terça-feira, 6 de julho de 2010

Para a amiga Anna.

Estava dividida entre ir à academia, ir à feira e sentar aqui para escrever. Acabei por me dar conta de que alimentar minha alma, exercitar minha mente e ouvir meu coração são de maior importância do que comer ou fazer exercícios. Claro que se passasse fome seria diferente, mas eliminar aquelas dobrinhas intrusas pode esperar, a urgência do meu coração é muito maior do que essas exigências deste mundo comtemporâneo.
Ontem fui visitar minha amiga Anna (a Paulinha pros íntimos, mas para mim, sei lá, sempre foi a Anna). Fui conhecer seu novo lar doce lar e mais uma vez tomar parte de sua loucas aventuras de sucesso. Bem poucas pessoas no mundo são tão ousadas e corajosas como minha amiga Anna. Eu a admiro demais!
Mas precisava também desabafar. Porque me tornar mãe fez acordar dentro de mim uns cem milhões de lembranças, algumas boas, outras nem tanto, que andavam me perturbando e me impedindo de tocar a vida pra frente. Eu precisava falar. E falei. E ela ouviu. E falou também, mas eu falei mais, como sempre. E ela, boa amiga que é, ouviu pacientemente e me ajudou a compreender esses cem milhões de lembranças pipoqueiras que andavam me roubando a paz. E voltei pra casa com vontade falar mais ainda, mas com a cabeça repleta de respostas e com o coração tranquilo. E me dei conta que grande parte das coisas que sonhava fazer quando tivesse uma filha (sim, sempre quis uma filha) são coisas que desejava ter feito com minha mãe, mas que nunca aconteceram. Não porque minha mãe tenha sido uma mãe má, ruim, mas porque ela também não fez com a sua mãe. Coisas das quais nunca havia me dado conta e que de repente passaram a me incomodar demais e eu não estava conseguindo lidar com essas "novidades", aí a minha amiga querida Anna me concedeu uma tarde de sua vida e fizemos uma longa sessão de "terapia", embora prefira achar que foi uma troca de confidências. Obrigada, amiga querida!

Conheci a Anna nos tempos da faculdade. Estava triste e desolada, sozinha na pensão em que moramos juntas quando de repente ela chegou, com seu cabelo rebelde, seu jeito de adolescente de 15 anos e acompanhada de sua mãe carinhosa e zelosa. Chegou falante e aquele jeito não combinava muito com os óculos de lentes grossas que usava, mas logo ficamos amigas. Nem sei como, porque ela sempre foi uma alegria só, embora compartilhássemos o desejo de não estar ali naquela cidade do fim do mundo. Eu triste, ela alegre, como pôde dar certo? O encontro de almas não precisa razão. E a Anna não parava muito por lá, a gente mal se via naquela época, ela era cheia de amigos e compromissos e ainda tinha um namorado, não dava muito tempo mesmo da gente ficar conversando, mas ficamos amigas ainda assim. E a Anna foi embora, voltou pra sua terra garoenta e para o conforto do ninho de sua doce mãe e ficamos anos sem nos ver ou nos falar, apenas trocando cartões de Natal e talvez uma carta ou outra. E enfim nos vimos de novo e o milagre aconteceu, o milagre do encontro de almas, era como se estivéssemos sempre juntas, o tempo não passou. E o que mais admiro nessa pessoa única que é a Anna é que ela é amiga assim de uma porção de gente, coisa rara, . Mas pra mim ela é mais. Lembrando de sua mãe arrumando suas coisas no armário da pensão pude compreender enfim de onde vem tanta dedicação, porque a Anna não é só minha amiga, ela cuida de mim e vive me ajudando, seja me encaminhando meu primeiro paciente na clínica, seja ouvindo minhas lamentações, seja me carregando para levar um currículo na Cato, seja me convidando pra montar um curso. Sempre me ajudando. Penso que ela é destas amigas meio mães, passe o tempo que passar, aconteça o que acontecer, essa amiga é daquelas com quem sempre vou poder contar. O que posso dizer a esse respeito?

Amo muito você, amiga querida, conte comigo também e muito obrigada por tudo!

Cabe aqui uma destas frases prontas: quem tem amigos nunca está sozinho. Que bom que conto com você, amiga querida.

2 comentários:

Anna Paula disse...

Amiga querida! Pode ter certeza que eu também amo muito você. A amizade realmente é um dos mais nobres sentimentos! Fiquei emocionada com tudo que escreveu, e, enquanto lia, lembranças de momentos - bons e ruins - vieram à tona! Que gostoso perceber que temos histórias para contar! E melhor ainda é saber que estamos construiundo essas histórias, sempre!
Um grande beijo no seu coração.
Anna

LucianaArruda disse...

ciuminhooo
rs
to brincando!
é muito bom estar cercado de bons amigos! e voce é a melhor!
te amo!