quinta-feira, 16 de abril de 2009

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A morte é uma coisa engraçada, a pessoa não volta mesmo. Luiza fez sua primeira viagem, para a casa do vovô. Já na estrada a presença forte. Quando estou em casa, na casa onde cresci, parece que ele está ali. Se estamos na cozinha, parece que ele está na sala descansando, como sempre fazia. São tantas lembranças...
A bicicleta, os pinduricalhos na oficina, a oficina, o espelhinho com o barbeador, tudo como ele deixou. Ainda que nada mais houvesse, que tudo já tivesse sido tirado, eliminado de nossas vistas, ainda assim sua presença seria forte. Ele está em todos os cantos, as paredes respiram sua presença e não há como não ficar procurando por sua presença, não como não ouvir seus passos entrando em casa.E quando você vai olhar, não está. A morte é engraçada, leva embora mesmo, sem direito a dar mais uma olhadinha, mais um abraço apenas.
Já estamos aqui há 12 dias. Ontem fui à padaria e na volta reparei na ponte que caiu ano passado e foi reconstruída. Como ficou linda a rua, tão larga, que pena ele não ter vivido para ver aquela beleza, consigo imaginar ele falando: "que beleza de rua larga, agora sim, desse jeito que tem que ser". Meu pai adorava obras de engenharia, quanto maior, mais bonito. Adorava tecnologia e modernidade, adorava tudo o que é novo e lindo. Que saudade... Que dor viver tanta coisa boa e gostosa com a Luiza não poder dividir com ele. Logo ele, que tinha o dom de tornar especial as coisas mais insignificantes. Acho que nunca mais vou ter um fã tão dedicado. Lembro-me que cada coisinha nova que eu aprendia ele babava. Era isso que ele era, um pai babão.
Hoje na hora do almoço o Johnny, o nosso cachorro, subiu na mesa e comeu a carne do almoço da minha irmã. Foi muito engraçado e me fez lembrar do dia que ele pegou o bife do prato do meu pai. Ri muito e chorei de saudade. Minha irmã entrou no quarto e me perguntou se eu estava chorando. Fiquei com vergonha de dizer que estava triste, falei que estava chorando de rir. Ela também lembrou do bife. Agora ela vai ler aqui e vai ficar brava comigo. Ô família de mulher de gênio ruim, coitado do meu pai que conviveu com quatro, como ele deu conta? Meu marido convive comigo, uma só, espero, tomara que Luiza herde ao menos em parte o sossego do vovô, com certeza ela será mais feliz assim.

Escrevo para alimentar minha alma, mas faço também como herança do vovô pra Luiza. claro que seria melhor que ela tivesse as próprias historias com ele pra contar, mas eu as dou para minha riqueza. Tomara que ela possa se emocionar e se divertir com a memória do vovô, assim ela pode sentir que tem sim um avô, embora não o possa ver.

2 comentários:

LucianaArruda disse...

Ni, muita saudade,viu?! Luiza com certeza terá o melhor presente do mundo quando ler tudo isso aqui.
um beijo!

Brecho Mãe e filha disse...

Nivia, gosto de ler o que vc escreve e descobri o blog no seu orkut, e imagina se não tô chorando horrores com este tópico, heim!! É, sinto a mesma dor e saudade que vc, maior ainda por saber que não conheceram as netas, né!! É a vida....
Beijos nas duas, e quero conhece-la em breve
Nê e Joana