Manhã de domingo, cheiro de café no ar, não passou ainda? Será vindo de um vizinho? Ou a minha memória; ou o meu desejo... corro a atender a urgência do meu coração antes que, como todo dia, ele seja atropelado. Por quem? Pela vida, oras. Preciso passar roupa, meus ombros estão cansados, minhas costas dóem, cansa muito correr, correr, correr, chegar, onde mesmo? Pausa pra um café gostoooso, huuummm. Ando cansada de ser esmagada todo dia por este "rolo compressor" que é a rotina da vida. Por vezes fico esmagada, ai, isso dói. Por vezes sou arrastada, ora rolo, ora tsunami. Ainda nem havia me reorganizado com a nova rotina de trabalho, outra mudança, boba, mas deveras impactante no dia a dia. Escrever? Ah, isso deve ser para quem não tem o que fazer, e eu tenho muito o que fazer, meu coração que espere, ainda que este muito seja coisa alguma segundos depois e não me leve há lugar algum. Não entendo como as coisinhas pequenas da vida podem pesar tanto.
Quando comecei a trabalhar, logo que me formei, eu fazia o exercicio ao dormir de lembrar de cada paciente que atenderia no dia seguinte, de suas historias e assim me preparava para elas, para, ao acordar, estar pronta. Alguem disse que isso era errado, que atrapalharia meu sono, eu acreditei. E mais uma centena de coisas e eu fiquei sem ritmo, sem rumo, e ainda que todos os caminhos levem à Leonando da Vinci, certos atalhos, certos obstáculos, sei não. Pela primeira vez na minha vida estou realmente a fim de me olhar, de exergar meus passos e meus erros, não quero passar o resto da vida no mesmo compasso, mas não sei muito bem como fazer isso sozinha.
Ando sobrecarregada, não estou conseguindo dar conta de tudo e o trator com o rolo insiste em vir atrás de mim. Ou a onda gigante e meus esforços sempre inúteis. Sempre vou cair no final. Será que dá para ser diferente? Estou cansada de sempre dar de cara com a sensação de que ando vivendo a vida errada. Ando cansada de sentir que estou no lugar errado. De repente começo a entender que, de tanto me ocupar com o lugar de outrem, tenho deixado o meu vazio, "minha ilha", meu refúgio fica desprotegido e à mercê de toda sorte de ataques externos. Corro, tento defendê-lo já tarde demais, certos ataques causam estragos terríveis, feridas e cicatrizes passam a compor as paredes desse refúgio, não anda nada bonito. Mas, e a beleza da pintura original? Preciso dos serviços de um restaurador. Sei que lá no fundo tem uma bela pintura de cores fortes e vibrantes, mas também de uma suavidade incrível, delicia de olhar. Como fazer para recuperar tudo isso sem esquecer todo o resto? Como buscar a harmonia do que sou e o que vivi, sem meter sempre os pés pelas mãos? Sim, chegarei ao meu destino, mesmo que nada faça para isso, assim é a vida, a Leonardo continua cortando o bairro. Mas, será que é assim que quero e preciso continuar?
Só me resta tomar mais um café. O "rolo" já bateu na minha porta e se eu demorar a abrir, vai derrubá-la.
Quando comecei a trabalhar, logo que me formei, eu fazia o exercicio ao dormir de lembrar de cada paciente que atenderia no dia seguinte, de suas historias e assim me preparava para elas, para, ao acordar, estar pronta. Alguem disse que isso era errado, que atrapalharia meu sono, eu acreditei. E mais uma centena de coisas e eu fiquei sem ritmo, sem rumo, e ainda que todos os caminhos levem à Leonando da Vinci, certos atalhos, certos obstáculos, sei não. Pela primeira vez na minha vida estou realmente a fim de me olhar, de exergar meus passos e meus erros, não quero passar o resto da vida no mesmo compasso, mas não sei muito bem como fazer isso sozinha.
Ando sobrecarregada, não estou conseguindo dar conta de tudo e o trator com o rolo insiste em vir atrás de mim. Ou a onda gigante e meus esforços sempre inúteis. Sempre vou cair no final. Será que dá para ser diferente? Estou cansada de sempre dar de cara com a sensação de que ando vivendo a vida errada. Ando cansada de sentir que estou no lugar errado. De repente começo a entender que, de tanto me ocupar com o lugar de outrem, tenho deixado o meu vazio, "minha ilha", meu refúgio fica desprotegido e à mercê de toda sorte de ataques externos. Corro, tento defendê-lo já tarde demais, certos ataques causam estragos terríveis, feridas e cicatrizes passam a compor as paredes desse refúgio, não anda nada bonito. Mas, e a beleza da pintura original? Preciso dos serviços de um restaurador. Sei que lá no fundo tem uma bela pintura de cores fortes e vibrantes, mas também de uma suavidade incrível, delicia de olhar. Como fazer para recuperar tudo isso sem esquecer todo o resto? Como buscar a harmonia do que sou e o que vivi, sem meter sempre os pés pelas mãos? Sim, chegarei ao meu destino, mesmo que nada faça para isso, assim é a vida, a Leonardo continua cortando o bairro. Mas, será que é assim que quero e preciso continuar?
Só me resta tomar mais um café. O "rolo" já bateu na minha porta e se eu demorar a abrir, vai derrubá-la.

Um comentário:
aproveita o café, respira e se arma pra enfrentar, o que quer que seja! qdo encaramos de frente, já vencemos metade da batalha...
;)
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