Continuando. Meu pai promoveu meu namorado a noivo e assim ficou sendo até que me casei dois anos depois. Quando voltamos ao Brasil, fomos morar juntos, quer dizer, mais ou menos, o Dri alugou um apê e eu deixei umas coisas lá. Meu pai nunca tocou no assunto. Nos casamos e começaram as perguntas sobre como era nossa casa. Depois de uns meses de casamento nos mudamos pra um lugar maior e logo meu pai veio nos visitar, veio dar um passeio por esta terra de gigantes.. Passeio escolhido por ele: o zoológico. Essa era uma das coisas adoradas por ele, bichos. Eu nunca tinha ido ao zoológico daqui, só tinha ido ao de Bauru que tem pinguim e fui várias vezes. Acho que tinha uma criança dentro dele que nunca cresceu, porque ele adorava zoológico e circo. Chegamos no zoo e eu estava ansiosíssima pra ver a girafa, eu nunca tinha visto uma pessoalmente! Logo na entrada, eu muito aflita, de repente paro bem em frente a ela: a Dona Girafa, linda, imensa, era muito melhor do que eu imaginava, fiquei fascinada, me senti criança de novo sendo levada pela primeira vez no zoológico pelo meu pai.Quando criança ele sempre me levava pra passear. Costumávamos frequentar as casas dos parentes dele que em grande parte ainda moravam na zona rural. Eu adorava. Corria atrás das galinhas, tentava pegar os pintinhos e patinhos, mas as donas mamães dos bichinhos eram bem bravas. Andava pelo meio do pasto entre vacas e cavalos e quando eu ficava com medo,meu pai me carregava no colo. Quando eu tinha uns 7, 8 anos, meu pai me deu meus primeiros bichinhos de estimação: um casal de galinhas garninzé, que é uma galinha que não cresce muito, tipo uma galinha anã. Elas não tinham nome, mas viveram um bom tempo no meu colo como se fossem gato ou cachorro. Elas eram bem ariscas quando chegaram, mas com o tempo foram ficando mansinhas, eu chamava e elas vinham. Não lembro quando tempo durou. Meu pai trouxe outro galo mais bonito que aquele e teve que levar aquele embora, é porque não existem dois galos no mesmo terreiro. E elas foram ficando até o dia em que o galo foi atropelado. Ficamos desesperados, tinha que sacrificar o bichinho, mas ninguém conseguiu. Virei enfermeira, cuidei dele até ficar bom e acabei concordando que o melhor mesmo era ele voltar pra roça, que não tinha tanto perigo. Tempos depois fui visitar meus bichinhos e minha galinha já não se lembrava de mim, mas estava bem, parecia mais feliz lá no terreiro da Tia Iracema, então mesmo triste, fiquei tranquila. Eu costumava adotar todos os gatos que apareciam por lá, mas meu pai nunca permitiu que eles ficassem. De cachorro eu tinha medo. Depois de adulta fui descobrir que meu pai teve um cachorro quando casou-se com minha mãe que era seu companheiro. Era um vira-latas de rua que o acompanhava de manhã quando saía pra trabalhar e o esperava de volta à noite, quando voltava. O bichinho teve um tumor e precisou ser sacrificado. É que naquele tempo Cambuí nem tinha veterinário. Penso que seu sofrimento foi tão intenso por ter de fazer esta escolha que nunca mais quis esse tipo de bicho, o que explicou muita coisa. Até que chegou o Johnny. O Johnny é um Yorkshire que minha irmã comprou pra minha mãe, mas que ela não quis, porque cachorro de raça é muito melindroso. Aí minha irmã resolveu devolver e o bichinho ficou por uma manhã na casa dos meus pais, aguardando ser buscado. Não saiu mais de lá. No começo chorava a noite inteira e escolhia os lugares mais inusitados pra fazer suas necessidades, mas encantava a todos com seu carinho. Aí foi adestrado e os problemas terminaram. De noite ele ia chamar meu pai pra sentar no sofá pra ele deitar ao lado e colocar a cabeça no colo do meu pai, era lindo de se ver. Depois que meu pai partiu ele não deitou no colo de ninguém. Agora eu também tenho um cachorro, o Manchinha, que é um vira-latas de raça, branquinho, lindo, mas uma pimenta. Nem sei o que vou fazer quando a Luiza nascer, falta espaço pra tanta gente aqui em casa, mas na hora a gente vê.
Quando ia circo pra Cambuí, lá íamos nós ver os leões e os macacos, mas variedade mesmo só fui ver no zoo em Bauru. Queria ter levado meu pai lá, mas não deu. Embora ele tenha ido algumas vezes me buscar, me levar, ele tinha uma pressa de voltar pra casa. No dia da girafa aqui em São Paulo também não foi diferente. Fomos ao zoo, depois pro shopping, coitadinho, quase matei meu pai de fome, é porque a gente tá acostumado a ficar o dia inteiro sem comer, mas pessoa da idade dele não pode passar muito do horário. Depois fomos ver os aviões pousando e decolando do estacionamento do shopping, mas a vista de lá não era privilegiada como a daqui de casa. Aí ele quis voltar pra casa.
A girafinha da foto foi o primeiro presente que nós, papai e mamãe, compramos pra Luiza, foi uma semana antes de sabermos que ela é ela. Vimos numa loja e nos encantamos, meu pai já tinha partido, mas estou certa de que ele também se encantaria por bicho tão simpático. Esse encantamento por estas pequenas coisas que meu pai me ensinou a ter é que preenchem de um sentido especial toda a minha existência e torna tudo à minha volta tão belo. Já falei em outro post que nenhum passarinho me passa despercebido e nem bicho algum. Meu pai se encantava até pelas lagartixas que, diga-se de passagem, tenho pavor, não acho nada encantador, mas ele achava, todas criaturas de Deus que merecem ser respeitadas acima de tudo. Fala a verdade, meu era ou não era um homem muito especial? E girafa de estimação só assim mesmo, de pelúcia.

2 comentários:
eu ainda tenho aquele postal da Irlanda, lembra?? beijo grande
Lembro, claro. espero não demorar muito a te mandar outro.
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