No meu tempo (que frase mais envelhecedora) os ovos de pascoa vinham recheados de bombons deliciosos, não importava o quão baratinho e pequenininho fosse o ovo. Aí eu cresci e passei a comprar ovos caseiros, com bombons ainda melhores e e em maior quantidade que os do supermercado. Aí a Luiza nasceu e tive que pular uma Páscoa, nada de leite de vaca, então nada de chocolate. Só depois descobrimos ovos de soja, mas isso é outra historia. Esse ano, "cruz credo", não ia ter ovo de novo porque Luiza ainda não pode com chocolate, mas entrei em crise. Essa é a única época do ano que fico doida por chocolate. Papai se solidarizou e comprou um pra mim e um pra ele. E Luiza ganhou um bem pequeno da dindinha e outro da Tia Nelma. E pasmem: os pequenos não tinham nada dentro, e os maiores, os bombons estavam embalados em tanto plástico que quase não cabia bombom. Aonde vamos parar com essa "misereza" de chocolate?
Fomos pra casa da vovó e foi um estrago só. É porque nem bem chegamos de viagem, já saímos de novo, Luiza não gostou e protestou até não poder mais. Fiquei triste, não gosto de ver minha fofura incomodada, foram três noites sem dormir. Eu queria ver minha amiga Thaísa, que mora em BH e com quem nunca consigo me encontrar, nunca estamos lá nos mesmos fins de semana. Ela também tem uma gatinha, dois meses mais velha que a minha. Somos amigas de velha data, eu, ela e mais uma meia dúzia de meninas, hoje todas balzaquianas já passadas, mas não menos belas, bem humoradas e cheias de vida. Minha vida foi assim, cresci numa cidade bem pequena, onde todo mundo era amigo de todo mundo, só tinha escola pública e igualdade social era algo real, graças a Deus. Penso que por ter sido assim no meu tempo sou o que sou hoje. Estas amigas sempre foram boas influencias. São filhas de famílias diferentes da minha, mas com valores fortes como os meus. A diferença é que elas traziam em sua herança cultural a importância do estudo e acho que parte de minha petulância em querer fazer faculdade vem do que elas e suas famílias me mostraram ainda enquanto éramos crianças. (Na minha família inteira posso contar nos dedos quantas pessoas cursaram faculdade). O gostoso é que mesmo eu sendo filha de outra "casta", elas sempre me receberam como iguais e se tornaram minhas irmãs de coração, sem elas não vivo, foram e sempre serão minhas amigas queridas e sinceras, por quem sinto um amor enorme. Por isso valeu muito a pena o sacrifício de ter ido viajar pra encontrar a Thaísa. É que as outras moram lá, bem mais fácil de fazer uma visita. E nossas vidas estão tão ligadas que seguimos o mesmo caminho: estudamos, nos formamos, casamos e agora estamos dando nossa contribuição pra continuação do mundo: estamos tendo filhos. Só a Emilene foi mais adiante, seus filhos são livros, muito chique né. Porque livros fazem a diferença para a humanidade...
Eu nunca disse pra Thaísa o quanto foi importante pra mim vê-la na porta da Igreja, no funeral do meu pai. Todas elas se fizeram presentes de uma maneira muito especial. A Emilene e a Jamile ficaram em casa me esperando chegar com o meu pai. Ele faleceu em São Paulo e tivemos que levá-lo de volta até Cambuí. A Maria estava de plantão então intimou as outras para me esperarem e depois do enterro elas ainda ficaram cuidando de mim por umas horas, o que fez com que o vazio demorasse um pouco mais a chegar. Eu estava grávida e elas cuidaram de mim com tanto carinho num momento tão difícil da minha vida. E no enterro estava todo mundo lá de novo, um sol que Deus dava, o cemitério parece em cima do calvário, e todo mundo do meu lado até o ultimo minuto. Não preciso de mais nada, sou cheia de amigas!!!
Penso que ovos de pascoa deveriam ser recheados de amizade, isso sim é que bombom do bom!!!!! Depois eu volto, ainda tenho muito o que contar.
Fomos pra casa da vovó e foi um estrago só. É porque nem bem chegamos de viagem, já saímos de novo, Luiza não gostou e protestou até não poder mais. Fiquei triste, não gosto de ver minha fofura incomodada, foram três noites sem dormir. Eu queria ver minha amiga Thaísa, que mora em BH e com quem nunca consigo me encontrar, nunca estamos lá nos mesmos fins de semana. Ela também tem uma gatinha, dois meses mais velha que a minha. Somos amigas de velha data, eu, ela e mais uma meia dúzia de meninas, hoje todas balzaquianas já passadas, mas não menos belas, bem humoradas e cheias de vida. Minha vida foi assim, cresci numa cidade bem pequena, onde todo mundo era amigo de todo mundo, só tinha escola pública e igualdade social era algo real, graças a Deus. Penso que por ter sido assim no meu tempo sou o que sou hoje. Estas amigas sempre foram boas influencias. São filhas de famílias diferentes da minha, mas com valores fortes como os meus. A diferença é que elas traziam em sua herança cultural a importância do estudo e acho que parte de minha petulância em querer fazer faculdade vem do que elas e suas famílias me mostraram ainda enquanto éramos crianças. (Na minha família inteira posso contar nos dedos quantas pessoas cursaram faculdade). O gostoso é que mesmo eu sendo filha de outra "casta", elas sempre me receberam como iguais e se tornaram minhas irmãs de coração, sem elas não vivo, foram e sempre serão minhas amigas queridas e sinceras, por quem sinto um amor enorme. Por isso valeu muito a pena o sacrifício de ter ido viajar pra encontrar a Thaísa. É que as outras moram lá, bem mais fácil de fazer uma visita. E nossas vidas estão tão ligadas que seguimos o mesmo caminho: estudamos, nos formamos, casamos e agora estamos dando nossa contribuição pra continuação do mundo: estamos tendo filhos. Só a Emilene foi mais adiante, seus filhos são livros, muito chique né. Porque livros fazem a diferença para a humanidade...
Eu nunca disse pra Thaísa o quanto foi importante pra mim vê-la na porta da Igreja, no funeral do meu pai. Todas elas se fizeram presentes de uma maneira muito especial. A Emilene e a Jamile ficaram em casa me esperando chegar com o meu pai. Ele faleceu em São Paulo e tivemos que levá-lo de volta até Cambuí. A Maria estava de plantão então intimou as outras para me esperarem e depois do enterro elas ainda ficaram cuidando de mim por umas horas, o que fez com que o vazio demorasse um pouco mais a chegar. Eu estava grávida e elas cuidaram de mim com tanto carinho num momento tão difícil da minha vida. E no enterro estava todo mundo lá de novo, um sol que Deus dava, o cemitério parece em cima do calvário, e todo mundo do meu lado até o ultimo minuto. Não preciso de mais nada, sou cheia de amigas!!!
Penso que ovos de pascoa deveriam ser recheados de amizade, isso sim é que bombom do bom!!!!! Depois eu volto, ainda tenho muito o que contar.

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