Hoje de manhã uma amiga nos telefonou convidando para almoçar com sua família no domingo, almoço de dia dos pais. Disse que o pai do meu marido está no interior e o meu já não está aqui, por isso deveríamos ir compartilhar este momento com sua família. Achei gentil, mas confesso que até àquele momento não tinha me dado conta de que o dia dos pais está chegando, mesmo me dedicando a escolher com cuidado o presente do pai da minha filha. Acho que é porque meu pai de fato não está aqui.Já é o segundo ano. Ano passado ele tinha acabado de partir. Comprei um presente pro meu marido, já estava grávida, então ele já era pai, mas passei o dia todo sem sequer lembrar que dia era. Minha mãe, irmã e sobrinhos estavam aqui, o dia passou que nem vi, e nem teria sentido a falta não fosse o e-mail da minha querida amiga Lu, que se lembrou por mim. Li já era tarde, aí me doeu muito, meu pai já não está aqui. Ela me consolou com sua lembrança. Nosso ultimo dia dos pais juntos, em 2007, fui almoçar com ele por temer ser o ultimo, mal sabia eu que era mesmo, ainda bem que fui. Passei anos da minha vida longe neste dia. Nos anos de faculdade era muito perto da férias, não dava pra ficar viajando tanto assim. Depois fiz uma pós de 2 anos de duração que era sempre no segundo fim de semana de cada mês. Nem lembro direito dos dias dos pais que passei com ele na minha vida. Meu pai era um chato, dizia que era tudo comercio, e é mesmo, aí ficava meio sem graça comemorar. Mas no fim da vida ele amoleceu, talvez pela proximidade da morte, e no nosso ultimo dia dos pais juntos nos abraçamos da maneira mais gostosa que existe, como jamais nos havíamos abraçado antes. Saudade, muita saudade.
Já faz um ano e alguns dias e sinto como se o tempo tivesse voltado. Começo a reviver tudo o que aconteceu um ano atrás e me lembro que lhe neguei seu ultimo pedido, como me arrependo. Quando cheguei no hospital e encontrei minha família que acabara de chegar de Minas ele me pediu que o trouxesse até minha casa pra ele dormir um pouco, pois estava morto de sono. Por um momento pensei em atendê-lo, mas tive medo, medo de trazê-lo e ele começar a passar mal, afinal ele já estava no hospital esperando ser atendido. Falei pra ele que era melhor ficar, que logo ele seria atendido e eu o levaria embora de vez, sem precisar voltar. Por que eu não ouvi meu coração. Algum tempo depois, uma hora, uma hora e meia depois a dor forte voltou e eu disse a ele: tá vendo pai, se a gente fosse embora teria sido pior, agora o senhor está com dor de novo. Ele concordou. Acho que nunca vou me perdoar por não ter atendido seu ultimo pedido, por ter sido covarde. Acho que ele não dormiu mais, o sono dos vivos, este que a gente dorme todas as noites. Foi sua ultima noite, de dor, sofrimento, a dor da morte. Acredito que no sofrimento a gente se purifica e penso que seu sofrimento na hora de sua morte foi o fogo necessário para que sua alma fosse purificada e para que sua vontade aceitasse que sua hora havia chegado. Mas dói uma dor sem fim lembrar do seu sofrimento, parece que está acontecendo agora. Meu desejo é apagar todas as lembranças tristes e deixar apenas as boas, dos tempos bons que não voltam mais. Alguém sabe uma receita?
Já faz um ano e alguns dias e sinto como se o tempo tivesse voltado. Começo a reviver tudo o que aconteceu um ano atrás e me lembro que lhe neguei seu ultimo pedido, como me arrependo. Quando cheguei no hospital e encontrei minha família que acabara de chegar de Minas ele me pediu que o trouxesse até minha casa pra ele dormir um pouco, pois estava morto de sono. Por um momento pensei em atendê-lo, mas tive medo, medo de trazê-lo e ele começar a passar mal, afinal ele já estava no hospital esperando ser atendido. Falei pra ele que era melhor ficar, que logo ele seria atendido e eu o levaria embora de vez, sem precisar voltar. Por que eu não ouvi meu coração. Algum tempo depois, uma hora, uma hora e meia depois a dor forte voltou e eu disse a ele: tá vendo pai, se a gente fosse embora teria sido pior, agora o senhor está com dor de novo. Ele concordou. Acho que nunca vou me perdoar por não ter atendido seu ultimo pedido, por ter sido covarde. Acho que ele não dormiu mais, o sono dos vivos, este que a gente dorme todas as noites. Foi sua ultima noite, de dor, sofrimento, a dor da morte. Acredito que no sofrimento a gente se purifica e penso que seu sofrimento na hora de sua morte foi o fogo necessário para que sua alma fosse purificada e para que sua vontade aceitasse que sua hora havia chegado. Mas dói uma dor sem fim lembrar do seu sofrimento, parece que está acontecendo agora. Meu desejo é apagar todas as lembranças tristes e deixar apenas as boas, dos tempos bons que não voltam mais. Alguém sabe uma receita?

Um comentário:
não tenho receita Ni, mas minhas preces estão sempre com você e seu pai. fica bem! te amo
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