sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ursinho Pimpão

Eu faço minha fofura dormir ouvindo "Ursinho Pimpão" do Balão Magico. Eu a seguro nos braços e dançamos juntas uma valsa enquanto a música toca, uma, duas, às vezes até três vezes, depende de quanto tempo leva pra Luiza dormir. Agora ela canta junto, "Pampão", uma graça. Sempre fecho os olhos e tento me lembrar da musiquinha inventada que meu pai cantava pra mim. Ela está na minha memória, no meu coração, mas não consigo fazê-la chegar à minha boca. E é assim.
Dia desses, enquanto dançava com a Luiza me lembrei que me apaixonei por essa musica no dia em que a Jamile dançou com um urso enorme de pelúcia no Show de Calouros do João Lopes (nossa escola). Eu apresentei a poesia do Saci e ganhei medalha. Ela também. E desde então amo essa música e morro de vontade ter um urso daqueles, ainda não o comprei, talvez o faça logo, talvez não, mas ficou a doce lembrança. E são tantas histórias pra contar e lembrar...
No dia 18 de setembro foi o casamento da Emilene, minha, nossa amiga guerreira que acabou de entregar seu pai para a eternidade e ainda assim encontrou alegria no seu coração para ser a noiva mais doce e leve que jamais vi. Eu chorei. Chorei quando sua mãe corajosa entrou de braços dados com seus outros dois homens, seus filhos, herdeiros naturais da posição de "chefe de família". Chorei quando minha amiga entrou, precedida por sua sobrinha linda, conduzida pelo pai que mora em seu coração. Sim, ele estava lá e eu pude vê-lo. Não de carne e osso, não era essa a imagem, mas presente naquele sorriso simpático estampado no rosto de sua linda filha. Linda, a mais linda de todas nós, sempre foi. E presente em cada detalhe, nas flores, nas músicas, nos gestos. Sim, ele a conduziu até o altar e a entregou àquele que será agora o seu protetor, seu chão. O alicerce da família que minha amiga irá construir. A missão de seu querido pai está enfim concluída, sua menininha agora está enfim amparada. E não é isso o que pensam os pais? Mesmo doentes de ciúme entregam suas mocinhas a rapagões bem apessoados para que eles enfim continuem a fazer o que eles próprios um dia já não poderão mais. Afinal todos vamos envelhecer e morrer, mas se os filhos que Deus nos envia estiverem amparados, tudo bem, é só o que importa.
E morri de chorar quando minha amiga cantou para o seu noivo/marido, entregando-se ao compromisso de uma vida inteira de amor e o convidando para serem enfim felizes para sempre! Final feliz.

E a vida segue. Hoje nasceu o Alexandre, acabo de saber. Mais um sobrinho lindo filho da Jamile, a do ursinho pimpão. Não, ela não é minha irmã de verdade. Mas todas nós somos como irmãs, não de sangue, isso não. Nossas almas estão ligadas e nossos corações unidos. Passa o tempo e ele não passa. Continuamos nos amando como quando crianças, que podem até brigar por causa de um brinquedo, mas que são incapazes de guardar qualquer tipo de sentimento ruim. E nos amamos como mães amam seus filhos. Damos palpites, somos enxeridas, até falamos de umas para outras, mas nos preocupamos todos os dias se a outra está bem, se realizou seus sonhos, se eles ainda estão por sonhar. Passamos a vida compartilhando nossas aventuras, o primeiro amor, o primeiro beijo, a primeira transa, o vestibular, a formatura, os sucessos e insucessos da profissão, casamento, filhos. Até quem não está tão perto assim nunca deixou de ser parte de nossas preocupações e nossas orações e nosso desejo de que tudo dê sempre certo e de que no final, quando já estivermos todas enrugadas, meio banguelas, caídas mesmo, ainda assim encontraremos um tempo para fazer àquele café da tarde, só para meninas, tão tradicional entre nós e cada vez mais raro, mas sempre possível, ainda que só com parte de nós. Ser adulto é tanto difícil, já não temos mais aquela disponibilidade de ir na casa da D. Marta no meio da tarde para assistir Barrados no Baile e comer bolo de banana da Maria, nossa anfitriã. Às vezes de chocolate feito à 4 mãos, as minhas e as da Emilene. E sempre esperando a Cacau que saía do treino de natação e ia lá filar o café, mesmo quando as outras não estavam. Penso que ela saía do clube de campo cheia de fome!
E vou pensando e lembrando e um sem números de histórias vão voltando na minha memória e dá uma saudade e uma vontade de abraçá-las...
Talvez a gente jogue um bingo, ou uma biribinha, que eu não sei o que é, mas é coisa de velho aposentado. Ou talvez a gente só se entupa de gostosuras e tome café, desde que não seja na casa na Jamile, é claro , que não tem café, mas tem coca-cola. Não importa. Importa apenas que seja hoje, seja amanhã, daqui há 20, 30, 40 anos, sempre teremos muito papo. E relembraremos os foras, os furos, as baladas, os micos na escola, os tombos no clube literário, os porres, os churrascos do Meta.

Pausa.

Se tem uma herança realmente valiosa que meu pai me deixou foi o valor que se deve dar a um amigo. O valor que tem a amizade. Estou tão longe. Mas o meu coração nunca viajou, nunca se mudou. Suas raízes ainda estão fincadas lá, no lugar de onde vim e para onde sempre volto quando me sinto sem forças. Essa é a riqueza do ser humano, conseguimos ser muitas coisas ao mesmo tempo, que bom! Eu ficaria imensamente triste e desesperada se tivesse que deixar pra trás tudo o que vivi para poder seguir adiante. Felizmente carrego comigo toda a boa lembrança. E as más faço bom uso, graças aos dissabores hoje sou uma pessoa melhor. Não mais magra, nem mais bela, apenas no ponto, como os vinhos. Se muito jovens são ácidos, precisam "descansar" no carvalho para adquirir cor, corpo e sabor especiais, mas sem passar do ponto senão vira vinagre.
Eu e minhas amigas estamos no ponto. E nossa amizade anda saborosa como nunca. Se vamos virar vinagre? Ah, isso não é ruim, afinal o vinagre tempera a salada, retira maus odores das roupas, corrige a opacidade do cabelo. O vinagre equilibra as coisas. Não acredita? Procura no google. Ou seja, em cada fase uma missão. Já fomos ácidas, agora estamos no ponto. E eu espero viver muito e ficar muito tempo "aposentada"jogando bingo, ou qualquer coisa por aí, tomando muito café da tarde e relembrando e contando e rindo e saboreando a historia de uma vida inteira, todas juntas, como quando aprendemos a ler.

Amos vocês, amigas lindas, todas vocês, mesmo que seu nome não esteja citado aqui, é que a poesia não segue regras, apenas deixa falar o coração, e o meu está dizendo que ama muito vocês!

7 comentários:

Anônimo disse...

Amei o texto....vc traduziu perfeitamente os meus sentimentos!!!

Emilene disse...

´´Um homem percorre o Mundo inteiro em busca daquilo que precisa e Volta para casa para Encontrá-lo´´ (George O. Moore .)

Emilene disse...

Amei o texto....vc traduziu perfeitamente os meus sentimentos!!!

Nivia Gonçalves Masutti disse...

É pq meu coração estava dentro do seu.

Unknown disse...

Parabens Nivea mais uma vez! Voce sempre toca meu coracao nos seus textos! beijo

Thaisa disse...

eu também sempre choro.De agora em diante vou te chamar de Nívea Luft rsrs. Bjos

LucianaArruda disse...

linda e inspirada!!
te amo muito!
sempre!
:)