Sabe àquela roupa que a gente teima em guardar achando que um dia vai conseguir entrar nela de novo? Pois bem, será enviada para doação. Não porque eu não acredite mais que vou emagrecer, apenas porque quando isso acontecer quero roupas novas, a vida anda para frente independente da nossa vontade, e de repente me dei conta de que aquela saia jeans linda não combina mais comigo. Simples assim.
Então cortei o cabelo. No meus anos de profissão aprendi que as grandes mudanças começam no cabelo, parece até mágica né. Cortei porque precisava ver uma imagem diferente no espelho, minha filha está crescendo e tudo o que eu faço ela faz também. Percebi que preciso cuidar de mim para que ela aprenda a cuidar de si mesma. Aí meu marido me disse assim: mas de repente o fato de você não se arrumar tanto faça com que ela queira ser diferente. Dizendo isso inocentemente ele chegou no centro da questão: não quero ser contra-exemplo como minha mãe é para mim. Ao contrário, quero que minha filha me admire e queira ser como eu e por isso estou disposta a me precupar mais com aquilo que nunca fez muito a minha cabeça. Não, eu naõ saio rasgada na rua, mas não ando de salto alto e maquiagem o tempo todo só isso. Cortei o cabelo porque além de ter outra imagem no espelho, na minha idade cabelos longos demais como estava o meu envelhecem um pouco, assim como estou agora pareço mais jovem, ao menos eu acho. E é menos cabelo para secar, assim ficarei com menos preguiça de me arrumar. Afinal, uma das vantagens de não trabalhar tanto é essa, hoje tenho tempo de ir à manicure fazer as unhas. Acho que está nascendo em mim uma nova mulher, mais vaidosa, logo, masi bonita também.
Um amiga muito, muito querida, perdeu seu pai nesta sexta-feira. É como se eu tivesse novamente perdido o meu pai, estou muito, muito triste. Essa mesma amiga vai se casar no dia 18 de setembro. É, faltam 20 dias. Mais triste ainda, né. Não sei, só sei que as coisas são como tem que ser.
Então fui lá abraçá-la e abraçar sua familia, que é também um pouco minha, neste momento de dor. A pior parte é pensar que eu sei exatamente o que todos estão sentindo e meu desejo era de que apenas eu neste mundo conhecesse essa dor.
Mas ainda temos um casamento, não é? E precisamos fazer dele uma grande celebração porque é a realização do desejo de quem acabou de partir. Olha a "responsa".
Fui alugar um vestido. E eu reclamava, reclamava que meu corpo isso, meu corpo aquilo. A vendedora ficou horrorizada e preocupadíssima com minha baixa auto-estima. Minhas amigas chegaram pra me ajudar a escolher o melhor vestido para a ocasião e a vendedora pediu a uma delas (duas irmãs) que me aconselhasse, pois não achou que eu estava bem. É verdade, estou em crise, quer dizer, meio que estava, acho que já estou superando. Acabo de fazer 34 anos. Nas proximidades do meu aniversário, fazendo minha reflexão anual, primeiro pensei que não me sentia com tantos anos assim. Percebi que se eu viver até os 70 anos, já estou chegando na metade da minha vida, isso me apavorou um pouco, ainda tenho tanto para viver. Mas como me sentia jovem, tudo bem. Só que pensando, pensando, lembrando, consegui identificar enfim onde estavam esses anos todos. E como a vida mudou. Não foi só o meu corpo, tudo é diferente hoje do que era há 10 anos, por exemplo. As marcas no meu corpo são o resultado de tudo isso eu eu ainda estou me acostumando com tudo isso, e me dou o direito de entrar em crise e não gostar dos 70 centimetros de cintura que hoje tenho, sabendo que essa mesma cintura já mediu 55. Poxa, são 15 cm, leva um tempo pra gente se conformar com isso, não é? Não pretendo morrer com os 70, mas 55 nunca mais vou ter porque boa parte desses centimentros guardam tudo o que vivi, sofri, chorei, sorri, gargalhei, fui feliz. Aliás, gordura deveria ser sinônimo de felicidade e não problema, mas isso é outra história.
Lá pelas tantas minha amiga começou a dizer que o problema é que eu virei dona de casa e mãe. "Peraí", em que momento eu reclamei de estar em casa lavando roupas e cozinhando para o meu bebê e meu marido? Quis voltar a trabalhar como antes e estou trabalhando, só que bem menos. As coisas não aconteceram como planejei. Deu errado, mas no fim deu é muito certo. No começo foi uma lástima, mas depois virou uma escolha. Minha filha é a criança mais feliz e segura que conheço. Ela vai para a escola o que nos permitiu ser duas pessoas distintas, mas ao mesmo tempo estou aqui por perto para cuidar de tudo o que é preciso para que ela seja bem criada. Vivemos um tempo em que não é valorizada a mulher que não está no mercado de trabalho, e minhas amigas que me amam ficam preocupadas, apavoradas achando que eu estou me escondendo atrás desta vida aqui para não ir à luta. Não, não é nada disso. Já fui à luta, ser mãe foi a última coisa que decidi fazer na minha vida, meu último grande projeto. Antes disso fiz tudo o que deseja uma moça moderna e sonhadora, mas quando engravidei já queria parar naquele momento mesmo com todas as atividades que exigiam muita energia para ficar apenas cultuando a minha barriga. Parece loucura? Pode ser, mas é uma doce loucura. E que mal há em querer abdicar parte da minha vida por um tempo para bem cuidar do restante? Quem quer fazer tudo, acaba por não conseguir ser eficiente em tudo, alguma coisa sempre fica sobrando por fazer, e o sorriso lindo da minha filha me conta que isso estou fazendo muito bem feito. Vale a pena? Não tem preço a paz que sinto em saber que minha familia está bem cuidada. E não será para sempre. As crianças crescem, logo minha fofura já não precisará de tantos cuidados, aí volto pra luta, já conheço o caminho. Minha crise é com minha idade, as marcas que o tempo deixou no meu corpo e não com as escolhas que fiz. Todas as broncas que tomei nos minutos que fiquei escolhendo um vestido para ser madrinha da minha querida amiga me serviram para realmente deixar as coisas muito claras dentro de mim. Então ponto final. Quero organizar minha casa, cuidar da minha aparência, enquanto organizo as coisas dentro de mim. Quando chegar a hora vou saber, e a profissional há de voltar à super ativa sem culpas nem arrependimentos. Existe no mundo coisa melhor que ter a consciência tranquila? Estou pra ver...
Então cortei o cabelo. No meus anos de profissão aprendi que as grandes mudanças começam no cabelo, parece até mágica né. Cortei porque precisava ver uma imagem diferente no espelho, minha filha está crescendo e tudo o que eu faço ela faz também. Percebi que preciso cuidar de mim para que ela aprenda a cuidar de si mesma. Aí meu marido me disse assim: mas de repente o fato de você não se arrumar tanto faça com que ela queira ser diferente. Dizendo isso inocentemente ele chegou no centro da questão: não quero ser contra-exemplo como minha mãe é para mim. Ao contrário, quero que minha filha me admire e queira ser como eu e por isso estou disposta a me precupar mais com aquilo que nunca fez muito a minha cabeça. Não, eu naõ saio rasgada na rua, mas não ando de salto alto e maquiagem o tempo todo só isso. Cortei o cabelo porque além de ter outra imagem no espelho, na minha idade cabelos longos demais como estava o meu envelhecem um pouco, assim como estou agora pareço mais jovem, ao menos eu acho. E é menos cabelo para secar, assim ficarei com menos preguiça de me arrumar. Afinal, uma das vantagens de não trabalhar tanto é essa, hoje tenho tempo de ir à manicure fazer as unhas. Acho que está nascendo em mim uma nova mulher, mais vaidosa, logo, masi bonita também.
Um amiga muito, muito querida, perdeu seu pai nesta sexta-feira. É como se eu tivesse novamente perdido o meu pai, estou muito, muito triste. Essa mesma amiga vai se casar no dia 18 de setembro. É, faltam 20 dias. Mais triste ainda, né. Não sei, só sei que as coisas são como tem que ser.
Então fui lá abraçá-la e abraçar sua familia, que é também um pouco minha, neste momento de dor. A pior parte é pensar que eu sei exatamente o que todos estão sentindo e meu desejo era de que apenas eu neste mundo conhecesse essa dor.
Mas ainda temos um casamento, não é? E precisamos fazer dele uma grande celebração porque é a realização do desejo de quem acabou de partir. Olha a "responsa".
Fui alugar um vestido. E eu reclamava, reclamava que meu corpo isso, meu corpo aquilo. A vendedora ficou horrorizada e preocupadíssima com minha baixa auto-estima. Minhas amigas chegaram pra me ajudar a escolher o melhor vestido para a ocasião e a vendedora pediu a uma delas (duas irmãs) que me aconselhasse, pois não achou que eu estava bem. É verdade, estou em crise, quer dizer, meio que estava, acho que já estou superando. Acabo de fazer 34 anos. Nas proximidades do meu aniversário, fazendo minha reflexão anual, primeiro pensei que não me sentia com tantos anos assim. Percebi que se eu viver até os 70 anos, já estou chegando na metade da minha vida, isso me apavorou um pouco, ainda tenho tanto para viver. Mas como me sentia jovem, tudo bem. Só que pensando, pensando, lembrando, consegui identificar enfim onde estavam esses anos todos. E como a vida mudou. Não foi só o meu corpo, tudo é diferente hoje do que era há 10 anos, por exemplo. As marcas no meu corpo são o resultado de tudo isso eu eu ainda estou me acostumando com tudo isso, e me dou o direito de entrar em crise e não gostar dos 70 centimetros de cintura que hoje tenho, sabendo que essa mesma cintura já mediu 55. Poxa, são 15 cm, leva um tempo pra gente se conformar com isso, não é? Não pretendo morrer com os 70, mas 55 nunca mais vou ter porque boa parte desses centimentros guardam tudo o que vivi, sofri, chorei, sorri, gargalhei, fui feliz. Aliás, gordura deveria ser sinônimo de felicidade e não problema, mas isso é outra história.
Lá pelas tantas minha amiga começou a dizer que o problema é que eu virei dona de casa e mãe. "Peraí", em que momento eu reclamei de estar em casa lavando roupas e cozinhando para o meu bebê e meu marido? Quis voltar a trabalhar como antes e estou trabalhando, só que bem menos. As coisas não aconteceram como planejei. Deu errado, mas no fim deu é muito certo. No começo foi uma lástima, mas depois virou uma escolha. Minha filha é a criança mais feliz e segura que conheço. Ela vai para a escola o que nos permitiu ser duas pessoas distintas, mas ao mesmo tempo estou aqui por perto para cuidar de tudo o que é preciso para que ela seja bem criada. Vivemos um tempo em que não é valorizada a mulher que não está no mercado de trabalho, e minhas amigas que me amam ficam preocupadas, apavoradas achando que eu estou me escondendo atrás desta vida aqui para não ir à luta. Não, não é nada disso. Já fui à luta, ser mãe foi a última coisa que decidi fazer na minha vida, meu último grande projeto. Antes disso fiz tudo o que deseja uma moça moderna e sonhadora, mas quando engravidei já queria parar naquele momento mesmo com todas as atividades que exigiam muita energia para ficar apenas cultuando a minha barriga. Parece loucura? Pode ser, mas é uma doce loucura. E que mal há em querer abdicar parte da minha vida por um tempo para bem cuidar do restante? Quem quer fazer tudo, acaba por não conseguir ser eficiente em tudo, alguma coisa sempre fica sobrando por fazer, e o sorriso lindo da minha filha me conta que isso estou fazendo muito bem feito. Vale a pena? Não tem preço a paz que sinto em saber que minha familia está bem cuidada. E não será para sempre. As crianças crescem, logo minha fofura já não precisará de tantos cuidados, aí volto pra luta, já conheço o caminho. Minha crise é com minha idade, as marcas que o tempo deixou no meu corpo e não com as escolhas que fiz. Todas as broncas que tomei nos minutos que fiquei escolhendo um vestido para ser madrinha da minha querida amiga me serviram para realmente deixar as coisas muito claras dentro de mim. Então ponto final. Quero organizar minha casa, cuidar da minha aparência, enquanto organizo as coisas dentro de mim. Quando chegar a hora vou saber, e a profissional há de voltar à super ativa sem culpas nem arrependimentos. Existe no mundo coisa melhor que ter a consciência tranquila? Estou pra ver...

2 comentários:
ai Ni, vou pegar esse post pra mim! fazer 34 faz isso com a gente? pq to igualzinha! kkkkk céus....mas vamo que vamo....adoro ver você assim, poderosa, bem resolvida e mineirinha atacada! te amo muito! e você continua linda sim!
Olha Nívea sabe o que eu acho que vc deveria aproveitar esta fase maravilhosa da sua vida e escrever um livro....juro vc tem talento!
beijos e me identifiquei muito com o texto...kkkk....beijo grande
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