E o Rio de Janeiro continua lindo... Será?
Quando me casei, durante os preparativos chegamos a pensar em ir pro Rio em lua de mel, como as pessoas faziam nas décadas de 50 e 60. Era chique. Mas em seguida ao pensamento vieram as noticias de uma quase guerra civil entre facções criminosas rivais, aí... desistimos. Fomos à Penedo, que fica no estado do Rio, mas não é o Rio. Achei que nunca na vida eu iria lá, haja coragem pra enfrentar o que dizem as noticias, mas o fato é que no ultimo ano, por uma destas viradas do destino, estive lá por quatro vezes. E neste ano que mal começou, fui de novo. De fato, a cidade é linda, tanto em belezas naturais quanto em patrimônio histórico, mas... como é abandonada! Tudo sujo, depredado, mal cheiroso. Sem contar que a densidade demográfica é enorme, e quando chove fica ainda pior. O mais curioso é a geografia da cidade: praias e morros. Praias lindas, ricas e morros recheados de desigualdade social. Penso que Juscelino Kubitschek cometeu um grande pecado transferindo a capital do Brasil para o Planalto Central.
Nesta ultima visita ao Rio fui fazer o passeio de bonde pelo bairro de Santa Teresa. Que lugar curioso! O trajeto passa por trechos tão estreitos que o bonde quase toca os muros, e como é alto! Ele sobe, sobe, sobe. Vira e desce, desce, desce. Subir é bem mais confortável. Não fosse o peso da barriga que já está muito grande, eu teria me aventurado mais por lá. No ponto mais alto que o bonde te leva, de um lado fica o corcovado, lindo, de outro, uma favela. Fico pensando: em que mundo vivemos que nem todos tem as mesmas oportunidades, aliás, bem poucas pessoas neste mundão tem grandes oportunidades. E nesta cidade linda e curiosa essa disparidade fica estampada em sua paisagem.
O que mais me chamou a atenção é que, eu, como boa moradora de cidade pequena, cresci assistindo as novelas daquele canal famoso. Então passear pelo Rio é um tanto familiar, como se tivesse feito isso a vida toda, é uma sensação muito louca. Catete, Leblon, Copacabana, Avenida Brasil, Ipanema, Lagoa, são nomes tão comuns na minha memória, que penso já ter estado lá em outros tempos. E meu sentimento de enfim conhecê-los é um misto de encantamento e horror, que pena ser este paraíso tão maltratado que em certos pontos mais parece o inferno (meio pesado, né).
Algumas constatações que o vovô da Luiza teria gostado de ouvir: como tem viaduto nesta cidade! Nunca vi tantos em tão pouco espaço. O mais curioso é a linha vermelha: passa por cima de um complexo de favelas, como quem diz assim: não me misturo com vocês! Passa pelo porto, mas só dá pra ver os grandes e belos navios. Passa pelo aeroporto internacional. Um misto de riqueza, progresso e casas feitas de qualquer coisa. Ao longe se avista a Igreja da Penha, bem ao alto, linda, cercada de toda sorte de coisas ao seus pés. Que cidade curiosa! E a linha vermelha segue, imponente e distante, acima de tudo isso. Basta não olhar para baixo.
E tantos outros lugares lindos e curiosos, dignos de habitar constantemente lugar de destaque no horário nobre: tanto no noticiário, quanto na novela. Você pode até escolher para que lado vai olhar: se o para o glamour, se para a cruel realidade.
E tem o Cristo. Só estive lá uma vez. Tamanho foi o meu encantamento que de lá mesmo liguei pro meu paizinho e pra minha mãezinha fazendo-lhes uma promessa que só poderei cumprir metade: levá-los lá.
Cristo, enviado por Deus para nos salvar de todo mal, mantém-se vigilante, de braços abertos, abençoando e acolhendo aquela terra linda e feia. E perdoando. Não há como não se emocionar. Acima dele só o céu, só Deus Pai. E abaixo, todos nós que nada somos sem seu amor e misericórdia.
Tenho certeza de que seu Anivio teria odiado o Rio, mas teria amado viajar até lá apenas para se encontrar com Ele. Que pena não ter dado tempo...
Quando me casei, durante os preparativos chegamos a pensar em ir pro Rio em lua de mel, como as pessoas faziam nas décadas de 50 e 60. Era chique. Mas em seguida ao pensamento vieram as noticias de uma quase guerra civil entre facções criminosas rivais, aí... desistimos. Fomos à Penedo, que fica no estado do Rio, mas não é o Rio. Achei que nunca na vida eu iria lá, haja coragem pra enfrentar o que dizem as noticias, mas o fato é que no ultimo ano, por uma destas viradas do destino, estive lá por quatro vezes. E neste ano que mal começou, fui de novo. De fato, a cidade é linda, tanto em belezas naturais quanto em patrimônio histórico, mas... como é abandonada! Tudo sujo, depredado, mal cheiroso. Sem contar que a densidade demográfica é enorme, e quando chove fica ainda pior. O mais curioso é a geografia da cidade: praias e morros. Praias lindas, ricas e morros recheados de desigualdade social. Penso que Juscelino Kubitschek cometeu um grande pecado transferindo a capital do Brasil para o Planalto Central.
Nesta ultima visita ao Rio fui fazer o passeio de bonde pelo bairro de Santa Teresa. Que lugar curioso! O trajeto passa por trechos tão estreitos que o bonde quase toca os muros, e como é alto! Ele sobe, sobe, sobe. Vira e desce, desce, desce. Subir é bem mais confortável. Não fosse o peso da barriga que já está muito grande, eu teria me aventurado mais por lá. No ponto mais alto que o bonde te leva, de um lado fica o corcovado, lindo, de outro, uma favela. Fico pensando: em que mundo vivemos que nem todos tem as mesmas oportunidades, aliás, bem poucas pessoas neste mundão tem grandes oportunidades. E nesta cidade linda e curiosa essa disparidade fica estampada em sua paisagem.
O que mais me chamou a atenção é que, eu, como boa moradora de cidade pequena, cresci assistindo as novelas daquele canal famoso. Então passear pelo Rio é um tanto familiar, como se tivesse feito isso a vida toda, é uma sensação muito louca. Catete, Leblon, Copacabana, Avenida Brasil, Ipanema, Lagoa, são nomes tão comuns na minha memória, que penso já ter estado lá em outros tempos. E meu sentimento de enfim conhecê-los é um misto de encantamento e horror, que pena ser este paraíso tão maltratado que em certos pontos mais parece o inferno (meio pesado, né).
Algumas constatações que o vovô da Luiza teria gostado de ouvir: como tem viaduto nesta cidade! Nunca vi tantos em tão pouco espaço. O mais curioso é a linha vermelha: passa por cima de um complexo de favelas, como quem diz assim: não me misturo com vocês! Passa pelo porto, mas só dá pra ver os grandes e belos navios. Passa pelo aeroporto internacional. Um misto de riqueza, progresso e casas feitas de qualquer coisa. Ao longe se avista a Igreja da Penha, bem ao alto, linda, cercada de toda sorte de coisas ao seus pés. Que cidade curiosa! E a linha vermelha segue, imponente e distante, acima de tudo isso. Basta não olhar para baixo.
E tantos outros lugares lindos e curiosos, dignos de habitar constantemente lugar de destaque no horário nobre: tanto no noticiário, quanto na novela. Você pode até escolher para que lado vai olhar: se o para o glamour, se para a cruel realidade.
E tem o Cristo. Só estive lá uma vez. Tamanho foi o meu encantamento que de lá mesmo liguei pro meu paizinho e pra minha mãezinha fazendo-lhes uma promessa que só poderei cumprir metade: levá-los lá.
Cristo, enviado por Deus para nos salvar de todo mal, mantém-se vigilante, de braços abertos, abençoando e acolhendo aquela terra linda e feia. E perdoando. Não há como não se emocionar. Acima dele só o céu, só Deus Pai. E abaixo, todos nós que nada somos sem seu amor e misericórdia.
Tenho certeza de que seu Anivio teria odiado o Rio, mas teria amado viajar até lá apenas para se encontrar com Ele. Que pena não ter dado tempo...

Um comentário:
tempo,tempo,tempo...
beijo cheio de ternura!
=]
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