quinta-feira, 10 de dezembro de 2009


Tenho andado sobressaltada. É tanto cansaço que quando me sobra algum tempo, saio daqui e fico viajando, viajando... Daí deixei derreter umas mamadeiras, queimei a papinha... conclusão: agora vivo assombrada. Hoje cheguei tão cansada do consultorio que almocei e dei uma deitadinha antes de buscar minha riqueza na escola, mãe também é filha de Deus, né. Cochilei e acordei desesperada achandoque tinha perdido o horario, como se fosse ainda de manhã e eu ainda não tivesse ido trabalhar. Nossa, que susto! E tem sido assim. Sento no computador e de repente me vem um desespero como se eu tivesse esquecido algo no fogo, vou olhar e não tem nada. Estou ficando muito parecida com minha mãe, ela é que quase põe fogo na casa toda semana desde que minhas lembranças se recordam. Sempre me gabei de ser atenta, cuidadosa, agora ando com a mão frouxa, tudo cai, e com a mente vagante, será efeito colateral de ser mãe? É, porque do meu bebê não descuido. Posso esquecer de colocar a fraudinha na bolsa, mas nunca de colocar a meia no pezinho. Ai, ai, tomara que isso passe. Meu pai ficava furioso com a distração da minha mãe e temo que isso pegue no meu marido, mas confesso, não sei bem o que fazer pra isso passar e ficar sobressaltada como estou não é nada bom. Quem gosta de viver assustado?

As boas noticias: minha mãe já retirou os pontos da cirurgia e está nova em folha, graças a Deus, mas um vento forte que passou e foi embora.

Domingo foi a festinha de fim de ano da Escola da Luiza, foi lindo demais. O tema era cinema e minha fofura dançou uma musica do filme 101 Dálmatas, vestida de cachorrinho, meu bichinho lindo! Lembrei que quando tinha oito anos ganhei uma medalha Honra ao Merito, por declamar a poesia do Saci no Show de Calouros promovido na minha escola, fiquei tão feliz e orgulhosa, embora por muito anos ainda fiquei sem saber o que aquela frase significa: Honra ao Mérito. Pra dizer bem a verdade eu nem li o que estava escrito, só me interessava o fato de ter ganhado e de ela ser dourada,uau, de ouro. Meu pai é que leu a bendita quando fui mostrar meu feito, ele também ficou muito orgulhoso. E hoje estou orgulhosa do meu bichinho, que chorou, chorou, mas que depois dançou, dançou, brincou, foi lindo!

Se todo o resto der errado, viver já valeu a pena só por ver essa fofura crescendo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Meu baú de memórias...

Quero passar minha vida escrevendo. Tenho um baú de memórias. Às vezes fico feliz, às vezes fico triste, aí abro meu baú e fico remexendo, lembrando de coisas boas e de coisas não tão boas, mas que sempre me ensinam outras coisas. Hoje estou tentando encontrar outro rumo pra minha vida. Muita coisa mudou e penso que quando uma porta se fecha em nossa vida é porque em alguma canto alguma janela se abriu, só não estou conseguindo encontra-la, por enquanto. Tenho me dedicado a cuidar da minha família e isso só já me toma muito tempo, tempo demais confesso, certas coisas deveriam se fazer sozinhas pois contribuem apenas para o nosso cansaço, mas chegar ao fim do dia e ver que sua família está feliz, que não falta nada também é muito bom, mas não é só. Ás vezes minha pequena dorme e eu, cansada das coisas do dia-a-dia, me permito deitar no sofá e sonhar. Aí abro meu baú e retiro de lá alguns sonhos antigos misturados com algumas lembranças e vislumbro um futuro próspero, farto, cheio de sucessos e relembro minha trajetória. Ainda sofro com momentos duros, difíceis e me alegro em ver que venci, que não foi só o tempo que passou, mas os obstáculos também e me vejo hoje pendurando quadros na parede da minha memória, apenas para não esquecer quem eu sou, de onde eu vim, aonde cheguei. E continuo remexendo meu baú e rindo de quanto fui boba muitas vezes, me orgulhando das vezes em que fui safa, das vezes em que driblei o adversário e venci, das vezes que não desisti diante do muro mais alto, mais intransponível, mas que hoje é só uma historia pra contar. E choro de saudade de alguns momentos que não voltam mais e de saudade das pessoas que amei e que já partiram. Enquanto escrevo a tarde cai e minha sala vai sendo envolvida por uma penumbra e essa luz faz meu coração se encher de nostalgia. Posso apertar o interruptor e acabar com este sentimento, posso fechar o meu baú e seguir adiante, mas é bom parar e lembrar. Quando penso no passado, enxergo o futuro e meu presente é assim. Não sei bem ao certo para onde estou caminhando, nem sei o que me espera, então cuido bem do meu baú, pois ele me acolhe e nele descanso enquanto reúno forças pra continuar, meu baú de memórias, o que fui, o que sou, o que ainda ouso sonhar. Tudo guardado num cantinho do meu coração ao alcance de minhas mãos, pronto para ser aberto e me fazer de novo sonhar...

Como tornar-se eterno...

Nossa, quero tanto fazer tanta coisa e meus dias se tornaram tão curtos depois que minha riqueza nasceu. Agora ela vai pra escola, o que me dá uma folga, mas uma folguinha, é tanta coisa por fazer...
Eu adoro escrever, desse jeito que escrevo aqui, mas até isso não tenho conseguido fazer, afe, que vida corrida!
Minha mãe retirou um nódulo da mama na segunda feira, foi bem simples, graças a Deus. Fui para lá para ficar com ela, mas que sufoco eu passei! Não dá pra fazer muita coisa com um bebê pra cuidar, às vezes eu sentia que mais atrapalhava que ajudava, então vim embora, minha mãe ficou bem e estava feliz de ter a neta por lá nesse momento complicado, mas que já passou. É engraçado, depois que o desespero da perda passa, quem já partiu ganha uma moldura e se torna um "quadro na parede da memória". O que nunca imaginei é que meu pai também se tornaria um quadro. É que, enquanto a gente não se conforma, a raiva, a indignação, a revolta deixa tudo muito próximo e muito vivo, mas o tempo trata de abrandar e a gente passa a lembrar de outra forma, mais doce, mas também mais distante. Já não choro mais como antes e nestes dias lá com minha mãe pensei que estar desesperada também o mantinha mais vivo. Dói um tanto ver minha Luiza sapequíssima e não ter ele babando em cima dela, mas a falta da revolta minimiza demais essa dor. Fiquei brava comigo, como posso me conformar? Não sei, só sei que é assim.

Lá no nosso quintal nasceu um pé de melancia, pode? A mangueira que foi cortada também foi meio assim, quer dizer, a mangueira foi plantada pra ver no que dava e deu muita manga por muito anos. A melancia não, nasceu sozinha, provavelmente oriunda de uns caroços que alguém cuspiu por lá. E já tem duas melanciazinhas crescendo, já estão do tamanho de uma bola, lindas. Neste exato momento estou me martirizando por não tê-las fotografado, mas quando as vi fiquei doida e pensei: meu pai ficaria maluco com essas belezinhas, cuidaria como se fossem um bebezinho frágil até que estivessem no ponto de comer. E meu irmão e minha mãe fizeram direitinho como ele faria, cercaram o quintal pro meu cachorro não destruir este milagre da natureza. Ainda bem que o Manchinha, meu cachorro nem foi pra lá desta vez.
Meu pai morreu. Meses depois a mangueira foi cortada e agora nasceu a melancia. Só posso concluir que a vida continua e continuou mesmo, já não sinto mais a necessidade de pedir ao mundo que pare de girar pra eu chorar. Dói uma dor sem fim pensar que ele já não está aqui pra ver isso e não está pra ver a Luiza mandar beijo, dar tchau, dançar com o celular na mão, fazer bico, fazer bilu bilu, ameaçar ficar em pé e uma porção de outras coisinhas fofinhas que ela aprende todo dia. E ela está crescendo, a melancia está crescendo, e penso que muitas outras coisas milagrosas vão nascer naquele pedacinho de terra fértil que tem lá em casa, mesmo ele não estando aqui pra ver. A terra do tomate misterioso veio de lá (já contei essa historia aqui - Todos os caminhos levam à Leonardo da Vinci). E nossa vida é uma terra fértil que tem o poder de fazer germinar uma porção de milagres que nos fazem felizes enquanto vivos, mas que um dia partem e se tornam quadros, ou ainda melhor, viram histórias pra contar, ora bonitas, ora engraçadas, ora tristes, historias, memórias. Muitas delas a gente nem lembra, mas um dia, uma frase dita por alguém ou algo visto as traz de volta para nossa consciência e nos faz reviver aquele momento e sermos felizes de novo, ainda que por apenas um segundo. Peço a Deus que muitas melancias nasçam no meu quintal e que Luiza cresça forte e saudável e seja protagonista de muitas historias de sucesso, assim quando ela fizer trinta e dois anos, como eu, quem sabe ela comece também a escrever sobre estas historias e mesmo que eu não esteja mais aqui (espero estar), nossa vida, ainda que em forma de quadro, ou relatada em algumas palavras, será eterna, nossa vida, nossa família, nossos amores...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Cidade Invisivel

Ontem fui renovar minha carteira de motorista que já estava vencida há um mês. Hoje fui buscar. Voltei feliz pra casa da mesma forma como me senti quando peguei minha primeira habilitação: estou habilitada a me aventurar por aí, again. Muito boa essa sensação. Fui ao Poupatempo Sé, que fica proximo à Praça da Sé e tanto hoje como ontem aproveitei para dar uma andadinha por lá. É uma praça tão bonita, fiquei pensando que seria legal passear com a Luiza por lá, pra tomar um solzinho, mas não dá. Muitos moradores de rua, muitos problemas sociais, drogas, pobreza. Por três anos trabalhei para uma Cooperativa de reciclagem de lixo e estive em contato com esse submundo, o invisivel mundo de quem vive à margem da sociedade. Enquanto andava pela lendária Praça da Sé, procurava pelo D., pelo E., pelo V., cooperados que conheci e que preferiram a rua a deixar de usar drogas. Triste, não? Fiquei me perguntando onde estão, como estão e me lembrei que a Sé não era bem o reduto frequentado por eles, cada um tem sua preferência. Aqui em São Paulo existe uma outra cidade, uma cidade invisivel, a dos moradores de rua, que só quem passa por isso, ou como eu, trabalha com estas pessoas, conhece. Dá pra dormir, tomar banho, comer, se tratar sem gastar nenhum tostão. É a máquina da desigualdade social, dirigida pelo governo e por ONGs, por pessoas movidas pela obrigação e outras motivadas pelo desejo de um mundo melhor, mas que não consegue garantir vida digna a todos. Na tentativa de minimizar este problema, oferecem abrigo por uma noite, comida, roupa limpa, banho, mas não casa, lar, refeições e trabalho.
Conheci pessoas de diversos tipos. Aquele que foi empresário e que perdeu tudo pela bebida, aquela que era freira, mas que foi acusada de promiscuidade e foi convidada a retirar-se do convento e sem ter para onde ir, foi pra rua. Aquele que saiu de longe buscando um sonho, mas que deparou-se com uma realidade bem diferente e, com vergonha de contar pra familia que falhou, foi ficando por aqui, de albergue em albergue, tentando, sonhando, desejando conquistar algo melhor. Aquele que fugiu da opressão do pai e tornou-se um andante. Aquele que surtou depois de perder a mãe e passou anos e anos vagando pelas ruas, aprontando arruaças, dando uma de chefe, de rei. Aquele que se habituou à liberdade de viver sem muros, sem paredes e que já não se adapta mais a uma vida igual a minha e de todos aqueles que vivem de acordo com as regras sociais, que paga impostos, que tem um teto.
É um outro mundo, mundo este que nos passa despercebido na maior parte do tempo. Às vezes nos lembramos dele nesta época do ano, época de Natal, de confraternização, amor e CARIDADE. Tem gente que faz sopão pra quem mora na rua, tem gente que doa roupas, comida e por aí vai, mas no resto do ano evitamos olhar, enxergar este outro mundo, este mundo invisível. Mas ele está aí e lá, na Praça da Sé, podemos entrar neste mundo ao menos um pouquinho. Penso que anos atrás este mundo era lá, mas andaram revitalizando os cartões postais de São Paulo e a Praça anda tão bonita e tão bem cuidada que espanta quem não tem para onde ir, mas não ao ponto de eliminar por completo, há aqueles que são fieis ao seu ponto, como a cracolandia, a Prefeitura vai lá e põe todo mundo pra fora, mas dois dias depois está todo mundo de volta. Nem todo mundo que vive nas ruas usa drogas, mas uma boa parte usa sim e contra ela, a droga, haja projeto social pra dar conta.
A coisa que mais me impressionou ao tomar contato com este outro mundo, é que boa parte daquelas pessoas, nasceram como eu, viveram como eu e, porque alguma coisa não saiu como se esperava, foi parar na rua. Eu pensava ao ouvir estas historias: podia ser eu ou podia ser um dos meus. Ninguem nasce na rua, sem pai nem mãe, as pessoas vão parar na rua. E quem está na rua não é necessariamente aquele que pede esmolas e coisa e tal, nem dá pra confundir o morador de rua com o morador de favela, são categorias muito diferentes. O morador de favela pertence a uma classe social menos favorecida, o morador das ruas pertence a todas e à nenhuma classe social. Vive num universo paralelo, onde não há taxas nem impostos, regido por regras proprias, contituindo um mundo invisivel e único. Não sei no resto do mundo, mas aqui em São Paulo é assim. Senti-me muito pequena ao pensar todas estas coisas enquanto caminhava para buscar minha CNH, minha permissão para usufruir de um luxo que poucos tem, enquanto muitos outros se apertam nos trens e ônibus e outros tantos andam, vagam, por aí, sem destino certo, sem rumo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sábio tempo...

Dizem que o tempo cura tudo. Por um tempo duvidei dessa frase, mas começo a acreditar que possa ser verdade. Já faz um ano e três meses que meu pai partiu. Por um longo período nutri um sentimento que ia da indignação à raiva, uma certeza de que nunca me conformaria, que sempre me perguntaria se era verdade mesmo, por que tão cedo, enfim... mas o tempo passou. Ano passado, nesta mesma data, dia das almas, não pude visitar meu pai no cemitério e foi um sofrimento horrível, parecia que eu o estava traindo. Desta vez também não fui, aliás me dei conta de que não tenho muita vontade de ir ao cemitério, não sofri. Ao contrário me dei conta que aquela raiva toda passou, meu coração está tranquilo, cheio de paz e amor, sobrou apenas a saudade, aquele sentimento que a gente tem porque já amou demais. Que bom! A vida tem sido generosa, me deu uma família linda e uma filhinha tão fofa, tão esperta, tão alegre, que manter sentimentos menos nobres não é bonito da minha parte, só posso sentir gratidão e alegria. A única coisa que ainda me entristece demais é que minha pequena é tão especial que seria o orgulho do vovô, estou certa de que ele curtiria muito a neta, sairia mostrando ela pra todo mundo, exibindo mesmo, até deixar a gente com vergonha, mas feliz por tanto orgulho e tanto amor. Ela seria o xodó dele e ele o xodó dela. Ele não a teve e ela não o terá. Fazer o quê.
Não tenho vontade de ir ao cemitério e é porque ele está aqui, dentro de mim. Nunca vou conseguir mostrar a Luiza sua grandiosidade, mas parte do que eu sou e do que eu sinto vem dele, assim, no meu colo mora um pouco do colo dele também, é o que eu posso fazer. E guardar estas historias para quando ela souber ler. Tomara que ela se emocione e reviva estes momentos pelos meus olhos, assim poderá sentir saudades do vovô que não conheceu, mas que já a amava antes mesmo dela nascer...
O tempo é sábio e abranda as feridas, mas não leva embora o amor que outrora sentimos. Suaviza nossa vida com a doce saudade e transforma a dor em historias pra contar, pra lembrar, pra sorrir de novo e de novo ser feliz. Sábio tempo...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não quero soluções, só reclamar

Ai ai, deixa eu reclamar um pouco, às vezes é isso o que a gente quer, não é? Neste fim de semana surtei. Fazia muito tempo que eu não tinha uma crise de mau humor que durasse tanto, mas é que às vezes a gente cansa! E eu fiquei cansada. Cansada de não dormir, cansada de lavar roupas, cansada da casa que nunca, nunca mesmo, está arrumada, por mais que eu arrume, cansada de esperar o que nunca vem, frustrada por constatar que não vai vir mesmo, cansada de não ter o meu dinheiro. Não que me falte alguma coisa, mas tem coisas que são fundamentais pra gente manter nossa auto estima. E quando vou reclamar, afe, seja quem for o ouvinte, sempre vem com soluções. Não as quero, só quero me queixar um pouco, dá pra ser? Falei com minha mãe a pouco pelo telefone e ela é a pior ouvinte de todos, aliás, ela não ouve. E dispara a reclamar também. É tão difícil assim parar um pouco pra ouvir o que o outro tem a dizer? Só ouvir e ponto. Parece impossível.
Aliás, ouvir é uma arte, consiste em despir-se de toda a sua vida para colocar-se inteiramente à disposição do outro, o falante, sem formular respostas enquanto ouve. Preste atenção, enquanto alguém te conta alguma coisa, você consegue não pensar em nada? Na maioria das vezes, antes mesmo do termino da primeira frase dita pelo falante, nós, ouvintes, já começamos a formular nossa fala. Às vezes até tentamos adivinhar o que o outro está dizendo antes dele dizer. Poucas vezes conseguimos ouvir mesmo, parar e escutar o que o falante está dizendo, sem julgamentos, sem se lembrar de algo que se passou com você, sem pensar em soluções, em respostas prontas, em atalhos para chegar ao fim do caminho que precisa ser trilhado por inteiro.
Na minha profissão sou obrigada a treinar esta escuta, a observar o fenômeno que se mostra, mas no dia a dia sou tão mau ouvinte como todo mundo que eu conheço. Às vezes consigo, mas aí fico sem muitas respostas e muitas vezes quem me fala quer realmente ouvir alguma coisa. Mas eu não, quando falo, só quero falar e pronto. É que esse exercício de falar é também o de ouvir a própria voz e enquanto falo e ouço, meu pensamento se organiza, minhas emoções se equilibram, encontro minhas respostas que na maioria das vezes, seja qual for o conflito, estão dentro de mim. Claro que falar sozinho não funciona, senão era só ficar falando, falando e pronto. A figura do ouvinte é fundamental nesse processo e, se todos nós aprendêssemos a ouvir e deixar o outro falar sem emitir opiniões até que o outro termine sua fala, acredito que boa parte dos conflitos e problemas se resolveriam com mais tranquilidade, a resposta quase sempre está dentro de nós.
Por isso clamo pelo direito de reclamar, falar, falar, falar até cansar, ou até ouvir minha própria voz, dá pra alguém me ajudar?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Redescobrindo a Lua

Sexta feira tive um dia daqueles. Trabalhei feito uma "condenada" pra deixar tudo pronto porque a gente ia viajar. Lá pelas tantas o marido liga dizendo que vai fazer hora extra para testar um equipamento. E eu com isso. Além de todas as tarefas, vamos passear com o cachorro. Peguei a Luiza uma hora mais tarde na escola e, como já não bastasse, ela resolveu fazer birra, a primeira, só queria colo, um sufoco! À noite, na estrada, eu enfastiada de tanto cansaço, queria reclamar. Aí o marido disse qualquer coisa que me fez calar. A certa altura ele me pergunta se eu vi a lua. A ha, e eu lá tenho tempo de ver lua? Pensei, só pensei. Estiquei-me pra ver se a via então, e de repente uma série de lembranças pipocaram meus pensamentos. Lembrei-me do tempo em que me dedicava a olhar a lua, grande, brilhante. Ficava admirando, vendo ela subir e tornar-se pequena, imaginando uma vida de sonhos, de amor. E foi assim por anos a fio, durante toda a minha adolescência. Pensei: não tenho saudade! Acho que porque vivi intensamente. Entreguei-me àquele sentimento da maneira mais sincera e fui feliz e triste olhando a lua. Passou. Hoje já não a olho como antes, de fato não dá tempo, mas a tenho bem guardada na lembrança de um tempo em que sonhava com tudo o que tenho em minha vida hoje.; Acho que de fato não preciso ter saudade. Também lembrei do dia em que meu pai me disse que pagaria a escola pré-vestibular pra mim, um dos dias mais felizes de minha vida. Eu costumava deitar no sofá e ficar ouvindo música com a luz apagada até adormecer, no inicio da noite. Neste dia, fazia o mesmo quando meu pai chegou e acendeu a luz. Fiquei irada, ele me acordou. Eu queria muito mudar de escola junto com minhas amigas, para estudar pro vestibular, mas nem tive coragem de pedir pro meu pai, ele não valorizava nada disso, porque me pagaria escola se eu podia estudar de graça? E, como ele insistiu em dizer muitas vezes: faculdade era pra gente inteligente... Aí prestei um vestibular qualquer, no final do segundo ano e passei, provei que merecia o investimento. Sem que eu pedisse ele me concedeu o que tanto desejava. Claro que era o inicio de uma longa caminhada e de muitas brigas e desconfiança de que realmente não era dinheiro jogado fora, mas isso é outra historia. Quase sinto novamente a euforia que me invadiu, precisei sair de casa, contar pra alguém, minha alegria não cabia em mim, estava transbordando... Não sei se era noite de lua cheia, não lembro, mas fazia calor e aquele ar gostoso me abraçava enquanto saltitava pela rua. Até me deu vontade de saltitar de novo.
Meu pai, na sua simplicidade, me ensinou a admirar as coisas da natureza, me ensinou a viver intensamente e a aproveitar o momento presente em sua plenitude. Se estou triste, sou triste. Se estou alegre, fico saltitante. Se estou brava, não mexe comigo. Uma emoção a cada momento, vivida intensamente, reunindo um montão de historias pra lembrar e contar.
Quanta coisa me rememorou aquela simples pergunta... espero que a Luiza também goste de olhar a lua e sonhar...

Hoje quando voltava pra casa depois de deixar a Luiza na escola, vi o moço das frutas e lembrei do meu pai e da jaca que nós compramos e que ele comeu com tanto gosto. Aquela barraca de frutas deixou para sempre de ser apenas uma simples barraca de frutas...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Amamento, logo existo.

É uma doideira, mas com a gravidez fiquei com problema de memória. Minhas amigas, mães recentes como eu, relatam o mesmo efeito colateral. Sendo assim, às vezes me vem uma coisa muito legal pra escrever, mas como nem sempre posso correr pro computador, a coisa legal escapa. Esqueço. Sempre gostei de ficar pensando, divagando pelas minhas fantasias e às fazia isso no banho, nas viagens de ônibus, depois de metrô. Teve um tempo em que eu não perdia a oportunidade de conversar com as pessoas, mas fui ficando cansada, porque diante de uma psicóloga as pessoas tem duas reações: ou se calam, ou contam seus problemas. Fui ficando cansada disso e passei a falar o mínimo possível, a evitar mesmo qualquer conversa de corredor, e passei a pensar, pensar. A vida muda tanto... tenho tido tão pouco tempo pra fazer qualquer coisa, mas ontem me dei conta que hoje, sem tempo para banhos longos, sem tantas viagens de metrô, onibus, penso enquanto amamento. No inicio, pra mãe de primeira viagem, amamentar é uma loucura, como dá trabalho! Mas com o tempo, quando o bebê já aprendeu como faz e não precisa mais de ajuda, a mãe se torna quase desnecessária nesta relação, salvo pelo fato de que sem ela não há peito, ufa, que bom. Amamentar é muito gostoso. Mas se torna um tempo vago, que não se pode fazer mais nada, apenas estar ali. Tem mãe que lê, tem mãe que assiste tv, eu penso. E meu pensamento voa, voa, e me dá vontade de correr pra cá pra escrever sobre todas as ideias que me ocorrem, mas... que pena que a memoria hoje me trai, rouba minhas ideias e as esconde no fundo do seu baú, no qual quase não tenho acesso.
A Luiza resolveu que não quer dormir, acorda a cada hora faminta, às vezes penso que ela está passando fome durante o dia por isso quer compensar à noite, mas penso também que ela pode estar sentindo minha falta, já que não ficamos mais o dia todo juntas, daí a saída: mamar a noite toda. Estou estranhando muito e ficando exausta, nunca foi assim, confesso que não sei o que fazer. Li um livro que manda deixar chorar até se acalmar sozinha, mas não consigo. E quando tento ela vai ficando cada vez mais desesperada, alguém tem uma dica? Aí, minhas madrugadas que já eram de sono tranquilo, estão se tornando madrugadas pensantes, que mais me resta fazer? Por um lado fico toda inflada por perceber o quanto sou importante pra minha riqueza, por outro, tenha dó, mães são mesmo escravas da tirania dos filhos. Hoje ela completa 7 meses e já reina no ambiente, como é difícil impor limites, e olha que eu sou bem brava, não admito certas coisas, ainda assim, você acaba fazendo concessões para a criança comer, para você dormir um pouco mais e, adeus limites.
Então fica assim, enquanto resolvo meu conflito entre ser dura para impor limites (às vezes a gente tem que deixar o filho passar fome pra ele pegar a mamadeira) e ceder ao meu coração mole de mãe, vou ficando acordada, amamentando minha riqueza que já nem precisa mais de tanto leite, e pensando, pensando, pensando...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As coisas simples da vida...

Ontem fui ao mercado fazer as compras da casa. Ao chegar lá, estacionei o carro e saí, deixando a chave no contato. Só percebi quando fui trancar e não tinha como, fiz compras rindo sozinha, acho que perdi o hábito. Não fazia compras sozinha sei lá desde quando. No final da gravidez já não carregava sacolas mais e depois que a Luiza nasceu passei um bom tempo sem saber o que é isso. Teve um tempo que eu adorava fazer compras e um tempo que eu odiava. Neste ultimo faltava verba, ninguém merece ter que somar centavos pra ver se o dinheiro dá. Achava tão difícil sair sozinha com a Luiza no começo que só fazia isso em caso de urgência ou para a ida ao pediatra, então ir ao mercado passou a ser meu objeto de desejo. Hoje voltei lá pra comprar o que esqueci ontem e fiquei conversando com um senhor aposentado na fila sobre as promoções dos mercados e o quanto a vida está cara, o tempo passou rápido e nem senti a fila. Lembrei-me do tempo em que eu fazia amizade até no ponto de ônibus, tempo em que eu ambicionava me tornar uma psicóloga e ficava aprendendo sobre as pessoas por aí, bons tempos, de muita disposição para o aprendizado, quase nenhum dinheiro e poucas contas para pagar, poucas responsabilidades. Não tenho nenhuma saudade. A vida era mais leve, mas as preocupações eram tão mais pesadas... qualquer bobagem era motivo de extremo sofrimento, próprio da idade, do tempo de ser adolescente ou adulto jovem. O senhor da fila me disse que passa a semana andando atrás das promoções, que não paga passagem de ônibus e que acaba economizando um bom dinheiro. Aí acrescentei que ele estava certo, pois além disso evitava ficar em casa adoecendo, pois é isso o que acontece com quem pára e não coloca nada no lugar. Mas fiquei pensando no que diz a minha querida Yolanda Forghieri, que envelhecer é tornar-se livre de fato, é poder ler aquele livro que se abandonou por falta de tempo, tirar um cochilo no meio da tarde, dormir assistindo a novela das sete e acordar na novela das oito e pensar: nossa, mas mudou a novela? E não sentir culpa alguma. Penso que deve ser bom. Ou ficar por aí buscando as promoções. Penso que uma das grandes satisfações da vida é a sensação de ter feito um bom negócio, como dá prazer! Enquanto não chego lá, fico aqui com as minhas inúmeras obrigações de mãe, esposa, dona da casa e quem sabe profissional, sem tempo para as promoções, mas feliz, por gastar tempo com preocupações reais, por rir das bobagens da vida e ainda com energia para perceber as coisas simples e aprender com elas...

Esse post ofereço para minha querida Pilé, que acha que está envelhecendo, mas que tem o mais jovem dos corações...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Primeira febre e recado pra Mamãe Coragem.

Na madrugada da sexta para o sábado Luiza teve sua primeira febre. Enlouqueci. Fiquei me sentindo muito culpada porque agora ela vai pra escola, come papinhas e eu já posso mais protegê-la com meus anticorpos como antes. Mas como disse meu marido, ela tem que crescer. É engraçado como tenho visto todas as minhas teorias caírem por terra desde que Luiza nasceu, na prática a coisa é outra. Deus me deu uma filha perfeita, não teve cólicas, não troca o dia pela noite, mama com vontade, cresce numa proporção fenomenal, tem quase sete meses com tamanho de um ano, quem não quer um bebê assim? Dei-me conta que com todas estas dádivas tenho dificuldade em lidar com o que sai do normal, da rotina. Há alguns dias ela decidiu que não queria dormir, ficava acordando de hora em hora e eu fiquei podre. Li um livro que ensinava a fazer dormir, tinha que deixar o bebê chorar até se acalmar sozinho, percebi que com minha riqueza não funciona, ela fica desesperada e aí que a coisa desanda. Ela voltou a dormir, acordando apenas pra mamar, como sempre fez. Aqui é que eu preciso mudar, ensiná-la que ela não precisa comer de madrugada. Com a febre revivi dois momentos muito difíceis da minha vida: a doença de meu pai e a minha própria doença. Por mais que eu olhasse pra ela e visse uma criança super esperta, não fosse o termômetro nem diria que estava com febre, meu coração estava em pânico, que medo de perdê-la. Nem sabia que estava tão traumatizada. E quando fico apavorada fico também impaciente, o que é muito ruim, quero que as coisas se resolvam assim, num estalar de dedos, e não é assim, . Passou, Luiza já está boa de novo, foi uma bobagem, graças a Deus, e agora faço essa reflexão, tenho muito o que aprender. Às vezes penso que não vou deixar minha riqueza crescer, sair da barra da minha saia, e eu nem uso saia, mas me esforço para não ser tão neurótica, filhos são do mundo.

Mamãe coragem, que segue meu blog disse que prefere babá à creche, sabe que eu começando a achar que eu também? Mas aqui em São Paulo é tudo tão grande, imprevisto, assustador às vezes. Estamos aqui apenas eu e meu marido, não temos família por perto. Fizemos muitos amigos nestes anos aqui, mas quando o bicho pega mesmo somos só eu e ele e por um tempo era apenas eu. Sugeriram-me trazer alguém da minha terra pra cuidar da Luiza, mas eu moro numa caixinha de fósforo, onde iria acomodar alguém? Mesmo com meu coraçaõ partido ainda acho que a escola é a melhor opção. São só 5 crianças pra duas tias, sei que ela é bem cuidada lá, eu é que estou mal cuidada aqui, longe dela.
Mamãe coragem, admiro você e estou rezando pra que sua Duda seja luz na sua vida, assim como a Luiza é na minha.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hora de ir pra escola, a vida tem que continuar...

Ando meio sem inspiração pra escrever, preguiça talvez. Minha riqueza agora vai pra escola e eu estou tentando me acostumar com esta ideia. Não entra na minha cabeça que uma mãe tem que se separar de sua cria tão cedo! Acabou minha pausa para ser mãe. Luiza já tem quase sete meses, foi pra escola com seis meses e meio, já são duas semanas e ainda não me acostumei. Embora isso me dê certa liberdade, o vazio deixado pela ausência dela toma conta da minha indignação e eu fico inconformada. Ela parece adorar, fica lá numa boa, brinca a valer e volta pra casa exausta. Se ela andasse diria que correu o dia todo, mas é quase isso, ela brinca muito, como disse a tia dia desses. E eu fico bicuda, pensando que estou perdendo esta parte.
Meus pais sempre trabalharam, mas em casa. Então sempre os tive ao alcance das mãos, estavam lá quando precisava, quando sentia saudades. Talvez por isso meu coração relute tanto em aceitar o inevitável: Luiza está crescendo! Ela já almoça, janta, faz lanchinhos, interage com o cachorro, com as pessoas e já não precisa tanto de mim. Penso que devo retomar minhas coisas, meu trabalho, me vejo hoje na pele de minhas pacientes e fico me repetindo o que dizia a elas, que mulher dentro de casa não tem valor, que precisa trabalhar, fazer o que gosta, pois filho cresce e um dia vai embora. Só não sabia que isso acontecia tão cedo. Não que Luiza esteja se despedindo de mim, mas já não é mais aquele bebezinho frágil, que depende de mim pra tudo. Mesmo ainda tão pequena ela já tem seus interesses que vão além do peito e do meu aconchego. É maravilhoso vê-la crescer, mas penso que ficaria mais fácil se ela estivesse sempre em casa, com uma babá talvez, ao alcance de minhas mãos.
Você deve estar se perguntando porque não contratei uma ao invés de enviar Luiza pra escola. Minha razão me diz que escolas são mais seguras quando não se pode estar perto, estou ensaiando voltar a trabalhar, e que numa escola ela vai estar com outras crianças, o que é um grande estímulo, esse convívio vai ajudá-la a se desenvolver, a se socializar. Acredito que nunca vou ver Luiza chorar no primeiro dia de aula, com medo, afinal estar com outras pessoas já faz parte da vidinha dela. Minha queixa é que escola tem regras, não posso ir lá matar a saudade quando ela aperta nem posso ficar escondida observando ela brincar com os novos amiguinhos. Minha relação com a escola se resume a deixá-la na porta, pegá-la na porta e pagar. Dentro daquele espaço, depois da primeira semana mães se tornam personas non gratas. Vejo muitas vantagens na escolha que fiz, mas meu coração teima em não ficar tranquilo, muita saudade. Quando a deixo lá e o portão se fecha, parece que o mundo vai acabar. Conto os minutos pra pegá-la de volta. E quando a reencontro, parece que vou explodir de tanta saudade e tanta vontade de apertar, abraçar, beijar... Ai ai, ser mãe é muito difícil! Dói demais, uma dor sem fim. O amor dói. E a vida tem que seguir, não é? Acredito que quando estiver trabalhando esse sentimento se amenize, mas acho que sempre vou achar um absurdo uma mãe que se separa de sua cria tão cedo. Licença maternidade deveria durar uns dois anos, e remunerada, porque ninguém merece ficar sem seus dividendos.

domingo, 30 de agosto de 2009

Papai está de volta!

Depois de um ano, oito meses e vinte e cinco dias (foi ele quem contou), nosso homem da casa está de volta ao nosso convívio. Marido e papai agora vai trabalhar perto de casa e virá jantar todos os dias, a partir de amanhã. Hoje é o nosso primeiro domingo sem aquele "vudum", aquela sensação de que o dia está passando e acabando e logo ele vai ter que ir embora de novo. Foram momentos de muita saudade. Aconteceu tanta coisa...
Na tentativa de sentir-se mais realizado no âmbito profissional, meu marido, meu alicerce, foi trabalhar no Rio de Janeiro. Era só por 11 meses, enquanto durava um tal curso. Nesse tempo meu pai, que já estava doente, fez cirurgia, curou-se e faleceu. Aí os 11 meses viraram um ano e depois viraram pra sempre. Nesse tempo fiquei grávida, minha riqueza nasceu e meu marido, papai da Luiza, no auge de sua teimosia, decidiu que voltaria pra casa de qualquer maneira. Passamos por momentos de muita angústia por conta desta teimosia, mas Deus deve er se enchido de nós e resolveu nos atender, acabou nosso martírio, estamos juntos de novo. Perdi a conta de quantas vezes pedi isso a Ele, nem me importava de me mudar de São Paulo, tudo bem, desde que estivéssemos juntos. Mas cá estamos, eu, papai e Luiza, na nossa casa, como sempre sonhamos. Agora só falta buscar o Manchinha de volta pra família estar completa.
Neste exato momento olho para baixo e vejo o Paraíso: Luiza brincando. Papai foi à padaria. Existe felicidade maior do que café da manhã quase na hora do almoço num domingo de sol, junto das pessoas que amamos?

sábado, 22 de agosto de 2009

Enfim a idade de Cristo

Aqui perto de casa mora um sabiá. Nunca o vi, mas ele canta todos os dias anunciando a chegada de um novo dia. É por volta das cinco da manhã que a cantoria começa e toda vez que estou acordada amamentando minha riqueza e o ouço, lembro de outro sabiá, na verdade uma sabiá, que anos atrás morava lá mangueira de casa. Essa sim me acordava todos os dias em que eu estava lá e eu tinha vontade de jogar meu sapato nela pra ela parar de cantar. E cinco horas da manhã é hora de acordar! Uma vez a sabiá botou dois ovinhos que nasceram dois sabiazinhos, um mimo. Aí os bichinhos estavam tentando voar, mas caíram do ninho e não conseguiram mais voltar, a mangueira era muito alta. O gato da vizinha comeu um deles e o outro meu irmão defendeu (quase que) com sua própria vida, como se fosse sua cria, mas num piscar de olhos , o gato nhoc, comeu também. Ele ficou tão fulo da vida que decidiu matar o gato, mas meu pai falou: na natureza é assim. E ele recuperou o juízo e o gato continuou vivo.
No ultimo domingo, dia 16, foi meu aniversário. Fiquei triste porque pelo terceiro ano seguido não ia poder fazer festa. O primeiro meu pai fez sua primeira cirurgia e eu fiquei o dia todo no hospital. Cada vez que alguém me ligava eu tinha vontade de dizer: parabéns por que? Não era meu aniversário, eu não sentia assim. Lá pelas dez e tanto da noite é que eu me senti aniversariando, mas aí já estava acabando. Meu presente é que a cirurgia foi super bem e meu paizinho estava ótimo. No segundo meu pai havia falecido a menos de um mês, não tinha clima. Fomos ao piano bar do Terraço Itália, o que fez minha dor ser ainda maior, meu pai teria amado aquela vista, mas não tive tempo de levá-lo lá. Meu presente foi saber que o bebê que eu esperava tinha 80% de chance de ser uma menina, minha bonequinha, uma festa! E esse ano não teve festa por causa da gripe suína, a situação não está para aglomerações, estou defendendo minha riqueza. Meu dia começou triste, eu com aquele bico. Acho que por ser domingo muita, mas muita gente mesmo me ligou. Brincamos no chão, passeamos na praça, minha amiga Emilene veio nos visitar, nos divertimos a beça e meu presente foi uma família linda, reunida num domingo de sol lindo e com o sorriso de um bebezinho a iluminar tudo, a encantar meu coração. No fim do dia, quando faltava somente alguns minutos pro meu aniversário acabar fiz um balanço, enquanto minha riqueza mamava: foi o melhor aniversário da minha vida! Sem dúvida alguma. Posso nunca mais fazer uma festa, quem me conhece sabe o quanto eu adoro comemorar meu aniversário e a importância disso pra mim, mas... posso nunca mais fazer uma festa, se minha riqueza e seu papai estiverem comigo, minha vida é a festa e aquele sorriso lindo preenche o lugar de todos os convidados, de todos os presentes, do bolo, da vela, de tudo. Sinto que com a Luiza a festa sempre vai ser garantida. Acho que enfim descobri o que é ser feliz de verdade!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Dia dos pais

Hoje de manhã uma amiga nos telefonou convidando para almoçar com sua família no domingo, almoço de dia dos pais. Disse que o pai do meu marido está no interior e o meu já não está aqui, por isso deveríamos ir compartilhar este momento com sua família. Achei gentil, mas confesso que até àquele momento não tinha me dado conta de que o dia dos pais está chegando, mesmo me dedicando a escolher com cuidado o presente do pai da minha filha. Acho que é porque meu pai de fato não está aqui.Já é o segundo ano. Ano passado ele tinha acabado de partir. Comprei um presente pro meu marido, já estava grávida, então ele já era pai, mas passei o dia todo sem sequer lembrar que dia era. Minha mãe, irmã e sobrinhos estavam aqui, o dia passou que nem vi, e nem teria sentido a falta não fosse o e-mail da minha querida amiga Lu, que se lembrou por mim. Li já era tarde, aí me doeu muito, meu pai já não está aqui. Ela me consolou com sua lembrança. Nosso ultimo dia dos pais juntos, em 2007, fui almoçar com ele por temer ser o ultimo, mal sabia eu que era mesmo, ainda bem que fui. Passei anos da minha vida longe neste dia. Nos anos de faculdade era muito perto da férias, não dava pra ficar viajando tanto assim. Depois fiz uma pós de 2 anos de duração que era sempre no segundo fim de semana de cada mês. Nem lembro direito dos dias dos pais que passei com ele na minha vida. Meu pai era um chato, dizia que era tudo comercio, e é mesmo, aí ficava meio sem graça comemorar. Mas no fim da vida ele amoleceu, talvez pela proximidade da morte, e no nosso ultimo dia dos pais juntos nos abraçamos da maneira mais gostosa que existe, como jamais nos havíamos abraçado antes. Saudade, muita saudade.

Já faz um ano e alguns dias e sinto como se o tempo tivesse voltado. Começo a reviver tudo o que aconteceu um ano atrás e me lembro que lhe neguei seu ultimo pedido, como me arrependo. Quando cheguei no hospital e encontrei minha família que acabara de chegar de Minas ele me pediu que o trouxesse até minha casa pra ele dormir um pouco, pois estava morto de sono. Por um momento pensei em atendê-lo, mas tive medo, medo de trazê-lo e ele começar a passar mal, afinal ele já estava no hospital esperando ser atendido. Falei pra ele que era melhor ficar, que logo ele seria atendido e eu o levaria embora de vez, sem precisar voltar. Por que eu não ouvi meu coração. Algum tempo depois, uma hora, uma hora e meia depois a dor forte voltou e eu disse a ele: tá vendo pai, se a gente fosse embora teria sido pior, agora o senhor está com dor de novo. Ele concordou. Acho que nunca vou me perdoar por não ter atendido seu ultimo pedido, por ter sido covarde. Acho que ele não dormiu mais, o sono dos vivos, este que a gente dorme todas as noites. Foi sua ultima noite, de dor, sofrimento, a dor da morte. Acredito que no sofrimento a gente se purifica e penso que seu sofrimento na hora de sua morte foi o fogo necessário para que sua alma fosse purificada e para que sua vontade aceitasse que sua hora havia chegado. Mas dói uma dor sem fim lembrar do seu sofrimento, parece que está acontecendo agora. Meu desejo é apagar todas as lembranças tristes e deixar apenas as boas, dos tempos bons que não voltam mais. Alguém sabe uma receita?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um ano

Era quarta feira. O dia começou o sol ainda nem tinha nascido. Aliás, era continuação do dia anterior que não tinha acabado. Tinha chegado em casa por volta das duas da manhã, minha mãe, de tão exausta, deitou como estava e dormiu. Meu cachorro, num acesso de saudade de nós, rasgou um saco de carvão e ficou todo pretinho. Limpei a bagunça, talvez tenha comido alguma coisa, não lembro, e fui deitar. Já na cama pensei: meu Deus, será que vai começar tudo de novo? Será que eu vou passar minha gravidez no hospital? Adormeci. Acordei. Já estava saindo quando minha mãe acordou e pediu que eu a esperasse, mas que estava com muita dor de cabeça. Falei pra ela ficar e descansar mais um pouco, pois nosso dia seria longo. E foi. Só terminou no outro dia, depois que voltamos do cemitério. Hoje faz um ano que meu pai partiu. Passei o dia sendo assombrada por estas lembranças e tentando espantar todas elas, pra que lembrar dos momentos de dor? Cada vez que olhava no relógio pensava: há um ano acontecia isso. Parece que foi ontem, que foi hoje, quase não acredito que já faz um ano.
Meu pai era uma pessoa muito generosa, foi generoso até na sua morte. Nos poupou de passar anos a fio frequentando hospitais, salas de quimioterapia. Não entra na nossa cabeça essa morte repentina, ele saiu curado do hospital, do câncer e da infecção hospitalar. Passeou quatro meses e meio de bicicleta como sempre fazia, tomou sua pinguinha antes do almoço, foi feliz e de repente: bum, morreu. Difícil de aceitar, acho que nunca vou conseguir.

A vida segue, dói demais, mas ela segue. Muito outros aniversários ainda virão, se Deus quiser, pretendo viver muito pra ver minha riqueza crescer, mas vou continuar sem entender direito, sem aceitar que ele não vai mais entrar pela porta da cozinha, nem vai mais descansar no seu cantinho do sofá, nem vai levar Luiza pra jogar pedrinhas no rio...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Relógio de sol

Mês de junho já se foi, mês das festas e dos santos. Hoje Luiza faz 4 meses e eu acordei com a seguinte lembrança: os dias vão ficando mais longos daqui em diante. Meu pai fazia todo ano um relógio de sol para acompanhar as estações do ano. No fundo da oficina dele tem um cantinho que não é coberto, onde as peças dos carros são lavadas. Neste lugar ele costumava acompanhar o movimento do sol e fazia marquinhas no chão, acompanhando a chegada e a despedida do inverno. Todo ano era assim. (Meu pai detestava o frio). Ele contava que os dias iam diminuindo de tamanho até São João (dia 24 de junho), permaneciam iguais até São Pedro e iam esticando novamente de tamanho até chegar a primavera. Meu pai era um gênio, não? Que saudade...
Luiza hoje faz 4 meses, está linda, grandona, fofa. Cada dia mais esperta, com um repertório de coisas fofinhas que ela faz e que aumenta a cada dia. Fiquei pensando: não vou saber ensinar à Luiza fazer o relógio de sol, não vou saber explicar pra ela e ela vai ficar sem saber acompanhar este movimento do espaço chamado tempo. Todo ano é igual, embora diferente e Luiza vai ficar sem a magia deste olhar porque eu não vou saber fazer igual, meu pai era único. Vovô era único e dói dentro de mim ela não ter.
Semana passada sonhei com ele duas vezes. Na primeira eu o encontrei e segurei sua mão, tão quente como me lembro que era, e senti sua presença. Na segunda eu estava contando a ele as peripécias de Luiza e ele sorria. Não me conformo, não vou me conformar, o tempo só faz aumentar minha saudade e minha indignação: então quer dizer que ele não vai voltar mesmo! Ai, ai... já vai fazer um ano. Parece que foi ontem... parece que já faz décadas... que saudade!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Aniversario de casamento

Domingo foi nosso aniversário de casamento, seis anos. E que aniversário! Nos outros cinco saímos pra jantar, mas nesse, sair como? Não dá pra ter jantar romântico com o bebê nem dá deixar o bebê com a vovó porque ela ainda é muito pequena. O jeito foi comemorar em casa mesmo. Marido foi pra cozinha e preparou uma comida deliciosa. Foi almoço ao invés de jantar. Brindamos com um espumante, só um pouquinho, pois pode passar pro leite. Totalmente diferente dos outros aniversários, principalmente o ultimo que foi em grande estilo, com jantar especial no Terraço Itália e com direito a esticadinha em um M luminoso (vi essa expressão na TV e achei engraçada). Já estava grávida, mas ainda não sabia, que perigo, bebemos muito vinho, mas Deus protege quem está desavisado. Totalmente diferente, mas com certeza este foi o melhor aniversário de casamento que tivemos. Nosso presente estava ali, na nossa frente, conversando, brincando, reclamando, nos encantando. A vida se torna mais doce, mais bela quando se tem um filho. E nós, pais, ficamos ricos, muito ricos, então esse aniversario de casamento foi o mais farto também, pois estamos milionários. Um brinde à esta família linda que estamos construindo, que continua a saga de muita gente que veio antes, que propaga todo o conhecimento de gerações e que tem o objetivo de levar adiante todo o bem que vem sendo plantado em nossos corações e todo o amor que cresce, cresce, cresce...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Aprendendo a dirigir.

Sempre quis aprender a dirigir, sempre tive loucura por carros, meu esporte preferido sempre foi a Formula 1, fui fãzézima do Senna e morri de chorar quando ele morreu.
Quando fiz 18 anos pedi ao meu pai pra tirar carteira de motorista e ele disse que eu era muito nova pra isso. Como não trabalhava, não tinha dinheiro, não tirei. Quando entrei na auto escola e cheguei em casa contando, meu pai me perguntou indignado se eu ainda não dirigia, ai que vontade de xingar que me deu, culpa dele, pensei, só pensei.
Quando entrei na faculdade meio que abandonei essa paixão por carros, detalhe: adoro Formula 1 sempre sonhei em dirigir um daqueles carros, a 200, 300km por hora, que delícia, sempre adorei velocidade. Mas minhas prioridades eram outras naquela época. E se tornaram outras quando me formei e foi sendo assim até que um dia tomei a decisão, a esta altura já estava com 28 anos. Aos poucos minha paixão por carros foi dando lugar a outras paixões que encontrei pelo caminho e fui perdendo minha familiaridade com eles, os carros, hoje sou uma mulher como outra qualquer, mas ainda sou capaz de perceber um barulho estranho no motor, habilidade adquirida na oficina do meu pai e sob sua orientação, nos anos em que ficava lá com ele o dia inteiro. Quanta saudade!
Então, com 28 anos enfim fui aprender a dirigir e de cara descobri que não seria assim tão simples. Quanto mais velho a gente fica, mais prudente, com mais medo. No primeiro dia de aula já saí dirigindo, uau, que máximo, não fosse a tempestade que caiu durante a aula. E o louco do professor me manda ir pra Avenida Indianópolis debaixo daquele temporal. Era tanta tensão que passei uma semana dolorida nos ombros e nos braços. E nos olhos, já que não enxergava nada com aquela chuva. Passadas as aulas, dia do exame, reprovei. Nem deu tempo de entender direito o que aconteceu e aquele monstro disse: pode seguir, você já reprovou. Ai, como doeu. Doeu tanto que por um bom tempo não quis nem saber de carro, dei-me por vencida. Passados uns meses, quase um ano, pensei que se não retomasse logo o processo ia acabar tendo que fazer tudo de novo, exame médico, prova escrita... troquei de instrutor e vamos lá de novo. No dia do exame estava tão nervosa que tive um piriri. Três vezes no banheiro antes de sair de casa e uma quarta na auto-escola. Aliás, quando enfim consegui chegar na auto-escola parecia um pesadelo, as mesmas meninas que reprovaram comigo no primeiro exame estavam lá, não sei como não voltei pra trás. E tinha uma fulaninha que falava pelos cotovelos, rezei pra ela ir pro local do exame no outro carro, mas ela foi comigo, era um pesadelo! Por Deus fui a primeira a fazer o exame, porque não tem coisa pior do que ver a galera saindo do carro triste, dizendo que reprovou. Chegando lá o mesmo delegado da outra vez, mas também por Deus ele estava colhendo assinaturas, quem fez meu exame foi uma mulher, não lembro o nome dela, mas lembro do seu rosto e rezo sempre pra que Deus a abençoe. Começa o exame, vamos bem até certa altura. Entra na baliza uma, duas vezes. Terceira e ultima chance. Pedi à delegada que me desse um tempinho e comecei a falar comigo em voz alta. É uma forma de organizar o pensamento. Depois comecei a rezar também em voz alta e fui embora. Ufa, consegui. Continuei o percurso, tive um errinho básico e no final da prova nem tinha coragem de olhar pro lado pra saber se tinha passado, até que de canto de olho vi um A. tomei coragem e perguntei: passei? Passou. Quase comecei a pular ali mesmo, era bom demais. O primeiro desafio estava vencido, sim, porque ter habilitação nem de longe significa dirigir.
Cheguei em Cambuí dirigindo e o povo perguntou se eu tinha comprado a carta, eu mereço isso?
Primeira vez que peguei o carro: semana entre o Natal e o Ano Novo, normalmente São Paulo está vazia e lá vamos nós até o Tietê buscar minha irmã e sobrinhos que vinham de Minas. Era tanto carro na Vinte e Três de Maio que em certa hora tive vontade de abandonar o meu ali mesmo e sair correndo e gritando. Que trauma! Pra piorar, o lado tirano de meu maridinho resolveu aflorar e ele me dava uma bronca atrás da outra, jurei nunca mais dirigir. Até tentei outro dia num percurso mais modesto, mas a briga foi tão feia que desisti mesmo. E foi assim por um mês. Depois de um dia muito infeliz no meu trabalho em Mogi das Cruzes, enquanto pensava na vida no percurso de 2 horas de trem até em casa, me veio o seguinte pensamento: eu e os filhos que desejava ter andando de trem, de ônibus, levando criança doente ao médico. Lembrei que essa sempre foi minha grande motivação pra superar meus medos e aprender a dirigir. Meu pai nunca teve carro, mas eu nunca andei de ônibus, ele sempre dava um jeito de conseguir um emprestado quando precisava ir ao médico. Foi o que bastou, tomei coragem e comecei a sair sozinha, sem marido do lado, porque homem acha que carro é pra macho. Até hoje, quase 5 anos depois, quando estou com meu marido, ele dirige, melhor assim, cada um no seu quadrado.
A primeira consulta do meu pai no oncologista aqui em São Paulo deixei o carro morrer na saída da garagem. Pra que, ele me crucificou dizendo que eu estava estragando a embreagem da quantum (na época eu tinha uma, ô carro ruim). Ah, desta vez eu xinguei, mas o fato é que eu estava tensa com ele ao lado, como eu disse lá atrás, homem acha que carro...
Foram tantas idas e vindas que com o tempo ele reconheceu que, apesar de sua não ajuda, me tornei uma boa motorista. Como ele dizia, virava São Paulo de cabeça pra baixo (pra gente do interior dirigir aqui é coisa do outro mundo) e parecia um peixinho. E o peixinho fez diferença na hora em que ele precisou. E também fez diferença pra mim sua doença, me vi fazendo coisas que jamais imaginei ter coragem, por exemplo, baliza com uma fila de carros buzinando atrás. Acredito que as coisas não são por acaso. Pensar na Luiza que eu queria ter me ajudou a cuidar do meu pai quando ele mais precisou e tudo isso foi e tem sido vivido por mim com muito amor e intensidade. Hoje me vejo carregando meu bebê no banco de trás, com todo o conforto, graças à paixão que nasceu lá atrás, na oficina do meu paizinho, entre brincadeiras e explicações de como funciona um carro.

sábado, 6 de junho de 2009

Tantas novidades podem dar a impressão de que esqueci minha dor. Pudera ser isso possível. Quando alguém morria meu pai dizia assim: "vamos esquecer". Acredito que era a forma dele lidar com ela, a morte, dizendo que ia esquecer a pessoa que partiu. E acredito que, se ele pudesse se comunicar, nos diria isso: "melhor esquecer". Como? Alguém sabe? Ver minha riqueza crescer só faz aumentar minha dor. Um sem número de histórias pra contar e cadê o vovô pra ouvir. Tristeza.
Terça fomos ao pediatra. Luiza já passou de 7 quilos, uau! Na volta pra casa comento com minha mãe que meu paizinho ficaria muito orgulhoso de saber que sua netinha está tão grandona. E ela completa: "é mesmo e ele sairia contando pra todo mundo, todo orgulhoso". Fico triste de pensar que a vida privou minha riqueza de viver essa emoção. Meu pai foi um homem apaixonado, intenso. Tinha o poder de transformar qualque bobagem num acontecimento grandioso, teria sido um avô formidável para minha princesa e imagino que ela seria também apaixonada por ele, assim como sempre fui. Sempre quis ser mãe e sempre imaginei como seria meu bebê e como seria nossa vida e nestas imagens sempre estava ele lá, levando meu bebê pra jogar pedrinhas no rio, claro, comigo do lado porque sou neurótica e morro de medo que alguém se machuque, como se eu realmente pudesse proteger meus amores de tudo. Que pena, não pude protegê-lo da morte, ela o levou. E agora estou eu aqui, cheia de saudades, vivendo um milhão de novas emoções a cada dia e sem poder dividir com ele. Que pena, que dor.

Faço uma pausa pra agradecer minha Lu, minha leitora assidua. Lu, seus comentários fazem este blog ter sentido. Você me deu a idéia, me incentivou e continua incentivando. Obrigada amiga querida, amo muito você e, olha, você longe tem sido mais presente na minha vida do que os que estão próximos. Você não tem idéia do quanto sua dedicação tem sido importante para mim, assim como sua amizade sempre foi, você sabe. Beijo no coração, meu paizinho teria gostado de você se a conhecesse. Luiza vai te adorar.

Palavra Cantada

Luiza ganhou um CD: Palavra Cantada - cantigas de roda. São cantigas de domínio público que nós cantávamos quando criança. A primeira vez que ouvi fiquei horrorizada, descobri que a natureza da Pombinha Branca é de preguiçosa. Como não achei auspicioso, abandonei as tais palavras cantadas. Mas, passado um tempo, sucumbi. E descobri que tais cantigas são como os refrões pegajosos da década de 80 (mamãe eu acho que estou, ligeiramente grávida ou você não soube me amar e outras que não lembro agora, ainda bem), colam na cabeça da gente. Agora fico o dia inteiro cantando "a barata diz que tem 7 saias de filó..." ou "lá em casa tem um galo, lá em casa tem um galo...", o que não se faz por um filho, não é! Acordo de madrugada com estas musiquinhas ressoando em minha mente e, sem perceber, me ponho a cantar. O pior é que fico imaginando a Luiza respondendo: "e o galo ", já imaginou, que lindo. Ela está tão linda! Tão fofa! Tão esperta! Agora fica horas brincando e conversando com os amiguinhos do mobile. Presta atenção em tudo e interage, sorrindo, rindo alto, falando, batendo mãozinhas e perninhas, ai que gostoso. Agora mesmo ela está do meu lado me olhando. Se desvio o olhar, ela fica séria, se olho pra ela, ela abre aquele sorriso lindo que eu adoro. Nunca estive tão apaixonada em minha vida, como é bom amar. E se eu demoro a olhar, ela chama, um barato. A cada dia uma nova forma de se expressar, não existe coisa mais rica do que ver uma criança crescendo.
Aliás, ainda me encanto com o milagre. Nós mães temos alguma coisa de santa, sem pretensão. Duas meias células se juntam e viram uma pessoinha inteira, completa, um milagre. Depois, seu peito produz leite e a pessoinha infla feito um air bag (como disse um amigo), outro milagre. Como pode, é muito mágico, coisa de Deus e todas as mulheres escolhidas para fazer parte deste milagre tem um pouco de Maria, a mãe de Deus. Mesmo aquelas que não entendem essa riqueza toda. Mas Deus é mais e eu acredito que não dá pra passar impune por esta experiência. Agradeço a Deus ter sido escolhida. Tenho que ir agora, meu milagre está impaciente. Agora é assim, vivo pra ela em primeiro lugar. E lá vou eu de novo cantar outra musiquinha que vai ficar colada na minha cabeça pra agradar minha fofurinha. Depois eu volto.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

De volta pra casa

Voltamos, enfim, para nosso lar doce lar. Estava com saudades... principalmente da minha super máquina de lavar roupas. É, quem tem bebê é que sabe o bem que faz ter uma super máquina de lavar roupas. Claro que mesmo super ela não é ultra mega master blaster, as roupinhas de cocô precisam ser esfregadas à mão e colocadas de molho antes de ir pra máquina, mas com esse tempo londrino que faz aqui ter uma super máquina que lava e seca a roupa, faz sim toda diferença. Também estava com saudade de dormir em minha cama macia, ai que delicia, e escrever no meu computador, meu teclado, meu mouse, meu cantinho, que saudade!
Estamos nos organizando, eu e Luiza, para enfim estabelecermos uma rotina de mãe e filha. Um pouco tarde, eu sei, afinal ela já vai fazer tres meses, mas antes tarde do que nunca. Minha mãe me ligou hoje me chamando pra ficar lá com ela. Confesso, fiquei tentada, ajuda com as roupinhas, comida pronta na hora certa, alguns braços pra pegar a Luiza quando ela tá chatinha, alguém pra conversar. Mas não, hora de pegar minha vida de volta e reorganizá-la com a chegada de minha princesa.
Minha pequena está tão grandona, tão pesada, uma toneladinha, haja braço. E está tão linda, tão esperta... hoje ela aprendeu a agarrar o bichinho do móbile do carrinho e colocar na boca, um barato, embora pouco higiênico, vou precisar ficar cada vez mais atenta a tudo, e lavar com mais frequência os amiguinhos da Luiza.
Ela é a coisa mais rica deste mundo. Ela acorda, olha pra mim e sorri. Agora ela está começando querer gargalhar, um barato, e quando fica contrariada começa a conversar, como quem quer dizer que não concorda, muito engraçado. Ela é linda, linda! E eu boba, baba, baba.
De volta à nossa casa a vida segue e meu coração a cada dia aprende o que amar de verdade.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Meu maior sonho

A vida às vezes nos prega peças, só rindo mesmo pra não desesperar. Quando adolescente eu costumava dizer que tinha três grandes sonhos: ser mãe, casar, me formar, nesta ordem. Como menina ajuizada que sempre fui também dizia que para que nada desse errado começaria pelo terceiro sonho, depois o segundo e enfim realizaria meu grande sonho: ser mãe! Pois bem, meu sonho está aqui ao lado, dorme feito anjinho e encanta meus dias, enche de luz e amor, faz tudo valer a pena. Mas eis que a vida me pregou uma peça. Depois de toda essa empreitada, me formei, casei, realizei uma centena de coisas, fui mãe e... minha vida está de pernas pro ar. Meu sonho nasceu, viveu seu primeiro mês em nossa casa junto de sua mãe (eu), seu pai e sua vovó (minha mãe), como é de se esperar. Aí acabaram as férias de papai e, primeiro meu sonho foi pra casa da vovó e depois pra casa da Tio Valcir e da Tia Rita, para poder ficar perto do papai. Agora está chegando a hora de voltar pra casa e, triste constatação, não para meu sonho, mas para mim, se eu quiser que alguém segure meu sonho pra eu tomar banho, terei que continuar ficando na casa de alguém. Pode? Estamos esperando que a vida se ajeite, papai está aguardando sua transferência no trabalho, mas esta nunca sai. E cá estamos diante desse dilema: se queremos a ajuda da vovó nos cuidados com meu sonho, temos que ir pra casa dela. Se quisermos o carinho diário de papai, temos que ficar na casa dos tios, mas, se quisermos ficar em nossa casa, meu sonho enfim aproveitando seu cantinho preparado com tanto amor, temos que ficar longe de todos. Uma loucura. Acreditamos que quando meu sonho chegasse tudo já estaria resolvido. Já se vão quase três meses e nada ainda. Estou angustiada. Esperava que vovó ficasse uns tempos a mais com a gente dando uma mão, mas ela já retomou sua vida. Papai precisa ganhar pro leitinho da mamãe pra ela produzir o do bebê, e por aí vai. E meus sonhos se juntaram numa embolada danada, não sei o que fazer. Pra dizer bem a verdade não posso fazer nada, só esperar. Haja coração...

O lado bom disso tudo é que, como eu sou a mãe, para onde eu for meu sonho vai comigo. Até que ela sonhe os próprios sonhos vamos ficar assim grudadinhas, todos os dias, todos os momentos, juntinhas, só curtindo nosso amor. E eu me deliciando com o meu maior sonho!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Voar, voar, voar...

Estamos em Itaipava há mais de uma semana. Luiza fez sua primeira viagem de avião no dia em que completou dois meses, um luxo! Vesti-a de ursinho e lá fomos nós pro aeroporto. Minha mãe e irmã foram nos levar. Já na fila do check in minha pequena começou a fazer sucesso. E foi assim durante toda a viagem. No avião sentamos logo na primeira fila, a fila das prioridades, e cada um que embarcava parava diante dela e comentava: que gracinha! E Luiza se comportou feito uma princesa, não reclamou de nada, mamou e dormiu, uma fofa. E eu fiquei pensando como seria chegar em terra e ligar contando pro Vovô a sensação que foi a primeira viagem da Luiza. Como ele teria se deliciado ouvindo esta historia e o quanto ele a repetiria orgulhoso de sua netinha de apenas dois meses que já viajou de avião. No mesmo dia, horas depois, sua outra netinha de um ano e dez meses também viajou de avião pela primeira vez, haja coração de avô pra conter tanto orgulho e tanta felicidade, ele teria vibrado. Meu irmão que me perdoe, mas com certeza ele ficaria ainda mais pomposo com o feito de Luiza, mas não deixa de ser uma feliz coincidencia as duas priminhas viajando no mesmo dia, pra destinos diferentes e por motivos diferentes, mas compartilhando da mesma importância.
Dizem que o tempo cura tudo, mas a cada dia a saudade de meu pai dói cada vez mais. E como dói não poder mais dividir com ele tantas novidades. Luiza a cada dia aprende uma coisa nova, de repente ela pára de mamar pra conversar. E fala, fala, fala, uma tagarela essa minha filhinha. E quando ela brinca com os amiguinhos do mobile do carrinho então, um mimo. Ela bate nos amiguinhos, agarra, um barato. E eu fico olhando. E babando, porque a cada dia estou mais apaixonada por esta riqueza que Deus me deu. Ela está imensa, um bebezão, linda! De encher os olhos e o coração. E o braço. Aliás, haja braço pra carregar essa fofura, quando ela não precisar mais do meu colo estou pensando seriamente em concorrer nestes campeonatos de levantamento de peso. Meu pai com certeza ficaria orgulhosíssimo de mim, Luiza sem dúvida alguma é minha melhor obra. Nenhum diploma, nenhuma grande viagem, nada que eu tenha feito antes supera esse feito, aliás, nada chega perto do prazer que eu sinto, da felicidade que estou vivendo. Meu coração esbanja amor, esbanja alegria, estou certa de que no lugar de meus olhos tem dois coraçõezinhos brilhantes. E é isso o que mais dói, o que mais faz apertar a saudade. Ai ai.

Luiza já está morando em seu terceiro estado. Nasceu em São Paulo, foi para Minas e agora está no Rio. Muito chique essa minha filha. Nasceu para ganhar o mundo. De um jeito ainda mais grandioso do que sonhou seu vovô e viveu sua mamãe. Luiza nasceu para voar, voar, voar...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Coisas da Vida.

Peço licença ao meu adorado pai e à minha amada filha para falar de um drama da vida: exame de fezes. Existe coisa mais desagradável na vida que fazer exame de fezes? Pois bem, depois de ter passado por poucas e boas com minha saúde, se a médica me mandar plantar banananeira como forma de diagnóstico, eu planto, no sentido real e no figurado também. Hoje de manhã lá vou eu pro laboratório colher mais um de infinitos hemogramas e... logo a pergunta: trouxe a amostra? Bom, a ultima vez em que eu me submeti ao tal exame, algumas décadas atrás, o tal amostra precisava ser colhida em tres etapas e em dias alternados, sendo acondicionada em um frasquinho com uma tal substancia conservadora. Não, eu não levei a amostra. Colhido o sangue, pega o frasquinho que não tem conservante algum. Ora, seu eu soubesse disso teria ido à farmácia e providenciado o dito cujo que atende pelo nome de coletor universal, ou seja, serve para exames de qualquer natureza.
Horas mais tarde, volto ao laboratório já de posse da bendita (a amostra). Entro, falo com o atendente que me dá um protocolo de entrega de resultados e me envia pro balcão de entrega (de amostras). Antes que eu pudesse pensar um cidadão robusto me chama pelo nome e me pede que o acompanhe. Quase chego a pensar que ele vai me dar outro frasquinho e me mandar fazer a coleta ali mesmo, naquela hora. Ufa, ele só queria pegar o que eu fui levar. Pega o protocolo, confere, pega o frasquinho e pergunta: foi colhido quando? Vejam só que invasão de privacidade! Para que ele precisa saber, do meu exame sei eu, e da hora em que o colhi, tenha dó. E eu tive que responder: hoje. Sem mais detalhes, graças à tecnologia não precisarei voltar lá para pegar o resultado, chega de drama, porque é sim um drama da vida. E volta pra casa.
No caminho de volta, existe sensação maior do que saber dirigir? Pra quem nasceu dirigindo pode não fazer sentido, mas para mim que passei quase 30 anos de minha vida pedindo por favor aos motoristas da família, ah, que emoção. Como é bom gozar desta liberdade, este sim é o verdadeiro direito de ir e vir, compensa qualquer constrangimento causado pelas análises clínicas. Pronto, já me recuperei, já posso retomar meu tema.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

...

A morte é uma coisa engraçada, a pessoa não volta mesmo. Luiza fez sua primeira viagem, para a casa do vovô. Já na estrada a presença forte. Quando estou em casa, na casa onde cresci, parece que ele está ali. Se estamos na cozinha, parece que ele está na sala descansando, como sempre fazia. São tantas lembranças...
A bicicleta, os pinduricalhos na oficina, a oficina, o espelhinho com o barbeador, tudo como ele deixou. Ainda que nada mais houvesse, que tudo já tivesse sido tirado, eliminado de nossas vistas, ainda assim sua presença seria forte. Ele está em todos os cantos, as paredes respiram sua presença e não há como não ficar procurando por sua presença, não como não ouvir seus passos entrando em casa.E quando você vai olhar, não está. A morte é engraçada, leva embora mesmo, sem direito a dar mais uma olhadinha, mais um abraço apenas.
Já estamos aqui há 12 dias. Ontem fui à padaria e na volta reparei na ponte que caiu ano passado e foi reconstruída. Como ficou linda a rua, tão larga, que pena ele não ter vivido para ver aquela beleza, consigo imaginar ele falando: "que beleza de rua larga, agora sim, desse jeito que tem que ser". Meu pai adorava obras de engenharia, quanto maior, mais bonito. Adorava tecnologia e modernidade, adorava tudo o que é novo e lindo. Que saudade... Que dor viver tanta coisa boa e gostosa com a Luiza não poder dividir com ele. Logo ele, que tinha o dom de tornar especial as coisas mais insignificantes. Acho que nunca mais vou ter um fã tão dedicado. Lembro-me que cada coisinha nova que eu aprendia ele babava. Era isso que ele era, um pai babão.
Hoje na hora do almoço o Johnny, o nosso cachorro, subiu na mesa e comeu a carne do almoço da minha irmã. Foi muito engraçado e me fez lembrar do dia que ele pegou o bife do prato do meu pai. Ri muito e chorei de saudade. Minha irmã entrou no quarto e me perguntou se eu estava chorando. Fiquei com vergonha de dizer que estava triste, falei que estava chorando de rir. Ela também lembrou do bife. Agora ela vai ler aqui e vai ficar brava comigo. Ô família de mulher de gênio ruim, coitado do meu pai que conviveu com quatro, como ele deu conta? Meu marido convive comigo, uma só, espero, tomara que Luiza herde ao menos em parte o sossego do vovô, com certeza ela será mais feliz assim.

Escrevo para alimentar minha alma, mas faço também como herança do vovô pra Luiza. claro que seria melhor que ela tivesse as próprias historias com ele pra contar, mas eu as dou para minha riqueza. Tomara que ela possa se emocionar e se divertir com a memória do vovô, assim ela pode sentir que tem sim um avô, embora não o possa ver.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Minha Luiza é meu sol, ilumina a minha vida...

Hoje fomos às compras com vovó. Lá pelas tantas, enquanto vovó experimentava roupas, começou a tocar a música Girassol, do IRA. Eu estava sentada olhando minha riqueza sorrir pra mim. Como eu sou um girassol, você é o meu sol... Como essa frase me caiu bem, Luiza é minha riqueza, meu sol.

Acho que minha depressão está começando a passar. Minha amiga Lu veio me visitar no domingo e me disse que no inicio, quando seu bebê nasceu, sentia-se ate´meio culpada por chorar tanto, que só depois de um tempo é que foi curtir ser mãe. Respondi a ela que culpa não senti não, porque já esperava por isso, visto que existe um fator que é hormonal para tanta tristeza, mas fiquei aliviada em saber que passa. Espero em breve poder escrever que fiquei apenas com parte maníaca do bipolar de humor. Vai passar. Já está passando.

Ontem saí sozinha com Luiza, sozinha sem o Dri. Fiquei bem cansada, mas dei conta. É que com tudo o que passei, fiquei tempo demais resguardada, e ficaria mais, meu corte ainda dói um bocado, mas precisei levar minha pequena ao pediatra. O Dri já voltou a trabalhar, agora é a hora de assumir mesmo a maternidade de maneira integral. Minha mãe ficou com dó de mim, nesta cidade imensa, dirigindo com o bebê no carro. E com dó da Luiza, quem vai olha-lá no banco de trás quando ela for embora. Vamos nos acostumar, afinal essa é a nossa vida, não é? E olha o lado bom, eu poderia ter que pegar um ônibus ou o metrô, mas não, vou de carro. Sempre pode ser pior. Fiquei bem cansada, mas dei conta, é o que importa. E também o que prova que já estou bem melhor.

Luiza hoje faz um mês, como o tempo passou rápido. Ela está tão linda! Meu amor aumenta a cada dia... Cresce junto com ela, que delicia. Esse primeiro mês foi difícil, alem da adaptação normal teve também a parte do imprevisto, do não-desejável, mas posso agora dizer que o pior já passou, estamos super bem, eu e ela, apesar dos tropeços. Já posso dizer que em breve estarei tirando de letra também ser mãe da Luiza, fora todo o resto. A vida segue. Foi difícil, mas faria tudo de novo, mesmo que um anjo me desse o poder de saber antes e escolher passar ou não por isso tudo. Faria a cesariana, ficaria doente, bipolar de humor, tudo de novo, só pra ganhar esse sorriso todos os dias.

Um mês da maior intensidade que jamais vivi antes... já sinto saudades...



sábado, 28 de março de 2009

Ser mãe é tornar-se bipolar de humor!

Achei que ser mãe seria só alegria. Ledo engano: ser mãe é tornar-se bipolar de humor, ou maníaco-depressiva, para os mais antigos. Num dia de 24 horas são tantas oscilações de humor que fico me perguntando como aguento. Se bebê sorri, o coração parece que vai explodir de tanta alegria, se bebê chora, o mundo vai acabar. E é nessa intensidade, já perdi a conta de quantas vezes o mundo já acabou nestes 26 dias de mãe. A cada dia uma criança diferente, ai que saudade daquele bebezinho que eu trouxe pra casa há 23 dias atrás. Pode? Pois é, a bichinha cresceu dum tanto e já desenvolveu outros comportamentos, já não se parece mesmo com a RN que trouxemos pra casa. Está fofinha e super esperta, parece que já quer conversar. E chora quando é pra dormir e dorme quando é pra mamar, ai ai, haja coração. É tanta angustia: medo de não dar conta, medo de não mamar, medo de faltar nutrientes, medo do nenê se machucar, medo de dormir pesado e acontecer alguma coisa. Fora o cansaço. Mesmo com quatro, cinco horas dormidas sem interrupção, parece que não se dorme há meses. E aquela carinha linda te olhando, que mistura de sentimentos! E volto a dizer, quanta intensidade!
Ela olha, mexe os bracinhos e perninhas, faz caretas, como é expressiva! Dá vontade de ficar olhando o dia todo. E dorme feito um anjinho. Enquanto dorme também faz caras e bocas, sorri, chora, parece acordada, está sonhando.

E continua a intensidade... ver meu bebê crescendo, se expressando é a expressão da mais pura paz, do mais puro amor e fonte da maior empolgação. E por que tanto choro? Parece que é hormonal... acho que é parte da novidade e da responsabilidade de ter em mãos um serzinho totalmente dependente, frágil, totalmente seu e que precisa de toda a sua dedicação e carinho para sobreviver. Fala a verdade, é pra deixar qualquer uma flor da pele, não é?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Oito meses

Oito meses. É o tempo que faz que meu pai faleceu, completos hoje. No dia 05 de março tivemos alta da maternidade, eu e Luiza. Coincidentemente no mesmo dia que meu pai teve sua última alta, um ano antes, já curado da infecção hospitalar e acreditando que talvez curado do câncer também. Como tínhamos esperança.

Desta vez a esperança dorme, chora, mama, faz cocô, sorri, faz caretas. Ai que delicia.

Saí da maternidade bem, mas com uma preocupação: Luiza aprendeu a mamar a própria língua, o que dificultava a amamentação. Logo nos entendemos. Logo o leite diminuiu e veio a febre: minha cesariana infeccionou. O que poderia ser uma bobagem se agravou por conta de uma anemia séria, que apareceu com o parto, parece que sangrei alem da conta. Quatro dias de antibiótico e nada de melhora, ao contrário, a infecção só se espalhava pela parede abdominal. Ficou difícil não relembrar tudo o que passamos com meu pai. Tive medo de morrer. Não conseguia entender porque Deus colocaria esta riqueza em meus braços se não era pra eu cuidar. E o leite continuou pouco. De repente, no meio do desespero fizemos uma oração sincera e forte, pedindo a Deus que tivesse misericórdia, e desde então a infecção começou a ceder. Ainda não está 100%, mas nem se compara. Foi um grande susto, mas Deus, em sua infinita bondade, teve piedade de mim e me enviou a cura. Como curou meu pai daquela infecção. Não queria ficar comparando e como já disse em outro momento, ficar associando uma historia à outra, mas é difícil não fazer isso. Também não queria ficar perguntando por que, gostaria de apenas aceitar o que Deus tem traçado pra nossa vida, mas sou humana, e pecadora, não consigo não me desesperar. Não consigo aceitar e entregar minha vida a Deus e confiar simplesmente. Mas como eu quero aprender. Certa vez o pastor do Adriano me disse que se o fardo está pesado, não é de Deus, porque com Ele o fardo é leve, porque Ele divide o peso conosco. Não sei bem o que fazer, mas quero muito aprender a confiar assim em Deus. Olho pra trás e percebo quantos milagres Deus enviou para a vida de minha família e fico me perguntando que necessidade é essa de sempre estar no controle se não controlamos nada. Essa porção humana e pecadora é nossa perdição.
Mesmo agora, a vida não está perfeita como sonhamos, mas nossa casa está cheia de tesouros, ainda assim nos pegamos com medo do que não sabemos, do que não podemos prever.

Peço a Deus que me cure de vez, apenas isso, pois a saúde é nosso bem mais precioso, e aproveito aqui para louvar, bendizer e agradecer a Deus, que nos enviou o milagre Luiza, que é perfeita e cheia de saúde. Pra uma mãe é tudo o que importa. Estou quase 100%, tanto da infecção quanto da anemia e é por obra Dele, sozinha não conseguiria. Obrigada Pai, por não nos abandonar, por ouvir nossas preces e nos conceder mais este milagre. Peço-te que continue nos olhando e que aumente nossa fé. Nos ensine, Senhor a sermos bons filhos e nos ensine a nos parecer com Tua bondade. Sem Ti não somos e nem podemos nada.

Oito meses. E parece que foi ontem. Por obra de Deus Luiza torna tudo especial e faz tudo, absolutamente tudo, valer a pena. Faria tudo de novo apenas para protegê-la, para amá-la e para cuidar desta riqueza linda que Deus colocou em meus braços e tem me permitido cuidar.