Hoje, 04 de dezembro, fez um ano que meu pai fez a cirurgia de retirada do tumor. Lembrei-me ontem, lembrei-me hoje de madrugadinha quando acordei, no horário de sempre, para ir ao banheiro, como boa gestante que sou. Lembrei que um ano atrás devo ter acordado no mesmo horário para ir ao hospital esperar com ele pelo inicio da cirurgia. Meu pai, com 75 anos, tinha direito a ter acompanhante, garantido pelo estatuto do idoso. Ele foi atendido no Hospital São Paulo, que pertence à UNIFESP, pelo SUS. A enfermeira nos orientou a guardar energia para quando ele precisasse de ajuda, então ele ficou sozinho nos dois dias de pré-operatório. Acordei, acordamos, eu e minha mãe, e antes das seis da manhã já estávamos chegando lá. Ele subiu pro centro cirúrgico perto das oito. Minha irmã chegou de Cambuí, não lembro se ela o viu. Depois de um tempinho trouxe minha mãe pra casa, ela estava com uma gripe, e retornei ao hospital para esperar lá. A enfermeira disse que não adiantava muito a gente ficar lá porque as noticias só vem quando o procedimento termina, como se a gente conseguisse arredar o pé de lá, né. E assim foi. Hoje pela manhã rememorei cada um destes momentos ate adormecer de novo, ainda era muito cedo. Acordei de novo e pensei o quanto meu comemoraria este dia se tivesse chegado até aqui. O tempo era expressão de vitoria e ele desejou tanto comemorar este dia: um ano sem câncer. Passei o dia mexida. Há uma ano atrás tive muito medo de perdê-lo, tivemos muito medo, mas também tínhamos muita esperança. E hoje ele não está mais aqui, nem bom, nem doente. Passei o dia mexida. Mais para o fim da tarde conversei sobre isso com meu amigo Nicolino e ele me disse que em novembro fez 34 anos que seu pai faleceu e neste tempo todo não teve um único dia que ele não se lembrasse do pai. Sinto que será assim todos os dias até que de alguma forma essa dor fique assim meio desbotada, mas passar...
Lá pela hora do almoço eu estava atendendo e ligaram da casa da minha mãe. Não pude retornar e acabei esquecendo depois. Quando cheguei em casa tinham ligado aqui também, aí liguei pra saber e fui presenteada com noticia mais bela: meu pai vai virar nome de rua. Não é lindo isso. E hoje, justo hoje. É o nosso presente. Agora além dos nossos corações ele vai estar vivo as olhos de todos que passaram por ali, nossa casa vai ficar na esquina da Rua Lino Lopes da Conceição com Rua Anívio Rodrigues Gonçalves. Daqui há muitos anos, quando as crianças estiverem estudando a historia da cidade vão saber que o nome daquela rua é de um cidadão honrado que viveu para fazer amigos e que muito bem fez com seu sorriso, seu amor e sua dedicação a todos. Quando Luiza puder entender eu poderei mostrar a ela a plaquinha na esquina e dizer assim:"tá vendo aquela placa ali? Tem o nome do vovô." aí quando ela me perguntar porque eu vou poder dizer:" porque ele era um homem muito importante!" Acho que ela vai gostar e vai achar i]legal ter tido um avô que virou nome de rua.
Lá pela hora do almoço eu estava atendendo e ligaram da casa da minha mãe. Não pude retornar e acabei esquecendo depois. Quando cheguei em casa tinham ligado aqui também, aí liguei pra saber e fui presenteada com noticia mais bela: meu pai vai virar nome de rua. Não é lindo isso. E hoje, justo hoje. É o nosso presente. Agora além dos nossos corações ele vai estar vivo as olhos de todos que passaram por ali, nossa casa vai ficar na esquina da Rua Lino Lopes da Conceição com Rua Anívio Rodrigues Gonçalves. Daqui há muitos anos, quando as crianças estiverem estudando a historia da cidade vão saber que o nome daquela rua é de um cidadão honrado que viveu para fazer amigos e que muito bem fez com seu sorriso, seu amor e sua dedicação a todos. Quando Luiza puder entender eu poderei mostrar a ela a plaquinha na esquina e dizer assim:"tá vendo aquela placa ali? Tem o nome do vovô." aí quando ela me perguntar porque eu vou poder dizer:" porque ele era um homem muito importante!" Acho que ela vai gostar e vai achar i]legal ter tido um avô que virou nome de rua.

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