Achei que nunca me tornaria adulta de verdade. Que nunca eu perderia a urgência de ser criança, de brincar e ser amada. A urgência do colo. Achei que nunca deixaria de ser carente, de sentir falta de sei lá mais o quê.
Achei que desejaria para sempre aquela boneca que nunca tive. E que carregaria, para sempre, a dor daquelas noites em que senti medo e fiquei sozinha.
Fui uma criança no meio de adolescentes e adultos. Eu era uma adultinha muito cedo. Não sabia rir, gargalhar, não sabia brincar.
Carreguei as fantasias por muito tempo. Antes de dormir, eu ficava imaginando outras vidas e, às vezes, passava o dia compondo as falas de meus personagens, imaginado as situações que aconteciam, os conflitos e as soluções. Eu era sempre a protagonista das minhas histórias e, às vezes, ficava falando sozinha.
Passou!
Não sei dizer em que momento da minha vida isso passou. Aos poucos a vida foi me promovendo encontros importantes. Pessoas de todos os tipos que, cada uma com seu jeito, foi me ensinando a ser diferente, e melhor. Então eu aprendia brincar. Aprendi a gargalhar. Aprendi a falar palavrão (ainda lembro do horror que provoquei na minha turma ao soltar o meu primeiro "vai tomar no..." rsrs).
E nesses encontros, também fui trombando em muros, 'apanhando' na rua. Encontrei pessoas boas e ruins. Levei rasteiras, fui julgada e condenada. E, a cada estorvo, a cada obstáculo, fui me tornando melhor e mais forte. Até que, um dia, não muito distante, eu descobri o equilíbrio. E a paz que é viver um dia de cada vez. Não foi nada fácil chegar até aqui. Sinto cansaço e às vezes tenho vontade de dormir três dias seguidos. Também sinto falta da energia jovem de conseguir correr, correr, correr e me recuperar em dez minutos de parada para descanso. Ah, sim, o tempo passou e os anos também. Meu corpo se recente e começo a perceber que, ainda que dentro de mim tenha muita lenha pra queimar, não tenho mais 15, 20 anos (mesmo não tendo 60 ainda rsrs). Um dia por vez, com o peso que o dia carrega, nada mais.
Luiza já está com 5 anos e 8 meses. É uma moça linda e está, neste momento, brincando de bonecas, minha brincadeira favorita.
De todos os encontros que Deus me permitiu, o encontro com Luiza, creio, foi o responsável por eu reviver toda a minha infância e resgatar a criança carente que ainda vivia em mim. Eu renasci. Tive a chance de ter todos os brinquedos que jamais imaginei e a chance de ser acolhida nos meus maiores medos. Eu ganhei colo nas noites de pesadelo, carinho nos momentos de conquista, compreensão nos momentos em que eu não podia estar inteira.
E hoje, vendo Luiza brincar, tenho mais e mais certeza, de que tenho tudo. TUDO. Tudo o que nunca tive. Então não me falta mais nada!
Realizei todos os meus sonhos e preenchi todos os buracos da minha existência. Ganhei a leveza de ser feliz todos os dias e por nada, só por estar viva e aqui, vivendo o que a vida me reserva todos os dias. O que Deus me reserva todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Sou grata! Só isso!
domingo, 9 de novembro de 2014
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário