quinta-feira, 10 de março de 2011

Tudo me lembra você...

Fomos ao mercado na terça-feira no fim da tarde, eu já cheia de fome. Depois de abastecer a casa e evitar certos corredores, topei com uma goiabada. Huuummm, isso a Luiza pode comer (porque não leva leite na receita). Meu pai fazia goiabada, tinha me esquecido. Senhor entendedor do tempo e amigo da natureza, ele sempre sabia em que época colher o quê e onde achar as mais deliciosas frutas, perdidas por aí, disponível a quem quisesse levar sem roubar dos passarinhos e dos outros animaizinhos que delas dependiam para viver. Frutas com fartura, "perdendo no pé", como se diz por lá. E ele as colhia e trazia para casa. Aliás, se alguém me ensinou a generosidade nesta vida foi ele com suas atitudes nobres e admiráveis. E ele colhia goiabas e fazia o doce. Quando deixava no ponto de comer de colher, ai que delícia. Mas quando inventava de dar o ponto de corte, ai ai, na hora ficava bom, mas depois ficava meio duro, meio grudento (goiabada é assim mesmo), ficava difícil comer depois de um tempo. Ainda me lembro bem daquela forma de bolo com goiabada meio pela metade já por dias a fio na geladeira. Depois de um tempo só ele comia. Meu pai tinha desses exageros, fazia muito e a gente enjoava, aí ele ficava um tanto de tempo mandando a gente comer porque era gostoso. Doce lembrança...

E tem sido assim, tudo me lembra ele, tudo me lembra você...

Os dias vão passando e quem já viveu vira uma sombra, a gente se habitua e a presença vai ficando embaçada, a imagem. Eu todos os dias conto coisas a ele, quero contar coisas a ele, histórias de Luiza para o vovô. Ai como dói não poder fazer isso pessoalmente. É que as sombras, as imagens embaçadas não são boas ouvintes nem interagem muito. Que fazer?...

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