quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Histórias de Natal.

Tenho várias, mas quem não tem. Esta noite, quando fui me deitar e o sono demorou um pouco a vir descobri enfim o que me causou essa crise toda de idade. Alguns sonhos e desejos de criança e adolescente já não são possíveis mais, já passou. E quem me disser que não liga de ver o tempo passar, sinto muito, mas para mim está mentindo. Talvez eu ainda consiga dançar ballet ou andar de patins, mas daqui pra frente será a "coroa" ou "idosa" que se superou, sem contar na dificuldade. Minhas costas doem de segurar minha filha e semana passada sucumbi, tive de ir ao médico. E não vai adiantar tomar o remédio porque a dor vai passar e vai voltar, preciso mudar de postura, de vida, de rotina, como se fosse coisa fácil. Prometo nunca permitir que a Luiza abandone a prática da atividade física, assim nunca passará por isso.

Estivemos em Águas de São Pedro no fim de semana com a galera, nossa galera, sim, ainda a temos apesar do tempo. E a mesma galera ficou impressionada com as aberturas de pernas da Luiza, já nasceu bailarina. Será que um dia fui assim? Tenho minha dúvidas. E ela corria, corria, pulava, brincava, dançava, uma delicia de ver e eu exausta e com dor. Agora é assim. Sempre tive dificuldade de passar pra próxima fase, tenho mania de elaborar o luto, preciso disso pra continuar. É uma necessidade infinita de não deixar nada para trás, nada por fazer, nada de arrependimentos. De viver intensamente cada momento, cada fase de vida, mas confesso: estou confusa. Quando criança, a gente quer ser grande. Aí crescemos e queremos ter 18. Aí fazemos 18 e queremos morar sozinhos. E estudar, formar, casar, ter sucesso profissional, ter filhos. E depois de tudo isso, o que a gente deve querer? Ver os filhos criados e felizes? Ah, mas isso é a realização do outro, claro que um outro demasiado importante capaz de nos fazer abdicar de nós mesmos, mas, temos que abdicar de tudo?
Uma velhice tranquila? Ah, me poupe, apesar de em crise e entrevada, isso ainda está longe de acontecer, já tenho 34, mas só tenho 34. Se vou viver até os 70, ainda tenho metade mais um ano. E aí?

Bom, tenho alguns planos: estou ensaiando voltar a trabalhar de verdade, ter um emprego mesmo, quem sabe. E ter outro filho depois do emprego (conquistado e estabilizado). Uma casa maior. Talvez conhecer alguns lugares. Tá, tudo bem, mas e aquele fervor de ser criança, ser adolescente, aquela comichão que a gente sente desejando que logo o aniversário chegue porque num passe de mágica seremos donos do nosso nariz? Não consigo me lembrar onde foi que isso se perdeu. Quando fiz 30 anos comemorei horrores e escrevi um e-mail pros amigos contando do quanto me sentia realizada e este clima de felicidade perdura até hoje, por isso minha indignação de repente sentir meus pés cravados no chão desta maneira. Eu precisava mesmo passar por isso? Não podia continuar iludida acreditando que logo conseguiria me equilibrar nos patins roller que ganhei há alguns Natais atrás, ainda que sem nunca tentar?

Mas o titulo diz: Historias de Natal. Como já disse, tenho várias, mas quero contar só uma: a do único Natal que teve árvore cheia de presentes embaixo, fizemos amigo secreto e eu ganhei a minha sonhada boneca Suzi (uma similar da Barbie). Tinha papais noéis de chocolate pendurados na árvore e todo dia eu ia lá roubar um. Como toda criança eu ficava ávida pela chegada deste dia apesar do Papai Noel só existir na casa das outras pessoas. Mas minha mãe dava um jeitinho, sempre tinha um presente, ainda que baratinho. Mas esse Natal minha irmã mais velha que sonhava com um Natal diferente, igual ao das outras famílias, preparou a árvore, inventou o amigo secreto, ajeitou os presentes debaixo dela. Não me lembro quantos anos eu tinha nem como foi a troca dos presentes, mas esta foi a primeira vez que meus olhos brilharam diante das luzinhas de Natal. E que chegue logo o próximo. Amém.

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