quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As coisas simples da vida...

Ontem fui ao mercado fazer as compras da casa. Ao chegar lá, estacionei o carro e saí, deixando a chave no contato. Só percebi quando fui trancar e não tinha como, fiz compras rindo sozinha, acho que perdi o hábito. Não fazia compras sozinha sei lá desde quando. No final da gravidez já não carregava sacolas mais e depois que a Luiza nasceu passei um bom tempo sem saber o que é isso. Teve um tempo que eu adorava fazer compras e um tempo que eu odiava. Neste ultimo faltava verba, ninguém merece ter que somar centavos pra ver se o dinheiro dá. Achava tão difícil sair sozinha com a Luiza no começo que só fazia isso em caso de urgência ou para a ida ao pediatra, então ir ao mercado passou a ser meu objeto de desejo. Hoje voltei lá pra comprar o que esqueci ontem e fiquei conversando com um senhor aposentado na fila sobre as promoções dos mercados e o quanto a vida está cara, o tempo passou rápido e nem senti a fila. Lembrei-me do tempo em que eu fazia amizade até no ponto de ônibus, tempo em que eu ambicionava me tornar uma psicóloga e ficava aprendendo sobre as pessoas por aí, bons tempos, de muita disposição para o aprendizado, quase nenhum dinheiro e poucas contas para pagar, poucas responsabilidades. Não tenho nenhuma saudade. A vida era mais leve, mas as preocupações eram tão mais pesadas... qualquer bobagem era motivo de extremo sofrimento, próprio da idade, do tempo de ser adolescente ou adulto jovem. O senhor da fila me disse que passa a semana andando atrás das promoções, que não paga passagem de ônibus e que acaba economizando um bom dinheiro. Aí acrescentei que ele estava certo, pois além disso evitava ficar em casa adoecendo, pois é isso o que acontece com quem pára e não coloca nada no lugar. Mas fiquei pensando no que diz a minha querida Yolanda Forghieri, que envelhecer é tornar-se livre de fato, é poder ler aquele livro que se abandonou por falta de tempo, tirar um cochilo no meio da tarde, dormir assistindo a novela das sete e acordar na novela das oito e pensar: nossa, mas mudou a novela? E não sentir culpa alguma. Penso que deve ser bom. Ou ficar por aí buscando as promoções. Penso que uma das grandes satisfações da vida é a sensação de ter feito um bom negócio, como dá prazer! Enquanto não chego lá, fico aqui com as minhas inúmeras obrigações de mãe, esposa, dona da casa e quem sabe profissional, sem tempo para as promoções, mas feliz, por gastar tempo com preocupações reais, por rir das bobagens da vida e ainda com energia para perceber as coisas simples e aprender com elas...

Esse post ofereço para minha querida Pilé, que acha que está envelhecendo, mas que tem o mais jovem dos corações...

2 comentários:

LucianaArruda disse...

coisas simples que eu adoro, e não abro mão: ler seu blog, relembrar da nossa época de faculdade, e pedir a Deus que te proteja sempre...
te amo!

Unknown disse...

Querida Nivia. Que delicia ler o que você escreve, que delicia ver quem você é, que delicia poder partilhar com você das coisas da vida, que são apreendidaspor você com amor e com poesia. Que lindo seu casamento, que linda que você é. Beijos em seu coração.
Pile (com um certo temor/tremor de envelhecer...)
Bejos à Luiza e ao seu querido companheiro