O que eu mais temia quando ele morreu era que aquele neném que eu carregava em meu ventre e que eu nem sabia ainda se seria menina ou menino, nunca conhecesse meu pai, de forma alguma. Que aquele que foi o meu maior incentivador e fã, que aquele que era dono do meu amor mais puro e sincero, sem diferenças, caísse no esquecimento. E me apavorava, como eu viveria sem ele? E já são quatro anos. De lá pra cá a vida ficou confusa, eu ainda estou tentando achar o caminho de volta depois do atalho que peguei para ser uma filha mais leal e cuidadosa com meu querido e amado e adorado pai. Hoje o sentimento ficou brando. Já não me desespero pela sua partida e já acredito nela, não tenho mais aqueles rompantes de "será que foi sonho?", não, já sei que não foi. Depois de sua partida tudo ficou diferente e para meu espanto a vida continuou. Mesmo que às vezes a compreensão disso me escape. O presente maior disso tudo é enxergar a obra de Deus em minha vida, que me tirou meu pai, mas trouxe no lugar a minha filha. E todo dia me sinto honrada, presenteada, agraciada, privilegiada e nem sei mais quantos elogios posso ter para a alegria que é ver a Luiza crescer. O presente que é acordar todos os dias e ouvir uma vozinha doce me chamando: "mamãe, aqui". É tanta ternura, tanta doçura, tanta delicadeza... Meus dias são recheados de tanto amor e alegria que mesmo nos momentos mais difíceis e tristes eu sou feliz. Sou feliz para sempre. Claro que eu posso colocar um tanto de 'e se...', 'porém...', 'mas como...'. Hoje, apesar da saudade que sinto, meu coração está tranquilo. Claro que a foto nunca mais estará completa, mas o meu presente tem dado conta de preencher todo o vazio e nos momentos em que ela pensa nele, fala dele, tenta compreender sua existência, meu coração sorri: meu pai está vivo!!! Então não posso me queixar. A vida que ele me ensinou continua, continua, continua... Deus seja louvado pela vida e pela nossa vida também! Amém!
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Quatro anos...
Ontem a Luiza perguntou assim: "porque a vovó Silvia mora com o vovô Leo e a vovó Tetê mora sozinha?". Eu ri e respondi: "porque a vovó Tetê morava com vovô Anizio e ele morreu, foi morar lá com o papai do céu." Aí ela concluiu: "Aí ela ficou sozinha. E o vovô Anizio é o marido da vovô Tetê.".
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário