domingo, 10 de julho de 2011

O pote de moedas.

Certa vez assistindo a um desses programas de TV de entrevistas que passam durante o dia, vi a entrevista de escritor sobre seu livro recém lancado, no qual ele dava dicas sobre como "enriquecer", como guardar dinheiro e conseguir tudo o que deseja. Entre muitas, ele deu a seguinte dica: se você não tem como guardar dinheiro, comece fazendo um cofrinho. Pegue um vidro de maionese transparente, passe uma fita adesiva em volta da tampa para não cair na tentação de pegar as moedas lá dentro, faça um rasgo na tampa e comece a guardar moedas. Mas o vidro tem que ser transparente para que vc veja o dinheiro crescer, pois é daí que vem a motivação para continuar guardando, assim disse o escritor. Na impossibilidade de abrir uma poupança no banco, segui a dica: peguei um vidro vazio de tomates secos e comecei a juntar moedas, eu queria comprar um apartamento! Meu marido achou graça, mas topou a brincadeira. Algum tempo depois surgiu a oportunidade de comprar um imóvel que ainda seria construído, hora de abrir o cofre. Claro que as moedas sozinhas não pagariam o montante de uma casa, mas esse foi o inicio, o primeiro passo em busca de um sonho, um desejo, um projeto de vida.

Estamos de mudança. Não, não é pra nossa primeira casa, nesta já estamos há 4 anos e um pouco. Agora vamos pra nossa "mansão". Não que seja assim tão grande, mas é muito mais do que jamais imaginos conseguir neste estágio de nossas vidas, por isso temos muito a agradecer a Deus, que nos indicou o caminho e colocou fé nos nossos corações de que conseguiríamos sim dar este passo.

Então começo a me despedir do meu lar doce lar que será de outros, de parte da minha história que se fez aqui neste lugar, de onde escrevo, porque a vida segue sempre em frente, é assim que deve ser, e o nosso em frente tem muito espaço pras crianças correrem. Tá, tudo bem, já descobri que tem lugares ainda maiores, mas para nós é o céu, o paraíso, a imensidão e lá vamos nós.

Sim, tem um ladinho meu que está meio triste, eu crio raízes e amo o lugar que abrigou meus sonhos e minhas dificuldades. Aqui semeei meus sonhos e as sementes germinaram, cresceram, floriram, e agora estamos colhendo os frutos. Aqui me tornei forte, meu chão se tornou firme, aqui superei os obstáculos, chorei e sorri, boa parte do meu coração está grudado nesse chão, nestas paredes, em cada detalhe. Conforta-me saber que quem vem depois de mim encantou-se por aquela que foi a minha idéia de uma casa bonita, "de novela". Já consigo ver minhas coisas fazendo outras pessoas felizes, recebendo elogios de quem eu nem sei, nem conheço, sim, isso me faz feliz. Porque ninguém quer ver seus sonhos jogados ao vento. Porque ainda que este lugar não seja mais meu e nem abrigue mais os meus, sim, fui eu quem o construiu e aqui coloquei todo o meu amor. E quem comprou minha casa não comprou somente um imóvel, mas um lar. Vou me despedindo até a hora de partir, até lá meu coração já se entendeu com o que foi para receber o que está por vir.

E é isso, de um pote de moedas para um "quatro dormitórios". Ando sentindo muito orgulho de mim, de nós, ando ansiosa para explorar nossa nova conquista e torná-la de novo nosso lar doce lar. Meu coração já está com quase todas as malas prontas, passado e futuro se confundem no sentimento presente, logo lembranças serão lembranças e o futuro será presente, assim assim.

E o vovô da Luiza? Ficaria boquiaberto ao saber dos detalhes da negociação. E orgulhoso, claro, como sempre, de todos os passos bem dados e de todas as conquistas nossas.