegar seu telefone. Bem, foi tenso. Primeiro a rua não existia no mapa. Depois soube que existia sim, alguém me ensinou a chegar lá e eu fui. Apertei a campainha nervosa, tremia feito "vara verde", como se diz lá em Minas. Tive medo de não encontrá-lo Tive medo de ser a pessoa que busca a má noticia. Foi engraçado também, passou tanta coisa na cabeça. E o Tio atendeu a porta, esta vivo, está bem de saúde, obrigada, e é tão parecido com meu pai! Parece que perto do Tio recupero um pouco dele, sei lá. Fiquei com vontade de visitá-lo mais vezes.

Enquanto procurava a rua, passou pela minha cabeça perguntar a meu pai se ele já tinha ido lá. Risos. Como seria isso, não é? 

E lembranças vem e vão, fico imaginando meu pai falando todo orgulhoso da minha filha linda. O Tio e a Tia falando que eu era o xodó dele. E eu pensando que minha boneca ocuparia o lugar que outrora foi meu. Aí o Tio falou que minha sobrinha era o xodó dele também e eu fiquei enciumada, aff, é porque ele não conheceu minha Luiza. Mais risos... Elas dividiriam o posto, mas eu sei que ele ficaria se gabando da menina forte que é Luiza. E como é doce, boazinha, inteligente e educada. E ela é tudo isso mesmo. 

"Êh seu Anizio, que falta o senhor faz!!!!! Queria que hoje o dia fosse de muita festa!!!!! Porque há 80 anos atrás o mundo ficou mais belo e doce porque o senhor nasceu! Te amo pai, sempre!!!!"

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Momento nostalgia.

Fiquei um tempão sem escrever. Andei sem tempo, andei sem inspiração, enfim. Andei tendo ideias diversas, andei pensando numa forma de resolver minha vida, mudar a direção dela. Andei refletindo e entendendo sobre o que me fez chegar neste lugar em que me encontro agora e do qual não consigo sair. Andei demais, foi isso. 

Desde agosto do ano passado estou sem ajudante em casa, isso também faz a caminhada ficar mais árdua. E voltei a estudar, que era coisa que não fazia há tempos.

Mas voltei a escrever enfim, assim parece. Hoje, depois de um tanto de coisas, resolvi sair para comprar umas coisas. Andava feliz pela rua, começou a chover. Então voltei. Cansada, pernas doendo sei lá por que, deitei e resolvi olhar o blog, postagens antigas, comentários antigos. E comecei a encontrar raridades, nem me lembrava mais. Primeiro o arrepio de ver que estou num lugar muito parecido de 2 anos atrás, mesma busca, mesma angústia. Algumas frases pareciam ter sido escritas semana passada. 
Depois a delícia de ler uma história linda, vivida e contada por mim. Por que fiquei tanto sem escrever? Delícia ler e reviver alguns momentos, estou escrevendo o livro da minha vida. Coisas engraçadas, felizes e tristes, momentos de angustia, momentos de muito amor, lembranças boas de criança, o que acontece na minha vida de agora, de antes. Tudo para ler na vida de depois, por mim, pela minha Luiza e por quem mais passeia por aqui.

Meus dias tem sido intensos. Aguardava a resposta de um emprego desde novembro, fiquei ansiosa e angustiada quando o ano começou. Não fui contratada. Com a desculpa de economizar, estou preparando o quarto aniversário da Luiza. Desde a metade do ano passado, quando quis bordar o vestido de caipira da Luiza, tenho descoberto um encantamento com tecidos e agulhas. E uma coisa na outra, mil ideias e um projeto lindo se encontra em plena construção. Hoje fui ao salão de festas do prédio fazer uns testes para ver se a mesa vai ficar bonita como na minha imaginação. Mãos à obra! Estou sentindo uma confiança enorme. 

Ainda não sei o que será de mim em termos profissionais, amo o que faço e desejo muito voltar a ter uma carreira de sucesso, mas não sei para onde ir, o que fazer. Minhas tentativas tem dado em nada. O arrepio lá de cima é porque há dois anos era isso que eu buscava e me assusta ver que fiz milhares de coisas, mas andei em círculos. Então não sei.

Mas ando me lembrando de antigos sonhos e estou descobrindo novos talentos. Uma coisa mais a outra, estou ocupada demais, motivada demais, inspirada demais para sofrer. 

Tem a casa, o grande obstáculo de todo dia, mas aprendi na semana passada uma lição nova: colocar amor em tudo! Então estou amando mais, meu obstáculo continua ali, me rouba grande parte do dia e da disposição de todo dia, mas já não parece tão intransponível assim. 

Não sei se vou cumprir isso, mas tentarei não me afastar mais daqui.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Noites eternas...

Perdi o sono de novo. Ando dormindo muito pouco, tenho ficado acordada até tarde, acordado relativamente cedo e, algumas noites, meu sono desaparece no meio da noite. Estou exausta! Não sei se por não dormir ou se pelas centenas de coisas que tenho feito.
Esta noite acordei com a Luiza chamando e cadê de voltar a dormir. Senti dor nas costas,minha eterna companheira desde que fui pra faculdade, e me lembrei do meu pai, da sua dor nas costas que todos achavam que era de ficar deitado, quando na verdade era dor no rim, pela infecção hospitalar que contraiu. E pensei: quanta dor ele não deve ter sentido até que se descobrisse o que ele tinha. E me lembrei do dia da sua morte, dos momentos finais, da dor que ele sentiu e não mais sentiu. Da sua barriga inchada e dura, morte iminente. Das últimas palavras, o ultimo olhar. Se estivesse vivo, no próximo dia 12, faria 80 anos. Idade bonita! Ele teria ficado feliz e se orgulharia por ido tão longe! Que pena...Sua alegria de viver era coisa de fazer inveja, homem forte e saudável, amante da vida. Grande homem meu pai.
Ainda estou achando um jeito de apresentá-lo à Luiza. Ela já compreende muitas coisas, entre elas, a morte. Quando falamos no assunto, ela diz que não quer ir morar no céu e virar estrelinha. Ontem no jantar me perguntou o nome dos meus avós, que graça, ela é linda!!!!
Eu aguardava uma resposta de emprego, que veio na sexta feira, não deu certo. De um lado estou aliviada, estava muito angustiada com a espera, mas de outro, não sei  que sinto. Não pareço triste ou frustrada, mas estou irritada, esgotada. Meus dias estão curtíssimos pela quantidade absurda de coisas que ando fazendo, mil obrigações com a casa, um projeto novo que deve ser a razão da minha não-tristeza, planos para o futuro, que nunca chega. Falta de fé? Pedi a Deus que me enviasse um beija-flor só quando viesse a noticia do emprego. Andava vendo esses bichinhos trazedores de esperança a toda hora, o que tornava minha espera ainda mais angustiada. E na sexta-feira eu vi um beija-flor depois de dias sem ver. E soube que a noticia viria naquele dia. E Ele atendeu meu pedido e ela veio, ainda que em forma de negativa. Então sei que de fato não estou só, embora às vezes não entenda direito o que acontece. Talvez por isso eu tenha ficado só um pouco triste na hora. Na verdade fiquei feliz com a consideração da pessoa em me ligar. Encontrar esse tipo de carinho comigo, depois de passar longo período me sentindo só e criticada, desrespeitada por pessoas tão próximas, é um alento. E uma grande vitória, eu fui escolhida pro emprego, não veio por questões que não tem a ver comigo. E isso me conforta. É bom ser escolhida. E é bom me sentir filha de Deus!
Acho que minha insônia tem mais ver com o não saber do que com o outro não. Hoje é domingo, são seis da manhã agora. Daqui há pouco será segunda feira, fevereiro, o ano começou e eu comecei do mesmo jeito que comecei os últimos 3 anos. Sem saber. Claro que o cenário mudou, a energia é outra, já não estou mais deprimida como antes, embora tenha dias em que não controle o sentimento de angústia, ele vem à revelia. Mas ainda assim, continuo no mesmo lugar. Até quando? Paira a  dúvida: será que o dia vai chegar? 
Eu fico com medo. Medo de que não chegue. Medo de que chegue. Estou a tanto tempo nessa condição que não sei se ainda sei estar em outra. O que será?

Encontrei outros projetos e estou buscando alternativas, novas perspectivas, ao menos para me manter ocupada. O que será? Será?