Neste fim de semana pintamos o quarto da Luiza. Meia parede em lilás, ficou lindo! Nossa princesa vai morar num castelo colorido, preparado com muito amor. Ontem, enquanto buscávamos o que faltava para finalizar a pintura, fiquei lembrando dos tempos de criança e disse ao Dri que gostaria que ele fosse um pai como o meu. Não lembro bem que idade eu tinha, mas era pequena. Ele fez um balanço para mim, com uma corda e um banquinho de madeira. Lembro que durante a confecção do mesmo eu estava ansiosíssima e quando ficou pronto eu balançava tão alto que meus pés quase tocavam o céu. Acho que este foi o melhor brinquedo que tive. Já estava na escola e uma vez a professora levou uma casinha destas que você monta pra criança brincar dentro dela, era tão bonitinha! Fiquei encantada. Quando cheguei em casa peguei umas varinhas e uns pedaços de retalho e fui pro quintal tentar montar uma casinha pra mim, claro que nunca dava certo. Lá pelas tantas meu pai ficou curioso e perguntou o que eu estava tentado fazer. Quando contei ele disse que faria uma casinha para mim assim que pudesse. E fez. Era na verdade bem diferente daquela da escola, mas era só minha. Ele aproveitou a parede e fez um teto, cobrindo com plástico e tecido, lembro que tinha alguma coisa branca no meio. Era tão pequenininha que só cabia a mim e mais ninguém. Passava mais tempo lá do que em qualquer lugar. Não consigo lembrar em que momento estes brinquedos foram sendo desmontados, acho que fui crescendo e perdendo o interesse, mas eles foram brincados ao máximo com certeza. Eu não pedia nada, era sempre ele que tinha as ideias, como quando ele me deu as galinhas de estimação. Acho que ele foi um pai que curtiu muito ser pai. Ele tinha as ideias e as executava e eu me apaixonava por tudo o que ele fazia.
Meu pai era mecânico e sua oficina fica do lado da nossa casa, então ele estava lá, disponível o dia todo, ainda que nem sempre livre para me dar atenção. Sempre que podia ele me mostrava os motores dos carros em funcionamento, falava de velas e pistões, de como funcionava um motor a explosão, por onde passava o combustível, que precisava de uma faisca acionada pela partida elétrica do carro... enfim, minhas melhores lembranças de infância estão dentro daquela oficina. Lembro que eu pedia dinheiro para ele o dia inteiro pra comprar doce. E ele dava. Uma vez ele me deu 50 centavos de alguma moeda que não lembro qual é, mas era muito dinheiro. Era tanto dinheiro que eu nem sabia o que fazer com ele. Acho que comprei aquele chiclete que é bem fininho e compridinho e tem sabor azedinho. E devo ter comprado outras coisas também.
Como meu pai trabalhava em casa, eu estava sempre em volta dele. Toda vez que ele saía para experimentar um carro e saber se ficou bom do defeito, ele me levava. Eu adorava. Largava o que fosse pra sair com ele. Uma vez ele foi testar o freio de um caminhão no morro do Solar Club, que é um senhor morro, eu diria que está mais para montanha. Ele levava o caminhão lá pra cima e descia com toda a velocidade, pisando no freio só no final. Fez isso várias vezes comigo junto. Hoje quando lembro disso penso que ele não tinha juízo algum e morro de medo. Ele só me pedia para me segurar, e eu obedecia. Não aconteceu nada demais, afinal cá estou contando esta historia. Meu pai era doido, não tinha medo de nada, por isso viveu intensamente. Falei pro Dri que é uma pena ele ter se despedido da gente. Tenho certeza de que se estivesse aqui a Luiza e a Maria Clara, minha sobrinha de um ano, também ganhariam um balanço de corda com banquinho de madeira dentro da oficina do vovô.
Meu pai era mecânico e sua oficina fica do lado da nossa casa, então ele estava lá, disponível o dia todo, ainda que nem sempre livre para me dar atenção. Sempre que podia ele me mostrava os motores dos carros em funcionamento, falava de velas e pistões, de como funcionava um motor a explosão, por onde passava o combustível, que precisava de uma faisca acionada pela partida elétrica do carro... enfim, minhas melhores lembranças de infância estão dentro daquela oficina. Lembro que eu pedia dinheiro para ele o dia inteiro pra comprar doce. E ele dava. Uma vez ele me deu 50 centavos de alguma moeda que não lembro qual é, mas era muito dinheiro. Era tanto dinheiro que eu nem sabia o que fazer com ele. Acho que comprei aquele chiclete que é bem fininho e compridinho e tem sabor azedinho. E devo ter comprado outras coisas também.
Como meu pai trabalhava em casa, eu estava sempre em volta dele. Toda vez que ele saía para experimentar um carro e saber se ficou bom do defeito, ele me levava. Eu adorava. Largava o que fosse pra sair com ele. Uma vez ele foi testar o freio de um caminhão no morro do Solar Club, que é um senhor morro, eu diria que está mais para montanha. Ele levava o caminhão lá pra cima e descia com toda a velocidade, pisando no freio só no final. Fez isso várias vezes comigo junto. Hoje quando lembro disso penso que ele não tinha juízo algum e morro de medo. Ele só me pedia para me segurar, e eu obedecia. Não aconteceu nada demais, afinal cá estou contando esta historia. Meu pai era doido, não tinha medo de nada, por isso viveu intensamente. Falei pro Dri que é uma pena ele ter se despedido da gente. Tenho certeza de que se estivesse aqui a Luiza e a Maria Clara, minha sobrinha de um ano, também ganhariam um balanço de corda com banquinho de madeira dentro da oficina do vovô.

