Há um ano e meio vim morar num bairro que tem uma Rua que se chama Leonardo da Vinci. É uma rua muito peculiar. É longa, cortando praticamente todo o bairro, mas não segue um caminho linear. Ela vai fazendo curvas, entrecortando todos os caminhos, como se fosse um rio desbravando a mata. Se você andar em linha reta, ora cruza com o rio, ora se afasta dele. Assim é a Leonardo da Vinci. Como meu bairro não foi planejado, não necessariamente virar sempre à direita vai te levar de volta ao ponto de partida. Se você optar por seguir por esta rua, logo vai ver que ela mudou de nome, quer dizer, você saiu dela, para em seguida retornar a ela. Assim aprendi que todos os caminhos de alguma forma ou cruzam ou terminam na Leonardo da Vinci. Sendo assim, mesmo que alguém se perca, logo se acha. Isso me faz lembrar o movimento de uma gangorra, ora embaixo, ora em cima, sempre em movimento. Saio de uma posição, logo retorno a ela para em seguida sair de novo. Essa brincadeira de sempre chegar à Leonardo me fez parar de ter medo de circular por aqui. Quando me mudei o bairro me assustava um pouco, como tudo o que é novo, e sair de carro por aqui me apavorava, porque é muito fácil se perder, o que eu não sabia é que mais fácil ainda é voltar a se achar. Basta manter a calma e ficar atenta ao que se mostra e logo o caminho se desvenda. Quem já brincou em gangorra sabe que gostoso mesmo é estar em cima, mas se a gente não volta para baixo para pegar impulso, a brincadeira acaba, ninguém fica no alto o tempo todo. Até dá pra ficar se alguém se sacrificar, mas que graça tem? O legal é o movimento.
De repente percebo algumas coincidências, ao passar pela rua, penso na vida. Minha amiga me disse que para fazer o biscoito precisa misturar cada ingrediente antes de ser assado, e só depois do passo-a-passo é que se tem o resultado. Posso imaginar biscoitos amanteigados deliciosos saindo do forno, aquele cheiro - huuuummm! - que delicia, mas dá um trabalho, principalmente na parte que envolve enrolar e cortar um a um. E assar. Nunca cabe todos de uma vez no forno, assim a produção de biscoitos numa cozinha de casa é trabalho pra um dia inteiro, quase como a pamonha. E vai, e mistura, e prova, e mexe, e enrola, e corta, aff, haja paciência. E o biscoito tem o tempo do biscoito, a vida tem o tempo da vida e todos os caminhos nos levam à Leonardo da Vinci, ops, todos os caminhos nos levam aonde temos que chegar, ainda que a gente se perca um pouco no meio do percurso. Basta manter a calma, respirar fundo pra otimizar a capacidade de raciocinar e conseguir traçar as estratégias certas de continuar. E chegar. No tempo do biscoito, no tempo certo, no tempo da vida.
Tive um namorado anos atrás que me aprontou uma daquelas: foi pra uma festa sem me contar. Como eu não o encontrava em lugar nenhum, entrei em desespero achando que podia ter acontecido algo de ruim. Na época, eu deveria ter uns 16, 17 anos, ainda não tinha compreendido a frase que diz que noticia ruim chega rápido. Enfim, no meu desespero, fui à reunião do grupo de jovens do qual participava e pus-me a orar, pedindo a Deus que protegesse o infeliz aonde ele estivesse. Foi quando um dos meus colegas bateu em meu ombro e me disse assim: "não apresse o rio, deixe que ele corra sozinho". Não apresse o rio... Anos mais tarde, já formada e trabalhando fui plantar uma horta com meus pacientes sob a orientação da terapeuta ocupacional e, que coisa maravilhosa, a semente germina quando é a hora dela, não tem água ou adubo que consiga apressar isso. Na mesma época eu plantei uma florzinha num vaso que morreu, mas como eu pretendia plantar de novo, continuei regando o vaso para a terra não endurecer. De repente nasceu uma plantinha que logo mostrou ser um pé de tomate, até deu tomate, tenho até foto, porque aquela semente já estava lá sem ter sido colocada por mim, mas só nasceu quando o tempo dela enfim chegou.
Parece que assim é a vida: de biscoitos, ruas Leonardos da Vinci, rios, gangorras, tomates. E cada coisa a seu tempo, no tempo certo de cada coisa, ainda que nosso desejo deseje um tempo diferente. Por que será que tem dias que a gente custa a acreditar nisso?
De repente percebo algumas coincidências, ao passar pela rua, penso na vida. Minha amiga me disse que para fazer o biscoito precisa misturar cada ingrediente antes de ser assado, e só depois do passo-a-passo é que se tem o resultado. Posso imaginar biscoitos amanteigados deliciosos saindo do forno, aquele cheiro - huuuummm! - que delicia, mas dá um trabalho, principalmente na parte que envolve enrolar e cortar um a um. E assar. Nunca cabe todos de uma vez no forno, assim a produção de biscoitos numa cozinha de casa é trabalho pra um dia inteiro, quase como a pamonha. E vai, e mistura, e prova, e mexe, e enrola, e corta, aff, haja paciência. E o biscoito tem o tempo do biscoito, a vida tem o tempo da vida e todos os caminhos nos levam à Leonardo da Vinci, ops, todos os caminhos nos levam aonde temos que chegar, ainda que a gente se perca um pouco no meio do percurso. Basta manter a calma, respirar fundo pra otimizar a capacidade de raciocinar e conseguir traçar as estratégias certas de continuar. E chegar. No tempo do biscoito, no tempo certo, no tempo da vida.
Tive um namorado anos atrás que me aprontou uma daquelas: foi pra uma festa sem me contar. Como eu não o encontrava em lugar nenhum, entrei em desespero achando que podia ter acontecido algo de ruim. Na época, eu deveria ter uns 16, 17 anos, ainda não tinha compreendido a frase que diz que noticia ruim chega rápido. Enfim, no meu desespero, fui à reunião do grupo de jovens do qual participava e pus-me a orar, pedindo a Deus que protegesse o infeliz aonde ele estivesse. Foi quando um dos meus colegas bateu em meu ombro e me disse assim: "não apresse o rio, deixe que ele corra sozinho". Não apresse o rio... Anos mais tarde, já formada e trabalhando fui plantar uma horta com meus pacientes sob a orientação da terapeuta ocupacional e, que coisa maravilhosa, a semente germina quando é a hora dela, não tem água ou adubo que consiga apressar isso. Na mesma época eu plantei uma florzinha num vaso que morreu, mas como eu pretendia plantar de novo, continuei regando o vaso para a terra não endurecer. De repente nasceu uma plantinha que logo mostrou ser um pé de tomate, até deu tomate, tenho até foto, porque aquela semente já estava lá sem ter sido colocada por mim, mas só nasceu quando o tempo dela enfim chegou.
Parece que assim é a vida: de biscoitos, ruas Leonardos da Vinci, rios, gangorras, tomates. E cada coisa a seu tempo, no tempo certo de cada coisa, ainda que nosso desejo deseje um tempo diferente. Por que será que tem dias que a gente custa a acreditar nisso?

1 comentários:
lindo...e linda você, na foto, na alma...beijo grande!
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