Estou tendo crises de ansiedade. Todo dia vou dormir e penso: "de novo não fiz nada por mim hoje". Acho que nunca em toda a minha vida, estive tão paralisada. É que já faz tempo que ando nadando para sempre morrer na praia. Anda sendo mais forte que eu, apenas não consigo fazer! E no fim do dia a angústia aumenta. Eu temia que isso acontecesse porque conheço bem meus limites. E como todo mundo, com os anos a coisa vai ficando mais complicada, sim, a idade pesa, sim! Semana passada minha inspiração voltou com força total, até criei uma personagem divertidíssima, achei que seria o mote pra sair dessa e encontrar novo sentido pra minha vida, mas bastou um olhar de desaprovação para minha querida heroína ser "engavetada" nos arquivos do meu micro.
Fui buscar uma encomenda com uma amiga e ela me falou em buscar ajuda. Eu já voltei a fazer terapia. Aí ela sugeriu outro tipo de ajuda e desde então tenho pensado nisso. Ela me disse pra buscar um plano B e eu falei do meu desejo de fazer aulas de dança, mas estou achando que preciso de um antidepressivo pra conseguir sair de casa atrás do plano B.
Ontem tivemos um dia agradável, recebemos visitas e por uns momentos pude sair de mim. Mas no final do dia... aquela sensação de ter faltado na aula em dia de prova me assombrou. Estou sempre achando que fiz uma coisa errada. Mas o quê? E é por isso que ando tão paralisada, para não errar mais. Se não arrisco, dificilmente vou cair. Eu sei, isso não se parece comigo, a Nivia que sempre fui, pró ativa, determinada, que se lança aos desafios sem medo de que abismos terá que se safar. Ando vivendo de passado, de lembranças e saudades, sufocada com a passagem do tempo: "nossa, hoje já é quinta-feira" "que bom, já é quinta-feira". "Junho? Como o ano está passando rápido..." "Rápido? Não fiz nada hoje. Não fiz nada essa semana, não faço nada há meses..."
E eu sei que estou afastando as pessoas de mim. Até quem está muito perto, anda muito distante. Também, quem fica feliz ao lado de alguém assim, como eu?
Este espaço deveria ser uma herança para minha pequena e não um espaço para desabafos e lamentações. O que pensará ela de mim se ler isto um dia?
Eu estava trabalhando e, por mais que odiasse um tanto de coisas daquela situação, sentia que meus pés ainda podiam habitar este mundo e eu amava ver o dinheiro, ainda que pouco, cair na minha conta todo fim de mês. Era um motivador. Eu temia largar meu emprego e ficar exatamente assim como estou. Não que eu não procure, que não me esforce, mas como já disse, a praia se tornou meu lar. Ninguém suporta fracassar tanto. Ouvindo o Adriano falar do trabalho, dos cursos que pediu e tem chance de conseguir fazer pela empresa, eu pensei: "mas eu queria isso pra mim também". O que foi que eu fiz da minha vida? Sinto orgulho de todos que chegaram lá e sinto orgulho da minha filha, da minha casa, da minha família, mas quando foi que comecei a viver essa vida medíocre? Quando foi que me perdi de mim, dos meus propósitos e sonhos, quando foi que perdi a coragem? Alguém pode me jogar uma corda e me puxar pra fora do buraco, porque não estou conseguindo subir sozinha e estou ficando muito, muito cansada e sem forças?
Quando pedi demissão parece que cortei o fio de esperança que ainda me conectava no mundo. Eu estou tentando, mas estou apavorada. Tenho medo de que tudo continue dando errado, mas tenho medo de que dê certo também. Parece que desaprendi como se faz. Não estou conseguindo encontrar dentro de mim as ferramentas, o impulso vital para sair disso. Estou sufocada!
Talvez escrever a respeito me dê clareza maior do que a Psicoterapia. Minha Psicóloga é ótima, ela sempre me põe pra cima, sempre aponta caminhos positivos e me mostra os recursos bons que ainda devo ter, mas eu continuo parada, paralisada, apavorada, congelada.
Então peço licença pra minha pequena para usar este espaço nessa busca pela "corda". Se eu sair do buraco que me enfiei, ela terá uma mãe melhor também. Deve valer o risco.

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