quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Em memória de...

Na rua da minha casa, bem no meu caminho, tem uma linda e frondosa árvore de flores amarelas. E está linda! Hoje, ao passar por ela, me pego admirando sua beleza como faço todos os dias e me vem aquele pensamento de quanta sujeira não teria embaixo daquela beleza. E me lembrei da nossa mangueira.
No feriado de setembro fizemos um churrasco na casa da minha mãe. Há muito tempo não usávamos a churrasqueira e há muito não nos reuníamos num clima tão bom. Ao longo do dia, conforme o sol ia ficando cada vez mais forte, meu irmão falava: "a mangueira tinha que estar aqui agora, que falta ela faz". Minha mãe mandou cortar a mangueira. Ela já quase não produzia mangas mais, mas a sujeira era grande mesmo sem os frutos. Meu pai era o responsável pelas folhas e ela sofreu muito para se acostumar a não tê-lo mais por perto. E sua ajuda, sua companhia. Quem somos nós para julgar sua atitudes pós viuvez?
O tempo vai passando e tudo vai sumindo. Eu ainda guardo a passagem de avião pra Salvador que meu pai guardou por tanto tempo como lembrança da única viagem de avião que ele fez na vida. Tesouro precioso. Guardo em sua memória, pela importância que isso tinha pra ele e ainda tem pra mim. 

Mas os tesouros maiores ficam guardados no coração. Todo dia sinto saudades e, quando o tempo permite, olho o céu e procuro a estrela mais brilhante. Será ele lá? 

...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Para guardar para sempre.

No sábado saímos para jantar e, no caminho, falando de eleições e tal, eis que falo do meu pai, e Luiza solta um: "mamãe, seu papai morreu, vc esqueceu?"
Não lembro ao certo o que respondi, mas ela perguntou porque ele morreu e eu respondi que ele era velho, que ficou dodói, que ficou melhor, mas aí ele estava muito cansado e o Papai do Céu chamou ele pra ir morar lá no céu com Ele, e ele virou uma estrelinha. Aí ela disse que não queria ir morar lá no céu e eu expliquei que isso ia demorar muito ainda, que ela não precisava se preocupar com isso. E de repente ela disse: "eu fiquei triste que o príncipe da vovó Tetê (minha mãe) morreu e ela ficou sozinha". Meus olhos marejaram, que mais eu posso falar?

Meus dias estão corridos, muita luta, muita coisa pra estudar, muita casa pra limpar, uma rotina desgastante, confesso, não tenho tido tempo de nada, mas porque ainda não consegui aprender como administrar o tempo. Algumas ideias, ainda nenhuma novidade que pode mudar o rumo da vida. De vez em quando me bate um vazio, uma angústia, um questionamento. Ainda sem respostas. Continuo perdida, perdida... ao menos tenho nadado com menos força, desisti de algumas ações sem resultados e aquela sensação de nunca encontrar a praia, ainda que seja pra morrer nela, diminuiu.

Mas esses momentos fofos com a Luiza se tornaram pequenos oásis no meu deserto. Fico boba, babando. Como ela é encantadora e formidável. Que vida maluca essa, que coisa maluca ser mãe, olhar pra moça (porque ela já é quase uma moça) e pensar que ela é minha.