Quero passar minha vida escrevendo. Tenho um baú de memórias. Às vezes fico feliz, às vezes fico triste, aí abro meu baú e fico remexendo, lembrando de coisas boas e de coisas não tão boas, mas que sempre me ensinam outras coisas. Hoje estou tentando encontrar outro rumo pra minha vida. Muita coisa mudou e penso que quando uma porta se fecha em nossa vida é porque em alguma canto alguma janela se abriu, só não estou conseguindo encontra-la, por enquanto. Tenho me dedicado a cuidar da minha família e isso só já me toma muito tempo, tempo demais confesso, certas coisas deveriam se fazer sozinhas pois contribuem apenas para o nosso cansaço, mas chegar ao fim do dia e ver que sua família está feliz, que não falta nada também é muito bom, mas não é só. Ás vezes minha pequena dorme e eu, cansada das coisas do dia-a-dia, me permito deitar no sofá e sonhar. Aí abro meu baú e retiro de lá alguns sonhos antigos misturados com algumas lembranças e vislumbro um futuro próspero, farto, cheio de sucessos e relembro minha trajetória. Ainda sofro com momentos duros, difíceis e me alegro em ver que venci, que não foi só o tempo que passou, mas os obstáculos também e me vejo hoje pendurando quadros na parede da minha memória, apenas para não esquecer quem eu sou, de onde eu vim, aonde cheguei. E continuo remexendo meu baú e rindo de quanto fui boba muitas vezes, me orgulhando das vezes em que fui safa, das vezes em que driblei o adversário e venci, das vezes que não desisti diante do muro mais alto, mais intransponível, mas que hoje é só uma historia pra contar. E choro de saudade de alguns momentos que não voltam mais e de saudade das pessoas que amei e que já partiram. Enquanto escrevo a tarde cai e minha sala vai sendo envolvida por uma penumbra e essa luz faz meu coração se encher de nostalgia. Posso apertar o interruptor e acabar com este sentimento, posso fechar o meu baú e seguir adiante, mas é bom parar e lembrar. Quando penso no passado, enxergo o futuro e meu presente é assim. Não sei bem ao certo para onde estou caminhando, nem sei o que me espera, então cuido bem do meu baú, pois ele me acolhe e nele descanso enquanto reúno forças pra continuar, meu baú de memórias, o que fui, o que sou, o que ainda ouso sonhar. Tudo guardado num cantinho do meu coração ao alcance de minhas mãos, pronto para ser aberto e me fazer de novo sonhar...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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