sábado, 28 de março de 2009

Ser mãe é tornar-se bipolar de humor!

Achei que ser mãe seria só alegria. Ledo engano: ser mãe é tornar-se bipolar de humor, ou maníaco-depressiva, para os mais antigos. Num dia de 24 horas são tantas oscilações de humor que fico me perguntando como aguento. Se bebê sorri, o coração parece que vai explodir de tanta alegria, se bebê chora, o mundo vai acabar. E é nessa intensidade, já perdi a conta de quantas vezes o mundo já acabou nestes 26 dias de mãe. A cada dia uma criança diferente, ai que saudade daquele bebezinho que eu trouxe pra casa há 23 dias atrás. Pode? Pois é, a bichinha cresceu dum tanto e já desenvolveu outros comportamentos, já não se parece mesmo com a RN que trouxemos pra casa. Está fofinha e super esperta, parece que já quer conversar. E chora quando é pra dormir e dorme quando é pra mamar, ai ai, haja coração. É tanta angustia: medo de não dar conta, medo de não mamar, medo de faltar nutrientes, medo do nenê se machucar, medo de dormir pesado e acontecer alguma coisa. Fora o cansaço. Mesmo com quatro, cinco horas dormidas sem interrupção, parece que não se dorme há meses. E aquela carinha linda te olhando, que mistura de sentimentos! E volto a dizer, quanta intensidade!
Ela olha, mexe os bracinhos e perninhas, faz caretas, como é expressiva! Dá vontade de ficar olhando o dia todo. E dorme feito um anjinho. Enquanto dorme também faz caras e bocas, sorri, chora, parece acordada, está sonhando.

E continua a intensidade... ver meu bebê crescendo, se expressando é a expressão da mais pura paz, do mais puro amor e fonte da maior empolgação. E por que tanto choro? Parece que é hormonal... acho que é parte da novidade e da responsabilidade de ter em mãos um serzinho totalmente dependente, frágil, totalmente seu e que precisa de toda a sua dedicação e carinho para sobreviver. Fala a verdade, é pra deixar qualquer uma flor da pele, não é?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Oito meses

Oito meses. É o tempo que faz que meu pai faleceu, completos hoje. No dia 05 de março tivemos alta da maternidade, eu e Luiza. Coincidentemente no mesmo dia que meu pai teve sua última alta, um ano antes, já curado da infecção hospitalar e acreditando que talvez curado do câncer também. Como tínhamos esperança.

Desta vez a esperança dorme, chora, mama, faz cocô, sorri, faz caretas. Ai que delicia.

Saí da maternidade bem, mas com uma preocupação: Luiza aprendeu a mamar a própria língua, o que dificultava a amamentação. Logo nos entendemos. Logo o leite diminuiu e veio a febre: minha cesariana infeccionou. O que poderia ser uma bobagem se agravou por conta de uma anemia séria, que apareceu com o parto, parece que sangrei alem da conta. Quatro dias de antibiótico e nada de melhora, ao contrário, a infecção só se espalhava pela parede abdominal. Ficou difícil não relembrar tudo o que passamos com meu pai. Tive medo de morrer. Não conseguia entender porque Deus colocaria esta riqueza em meus braços se não era pra eu cuidar. E o leite continuou pouco. De repente, no meio do desespero fizemos uma oração sincera e forte, pedindo a Deus que tivesse misericórdia, e desde então a infecção começou a ceder. Ainda não está 100%, mas nem se compara. Foi um grande susto, mas Deus, em sua infinita bondade, teve piedade de mim e me enviou a cura. Como curou meu pai daquela infecção. Não queria ficar comparando e como já disse em outro momento, ficar associando uma historia à outra, mas é difícil não fazer isso. Também não queria ficar perguntando por que, gostaria de apenas aceitar o que Deus tem traçado pra nossa vida, mas sou humana, e pecadora, não consigo não me desesperar. Não consigo aceitar e entregar minha vida a Deus e confiar simplesmente. Mas como eu quero aprender. Certa vez o pastor do Adriano me disse que se o fardo está pesado, não é de Deus, porque com Ele o fardo é leve, porque Ele divide o peso conosco. Não sei bem o que fazer, mas quero muito aprender a confiar assim em Deus. Olho pra trás e percebo quantos milagres Deus enviou para a vida de minha família e fico me perguntando que necessidade é essa de sempre estar no controle se não controlamos nada. Essa porção humana e pecadora é nossa perdição.
Mesmo agora, a vida não está perfeita como sonhamos, mas nossa casa está cheia de tesouros, ainda assim nos pegamos com medo do que não sabemos, do que não podemos prever.

Peço a Deus que me cure de vez, apenas isso, pois a saúde é nosso bem mais precioso, e aproveito aqui para louvar, bendizer e agradecer a Deus, que nos enviou o milagre Luiza, que é perfeita e cheia de saúde. Pra uma mãe é tudo o que importa. Estou quase 100%, tanto da infecção quanto da anemia e é por obra Dele, sozinha não conseguiria. Obrigada Pai, por não nos abandonar, por ouvir nossas preces e nos conceder mais este milagre. Peço-te que continue nos olhando e que aumente nossa fé. Nos ensine, Senhor a sermos bons filhos e nos ensine a nos parecer com Tua bondade. Sem Ti não somos e nem podemos nada.

Oito meses. E parece que foi ontem. Por obra de Deus Luiza torna tudo especial e faz tudo, absolutamente tudo, valer a pena. Faria tudo de novo apenas para protegê-la, para amá-la e para cuidar desta riqueza linda que Deus colocou em meus braços e tem me permitido cuidar.

domingo, 22 de março de 2009

Primeiro passeio de Luiza

Luiza está crescendo e ficando pesada, ai ai. Agora passa mais horas acordada e já quer conversar, está linda! Muitas histórias voltam à memória em cada momento com ela e surgem algumas comparações: com você foi assim, com você foi assado...

Ontem fizemos nosso primeiro passeio oficial: fomos ao aeroporto! Que chique! Vovô ficaria orgulhoso... O papai precisava trocar uma passagem e fomos junto com ele, eu, Luiza e vovó. Foi rápido, mas bem legal. Tiramos foto pra registrar o momento. Claro que não fomos ver os aviões decolando, Luiza ainda é muito pequena para isso, mas só de dar uma passada por lá já valeu.

Vovô adorava aviões e teria muito orgulho da neta que já andou de avião dentro da barriga da mamãe (com 7 meses de gravidez).

Lembro-me que quando criança, lá em Cambuí, quando passava um avião ou um helicóptero sobrevoando a cidade, a mesma parava pra ver. Lembro do dia que pousou um helicóptero no campo de futebol, nossa, que emoção, não lembro quantos anos eu tinha, mas lembro que foi demais. Se Luiza crescer em São Paulo tudo isso será para ela coisa comum. Moramos perto do aeroporto e avião é coisa que passa pela nossa cabeça o dia todo. E moramos próximo à sede de um banco famoso, então helicóptero quase bate no nosso prédio o dia todo também. Mas se mudarmos pro interior como estamos planejando, quem sabe essas coisas de cidade grande se tornem também para ela encantadoras.

Encanto mesmo é ver Luiza crescer. A cada dia uma nova criança, já sinto saudades do bebezinho que trouxe da maternidade, já ficou para trás. Agora tem um bebezão lindo, que mama que é uma delicia e que já esboça sorrisinhos, ameaça falar e nos olha quando a chamamos. Loucura? Talvez, afinal ela só tem 20 dias, mas para nosso coração de mãe, pai e avó babões nossa riqueza é uma esperteza só.

Esse momento é um momento delicado, de muitas emoções misturadas, provocadas pelo fim da própria gravidez, mas comigo a coisa anda ainda mais intensa e as lembranças de vovô e de tudo o que planejamos fazer e não deu tempo torna este momento único. Papai disse assim: quando vier o irmão ele vai ficar com ciume, porque Luiza teve quarto lindo, blog e etc. Pensei: vamos fazer tudo igual. Mas nunca vai ser igual, por mais que a gente compre tudo lindo de novo e eu até faça um blog também.

Pois bem, Luiza já está aqui. Vovô deve estar descansando em paz, sorridente olhando nossa riqueza que tem o seu queixo e toda a sua vivacidade, crescendo e enchendo nossa vida do mais puro amor. Ainda pasmo: existe amor assim? Sim.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Historias de Luiza para o vovô...

E Luiza chorou... o som do seu choro ressoa em meu coração a cada instante, meu coração agora bate no ritmo de seu choro doce, suave, forte.

Desde o primeiro momento, a cada instante uma novidade: Luiza já tem 17 dias e cada um deles foi vivido com o cheirinho do frescor de uma nova vida. Dentro de mim um misto de alegria e pavor: são tantas emoções diferentes que fica difícil lidar com todas elas, só tempo deve dar conta, se é que que é possível dar conta de tanto amor e tanta novidade.

Estou frustrada: queira estar fazendo um diário, anotando cada coisinha que Luiza faz, cada coisinha que acontece com Luiza, mas quando vejo o dia já acabou e me pego tão exausta sempre que prefiro dormir. E o tempo está passando. Luiza já não é mais aquele bebezinho pequenininho, já deixou de usar fraldas RN e algumas roupinhas que no começo pareciam um saco vestindo a menina já dão ares de que logo não servirão mais. E tudo isso muito rápido. Já sinto saudades de algumas carinhas e bocas de Luiza, tão expressiva, que já mudaram também. Todo dia a gente identifica nela alguma coisa de alguém: no geral é a cara do pai. Mas no detalhe ela tem o queixo do Anivio, o queixo da mamãe e isso foi um presente, porque é um queixinho lindo, cheio de charme. Agora somos eu, o Jonas (meu sobrinho) e a Luiza a herdar isso do vovô.

Sinto que meu blog agora tomará outro rumo: historias de Luiza para o vovô. Penso que se ele estivesse aqui conversaríamos muito e eu ligaria toda hora pra contar o que Luiza fez, o que aprendeu, o quanto cresceu. Como ele não está, tentarei, no pouco tempo que me resta entre mamadas, relatar aqui. Não consigo fazer o diário, mas penso que um compacto dos melhores momentos hei de conseguir. Pra começar, Luiza já está com 3.550kg e cresceu 3 cm, está com 52cm, pelo menos ontem estava assim, na consulta ao pediatra. Estamos tentando acertar as mamadas, ela dome muito, uma delícia, mas dificulta as mamadas,que tem que ser a cada duas horas e meia. E ela está dormindo a noite inteira, só a interrompo perto de amanhecer para trocar uma fralda e quem sabe mamar ainda que só um pouquinho. Com o tempo vamos chegando lá.

Seu umbigo caiu na segunda, no consultório da minha médica. Está guardado aguardando um tempinho pra enterra-lo no vaso de flor. Não sei o significado disso, mas minha mãe me contou que o meu foi enterrado pelo meu pai no alicerce de nossa casa. Já sei onde vou enterrar o da Luiza: no vaso da fortuna, que eu acho que é o que melhor combina com minha riqueza. Espero conseguir fazer isso hoje ainda.

Amamentar é a melhor coisa do mundo, ficamos tão juntinhas, e aquela carinha cheia de significado fica me enviando mensagens secretas que ´so meu coração é capaz de interpretar. Claro que ainda não sei tudo, mas ela está me ensinado o que é ser mãe. O que é ser mãe da Luiza, minha riqueza, única, perfeita, linda.

Agora vou ter que dar um tempo por aqui, hora de Luiza mamar. Depois eu volto...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Nasceu Luiza...

Ontem fui levar minha recém nascida Luiza,que já está com 9 dias, ao pediatra. Está tudo bem, cresceu, ganhou peso, coração de mamãe sorriu: acho que estou conseguindo ser boa mãe. Na volta passamos em volta do Hospital São Paulo com o objetivo de comprar um cesto de roupas, mas o vendedor não estava lá. Neste percurso comentei com meu marido que tenho saudades de lá, pode? Pode. Já tinha antes de meu pai . Por um momento muito importante de nossas vidas aquele lugar foi extensão de nossa casa. Quando nos despedimos ficou um vazio que era preenchido pela alegria de ver meu pai curado, mas com partida não ficou nada para colocar no lugar. Só consigo pensar como Deus é bom! Luiza está aqui, do meu lado, dormindo aquele soninho gostoso que só os bebês dormem, enquanto eu escrevo. Quanto amor meu Deus! Os dias tem sido tão intensos que não tá dando pra lembrar muito do meu paizinho. Duas noites atrás nossa riqueza decidiu que não queria dormir. Após umas horas de luta e umas mamadas, resolvi cantar uma musiquinha para niná-la. De repente me veio muito forte a lembrança de meu pai cantando para me embalar, ai como eu gostava... se fecho os olhos vejo nós dois na escadinha lá de casa, ele embalado nuns passinhos de dança cantando uma musiquinha inventada que lembro perfeitamente, mas não consigo reproduzir, e eu aninhada no seu braço, tranquila, ate´oa sono chegar. Não contive meu choro.

Luiza nasceu. É grande, gordinha, saudável, perfeita e linda, linda, uma princesa. O que mais pode querer uma mãe? Parece com o pai, mas tem um detalhe no queixo que é da mamãe e que também era do vovô. Ela carrega consigo tudo o que fomos e veio para dar esperança aos nossos corações e ao mundo. Pretensioso? toda vez que nasce uma criança é para mostrar ao mundo que há esperança e que pode ser melhor. O mundo já é melhor porque Luiza nasceu.

Não sabia que era possível amar assim. Aliás, até às 20:23 do dia 02/03 eu não sabia o que era amor puro e verdadeiro. Mas Luiza chorou. E de repente todo o resto deixou de ser, o mundo parou para Luiza chorar. E aquele som forte e agudo se tornou para meus ouvidos o som da mais doce melodia. Desculpem-me os grande mestres, mas meu bebê supera a mais bela canção já composta neste mundo.

Faltam-me palavras. Aliás, palavra alguma é capaz de descrever com precisão o que estou sentindo. E o quanto Luiza é bela. Panas consigo dizer que nasceu minha riqueza. E eu me tornei a mais rica e afortunada e abençoada das mulheres deste mundo...