Nunca acreditei em Papai Noel. Porque estas lendas são contadas aos filhos pelos pais e os meus, tão simples. E coelhinho da Páscoa e fada do dente e outros e outros, nem sei. Fui criada por alguém que foi tão privada de tudo, desde o mais essencial, quem dirá o fantástico. Minha mãe perdeu a sua mãe aos 2 anos de idade. Foi criada um pouco na mão de madrasta, um pouco na mão de vó e de tia, um pouco na mão de ninguém. Desde muito pequena aprendeu a não desejar sequer um colo quentinho e acolhedor pras noites de medo, o que mais ela poderia ensinar? E foi assim comigo, minha infância foi um eterno "não pode ter". Nem sei se as coisas eram tão caras assim, mas o fato é que nem ousava pedir, então era melhor mesmo que Papai Noel fosse coisa de televisão. Mas não faltava nada de essencial em casa. Ninguém passou fome ou frio e para mim tinha presente de Natal, de aniversário às vezes, e ovo de Páscoa. Mas era assim: quando muito pequena minha mãe escolhia o que eu ia ganhar. Teve até um Natal que eu ganhei panelinhas. Eram grandes e serviam para guardar o que sobrava do almoço, tinha dupla utilidade. Quando penso que minha mãe escolheu o presente de acordo com sua própria conveniência acho meio cruel. Não eram as panelas que tinha imaginado, mas eram lindas, amarelinhas. Enfim, ao menos tinha presente e eu, criança doce e obediente, treinada para não desejar o que jamais poderia ter, ficava feliz de qualquer jeito. Meus Natais foram ficando tristes à medida que crescia, ficava moça, quando criança não. Achava natural minha vizinha ganhar boneca a pilha, o pai dela tinha mais dinheiro. Ou o pai dela achava isso importante e o meu não, e nem era maldade dele, coitado. Nunca tive um brinquedo a pilha e hoje até aqueles brinquedinhos muito vagabundos que a gente compra em camelô tem pilha, mundo moderno. E eu fui crescendo sempre acreditando que qualquer coisa era melhor que coisa alguma, ainda que só uma bobagem, ao menos eu não era esquecida como foi a minha mãe. E minha vida sempre foi uma realidade muito real. Sem lendas, sem crendices, apenas as de que o Papai do Céu está vendo, então melhor andar na linha. E aquelas besteiras de que não se pode comer manga e tomar leite. Mas não sem sonhos, eu acreditava em princesas e em contos de fadas. E no príncipe salvador que vinha no seu maravilhoso cavalo branco e me livrava da maldição da bruxa malvada (uma vida cheira de privações) e me levava para viver no seu castelo (uma vida mais fácil, mais confortável), junto com toda a minha família, mas não sem antes receber a bênção de Deus. Acho que já nasci com alma rebelde, por que tinha que conformar de que seria sempre assim? E de fato não foi. Fui além, muito além. Graças aos meus irmãos que me "batizaram" com a promessa de que minha vida seria diferente. Graças a meus amigos e amigas de infância,que tinham exemplos diferentes em suas vidas que me influenciaram também, graças a meus pais, que mesmo com tanta falta e mesmo sem entender que caminho era esse que resolvi trilhar, me me apoiaram, e graças a Deus, que permitiu que fosse assim. Certa vez fui fazer as unhas em Bauru, onde estudava, e conversa vai, conversa vem, a manicure me disse que um dia ela iria estudar Psicologia também. Um dia. Claro que esse "um dia" nunca seria o dia, a oportunidade e folgo em saber que não me conformei e meu dia chegou. Busquei com ansiedade e vigor e persistência, e o encontrei.
Mas e agora? Papai Noel virá visitar nossa casa neste Natal? Não sei. Pode parecer um dilema bobo, contar ou não uma lenda. Não sei se quero que minha filhinha cresça enxergando um mundo tão nu quanto o meu, não sei o que fazer. Isso na verdade já estava decidido, Papai Noel não existe e pronto. Na casa do meu marido tinha o Papai Léo (seu pai se chama Leonardo) então concordamos. Mas ano passado, na casa da minha sogra, onde passo o Natal, o Papai Noel veio fazer uma visita e trouxe um milhão de presentes e foi lindo ver nossos sobrinhos, Angelo de 5 anos, e Vicente de 3 anos, encantados com aquele milagre de Natal. Aqueles olhinhos brilhando, meu Deus, eu não sabia que isso existia, que podia ser tão belo e mágico, tão lindo! E foi um quiprocó danado, nem todos os presentes eram deles e ficou difícil controlar a ansiedade de abrir todos os presentes ao mesmo tempo, quase atrapalhando a tradicional troca de presentes que acontece por lá todo ano. Acho que pra esse ano a coisa precisa ser melhor combinada, Papai Noel precisa ser mais claro nas suas regras.
É difícil porque eu não tenho histórias assim pra contar e qualquer coisa que eu conte não virá recheado de encantamento e amor, mas da falta disso.
Vivemos a era do politicamente correto, mas o lobo mal comia a vovózinha na minha época e era sim pra atirar i pau no gato e nem por isso eu e meus amigos nos tornamos bandidos. Problemas de auto-estima? Quem não tem? E o Papai Noel, o que eu faço com ele?
Quem sabe se eu escrever uma cartinha com aqueles desejos secretos escondidos no meu coração desta vez ele não me atende?
Mas e agora? Papai Noel virá visitar nossa casa neste Natal? Não sei. Pode parecer um dilema bobo, contar ou não uma lenda. Não sei se quero que minha filhinha cresça enxergando um mundo tão nu quanto o meu, não sei o que fazer. Isso na verdade já estava decidido, Papai Noel não existe e pronto. Na casa do meu marido tinha o Papai Léo (seu pai se chama Leonardo) então concordamos. Mas ano passado, na casa da minha sogra, onde passo o Natal, o Papai Noel veio fazer uma visita e trouxe um milhão de presentes e foi lindo ver nossos sobrinhos, Angelo de 5 anos, e Vicente de 3 anos, encantados com aquele milagre de Natal. Aqueles olhinhos brilhando, meu Deus, eu não sabia que isso existia, que podia ser tão belo e mágico, tão lindo! E foi um quiprocó danado, nem todos os presentes eram deles e ficou difícil controlar a ansiedade de abrir todos os presentes ao mesmo tempo, quase atrapalhando a tradicional troca de presentes que acontece por lá todo ano. Acho que pra esse ano a coisa precisa ser melhor combinada, Papai Noel precisa ser mais claro nas suas regras.
É difícil porque eu não tenho histórias assim pra contar e qualquer coisa que eu conte não virá recheado de encantamento e amor, mas da falta disso.
Vivemos a era do politicamente correto, mas o lobo mal comia a vovózinha na minha época e era sim pra atirar i pau no gato e nem por isso eu e meus amigos nos tornamos bandidos. Problemas de auto-estima? Quem não tem? E o Papai Noel, o que eu faço com ele?
Quem sabe se eu escrever uma cartinha com aqueles desejos secretos escondidos no meu coração desta vez ele não me atende?

3 comentários:
Deixa o Papai Noel vir.....
Amo a forma como escreve e nos reconta as suas histórias. Acho que o Papai Noel, assim como o Coelhinho da Páscoa são seres mágicos e a fantasia pode sim estar presente na vida de uma criança, que o diga os olhinhos brillhantes de seus sobrinhos. Então, neste Natal, monte sua árvore encantada (pq não há nada mais encantador e mágico que árvore de natal com luzinhas coloridas, né?), coloque as meias na janela e deixa que o bom velhinho invada também o seu coração. E se para isso for necessário uma cartinha, pq não?
bjs,
Flávia
www.baudetesourosbyflavia.blogspot.com
Nívia, tem uma brincadeira para vc lá no blog.
Bj gde,
Flávia
http://conexaoflavia.blogspot.com/2010/11/brincadeira-da-tag-ou-falando-de-mim.html
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