Tem pacientes que são especiais, mesmo depois de muito tempo a gente lembra deles e fica se perguntando como estão, se resolveram enfim aquele conflito, se estão enfim felizes e ainda usufruindo dos benefícios da terapia. Não que outros pacientes não sejam também especiais, mas é assim na vida, a gente se identifica mais com algumas pessoas que com outras, na clínica também, maior empatia com uns que com outros. Penso que comecei a ser mãe com meus pacientes, porque é assim, acolho e cuido como se fossem meus e vou ajudando-os a se preparar para viver a vida sem mim. Já atendi tanta gente que nem dá pra fazer conta e a maioria delas nunca mais vi nem tive noticia, mas de vez em quando cruzo com alguns ex-pacientes na rua e é uma delicia perceber o carinho e a gratidão destas pessoas a quem ajudei num momento de dúvida e dificuldade. Lembro-me da primeira vez que cruzei com uma ex-paciente na rua, ela havia sido minha segunda paciente no estágio da faculdade ainda. Nos encontramos numa papelaria e eu estava vestida de estudante, quase morri de vergonha, estava de mini-saia (na época eu ainda usava), blusa de alcinha e chinelo. É que na clínica Psicólogo que se preze usa roupas mais formais, ou mais "tapadinhas" pelo menos. Ela veio toda contente falar comigo, tinha pintado o cabelo de loiro, ela era bem morena. Grandes mudanças internas começam, diz minha experiências, por grandes mudanças externas. Primeiro ela cortou o cabelão, ainda na terapia, e depois pintou, já depois da alta, o que me mostrou que o processo de crescimento e mudança dela continuava a todo vapor. Conversamos e comprovei, realmente ela estava muito mudada, pra melhor. Fiquei tão feliz que minimizou minha vergonha de ser vista tão à vontade.
Esta noite enquanto amamentava lembrei de outra paciente, tão linda e criativa, que tinha uma filhinha fofa demais de nome Cora, original né. Fiquei com vontade de encontrá-la. E acabei lembrando de tantos outros, das minhas crianças fofas, algumas que ficaram bravas comigo quando me despedi do meu emprego e deixei de atendê-las; como estarão hoje? A maioria já é adolescente agora e temo encontrar na rua e não reconhecer, tomara que me reconheçam e venham pular nos meus braços como fez uma menininha fofa que atendi e que também ficou com raiva de mim, mas que esqueceu tudo quando me viu. Só que ela já tinha crescido, então quase me derrubou na rua, a menininha já estava meninona, linda como sempre.
Depois que engravidei passei a me dedicar somente à minha nova fase, à minha pequena. De repente toda àquela entrega ao trabalho precisou ser cessada pois uma nova vida estava me sendo entregue e pela qual eu me tornaria totalmente responsável. E outras vidas acabaram ficando sem minha dedicação exclusiva. Penso que nunca mais serei a mesma profissional de antes, é, porque se a Luiza ficar doente, meus pacientes que me perdoem, mas agora ela é prioridade. Difícil né, ser mãe e profissional ao mesmo tempo. Até entendo que as mulheres assim muito bem sucedidas no trabalho ou não tem filhos ou acabaram sendo mães mais ausentes. Ou eu que sou intensa demais e me entrego totalmente ao que estou fazendo sobrando pouco de mim para outras coisas. Será?
Esta noite enquanto amamentava lembrei de outra paciente, tão linda e criativa, que tinha uma filhinha fofa demais de nome Cora, original né. Fiquei com vontade de encontrá-la. E acabei lembrando de tantos outros, das minhas crianças fofas, algumas que ficaram bravas comigo quando me despedi do meu emprego e deixei de atendê-las; como estarão hoje? A maioria já é adolescente agora e temo encontrar na rua e não reconhecer, tomara que me reconheçam e venham pular nos meus braços como fez uma menininha fofa que atendi e que também ficou com raiva de mim, mas que esqueceu tudo quando me viu. Só que ela já tinha crescido, então quase me derrubou na rua, a menininha já estava meninona, linda como sempre.
Depois que engravidei passei a me dedicar somente à minha nova fase, à minha pequena. De repente toda àquela entrega ao trabalho precisou ser cessada pois uma nova vida estava me sendo entregue e pela qual eu me tornaria totalmente responsável. E outras vidas acabaram ficando sem minha dedicação exclusiva. Penso que nunca mais serei a mesma profissional de antes, é, porque se a Luiza ficar doente, meus pacientes que me perdoem, mas agora ela é prioridade. Difícil né, ser mãe e profissional ao mesmo tempo. Até entendo que as mulheres assim muito bem sucedidas no trabalho ou não tem filhos ou acabaram sendo mães mais ausentes. Ou eu que sou intensa demais e me entrego totalmente ao que estou fazendo sobrando pouco de mim para outras coisas. Será?

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