Sexta feira tive um dia daqueles. Trabalhei feito uma "condenada" pra deixar tudo pronto porque a gente ia viajar. Lá pelas tantas o marido liga dizendo que vai fazer hora extra para testar um equipamento. E eu com isso. Além de todas as tarefas, vamos passear com o cachorro. Peguei a Luiza uma hora mais tarde na escola e, como já não bastasse, ela resolveu fazer birra, a primeira, só queria colo, um sufoco! À noite, na estrada, eu enfastiada de tanto cansaço, queria reclamar. Aí o marido disse qualquer coisa que me fez calar. A certa altura ele me pergunta se eu vi a lua. A ha, e eu lá tenho tempo de ver lua? Pensei, só pensei. Estiquei-me pra ver se a via então, e de repente uma série de lembranças pipocaram meus pensamentos. Lembrei-me do tempo em que me dedicava a olhar a lua, grande, brilhante. Ficava admirando, vendo ela subir e tornar-se pequena, imaginando uma vida de sonhos, de amor. E foi assim por anos a fio, durante toda a minha adolescência. Pensei: não tenho saudade! Acho que porque vivi intensamente. Entreguei-me àquele sentimento da maneira mais sincera e fui feliz e triste olhando a lua. Passou. Hoje já não a olho como antes, de fato não dá tempo, mas a tenho bem guardada na lembrança de um tempo em que sonhava com tudo o que tenho em minha vida hoje.; Acho que de fato não preciso ter saudade. Também lembrei do dia em que meu pai me disse que pagaria a escola pré-vestibular pra mim, um dos dias mais felizes de minha vida. Eu costumava deitar no sofá e ficar ouvindo música com a luz apagada até adormecer, no inicio da noite. Neste dia, fazia o mesmo quando meu pai chegou e acendeu a luz. Fiquei irada, ele me acordou. Eu queria muito mudar de escola junto com minhas amigas, para estudar pro vestibular, mas nem tive coragem de pedir pro meu pai, ele não valorizava nada disso, porque me pagaria escola se eu podia estudar de graça? E, como ele insistiu em dizer muitas vezes: faculdade era pra gente inteligente... Aí prestei um vestibular qualquer, no final do segundo ano e passei, provei que merecia o investimento. Sem que eu pedisse ele me concedeu o que tanto desejava. Claro que era o inicio de uma longa caminhada e de muitas brigas e desconfiança de que realmente não era dinheiro jogado fora, mas isso é outra historia. Quase sinto novamente a euforia que me invadiu, precisei sair de casa, contar pra alguém, minha alegria não cabia em mim, estava transbordando... Não sei se era noite de lua cheia, não lembro, mas fazia calor e aquele ar gostoso me abraçava enquanto saltitava pela rua. Até me deu vontade de saltitar de novo.
Meu pai, na sua simplicidade, me ensinou a admirar as coisas da natureza, me ensinou a viver intensamente e a aproveitar o momento presente em sua plenitude. Se estou triste, sou triste. Se estou alegre, fico saltitante. Se estou brava, não mexe comigo. Uma emoção a cada momento, vivida intensamente, reunindo um montão de historias pra lembrar e contar.
Quanta coisa me rememorou aquela simples pergunta... espero que a Luiza também goste de olhar a lua e sonhar...
Hoje quando voltava pra casa depois de deixar a Luiza na escola, vi o moço das frutas e lembrei do meu pai e da jaca que nós compramos e que ele comeu com tanto gosto. Aquela barraca de frutas deixou para sempre de ser apenas uma simples barraca de frutas...
Meu pai, na sua simplicidade, me ensinou a admirar as coisas da natureza, me ensinou a viver intensamente e a aproveitar o momento presente em sua plenitude. Se estou triste, sou triste. Se estou alegre, fico saltitante. Se estou brava, não mexe comigo. Uma emoção a cada momento, vivida intensamente, reunindo um montão de historias pra lembrar e contar.
Quanta coisa me rememorou aquela simples pergunta... espero que a Luiza também goste de olhar a lua e sonhar...
Hoje quando voltava pra casa depois de deixar a Luiza na escola, vi o moço das frutas e lembrei do meu pai e da jaca que nós compramos e que ele comeu com tanto gosto. Aquela barraca de frutas deixou para sempre de ser apenas uma simples barraca de frutas...

Um comentário:
Oi querida,
como sempre cheia de histórias legais para contar.
mas hj as pessoas raramente admiram a natureza, o dia cheio e o estrese nos tira essa sensibilidade.
Beijo grande pra vcs.
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