É, mas nem sempre o de sempre acontece como sempre. Estou especialmente triste neste final de ano. Não há dor maior do que a perda da ilusão. Quem não sonha não consegue seguir adiante, apenas se deixa levar.
Acabo de receber a ligação de um tio, irmão do meu pai, uma pessoa que nunca significou muita coisa em minha vida, que nunca fez muita questão de fazer parte da minha família e que tinha tudo para desaparecer de nossas vidas agora que meu pai já não está mais por aqui, mas não, ele ligou. Passei o ano meio preocupada com sua saúde achando que deveria ligar, mas como já disse, nunca houve uma intimidade, sempre esquecia. E hoje quando ele ligou eu quis mesmo falar com ele. É o terceiro Natal sem meu pai e falar com o seu irmão que ele adorava é meio que falar um pouquinho com ele também.
Semana agitada, tudo ficou pra última hora e não é como sempre, começo a pensar no Natal lá no inicio de novembro, mas este ano a vida ficou suspensa aguardando que minha sogra fizesse uma angioplastia que aconteceu só na semana passada e que correu tudo bem. Então, corre, corre, corre, para não ficar para a ultima das ultimas horas. A partir de amanhã sou mãe em tempo integral e aí não dá pra me estapear comas pessoas por aí atrás daquela lembrancinha que faltou. Montei a sacolinha de Natal da criança que adotamos na Igreja e foi a coisa mais doce que já fiz na vida. Não sei quem é a pessoa que vai receber a sacola, não sei que carinha tem essa menina, mas uma vez na vida achei realmente especial essa coisa de brincar de Papai Noel. Acho que eu fui mais um dos duendes dele, saí por aí procurando o melhor presente, não podia ser qualquer coisa. E consegui comprar a calça super fashion, com umas flores bordadas e pespontos em cor rosa. Uma blusinha pink combinando, tom sobre tom. Tênis preto de bolinhas pink, meias da mesma cor do sapato, brilho do Boticário, caixinha com três, necessaire também rosa para guardar o brilho e um ursinho de pelúcia, amarelo, mas com orelhas listradas de rosa. Tudo combina. Ia fotografar, mas estava tão empolgada pra embrulhar tudo que só me lembrei quando quase metade já tinha virado pacote, aí desisti, porque o que conta mesmo é o amor depositado por mim em cada detalhe, em cada peça. No cartão escrevi assim: "Neste Natal nosso coração ficou mais aquecido e desejamos que o seu coração sinta-se assim também". E foi o tempo gasto cuidando deste gesto que fez meu coração bater forte este ano. Não foi bem essa a minha ideia, não era essa caridade que eu desejei fazer neste fim de ano, mas como não costumo duvidar de que Deus nos coloca no lugar certo, quem eu quis ajudar também pôde receber o amor de mãos caridosas e carinhosas. A esta hora o anjo que aqueceu meu coração talvez já tenha recebido o presente e talvez esteja neste momento se aventurando a abrir cada um dos pacotes que coloquei dentro de um pacote maior para que ela tenha a emoção de ter uma surpresa de cada vez. Talvez ela ame tudo o que comprei, talvez nem seja a cara dela todas essas fofuras em tom rosa, mas enquanto cuidava de tudo com muito, muito carinho, eu ficava pensando o quanto teria feito diferença na minha vida ter recebido um carinho vindo sei lá de onde. E tomara, ela consiga sentir todo o afeto que mora em meu coração.
Esse ano foi difícil. Eu ando cansada demais já faz tempo, porque eu sempre tive que lutar muito, pedir muito, buscar muito, brigar muito, fazer muito tudo, tudo, para conseguir alguma coisa. E escolhi dedicar a minha vida a ajudar as pessoas a serem um pouco mais felizes, talvez porque buscasse minha própria felicidade. Mas lidar com o desejo do outro é uma frustração sem fim, então cansei pra valer e decidi dar um tempo, descansar um pouco, só que estou mais cansada como nunca estive antes. Dei-me conta de que meu dia este ano começou no primeiro minuto do primeiro dia de janeiro e não vai acabar no ultimo minuto do ultimo dia de dezembro. Sem sair de casa para trabalhar, trabalhei horrores, trabalhei como nunca, sem direitos de ordem alguma, uma completa escravidão, porque meu único compensador pra tudo isso se perdeu pelo tempo. Enquanto escrevo tem um senhorio na minha cabeça me lembrando de que tenho que fazer o almoço e passar as roupas senão a coisa vai ficar ainda mais feia pro meu lado. Eis que vejo surgir no horizonte algumas oportunidades de trabalho fora de casa, mas o que será de mim se tudo aqui dentro continuará me esperando pacientemente, como aconteceu essa semana que saí às compras? Perdi a ilusão, estou sendo arrastada pela avalanche desta vida.
Acabo de receber a ligação de um tio, irmão do meu pai, uma pessoa que nunca significou muita coisa em minha vida, que nunca fez muita questão de fazer parte da minha família e que tinha tudo para desaparecer de nossas vidas agora que meu pai já não está mais por aqui, mas não, ele ligou. Passei o ano meio preocupada com sua saúde achando que deveria ligar, mas como já disse, nunca houve uma intimidade, sempre esquecia. E hoje quando ele ligou eu quis mesmo falar com ele. É o terceiro Natal sem meu pai e falar com o seu irmão que ele adorava é meio que falar um pouquinho com ele também.
Semana agitada, tudo ficou pra última hora e não é como sempre, começo a pensar no Natal lá no inicio de novembro, mas este ano a vida ficou suspensa aguardando que minha sogra fizesse uma angioplastia que aconteceu só na semana passada e que correu tudo bem. Então, corre, corre, corre, para não ficar para a ultima das ultimas horas. A partir de amanhã sou mãe em tempo integral e aí não dá pra me estapear comas pessoas por aí atrás daquela lembrancinha que faltou. Montei a sacolinha de Natal da criança que adotamos na Igreja e foi a coisa mais doce que já fiz na vida. Não sei quem é a pessoa que vai receber a sacola, não sei que carinha tem essa menina, mas uma vez na vida achei realmente especial essa coisa de brincar de Papai Noel. Acho que eu fui mais um dos duendes dele, saí por aí procurando o melhor presente, não podia ser qualquer coisa. E consegui comprar a calça super fashion, com umas flores bordadas e pespontos em cor rosa. Uma blusinha pink combinando, tom sobre tom. Tênis preto de bolinhas pink, meias da mesma cor do sapato, brilho do Boticário, caixinha com três, necessaire também rosa para guardar o brilho e um ursinho de pelúcia, amarelo, mas com orelhas listradas de rosa. Tudo combina. Ia fotografar, mas estava tão empolgada pra embrulhar tudo que só me lembrei quando quase metade já tinha virado pacote, aí desisti, porque o que conta mesmo é o amor depositado por mim em cada detalhe, em cada peça. No cartão escrevi assim: "Neste Natal nosso coração ficou mais aquecido e desejamos que o seu coração sinta-se assim também". E foi o tempo gasto cuidando deste gesto que fez meu coração bater forte este ano. Não foi bem essa a minha ideia, não era essa caridade que eu desejei fazer neste fim de ano, mas como não costumo duvidar de que Deus nos coloca no lugar certo, quem eu quis ajudar também pôde receber o amor de mãos caridosas e carinhosas. A esta hora o anjo que aqueceu meu coração talvez já tenha recebido o presente e talvez esteja neste momento se aventurando a abrir cada um dos pacotes que coloquei dentro de um pacote maior para que ela tenha a emoção de ter uma surpresa de cada vez. Talvez ela ame tudo o que comprei, talvez nem seja a cara dela todas essas fofuras em tom rosa, mas enquanto cuidava de tudo com muito, muito carinho, eu ficava pensando o quanto teria feito diferença na minha vida ter recebido um carinho vindo sei lá de onde. E tomara, ela consiga sentir todo o afeto que mora em meu coração.
Esse ano foi difícil. Eu ando cansada demais já faz tempo, porque eu sempre tive que lutar muito, pedir muito, buscar muito, brigar muito, fazer muito tudo, tudo, para conseguir alguma coisa. E escolhi dedicar a minha vida a ajudar as pessoas a serem um pouco mais felizes, talvez porque buscasse minha própria felicidade. Mas lidar com o desejo do outro é uma frustração sem fim, então cansei pra valer e decidi dar um tempo, descansar um pouco, só que estou mais cansada como nunca estive antes. Dei-me conta de que meu dia este ano começou no primeiro minuto do primeiro dia de janeiro e não vai acabar no ultimo minuto do ultimo dia de dezembro. Sem sair de casa para trabalhar, trabalhei horrores, trabalhei como nunca, sem direitos de ordem alguma, uma completa escravidão, porque meu único compensador pra tudo isso se perdeu pelo tempo. Enquanto escrevo tem um senhorio na minha cabeça me lembrando de que tenho que fazer o almoço e passar as roupas senão a coisa vai ficar ainda mais feia pro meu lado. Eis que vejo surgir no horizonte algumas oportunidades de trabalho fora de casa, mas o que será de mim se tudo aqui dentro continuará me esperando pacientemente, como aconteceu essa semana que saí às compras? Perdi a ilusão, estou sendo arrastada pela avalanche desta vida.

Um comentário:
Querida, a cada post que leio sinto que está mesmo cansada. Já me senti assim, exausta no último! Ainda estou, mas sxinto que ando um pouco menos sobrecarregada só pq comecei a falar. A terapia tem feito maravilhas na minha vida. Mas olha, uma coisa que aprendi é a relaxar. Não deu para fazer (pq n deu tempo ou pq estava cansada demais pra fazer?), faça qdo der e do jeito que der. Nem sei qto tempo faz q n passo roupas, tenho amontadas por aqui, mas nem gosto de passar e n tenho tempo para isso. Sei q está virando um caos, mas vou deixar rolar pq para mim n dá! Mas já me estressei muito por n conseguir fazer as coisas de casa... hj vejo q se eu n parar um pouco por mim mesma, eu n páro nunca pq serviço de casa com criança e cachorro não tem fim!
Amei a sua iniciativa. Esse ano decidi q adotaria uma criança do correios, mas n consegui nem ir aos correios, acredita? Isso me deixou triste, pois andei lendo cartinhas na net e fiquei de coração cortado. Tem criança pedindo mochila e material escolar para o Papai Noel, fiquei mesmo comovida com a carência que existe!
Tenho certeza de que a sua adotada vai ficar iluminada abrindo cada pacontinho.
Bj no coração
Flávia
www.conexaoflavia.blogspot.com
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