A pérola de hoje: "papai, porque seu papai não morreu e o papai da mamãe morreu?"
Perguntas sem respostas, muitos 'por quês' e parece-me que a morte anda tomando forma para minha pequena. O que fazer com isso? Bem, não sei, não me ensinaram a falar de morte. Não me ensinaram a pensar na morte. Não me explicaram o que é, quem é essa tal de morte. E assim eu fui crescendo.
Um dia eu me encontrei com ela, a morte. Não no sentido real, nunca morri, mas no sentido figurado. Um dia eu fui estudar uma tal de Psicologia da Morte e desde então não parei mais de pensar nela. Não posso dizer quando foi que passei a ter medo da morte do meu pai. Não sei se foi por conta da disciplina da faculdade ou só pela distância que nos separou quando eu ainda era bem jovem. Na semana passada me lembrei de um ex-namorado e da morte de uma tia dele e dele falando que não ia no velório, que deixaria isso para quando não fosse possível adiar. Aí ele comentou que o pai dele era velho. Não sei porque me lembrei disso, mas acho que foi aqui que tudo começou. Curiosamente, meu pai morreu primeiro que o dele. Curiosamente o meu pai era mais jovem e tinha boa saúde, o dele não. Só sei que ter a percepção da finitude desse homem incrível que tanto amei, dono do meu amor mais puro e sincero, fez com que eu me dedicasse a agradá-lo, fez com que eu buscasse estar inteira perto dele, mesmo seguindo com a minha vida.
Eu tenho vivido dias complicados. Tudo começou... Bem, não sei ao certo quando exatamente tudo começou, mas tenho andado deprimida e andei sem vontade de escrever, mas de repente senti minha cabeça se abrir e uma compreensão de certos fatos veio acalmar meu coração, acho que estou amadurecendo. A chegada da minha menininha trouxe consigo inúmeras transformações em minha vida e hoje me vejo num labirinto, perdida, por vezes no escuro, certas horas se acendem umas luzinhas, vamos ver onde isso vai dar. Estou buscando o que fazer da minha vida e tudo anda muito confuso, é um momento delicado e dificil. Mas de uns dias pra cá eu me dei conta de que perdi uma grande oportunidade de relatar os fatos da vidinha da minha riqueza, o tempo passou, e eu, ocupada que estava tentando me achar de volta neste mundo, não aproveitei. E nem sei se vou conseguir fazer isso agora.
Meus dias tem sido cinza. De repente me dou conta de que minha mãe também anda escapando de mim, de um jeito, mas tudo está diferente agora. Eu passei um longo tempo questionando o por quê disso e daquilo e enxergando milhões, milhões mesmo, de defeitos nesta mulher que é a minha mãe, ela me decepcionou quando eu me tornei mãe e foi difícil pra mim conseguir processar e elaborar tudo isso até enfim compreender que, não é que ela se tornou uma pessoa ruim ou eu enxerguei uma mãe com . defeitos que antes eu não enxergava, mas ela está envelhecendo e isso dá a ela a liberdade de ser de qualquer jeito. E agora ela está doente e eu começo a temer perdê-la também, embora já a tenha perdido. A mãe que de um jeito todo errado, sempre me ajudava, agora precisa de ajuda e eu estou tentando ser melhor pra ela também.
Por que é que eles, os velhos, esqueceram de passar adiante a sabedoria das mudanças da vida? Ah, é, nós jovens é que faltamos à aulas.
Só sei que está tudo diferente. E eu ando tão ocupada sofrendo por nem sei o quê, mas sem encontrar a saída de nem sei de onde, que o tempo está passando. Hoje olhei o calendário enquanto agendava um exame e tomei um susto, susto mesmo, quando li "junho". Devo estar ficando maluca, como se eu não soubesse que era junho. O que será tudo isso?
E enquanto me indigno com a passagem do tempo, vou tentando encontrar um jeito de falar de morte com a minha pequena. Sabe uma coisa muito legal? Minha fofa tem adoração pela vovó Tetê, minha mãe. Tomara que ela viva muito ainda. Sei que minha pequena também seria apaixonada pelo vovô Anizio se o conhecesse, então esse lugar especial da minha mãe no coraçãozinho dela é como um presente pra mim. Como eu sei dessa adoração? Minha pequena vai pra escola e a professora faz o papel de nos contar o que nós mesmos não conseguimos saber.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
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