sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Razões para a razão - parte II

Semana seguinte (ultimo domingo), lá vamos nós de novo pro mesmo percurso. E de novo a estrelinha. E eu de novo (para não mudar a história): "olha Luiza, a estrelinha do Vovô Anizio". E ela: "mamãe, o Vovô Anizio é seu amigo?" " Ele é o meu pai". "Mas ele é seu amigo? Porque o meu papai é meu amigo". Que mais eu poderia dizer?

Essa é a parte boa de todas as horas e assim vamos seguindo e minha filha sempre me surpreendendo com idéias interessantes e histórias que jamais seriam imaginadas por mim. E vai dando leveza e graça pra vida às vezes dura e triste.

sábado, 24 de setembro de 2011

Razões para a razão.

No domingo eu e Luiza chegamos em Cambuí já tarde da noite. Enquanto caminhávamos sozinhas pela noite escura e de ar fresco, cantávamos e olhávamos as inúmeras estrelas, num caminhar sereno cheio de desejos. De repente notei no céu a estrela mais brilhante, creio ser um planeta, talvez Júpiter (não entendo de astronomia). No meu desejo profundo de apresentar à minha princesa histórias sobre o meu pai, me abaixei na sua altura, abracei-a e apontei àquela estrela: "olha Luiza, tá vendo aquela estrelinha bem brilhante? É o vovô Anízio". Ela respondeu: "é o vovô Anizio só de brincadeirinha." E eu pensei: "você é muito mais esperta que eu".
Complicado explicar a uma criança tão pequena que uma pessoa que ela nunca viu existiu de verdade. Penso que ela só vai entender isso se ela perder alguém, se sentir a dor e a saudade de nunca mais ver alguém que amou e, pensando nisso, desejei que ela nunca entenda então, que eu nunca consiga ensinar a ela a importância desse avô que ela nunca vai conhecer. Ela está crescendo linda e graciosa e cada dia é um presente na minha vida. Já vivo diariamente o luto de não ter mais um bebê em casa, penso que em breve ela terá 15 anos, em breve sairá de casa para estudar, casar, viver, então não quero perder um único minuto do tempo que me pertence. A cada dia uma aventura e de repente posso ser tudo de novo que já fui um dia nos meus sonhos de criança e muito mais. Quando em minha vida eu poderia imaginar fazer festa de aniversário para a Cinderela e a Branca de Neve? E que o mundo dos contos de fadas habitaria minha casa e a transformaria num eterno baile, com sapatinhos de cristal e beijos apaixonados de príncipes encantados, num acordar de um sono profundo para um mundo repleto de finais felizes? Com perseguições de bruxas e lobos terminando num abraço gostoso e um pedido especial: "mamãe, me cuida"? E que seria eu um dia a professora e no minuto seguinte aluna fazendo atividades. E ora bruxa, ora lobo, ora curupira, ora princesa e príncipe, e que seria capaz de mandar o frio embora como se este também fosse personagem de contos de fadas? E pensando em tudo isso experimento um sentimento que não é só meu. Ando na rua com minha princesa vestida de roupa de flor para o desfile de primavera e todos os que encontramos, sem excessão, param, comentam sem parar, olham e sorriem para ela, admirando sua graça e beleza e me pego orgulhosa do mesmo jeito que ele, meu pai, ficava quando saía comigo. Sinto-me inflada de tanto amor e orgulho, fico grande, enorme como ele era enorme e hoje me dou conta que parte de sua grandeza vinha de nos olhar (eu e meus irmãos) e ver a riqueza que cada um trazia consigo, cada um com suas qualidades. Mas eu era a menina dos seus olhos, o "xodó", a pequena que ficou mais tempo no colo e pensando nisso entendo todo o amor que carrego dentro de mim e volto a sentir todo o amor que me envolveu durante toda a sua vida a meu lado. É complicado pensar e lembrar que a foto nunca mais será completa. Não sinto falta de nada, tenho de tudo mesmo não tendo tudo, até sua presença sou capaz de sentir no momentos mais inusitados. Meu pai era do sol, mas amava as estrelas como eu aprendi a amar.
O Otorrino receitou Cerumim para a Luiza. Meu pai usava Cerumim e ontem, sem querer, notei o frasco em cima do criado mudo e de repente voltei no tempo, me transportei para outro lugar, mesma cena, e quase o vi entrar pelo quarto. Saudade... Não fui mais ao cemitério, não vejo mais validade nisso, não, ele não está lá, embora isso me dê a concretude de sua partida. Já não converso com ele como no inicio,não creio que ele possa me ouvir, talvez isso deixe a saudade ainda maior, mas ando encontrando-o em todos os lugares que se parecem com ele, os lugares por onde ele passou, nas coisas que ele gostava, nas suas manias insuportáveis de velho. Quando estou na sua casa durmo na cama que foi sua e que está quebrada, quase posso ouvir sua voz reclamando destes "móveis porcaria de hoje", só não tenho sua habilidade para consertar, certamente ele já teria dado jeito naquela cama.
Sim ele está em todos os lugares porque eu o levo sempre comigo, mas ainda não achei um jeito de fazê-lo encontrar-se com ela. Como seria se isso fosse possível?
Minha mãe vive hoje um caso de amor com a Luiza, elas se entendem muito bem. Ele certamente estaria enamorado dela também, lhe compraria maçãs e doces. E uvas que ela adora. E mandaria minha mãe fazer bolos para ela. E faria sucos, muitos sucos, e acho até que coaria e deixaria docinho,e a levaria para a oficina e explicaria que teve um tempo em que os motores funcionavam com carburadores, mas que ela já nasceu no tempo da tecnologia e os carros são com injecção eletrônica, embora o princípio continue sendo o mesmo e com o tempo ela entenderia e se apaixonaria por carros como eu me apaixonei. Não, meu pai não era apaixonado por carros, ele consertava carros, mas penso que ver seu poder diante daquela lata velha que ninguém mais dava jeito (ele sempre conseguia) me inspirou a também dominar essa máquina, embora de outra forma. Aprendi a amar o que ele amava e sempre me empenhei em não decepcioná-lo, ainda que fosse dizendo que o doce de laranja estava maravilhoso quando na verdade eu nunca gostei muito, mas ele fazia pra mim. Ele gostava e fazia pra mim, existe no mundo amor maior?
Hoje fiz bolinho de chuva e Luiza pedia com ar sorridente: "quelo bolinho de chuva". Será sempre assim, ele me ensinou a ser assim, me ensinou a agradar com comida, a compartilhar o que é bom para mim, porque do que gosto coloco também o meu amor. Mas fui além, porque ando sendo capaz de fazer o que não gosto também com ainda mais amor porque é bom para ela. Acho que isso foi ele também que me ensinou, lembrei-me dele me enviando dinheiro todo mês por seis anos seguidos sem nunca compreender que faculdade era aquela que eu fazia, apenas para "fazer o gosto", ele foi além (antes de morrer ele reconheceu o quanto minha petulância em estudar foi de grande valor, em tempo).

...

Meu coração se cala na saudade. Será que um dia minha Luiza vai sentir ao menos um pouquinho desse amor que eu tenho por ele no seu coraçãozinho? Será isso possível?

sábado, 17 de setembro de 2011

Meia Noite

Meia noite, passou da hora de dormir. Ganhei/comprei um brinquedo novo: um netbook. Confesso, a tempos não tinha um computador só meu. Para ser sincera, tive um só meu por muito pouco tempo e este aqui também não será só meu, mas estava doida para "estreá-lo". Quando pensei em comprar um netbook, pensei que seria esta a hora de me dedicar a perseguir antigo sonho: escrever. Quem sabe dia desses eu consiga enfim escrever um livro. Não sei. Meu amigo Sean escreveu um que eu li e amei, agora tenta publicar. Perguntei a ele como é que se faz e ele me disse que o livro vai surgindo e de repente começo a compreender o que isso significa. Talvez agora me arrisque, porque eu não escrevo os textos, eles surgem na minha cabeça, são como as pipocas do Rubem Alves. Só que até que eu consiga chegar à maquina para transcrevê-lo dos meus pensamentos para um documento de word, ou para um post do blog, às vezes o texto escapa. Então penso que tendo a máquina à mão, talvez isso aconteça menos, quem sabe. Bom mesmo era ter um computador conectado diretamente com meus pensamentos. Doce sonho.

Não sei o que será do futuro, talvez o sonho antigo vire de fato projeto, talvez ele se concretize, talvez alguem queira ler o que escrevo, não sei. Quem sabe... E por aí vai. Agora vou dormir que o dia foi longo, mas termino esta com o compromisso: essa historia não acaba aqui!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Para quem gosta de Setembro...


Para todos os lados vejo as pessoas celebrando a chegada de Setembro. Sim, é um mês bem bonito e até desejava me casar nele, mas o meu mês sempre foi Agosto, eu nasci em Agosto, não tinha como ser diferente. E esse Agosto em especial foi muito, como dizer, "especial". Meu coração ainda celebra.
Pensando na chegada da Primavera, na estação das flores, lembrei-me dos ipês. Flores lindas, sempre me causaram admiração, pelo colorido e pela resistência, os ipês florescem em pleno inverno. E antes disso acontecer, perdem todas as folhas para economizar energia para a florada. Quer simbologia mais interessante que essa? Fazendo um paralelo com a minha vida nos últimos cinco anos senti-me um ipê. Longo inverno, parecia nunca chegar ao fim. Mas de tão seco, mais belas foram as flores que surgiram. E agora que entrou Setembro elas começam a cumprir o seu ciclo e cair, para dar lugar à primavera. Então penso que esse Agosto de lindos ipês anunciou o fim do longo inverno. E que venha a primavera da vida porque fiquei cansada do frio, e porque a vida vale a pena, somos livres para admirar a beleza de todas as estações.

Foto tirada de: http://www.panoramio.com/photo/36764692