Viver em São Paulo às vezes é como entrar num filme, numa novela. Aquele barulho de carros passando, sirenes, muito barulho, "balalhão", como fala minha pequena. Ontem vi uma cena curiosa, ao menos para mim. Saía do metrô de volta pra casa quando primeiro ouvi o som de um helicóptero e depois vi pessoas torcendo o pescoço para olhar para cima e ver aquela "maquina" enquanto pousava em cima de um prédio. Cresci numa cidade muito pequena no interior de Minas. Nem tão pequena, nem tão interior, mas nem de longe se parece com isso aqui, nem de muito longe. Lá, quando passava pelo céu um helicóptero ou avião era evento importante, todo mundo parava onde estava, o que estava fazendo para olhar para o céu. As pessoas saíam de dentro dos comércios, iam para as janelas das casas, mas ninguém podia perder. E ai de quem estivesse no banheiro no momento. É que estas "super máquinas" passam muito rápido por uma cidade pequena desaparecendo logo no horizonte. Quem não viu, perdeu. Mas aqui? Confesso, foi quase um dèjá vu àquela cena. E de repente meus neurônios se ligaram num momento tão comum hoje na minha vida e pude ouvir o barulho dos carros, dos ônibus, misturado com a conversa das pessoas e mais uma tanto de sons diferentes e misturados, me senti no cinema, mas desta vez estava dentro da tela. Vim morar ao lado da sede de um grande banco e bem próximo ao Aeroporto de Congonhas e todos esses sons fantásticos e cinematográficos passaram a fazer parte do meu dia a dia, quase como o barulho do isqueiro acendendo o fogo e a água caindo da torneira na caneca de alumínio, que depois era colocado sobre o fogo para se tornar um delicioso cheiro de café feito por meu pai, vindo da cozinha direto para meu quarto e para integrar meus sonhos. Huuuuummmmm, se fechar os olhos posso de novo sentir àquele cheiro de coisa boa, de infância, de amor. E claro, o som dos passos firmes do 752. Hoje, às 5 da manhã, mesma hora do café de outrora, não sinto cheiro algum, mas ouço os primeiros ônibus que começam a circular pela avenida e lá pelas 6 passa por minha cabeça o primeiro avião. Os helicópteros, tem dias que são muitos o dia todo, num ir e vir ritmado, posso vê-los de minha janela, penso que deva estar acontecendo algum evento com gente importante demais para enfrentar o tráfego rodoviário. Às vezes ainda abro a cortina da sala para observá-los. Mas tudo isso foi aos poucos se tornando a minha rotina. Lembro-me da minha primeira vez na Avenida Paulista e a a sensação de ser "uma caipira na cidade grande", que dor no pescoço, os altos prédios são muito mais altos ao vivo. Ainda criança construíram o primeiro prédio na minha cidade, tinha 7 andares e eu acho que nunca tinha visto um tão de perto em minha vida. Certa vez, andando com minha mãe e minha irmã na rua, enquanto minha pequena mãe se contorcia para olhar no mais alto ponto daquele prédio recém construído, vi que ela se chocaria com o poste à sua frente. Ah, eu era criança, não me contive e antes mesmo dela trombar com o mal educado poste que não lhe deu passagem,eu já me acabava de tanto rir. E ri por anos a fio contando esse fato, até que perdeu a graça. Pois é, acabo de rir de novo.
Ontem, por uns poucos segundos, voltei a sentir o encantamento de chegar aqui, de ver e ouvir o gigante de pedra e asfalto. Desembarquei em São Paulo, terra onde ousei levar meus sonhos ainda criança e que, com persistência e fantasia, tratei de conquistar. Estou onde sempre quis estar e, apesar do que dizem por aí, eu amo e sou muito feliz aqui, entre carros, helicópteros, aviões e sonhos. E muito torcicolo para admirar toda esta beleza.
Ontem, por uns poucos segundos, voltei a sentir o encantamento de chegar aqui, de ver e ouvir o gigante de pedra e asfalto. Desembarquei em São Paulo, terra onde ousei levar meus sonhos ainda criança e que, com persistência e fantasia, tratei de conquistar. Estou onde sempre quis estar e, apesar do que dizem por aí, eu amo e sou muito feliz aqui, entre carros, helicópteros, aviões e sonhos. E muito torcicolo para admirar toda esta beleza.

Nenhum comentário:
Postar um comentário