segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

E a vida segue...

Quanta coisa boa a gente tem na vida, ! Dias de sol, barulho de crianças brincando, cachorro abanando o rabo, pedindo carinho...
O que mais me deixa indignada na historia da doença do meu pai é que eu sempre soube que seria assim, me dizia minha intuição. Meu pai tinha um jeitão arrogante, vivia se gabando de que gozava de boa saúde e não precisava de médico. Eu sempre desconfiei de que em algum momento alguma coisa o derrubaria e seria assim, algo grave, porque como ele achava que não ficava doente, também não conhecia exames preventivos. Apenas na minha imaginação seria mais sofrido e duraria mais tempo. Então sofri tempo demais por desconfiar disso. Por outro lado, parece que só aproveitamos de fato a vida quando nos damos conta de nossa finitude, não é?
Estou com muitas saudades, parece que já são 10 anos sem ele, mas o tempo tem dado conta de resignificar esta saudade.
Estamos preparando o cantinho da Luiza. É engraçado porque há um ano eu preparei o mesmo quarto pra chegada e conforto dele. Tiramos umas tranqueiras de lá, compramos uma bicama, colchões, lençóis novos, tudo para que ele ficasse bem acomodado se recuperando da cirurgia. E agora cá estamos de novo numa faxina bem mais enérgica, tentando realmente dar fim no maior número de tranqueiras pra que Luiza chegue num castelo e ocupe seu lugar de princesa. O mesmo espaço. Eu não gosto de ficar relacionando uma coisa com a outra, porque é peso demais pra quem chega, mas as coincidências são muitas. Deus chamou de volta meu pai e me mandou Luiza. E ela cresce, e ela mexe, tá muito sapeca, é o dia inteiro fazendo algazarra na minha barriga. Às vezes interage, às vezes faz doce, é uma pessoinha que já tem vontade própria. Quanta riqueza, meu Deus, tem essa vida.
E meu marido, lindo, que eu amo e que me ama também. Tem coisa melhor nesta vida que família? Meu marido é quem me dá apoio, me sustenta, me segura quando quero cair, me puxa quando quero parar, me devolve a esperança quando perco minha fé. Acho que tudo isso foi o que mais desejei ter na vida: um amor, um marido apaixonado, uma filhinha sapeca e um cachorro espevitado. Para dizer a verdade o cachorro veio de troco, mas já não consigo pensar na vida sem ele, apesar de muitas vezes querer eliminá-lo de minhas vistas.

Obrigada paizinho, boa parte de toda essa riqueza foi o senhor que me ensinou a valorizar. Nas inúmeras vezes que fomos visitar suas irmãs e sua madrinha, nas inúmeras vezes que o senhor me levou à força pra visitar a minha madrinha e brigou comigo quando eu, adolescente, lutava para me livrar de tudo isso. Obrigada paizinho por me receber nesta vida e me dar uma família grande e unida, que é o exemplo que hoje sigo pra construir a minha família. Obrigada por acolher o meu marido como a um filho e por abençoar meu casamento. Obrigada por sorrir pra minha filhinha antes de partir. Obrigada por me contar o quanto, à sua maneira meio esquisita, o senhor amou a minha mãe. Tudo isso hoje faz de mim o que sou e o que desejo me tornar, uma pessoa todo dia melhor. Que Deus o receba de volta e quem sabe, se isso for possível, dia destes a gente se encontra, quem sabe... por enquanto olho o céu e vejo a estrelinha lá brilhando, aquela que faço de contas que é o senhor fazendo diferença aí em cima e que vou ensinar a Luiza a admirar também. Gostaria de poder te pedir assim: volta logo! se puder, venha me ver nos meus sonhos, estou com muitas saudades, mas estou bem, vivendo feliz cada minuto da espera de nossa pequenininha que Deus enviou para que o senhor pudesse partir...

Um comentário:

LucianaArruda disse...

boa faxina, faça uma prece em cada canto, borrige essência de alecrim para proteção e boraajeitar as coisas da princesinha!! e que lindo seu pai virar nome de rua, com certeza ele está todo orgulhoso! beijo enorme, obrigada pelo carinho...e,assim que ficar pronto o dvd do espetáculo vou enviar pra vc,viu?! te amo!