quarta-feira, 19 de maio de 2010

Se houver amanhã

Uma amiga dividiu comigo a sua dor e de repente passou também a ser a minha dor. Passei um dia inteiro com lágrimas nos olhos e elas ainda voltam quando me lembro. É engraçado porque já ao nascer sabemos de nossa finitude e ainda assim recebemos a noticia da iminência da morte como se fosse grande novidade; ha,ha.

Quando minha filha nasceu passei a ter medo de morrer. Não que eu não tivesse antes, mas de repente passei a ter muito a perder, muito mais do que tinha antes, e ter vivido a despedida do meu paizinho ao mesmo tempo em que celebrava a chegada da minha princesa foi um tanto confuso e complexo demais para mim, eu chegava a pensar que não daria conta de tantas emoções diferentes borbulhando dentro de mim. E ficou um trauma. Até que meu pai falecesse eu ainda acreditava que o câncer poderia ser curado, mas depois passei a duvidar. E passei a duvidar de que podemos viver muitos anos bem e felizes, de repente a vida se tornou para mim tão frágil e aquela urgência de ser feliz que sempre senti em meu coração ficou ainda mais e mais urgente, afinal, será que haverá amanhã?

Mas o tempo, santo tempo, ele passa e dá conta de levar consigo um tanto de coisas ruins de sentir e ficamos apenas com as boas lembranças, os bons sentimentos e uma certeza: a de que podemos sim ser felizes apesar de. E quem tem amigos nunca está sozinho (cliché? cabe bem no meu sentimento de agora).

Se o amanhã não chegar, tratarei de ser feliz hoje, mas sempre acreditando que serei também para sempre!

E pras coisas duras desta vida eu indico o tempo, ele é sábio e abranda as tempestades, no mais é tratar de viver um dia por vez e intensamente, assim não sobrarão arrependimentos, só a saudade daquilo que não volta mais...

Um comentário:

LucianaArruda disse...

tava com saudade dos teus escritos... um beijo cheio de ainda mais saudadee
te amo, minha amiga, amo a paz que Luiza tem....
:)