sábado, 16 de outubro de 2010

Dessas coisas que tocam o coração.

Tem uns dias já que quero escrever, mas a coisa não funciona assim, as palavras precisam surgir, não basta parar pra pensar.
Nas ultimas duas semanas vivi momentos muito gostosos, desses que realmente tocam o coração. Primeiro fui ver minha amiga querida e amada Lu dançar. Nossa, que honra ser plateia dessa "deusa". Tem gente que nasce para brilhar e ela nasceu. Não entendo da técnica, mas entendo do que nos emociona e ela me emocionou. Seu olhar era a o mais puro e sedutor (se é que isso é possível). Seus passos leves como quem caminha no céu. Já tinha visto nos vídeos, mas ao vivo tive certeza, ela dança como quem brinca, uma criança feliz que ama o que está fazendo e não tem com o que se preocupar, apenas o prazer do momento importa, mais nada. Meus olhos se encheram de lágrimas quando ela entrou na sala, achei que não ia conseguir ver o show. Pena, ela ficou tão pouquinho na minha sala, mas me sentei num lugar estratégico e pude ver toda a sua beleza e talento circulando por aquele espaço tão bem preparado para receber tanta maravilha. E sua roupa? Não era a mais brilhante, mas com certeza era a mais original, e única, porque minha amiga é única. Tenho muita sorte de ter uma amiga assim.
E outras belas dançarinas se apresentaram e me lembrei das aulas de dança do ventre que fiz, junto dessa minha amiga linda no início de sua carreira de muito sucesso, e do meu desejo de aprender aqueles passos, aquele balanço, aqueles truques. O movimento das mãos, o jeito certo de mexer os quadris sem parecer vulgar, a mágica de fazer vibrar o ventre. O Adriano ficou pasmo vendo uma dançarina "batucando" (como ele disse) com a barriga no ritmo da música. É, não é pra qualquer uma não, não é pra mim, mas posso me gabar em dizer que estava lá quando tudo começou. Estou ainda mais orgulhosa.

No dia seguinte recebi aqui em casa meus amigos Sean, Anna, Patricia e Fernanda, do curso de formação em Fenomenologia, pessoas queridas que não via há um tempão já, meus terapeutas, responsáveis pelos ouvidos atentos e pelas colocações apropriadas que fizeram tomar decisões importantes e seguir adiante num momento de minha vida em que a encruzilhada se jogou na minha frente e ficava me pressionando a escolher que caminho seguir. Não fosse o carinho deles, sei não. Foi muito gostoso. Muito, muito. E eu fico pensando o quanto sou abençoada por ter tantos amigos queridos assim.

E no feriado fui pra Bauru. Terra quente, de horizonte distante e céu muito azul. Aquela que foi o meu segundo lar.
Antes demos uma paradinha pro churrasco de 10 anos de formados da turma do Adriano, que também foi uma delícia e me deu uma "p" inveja, queria me reunir com a minha turma também, mas isso é outra história.

Chegamos à noite em Bauru, sujos e cansados, mas meu coração estava eufórico, meus olhos vivíssimos e muito atentos a tudo, ai que vontade de ver e ver e ver de novo aqueles lugares antes tão frequentados por mim. Foram seis longos anos vividos com muita intensidade, onde vivi sabores, amores, angústias. Muito do que eu sou hoje é resultado deste tempo em Bauru. Fomos pro hotel, tomamos banho e tentamos dormir. Luiza estranhou tanta emoção e chorou, e dormiu, e chorou de novo. Seis da manhã toca o despertador. Mas já, eu ainda nem dormi!Levanta, toma banho, todo mundo se arruma, quem casa às nove da manhã? Ah, a festa é tipo brunch, tá explicado. Foi lindo, original, doce, uma delicia tudo, das músicas aos doces, valeu o sacrifício para ver tão belo casal se unir numa cerimonia tão peculiar. Volta pro hotel, Luiza dorme no carro. Luiza acorda. Vamos passear! E percorremos a cidade, passando todos os lugares que costumávamos frequentar, nossas casas, os botecos, as padocas, as ruas, as lojas, o suco e um salgado a um real. O bar do Lauro fechou, mas o Bar da Rosa continua lá, pena, estava fechado, senão teria que tomar uma cerveja em nome dos velhos tempos. Ai que delícia. Nossa, uma vida de lembranças. E de repente me senti em casa de novo. Era como se o tempo não tivesse passado, como se eu tivesse saído dali ontem mesmo e não há 10 anos. Senti vontade de voltar pra lá, de morar lá de novo, como pode? Eu que sempre odiei o calor e sofri tanto com a distância? Percebi que fui muito feliz lá e posso ser de novo, como sou aqui. Quando me formei e tive que voltar sofri muito, chorei muito, mas acreditei que não conseguiria ficar por lá porque meus amigos também seguiram caminho. Nada. Minha velhas lembranças só me aproximam daquele lugar e é bom perceber o quanto cresci, amadureci e me tornei sábia, capaz de dar às coisas o valor que elas tem.
Enquanto escrevo passa um filminho na minha cabeça. À noite, depois das forças recuperadas, pizza com a velha amiga Ângela, minha primeira amiga em Bauru, com quem pude contar desde o primeiro momento, quem me carregou pra lá e pra cá por bons anos. Que delícia de encontro. E o neném precisa dormir, senão eu acho que tomaríamos muito mais vinho. Dia seguinte, conhecer sua loja, a Bem Brincando, um lugar cheio de coisas fofinhas, a Luiza amou e trouxe uns presentinhos pra casa, claro. E mais papo, e mais lembranças e uma vontade enorme de voltar logo. Acho que vou. E vamos enfim combinar um encontro? Era ela,sempre foi,quem organizou os churrascos e sua casa era um pouco nossa casa também.E Seu Lúcio e D. Maria Helena, quanta paciência para nos aturar sempre. E ela fazia saladas pros churras e ele assava a carne, ai, ai.
Pra fechar com chave de ouro, almoço na Churrascaria Guaíba, huuuummm. Peraí, não tá faltando nada? Ah, não posso sair daqui antes de passar pela padaria Copacabana pra comprar o melhor biscoito de polvilho que já provei, e outras gostosuras. Podemos partir.

Na estrada um milhão de histórias pra lembrar e contar e de repente a placa: NÃO CORRA, NÃO MATE, NÃO MORRA. Alguém já viu uma dessas? E os Treminhões, o que são mesmo? Mudaram o informe, ao invés de Cuidado, travessia de treminhões, agora Travessia de veículos grandes/longos (já esqueci, preferia os treminhões). Gauianás, Pederneiras, tardes fazendo trabalho na casa da Karina. Vontade de visitar todo mundo. A ponte sobre o Rio Tietê que caiu, a travessia de balsa. A duplicação da estrada Bauru/Jaú. E o horizonte distante, nunca tinha visto antes de ir pra lá, venho de uma terra de montes. E o sol, o céu azul, nuvens branquinhas querendo brincar, muitos poemas escritos a bordo do Expresso de Prata. Meu coração ficou mexido, muito. Acho que foi por isso que não consegui escrever, um nó na garganta da criação, fiquei sem "voz" com tanta coisa para relembrar. Como está todo mundo, o que andam fazendo? Ai, eu quero saber.

Pausa. Preciso respirar.

Muitas fotos do por do sol. Que bom que hoje tenho uma câmera que me permite isso.

Conheço alguém que se deliciaria ouvindo essa história: o vovô da Luiza. "Bauru é um cidadão", ele diria. E eu completaria que cresceu muito de lá pra cá, está ainda mais linda e bem cuidada. Talvez ele desejasse voltar lá para ver com seus próprios olhos. Ainda bem que o levo sempre em meu coração.

2 comentários:

LucianaArruda disse...

chorei, me emocionei, e sorri, por fim. obrigada por existir, obrigada por ser minha amiga.
te amo muito.
muito.

Kecia disse...

Amiga, seus textos são simplesmente INCRÍVEIS!!!

Estava morrendo de saudades de vc!!!