Sempre quis aprender a dirigir, sempre tive loucura por carros, meu esporte preferido sempre foi a Formula 1, fui fãzézima do Senna e morri de chorar quando ele morreu.
Quando fiz 18 anos pedi ao meu pai pra tirar carteira de motorista e ele disse que eu era muito nova pra isso. Como não trabalhava, não tinha dinheiro, não tirei. Quando entrei na auto escola e cheguei em casa contando, meu pai me perguntou indignado se eu ainda não dirigia, ai que vontade de xingar que me deu, culpa dele, pensei, só pensei.
Quando entrei na faculdade meio que abandonei essa paixão por carros, detalhe: adoro Formula 1 sempre sonhei em dirigir um daqueles carros, a 200, 300km por hora, que delícia, sempre adorei velocidade. Mas minhas prioridades eram outras naquela época. E se tornaram outras quando me formei e foi sendo assim até que um dia tomei a decisão, a esta altura já estava com 28 anos. Aos poucos minha paixão por carros foi dando lugar a outras paixões que encontrei pelo caminho e fui perdendo minha familiaridade com eles, os carros, hoje sou uma mulher como outra qualquer, mas ainda sou capaz de perceber um barulho estranho no motor, habilidade adquirida na oficina do meu pai e sob sua orientação, nos anos em que ficava lá com ele o dia inteiro. Quanta saudade!
Então, com 28 anos enfim fui aprender a dirigir e de cara descobri que não seria assim tão simples. Quanto mais velho a gente fica, mais prudente, com mais medo. No primeiro dia de aula já saí dirigindo, uau, que máximo, não fosse a tempestade que caiu durante a aula. E o louco do professor me manda ir pra Avenida Indianópolis debaixo daquele temporal. Era tanta tensão que passei uma semana dolorida nos ombros e nos braços. E nos olhos, já que não enxergava nada com aquela chuva. Passadas as aulas, dia do exame, reprovei. Nem deu tempo de entender direito o que aconteceu e aquele monstro disse: pode seguir, você já reprovou. Ai, como doeu. Doeu tanto que por um bom tempo não quis nem saber de carro, dei-me por vencida. Passados uns meses, quase um ano, pensei que se não retomasse logo o processo ia acabar tendo que fazer tudo de novo, exame médico, prova escrita... troquei de instrutor e vamos lá de novo. No dia do exame estava tão nervosa que tive um piriri. Três vezes no banheiro antes de sair de casa e uma quarta na auto-escola. Aliás, quando enfim consegui chegar na auto-escola parecia um pesadelo, as mesmas meninas que reprovaram comigo no primeiro exame estavam lá, não sei como não voltei pra trás. E tinha uma fulaninha que falava pelos cotovelos, rezei pra ela ir pro local do exame no outro carro, mas ela foi comigo, era um pesadelo! Por Deus fui a primeira a fazer o exame, porque não tem coisa pior do que ver a galera saindo do carro triste, dizendo que reprovou. Chegando lá o mesmo delegado da outra vez, mas também por Deus ele estava colhendo assinaturas, quem fez meu exame foi uma mulher, não lembro o nome dela, mas lembro do seu rosto e rezo sempre pra que Deus a abençoe. Começa o exame, vamos bem até certa altura. Entra na baliza uma, duas vezes. Terceira e ultima chance. Pedi à delegada que me desse um tempinho e comecei a falar comigo em voz alta. É uma forma de organizar o pensamento. Depois comecei a rezar também em voz alta e fui embora. Ufa, consegui. Continuei o percurso, tive um errinho básico e no final da prova nem tinha coragem de olhar pro lado pra saber se tinha passado, até que de canto de olho vi um A. tomei coragem e perguntei: passei? Passou. Quase comecei a pular ali mesmo, era bom demais. O primeiro desafio estava vencido, sim, porque ter habilitação nem de longe significa dirigir.
Cheguei em Cambuí dirigindo e o povo perguntou se eu tinha comprado a carta, eu mereço isso?
Primeira vez que peguei o carro: semana entre o Natal e o Ano Novo, normalmente São Paulo está vazia e lá vamos nós até o Tietê buscar minha irmã e sobrinhos que vinham de Minas. Era tanto carro na Vinte e Três de Maio que em certa hora tive vontade de abandonar o meu ali mesmo e sair correndo e gritando. Que trauma! Pra piorar, o lado tirano de meu maridinho resolveu aflorar e ele me dava uma bronca atrás da outra, jurei nunca mais dirigir. Até tentei outro dia num percurso mais modesto, mas a briga foi tão feia que desisti mesmo. E foi assim por um mês. Depois de um dia muito infeliz no meu trabalho em Mogi das Cruzes, enquanto pensava na vida no percurso de 2 horas de trem até em casa, me veio o seguinte pensamento: eu e os filhos que desejava ter andando de trem, de ônibus, levando criança doente ao médico. Lembrei que essa sempre foi minha grande motivação pra superar meus medos e aprender a dirigir. Meu pai nunca teve carro, mas eu nunca andei de ônibus, ele sempre dava um jeito de conseguir um emprestado quando precisava ir ao médico. Foi o que bastou, tomei coragem e comecei a sair sozinha, sem marido do lado, porque homem acha que carro é pra macho. Até hoje, quase 5 anos depois, quando estou com meu marido, ele dirige, melhor assim, cada um no seu quadrado.
A primeira consulta do meu pai no oncologista aqui em São Paulo deixei o carro morrer na saída da garagem. Pra que, ele me crucificou dizendo que eu estava estragando a embreagem da quantum (na época eu tinha uma, ô carro ruim). Ah, desta vez eu xinguei, mas o fato é que eu estava tensa com ele ao lado, como eu disse lá atrás, homem acha que carro...
Foram tantas idas e vindas que com o tempo ele reconheceu que, apesar de sua não ajuda, me tornei uma boa motorista. Como ele dizia, virava São Paulo de cabeça pra baixo (pra gente do interior dirigir aqui é coisa do outro mundo) e parecia um peixinho. E o peixinho fez diferença na hora em que ele precisou. E também fez diferença pra mim sua doença, me vi fazendo coisas que jamais imaginei ter coragem, por exemplo, baliza com uma fila de carros buzinando atrás. Acredito que as coisas não são por acaso. Pensar na Luiza que eu queria ter me ajudou a cuidar do meu pai quando ele mais precisou e tudo isso foi e tem sido vivido por mim com muito amor e intensidade. Hoje me vejo carregando meu bebê no banco de trás, com todo o conforto, graças à paixão que nasceu lá atrás, na oficina do meu paizinho, entre brincadeiras e explicações de como funciona um carro.
Quando fiz 18 anos pedi ao meu pai pra tirar carteira de motorista e ele disse que eu era muito nova pra isso. Como não trabalhava, não tinha dinheiro, não tirei. Quando entrei na auto escola e cheguei em casa contando, meu pai me perguntou indignado se eu ainda não dirigia, ai que vontade de xingar que me deu, culpa dele, pensei, só pensei.
Quando entrei na faculdade meio que abandonei essa paixão por carros, detalhe: adoro Formula 1 sempre sonhei em dirigir um daqueles carros, a 200, 300km por hora, que delícia, sempre adorei velocidade. Mas minhas prioridades eram outras naquela época. E se tornaram outras quando me formei e foi sendo assim até que um dia tomei a decisão, a esta altura já estava com 28 anos. Aos poucos minha paixão por carros foi dando lugar a outras paixões que encontrei pelo caminho e fui perdendo minha familiaridade com eles, os carros, hoje sou uma mulher como outra qualquer, mas ainda sou capaz de perceber um barulho estranho no motor, habilidade adquirida na oficina do meu pai e sob sua orientação, nos anos em que ficava lá com ele o dia inteiro. Quanta saudade!
Então, com 28 anos enfim fui aprender a dirigir e de cara descobri que não seria assim tão simples. Quanto mais velho a gente fica, mais prudente, com mais medo. No primeiro dia de aula já saí dirigindo, uau, que máximo, não fosse a tempestade que caiu durante a aula. E o louco do professor me manda ir pra Avenida Indianópolis debaixo daquele temporal. Era tanta tensão que passei uma semana dolorida nos ombros e nos braços. E nos olhos, já que não enxergava nada com aquela chuva. Passadas as aulas, dia do exame, reprovei. Nem deu tempo de entender direito o que aconteceu e aquele monstro disse: pode seguir, você já reprovou. Ai, como doeu. Doeu tanto que por um bom tempo não quis nem saber de carro, dei-me por vencida. Passados uns meses, quase um ano, pensei que se não retomasse logo o processo ia acabar tendo que fazer tudo de novo, exame médico, prova escrita... troquei de instrutor e vamos lá de novo. No dia do exame estava tão nervosa que tive um piriri. Três vezes no banheiro antes de sair de casa e uma quarta na auto-escola. Aliás, quando enfim consegui chegar na auto-escola parecia um pesadelo, as mesmas meninas que reprovaram comigo no primeiro exame estavam lá, não sei como não voltei pra trás. E tinha uma fulaninha que falava pelos cotovelos, rezei pra ela ir pro local do exame no outro carro, mas ela foi comigo, era um pesadelo! Por Deus fui a primeira a fazer o exame, porque não tem coisa pior do que ver a galera saindo do carro triste, dizendo que reprovou. Chegando lá o mesmo delegado da outra vez, mas também por Deus ele estava colhendo assinaturas, quem fez meu exame foi uma mulher, não lembro o nome dela, mas lembro do seu rosto e rezo sempre pra que Deus a abençoe. Começa o exame, vamos bem até certa altura. Entra na baliza uma, duas vezes. Terceira e ultima chance. Pedi à delegada que me desse um tempinho e comecei a falar comigo em voz alta. É uma forma de organizar o pensamento. Depois comecei a rezar também em voz alta e fui embora. Ufa, consegui. Continuei o percurso, tive um errinho básico e no final da prova nem tinha coragem de olhar pro lado pra saber se tinha passado, até que de canto de olho vi um A. tomei coragem e perguntei: passei? Passou. Quase comecei a pular ali mesmo, era bom demais. O primeiro desafio estava vencido, sim, porque ter habilitação nem de longe significa dirigir.
Cheguei em Cambuí dirigindo e o povo perguntou se eu tinha comprado a carta, eu mereço isso?
Primeira vez que peguei o carro: semana entre o Natal e o Ano Novo, normalmente São Paulo está vazia e lá vamos nós até o Tietê buscar minha irmã e sobrinhos que vinham de Minas. Era tanto carro na Vinte e Três de Maio que em certa hora tive vontade de abandonar o meu ali mesmo e sair correndo e gritando. Que trauma! Pra piorar, o lado tirano de meu maridinho resolveu aflorar e ele me dava uma bronca atrás da outra, jurei nunca mais dirigir. Até tentei outro dia num percurso mais modesto, mas a briga foi tão feia que desisti mesmo. E foi assim por um mês. Depois de um dia muito infeliz no meu trabalho em Mogi das Cruzes, enquanto pensava na vida no percurso de 2 horas de trem até em casa, me veio o seguinte pensamento: eu e os filhos que desejava ter andando de trem, de ônibus, levando criança doente ao médico. Lembrei que essa sempre foi minha grande motivação pra superar meus medos e aprender a dirigir. Meu pai nunca teve carro, mas eu nunca andei de ônibus, ele sempre dava um jeito de conseguir um emprestado quando precisava ir ao médico. Foi o que bastou, tomei coragem e comecei a sair sozinha, sem marido do lado, porque homem acha que carro é pra macho. Até hoje, quase 5 anos depois, quando estou com meu marido, ele dirige, melhor assim, cada um no seu quadrado.
A primeira consulta do meu pai no oncologista aqui em São Paulo deixei o carro morrer na saída da garagem. Pra que, ele me crucificou dizendo que eu estava estragando a embreagem da quantum (na época eu tinha uma, ô carro ruim). Ah, desta vez eu xinguei, mas o fato é que eu estava tensa com ele ao lado, como eu disse lá atrás, homem acha que carro...
Foram tantas idas e vindas que com o tempo ele reconheceu que, apesar de sua não ajuda, me tornei uma boa motorista. Como ele dizia, virava São Paulo de cabeça pra baixo (pra gente do interior dirigir aqui é coisa do outro mundo) e parecia um peixinho. E o peixinho fez diferença na hora em que ele precisou. E também fez diferença pra mim sua doença, me vi fazendo coisas que jamais imaginei ter coragem, por exemplo, baliza com uma fila de carros buzinando atrás. Acredito que as coisas não são por acaso. Pensar na Luiza que eu queria ter me ajudou a cuidar do meu pai quando ele mais precisou e tudo isso foi e tem sido vivido por mim com muito amor e intensidade. Hoje me vejo carregando meu bebê no banco de trás, com todo o conforto, graças à paixão que nasceu lá atrás, na oficina do meu paizinho, entre brincadeiras e explicações de como funciona um carro.

5 comentários:
Oi Nívia, obrigada por retribuir minha visita. Tbm apreciei muito seu espaço. Tbm sempre sonhei em dirigir, e qdo completei 18 anos tirei minha carteira. Sempre fui assim gosto um pouco de independencia. Já tô com 31 anos e me gabo que nunca bati um carro , graças a Deus.
Só na estrada que não me identifico, e morro de medo.
beijo querida
aii te invejo,Ni. eu passei de primeira no exame, fiz uma baliza linda rsrs mas cadê contade de dirigir? faz 3 anos que não renovo a habilitação, preguiçaaa...rs...
um beijo, minha amiga guerreira e corajosa!
Oi amada..tbem tô vivendo esse dilema de aprender a dirigir..Tô com 44 anos e tá dificil.. ontem(12/08/09) me bateu uma deprê e eu chorei pois, as aulas estão acabando e eu sei que tô sabendo pouco.Tenho q fazer aulas extras. Rogo a Deus para passar é o meu sonho e tenho certeza que Deus irá realizá-lo. Obrigado pelo desabafo é muito bom saber q temos anseios, medos e q com fé conseguiremos. Bjussssss e fica com Jesus e Maria.Margô..Serra(ES).
Oi,me chamo Andreza, parabéns pelo seu esforço muito lindo, que legal saber que vc ñ desistiu,estou começando a dirigir, faz 1 ano que tenho abilitação mais só agora pode comprar meu carro, e estou com muito medo,lendo sua história fiquei até mais feliz ñ vou desistir também
hontem já até chorei de raiva do meu marido, mais ñ vou desistir vou mostrar pra ele que sou capaz. bjs
É motivador ouvir pessoas que tiveram experiências difíceis, iguais as que estamos vivendo e com perseverança conseguiram superar.Sempre sonhei dirigir, acho lindo mulher no volante. Então com muito sacrifício comprei um carro, tirei hablitação, mas devido ao medo, desisti, vendi carro deixei meu sonho pra trás. Mas como sou brasileira, nordestina, cabra da peste rrsrs. Agora, após 4 anos,tirei meu sonho do baú e estou tentando novamente, comprei outro carro e voltei as aulas. Com o que foi relato por vc e demais colegas, vejo que é possível SIM, eu vou conseguir.
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